[0:00]Eu vou lê-lo de uma vez, então, preste atenção. Fique aqui comigo. Ó Deus, tu és o meu Deus forte. Eu te busco ansiosamente, lá na caverna. Tu és o meu Deus forte. Eu te busco ansiosamente. A minha alma tem sede de ti. Quem sabe a sede que ele tivera de Deus a vida inteira, voltou a acontecer nessa hora em que ele estava destituído de tudo. Outra vez Deus cresce dentro dele. Meu corpo te almeja, numa terra seca, árida, exausta, sem água. Eu te quero. Eu te preciso como o meu corpo precisa de água. Assim eu te contemplo, eu te desejo, eu te projeto. Para ver a tua força e a tua glória. Porque a tua graça, o teu favor merecido é melhor do que a vida. Eu quero a tua graça mais do que viver. Eu quero saber que eu estou dentro da tua graça. É difícil pensar na graça de Deus, quando tem um filho teu querendo te matar e você tá escondido. Parece que Deus se foi. E ele diz, eu quero a tua graça. Porque é melhor do que viver. Os meus lábios te louvam, no eco dessas cavernas ouve a minha voz. Assim cumpre-me bem dizer-te enquanto eu viver, em qualquer fase da vida, não apenas quando está tudo bem. Mas como era na minha juventude, quando eu vivia de gruta em gruta e te louvava com a alegria de estar vivo. Em teu nome eu levanto as minhas mãos, lá dentro da gruta e invocava o nome do Senhor. Como de banha e de gordura farta-se a minha alma. Hoje em dia isso aqui é um crime dietético, não é? Mas no passado não era. No passado as pessoas queriam comer a banha e a gordura que é o mais gostoso. Quando eu tenho que cortar numa picanha, aquela gordura todinha pra não ir comer, porque, pra não entupir as minhas artérias e coronárias, eu faço isso com muita dor. Porque eu adoro uma banha e uma gordura. Meu Deus, meu nome é maior cotó. Eu adoro chupar, roer, comer tudinho.
[2:46]Eu tenho essa coisa primitiva, lá da caverna, eu gosto de banho e de gordura. E ele diz, assim como de banha e de gordura farta-se a minha alma, alma, nepash, no sentido de o prazer do meu ser. E com júbilo nos lábios, a minha alma te louva no meu leito, quando de ti eu me recordo. Lá no chão, no pano, na capa estendida no chão da caverna, eu me recordo. E em ti medito durante a vigília da noite. Tu, porque tu me tem sido auxílio. Toda a minha vida, desde que eu era apenas um jovenzinho. Tu me tens sido auxílio, a sombra das tuas asas eu canto jubiloso. A minha alma pega-se a ti. A tua destra me ampara, porém, os que me procuram a vida para a destruir, e dentre eles estava o filho Absalão, abismar-se-ão nas profundezas da terra, do Seol. Eles vão se sepultados em sepulturas, em valas comuns, nos vades do deserto, aí cairão e aí ficarão. Serão entregues ao poder da espada e virão a ser pastos de chacais. Significa dizer que os corpos deles iriam virar carniças no deserto e os chacais se fartariam comendo. O rei, porém, o rei é ele, se alegra em Deus. Quem por ele jura, gloriar-se-á. Quem por ele, nele confia. Gloriar-se-á, pois se tapará a boca dos que proferem mentiras. E ele sabia que tudo aquilo tinha acontecido por causa de mentiras. Agora, preste atenção, porque o que eu tenho a dizer vai começar exatamente agora. A pergunta, o Braulio vai colocar uma pergunta para você aí que eu quero que seja a pergunta que você guarde. E a pergunta é, o que é que isso tem a ver com você? O que isso tem a ver comigo?
[5:11]É provavelmente o que você esteja perguntando. E eu quero tratar apenas de duas implicações daquilo que tem a ver comigo e com você, agora. Em razão dessa história, em razão desse contexto, em razão desse Salmo. Em razão dessa história ambientada do Salmo. O que isso tem a ver com você? Em primeiro lugar, aprender a lição de estar com a família, com um filho, querendo te matar, te odiando. Querendo a tua eliminação, querendo nunca mais te ver. O que frequentemente destrói a gente? E eu sei que tem muita gente aqui que não pode nem entender o que é isso, mas existem algumas pessoas agora aqui ao vivo em todas as plataformas, tanto quanto haverá durante o dia, dentre milhares que ouvirão até a noite e depois nos outros dias, uma quantidade imensa de pessoas.
[6:21]Que poderiam entender completamente o significado de estar sendo perseguido, maltratado. Ou cuja vida é desejada como morte por um filho, ou por filhos ou até por família inteira. A primeira coisa do que isso tem a ver com você é, é o ensino. Você pergunta, o que isso tem a ver comigo? E aí vem a primeira coisa, que isso tem a ver com você, é que o ensino, bota aí, Braulio, meu amigo, pro pessoal ver, por favor. Isso ensina, nos ensina a tratar de angústias que vêm de dentro de casa.
