[0:03]No dia 6 e 9 de agosto de 1945, o segundo sol brilhou no céu do Japão. It is an atomic bomb. It is a harnessing of the basic power of the universe. The force from which the sun draws his power has been loosed against those who brought war to the far east. Não é um astro de luz, não era uma fonte de vida, era uma fonte de morte. Em cima das cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki, foram lançadas duas bombas atômicas para encerrar de vez com a Segunda Guerra Mundial. We are now prepared to destroy every productive enterprise the Japanese have in any city. O número exato de mortes nunca vai ser conhecido. Milhares de pessoas foram simplesmente pulverizadas, sem deixar rastros. Os cálculos apontam algo em torno de 150.000 a 250.000 mortes em questão de instantes. O que a gente vai mostrar agora para vocês é como isso aconteceu. Vamos acompanhar quem estava no avião que lançou a bomba e, mais importante, quem estava no chão quando a detonação aconteceu. Foi o maior e único ataque nuclear da história. Hoje, o horror é o protagonista da nossa história. Olá, pessoal, Peter aqui. Se você acompanhou o filme Oppenheimer, você pode ter estranhado um detalhe, né? Em nenhum momento a gente vê a consequência real do que os cientistas produziram. O próprio Oppenheimer ele tem visões sombrias, mas o filme não mostra o resultado concreto da criação da arma nuclear. O filme não mostra os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Foi direção criativa do diretor Christopher Nolan ou foi vergonha? Agora, 80 anos depois desse ataque, a gente continua com medo. É o medo de que tudo aquilo se repita. E é muito importante, galera, que cada um de nós, cidadãos desse mundo inteiro, que a gente compreenda como foi o inferno que foi. E é muito importante a gente entenda para que aquilo nunca mais aconteça outra vez. Está tudo documentado, com detalhes. A gente vai imaginar alguns detalhes aqui ali, mas todo o resto foi real. Duas cidades foram arrasadas por artefatos nucleares que tinham só uma fração do poder de destruição das armas atuais. É muito importante que isso nunca seja esquecido. Então, antes de a gente entrar nesse assunto, eu queria convidar vocês para se inscreverem nesse canal que ainda está nascendo, é um bebê embrionário acontecendo agora. Todos vocês que estão chegando aqui agora, estão vendo um canal novo nascer. Esse, esse vídeo deve ser o sétimo vídeo, eu ainda estou conseguindo contar e é muito importante vocês aqui com a gente, acompanhando todos esses web documentários. A gente vai trazer histórias reais de pessoas, fatos reais que aconteceram na história que marcaram uma geração e às vezes, histórias que ninguém conhece, mas que é legal pra caramba vocês conhecerem. Então, conto com a presença de vocês inscrito com o sininho e também o comentário de vocês aqui embaixo, com dicas pro nosso próximo vídeo aqui nesse canal, casos reais. Vocês podem sugerir qualquer história aqui embaixo que a gente vai fazer um vídeo para vocês. Obrigado, galera.
[2:49]Bom, vamos primeiro contextualizar um pouquinho os eventos. O que que estava rolando em 1945? A gente tinha ali o finalzinho da Segunda Guerra Mundial, né? Itália e Alemanha já tinham sido derrotados. O Japão era o único país que estava lutando e não aceitava uma rendição. Fazia parte da cultura japonesa, era parte deles, da cultura, estava enraizado no japonês. Ao mesmo tempo, a gente tinha o fato do Japão em si estar intacto. Nenhum soldado inimigo tinha pisado em território japonês ainda. O Japão tinha perdido o terreno em lugares que ele já tinha invadido. Mas a pátria mãe, né, por assim dizer, estava livre de inimigos. Os Estados Unidos estava com superioridade militar no fronte do Pacífico. Essa vantagem iria aumentar agora que as forças de ocupação na Europa estavam sendo desmobilizadas. A Europa já tinha sido libertada do nazismo e do fascismo. Então, dava para chamar a maioria dos soldados de volta. Era praticamente garantido que os Estados Unidos iria conseguir vencer o Japão. A grande pergunta na época era: a que custo? Bom, foi nesse momento que os Estados Unidos planejou a chamada Operation Dawnfall, que previa um desembarque em massa nas ilhas japonesas para invadir.