[7:07]E eu queria que você repetisse comigo. Isso nos ensina a tratar de angústias que vêm de dentro de casa.
[7:23]Eu nunca tive nenhum filho assim, graças a Deus. Os meus filhos sempre me amaram, todos eles, todos os que Deus me deu, me amaram. Mas eu já tive um filho que surtou durante dois anos.
[7:43]O meu filho Lucas. E não era nada contra mim. Era contra a vida. E me deu muita angústia de ver aquele filho se tratando mal. E não foram poucas as vezes que eu li os Salmos, dentre os quais esse aqui, pensando na história de se ter um filho que se desgarra do espírito familiar e do espírito da sombra da paternidade, do amor paterno, que no caso de Davi era um xodó, mas não era uma prática de amor que chama, corrige, disciplina, exorta, anima, põe o filho no lugar e o ajuda a viver. Esse Salmo, todavia, no drama final, quando Davi tá dentro do buraco, com um filho querendo matá-lo e exércitos que o filho reuniu lutando contra os homens que com ele, Davi ficaram. É aí que ele faz essa oração na escuridão da noite, dentro do buraco, como algumas pessoas estão aqui comigo, dentro do buraco na escuridão da noite. E esse Salmo nos ensina a tratar a angústia que vem de dentro de casa. E você trata essa angústia, sabendo que o teu Deus é o teu Deus, que ele é o Deus forte. Que ele te ama, que a graça dele está presente ainda que você esteja vivendo a aridez da vida, sem ambiente pra respirar. Ainda que você se sinta exilado de tudo que foi paz e conforto da sua existência, você almeja pela graça, que é maior e melhor do que a vida. Você almeja pela gordura do banquete da bondade de Deus na tua existência. Você crê que não será privado disto. No meio daquela agonia, você tem uma dieta de prazer a propor para si mesmo. E você sabe também que o Senhor tem sido o seu auxílio. Você lembra do passado e admite que o presente não tem o poder de mudar Deus em mim e nem para mim. O presente não tem o poder de mudar Deus em mim e nem para mim, quando eu digo a ele com sinceridade, que a sua graça é melhor do que a vida. E mais, quando a nossa alma se apega a ele. Quando a gente sabe que ele nos ampara. Não apenas quando os sinais do amparo tem a ver com bonanças, mas quando o sinal do amparo é o amparo no meio da angústia. Quando a gente entende isso. E quando a gente não fica com medo de que o tratamento atual da existência, seja algo que se perenize contra nós. A gente sabe que esse mal tem um fim.
[11:21]É o que Davi ensina neste Salmo. E que está e tem a ver com o espírito do evangelho, o espírito da fé, o espírito do bom combate, o espírito da esperança. O espírito da ressurreição que diz Lázaro vem para fora. Ele sabia que sairia da gruta, vivo. Ungido com a graça de Deus. É isso que em primeiro lugar a gente tem que aprender. Porque o que esse Salmo ensina é a fazer com que a gente aprenda a tratar de angústias que vêm de dentro da nossa casa. E tem muita gente aqui sofrendo angústias que brotaram de dentro de casa, do marido perverso. Que existe a margem do feminicídio. Que espanca você, que odeia você e que é teu marido. De quem você não sabe se divorciar. Ou são filhos oprimidos por pais, ou são pais oprimidos por filhos, ou são avós despojados, empobrecidos e abandonados pelos seus filhos e pelos seus netos.
[12:42]Que porventura estejam me ouvindo. Filhos rejeitados pelos seus pais. Filhos que estão no lugar de Davi escondidos em alguma gruta. Filhos que perderam a liberdade de voltar para casa. Este Salmo nos ensina a tratar das angústias que vêm de dentro de casa. E você vai ter que me ouvir uma, duas, três vezes. E lê este Salmo. E se apropriar pela fé. Se apropriar pela fé.
[13:14]A fé se apropria desse bem. Crê e diz, eu vou vivê-lo, eu vou praticar. Aí vem uma segunda lição. A segunda lição para nós é essa que nos ensina, a gente há de fato. Preste atenção nisso, porque eu quero que você repita comigo, não. A gente quando aprende isso, entende isso, internaliza isso, a gente aprende a não permitir que coisas do coração impeçam sua paz com Deus. Coisas do coração impeçam a nossa paz com Deus.
[13:58]Quando a gente internaliza, quando a gente compreende, quando a gente toma posse. Mesmo que nada tenha mudado, que continue tudo igual, Absalão está lá fora. Os homens dele também não veio nenhuma notícia de rendição, de pacificação, está tudo igual. Mas dentro daquela caverna, esse homem tomou posse daquela vitória. Não tinha ainda nenhuma vitória acontecendo. Só tinha uma derrota acontecendo, a derrota de quem resolveu trair o pai e se levantar contra ele. Esse já está perdido. Mas pro pai que está escondido dentro da gruta, cercado pelo filho, ameaçado de morte, de ser degolado. O que esse Salmo ensina nessa reação de um homem que não era nem de longe exemplo de perfeição? Nem de longe, em vários aspectos da vida. Ele era extraordinário em muitos outros. Ele era muito frágil e falível em vários outros. Um deles é nessa relação da intimidade da casa, ele não sabia fazer isso e deixava os problemas virarem montanhas de amargura, montanhas. Como foi o caso de Absalão. Mas aqui, dentro dessa gruta, ele começa a recuperar o espírito que ele tinha perdido. O espírito que ele tinha perdido, quando adulturou e não explicou nada para ninguém, e mandou matar o marido da mulher com quem ele estava adulterando. E foi se tornando um homem diferente daquele que todo mundo tinha conhecido, quando ele era um jovem apenas lutador pela vida e pelo bem. Agora, rei, com palácios, com concubinas, com corte, com uma realeza aduladora. Os Salmos foram diminuindo, as orações foram diminuindo. O conforto foi tirando o espírito de intercessão, a vontade da oração, o clamor que geralmente é filho da necessidade. Quando a gente está com tudo posto, com os banquetes preparados, a oração é aquela que diz, oh, que bom, e começa a comer. É na agonia, na falta do pão que se clama. E aqui é na falta de tudo quanto ele tinha amealhado como sucesso. E de repente, foi obrigado a voltar para as grutas das suas peregrinações angustiadas, as orações voltam, os Salmos são refeitos. O espírito do desejo de Deus, da confiança em Deus, de não ter nenhum bem, nenhum reforço, nenhum amparo, nenhum arrimo. A não ser o Senhor. E ele se apropria disso. E ele confessa isso. Releia o Salmo no espírito do que eu acabei de pontuar aqui numa leitura rápida outra vez. Enfatizando as principais coisas, que são essas que quando aprendidas, não nos permitem, não nos permitem. Bota aí para todo mundo, amigo Braulio, não fique economizando. Não nos permitem mais. Chega um ponto e a gente tem que ser moído.
[17:55]O conforto não, não ensina isso. É o desconforto. É a angústia, é a perseguição, é o desvalor e a perda da autoridade. É a relativização que nos colocam de volta no caminho da oração, da intercessão, do quebrantamento, da entrega, da confiança, da fé. Que não vê nada, que não tem nada. Mas que tem apenas a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não veem, e a ele se apega. E quando pela fé toma essa posse disso, a lição que fica é uma só, isso não permite que coisas do coração impeçam a nossa paz com Deus. Tanto quanto também a gente aprende que é daí desse estado de coisas. Que vem a nossa capacidade de desenvolver resistência. E de aprender a lidar com essas circunstâncias que são as mais horrorosas da vida e só acontecem quando a gente de fato abre espaço para coisas que se tornaram brechas de entrada. Eu vou pedir pela última vez ao meu querido amigo Braulinho, para botar essa segunda coisa aí pro pessoal todo repetir comigo e anotar, anotar, guardar pedagogicamente. E olha só o que eu vou lhe dizer, preste atenção. Esse estado de coisas nos ensina a tratar as angústias que vêm de dentro da nossa casa. Tanto quanto nos ensinam a lidar com essas angústias que vêm contra nós. Não só as de dentro, diretamente de dentro da nossa casa, mas nos ensinam a não nos entregarmos às aparências das coisas que nos cercam e que querem impor sobre nós a certeza de que nós estamos num estado definitivo de derrota. Não, nós não estamos de maneira nenhuma. E é isso que você precisa crer, se apropriar e aprender e tomar posse no seu coração. Você consegue, todo mundo que queira, todo mundo que de fato, não tenha mais. Uma vida que existe apenas pelo que se vê, que se estriba apenas nas aparências das boas coisas. Mas que se apropria pela fé do que ainda não está presente. Mas que a gente toma posse disso, o mesmo Deus que me trouxe até aqui seguirá me conduzindo até o fim do bom combate, quando eu completarei a carreira. E eu guardarei a fé no meu coração. Jesus, eu te peço que essa palavra singela, simples, brando, mansa. Devocional, meiga, de simplicidade. Esteja chegando agora e enxugando lágrimas, renovando esperanças, recobrando forças, fortalecendo braços descaídos e joelhos trôpegos.
[22:00]Que essa palavra que é verdade, tenha seu cumprimento na vida de milhares de pessoas. Em nome de Jesus. Amém. E amém.