[3:52]Só que seria insano demais. A história já tinha demonstrado que todos os invasores que tentaram entrar em solo japonês, quebraram a cara. Primeiro, pelas próprias características geográficas do Japão, né, com muitas montanhas, muitos vales fáceis de defender. Segundo, porque o povo japonês era conhecido por ser um povo guerreiro, que lutaria até o último homem para defender as suas tradições, seus costumes, sua família. Bom, o cálculo dos militares era de que o exército japonês contava com mais de 2 milhões de homens. Eles ainda poderiam armar e treinar 28 milhões de civis para resistir. Então, tomar o Japão seria uma tarefa muito difícil, que poderia levar anos, poderia provocar baixas maciças dos dois lados. Um estudo conduzido pelo estado maior das Forças Armadas americanas, calculou que os Estados Unidos perderiam algo em torno de 4 milhões de homens, enquanto os japoneses sofreriam baixas próximos de 10 milhões de pessoas. São números astronômicos, impensáveis, brutais. Infelizmente, a única solução para evitar isso também era uma solução brutal, lançar armas atômicas em solo japonês. Bom, a partir desse ponto, a gente vai acompanhar os destinos de duas pessoas. Uma delas é o Coronel Paul Tibbets da Força Aérea dos Estados Unidos. Ele foi o comandante da operação que lançou uma ogiva nuclear em Hiroshima e ele foi o piloto do avião que levou a bomba. A segunda pessoa se chama Sadao Hirano. Ele tinha só 12 anos quando Hiroshima foi arrasada e ele é um dos Hibakushas, um dos sobreviventes dos ataques nucleares. Bom, Sadao Hirano nasceu em 1932 num período de paz. Ele era o segundo filho da família dele e eles viviam nos subúrbios de Hiroshima. Hiroshima era, até então, né, uma cidade industrializada, com forte tradição militar. A Universidade de literatura e Ciência de Hiroshima tinha sido inaugurada só três anos antes. Sadao lembra que a infância dele foi o melhor dos tempos, né? Ele morava perto da praia, ia para lá para pegar conchas, caranguejos e peixes. Eram as pequenas aventuras dele. Bom, enquanto pequeno Sadao estava pegando tatuí na areia, Paul Tibbets estava terminando a faculdade de medicina na Flórida e fazendo uma especialização para se tornar cirurgião de abdome, na Universidade de Cincinnati. Foi então que o Paul percebeu que não queria nada daquilo. Ele queria seguir o sonho dele e o sonho dele era voar. Em 1938, o caminho mais rápido e barato para um jovem conseguir voar era se alistando na Força Aérea, né, pelo período mínimo de três anos. Acompanhando. Quando o período terminou, era 1941. O Japão tinha bombardeado a base naval americana de Pearl Harbor.
[6:10]Os Estados Unidos entrou oficialmente na Segunda Guerra Mundial. A state of war has existed between the United States and the Japanese Empire. Paul Tibbets já tinha se tornado capitão e foi convidado a permanecer na Força Aérea por tempo indeterminado. Bom, enquanto o Paul estava lá fazendo os primeiros voos dele de combate no norte da África e na França ocupada pelos nazistas, Sadao Hirano via a infância dele terminando. A brincadeira de pegar peixes e caranguejos na praia se transformou numa forma de colocar comida na mesa da família. Todos estavam ajudando, todos. O Japão estava afundando até o pescoço numa guerra que se espalhava por quase todo o Oceano Pacífico. Os anos se passaram, Tibbets foi chamado de volta para os Estados Unidos para se especializar na pilotagem de bombardeiros B-29. Sadao via o dia a dia se tornar cada vez mais difícil para ele e para a família dele, mas tinha esperança. O Japão era forte, o Japão iria vencer aquela guerra, o império se tornaria glorioso. No final de 1943, Paul Tibbets recebeu o chamado do destino. Ele lembra de ter sido convocado por um general de alto escalão para o escritório dele, né? Assim que ele entrou, o general certificou de que a porta estava trancada. O general sentou na mesa dele, olhou para os lados, né, meio que para ter certeza, né, de que só estava eles dois ali na sala, né? Foi então que o general falou com toda calma do mundo que o Paul Tibbets poderia ser considerado um dos guardiões da bomba atômica agora. Naquele momento, naquele lugar, o Paul Tibbets não fazia a menor ideia do que que o fiz superior dele estava falando, né? Tipo, como assim? Ele não entendeu o momento histórico, o que que estava acontecendo ali. Ele lembra até hoje que ele sabia o que era um átomo, mas ele não tinha qualquer noção do que seria uma bomba atômica. Naquele instante, ele só conseguiu pensar numa coisa: encerrar a reunião e ir filar um rango na cantina. Ele queria acabar com aquilo logo, estava achando chato. E é importante lembrar que naquele dia, naquela reunião, a bomba atômica ainda não existia. O famoso teste do Oppenheimer não tinha sido realizado. Os cientistas estavam pesquisando, mas ainda faltava quase dois anos para a arma estar pronta. E quase dois anos antes, as Forças Armadas já tinham escolhido aquele que iria assumir esse compromisso. Paul Tibbets. Não tinha mais volta, daquele ponto em diante a vida do Paul Tibbets nunca mais foi a mesma. Ele foi obrigado a mentir para todos os amigos dele, para todos os familiares a respeito do que ele sabia. Ele lembra que a pergunta que ele mais ouvia daqueles dias lá, era uma pergunta completamente normal: e aí, que que você anda fazendo? Era um cumprimento natural, né? Tipo, quase como as pessoas falassem naturalmente para ele e ele tinha que inventar alguma história. E depois ele tinha que lembrar da história que ele tinha inventado, porque ninguém podia suspeitar que ele tinha sido selecionado por uma operação extremamente secreta. Então, o que ele falava com uma pessoa, ele tinha que ir repetindo para as outras, né? Porque vai que alguém bate essa história. Bom, pro Paul foi quase um ano inteiro de expectativa, sem saber do que se tratava direito, sem saber o impacto do que ele ainda iria fazer. Foi em dezembro de 1944 que ele e outros aviadores foram finalmente mobilizados para o chamado Esquadrão 509. A missão deles, planejar métodos para lançar armas nucleares sobre a Alemanha e o Japão. Bom, em 1945, o jovem Sadao Hirano estava matriculado na escola. Estudou muito pouco. O governo japonês estava numa espiral de derrota. Tinha escassez de mão de obra, né? Os estudantes de todas as escolas estavam sendo recrutados para trabalhar. Sadao fez de tudo um pouco. Junto com os colegas de turma dele, ele ajudou nas plantações, ele ajudou na demolição de casas para proteger a cidade, né? Enfim. A estratégia japonesa era demolir filas de casas e prédios para reduzir a propagação de incêndios em caso de bombardeio. E o Sadao estava lá com os amigos dele, com marretas, com picaretas, com machados, colocando, né, abaixo casas que um dia já tinham sido dos vizinhos dele. Tudo para quê? Para ajudar a enfrentar o bombardeio do inimigo. Sadao acreditava que aquilo evitaria o pior em Hiroshima. Todo mundo achava que aquilo evitaria o pior em Hiroshima. A verdade é essa, né? Os bombardeios americanos eram realmente frequentes, estavam acontecendo direto. Então, eles estavam se preparando para mais um bombardeio, digamos, comum, né? Todos imaginavam que o inimigo estava preparando o terreno para uma invasão por terra. Hiroshima estava protegida por canhões antiaéreos, ok? Mas os novos bombardeiros americanos estavam preparados para operar em altitudes muito altas. Ironicamente, Hiroshima também estava recebendo menos ataques do que outras cidades japonesas. É claro que aquilo levantou dúvidas. Amigos e vizinhos do Sadao conversavam sobre isso, né? O assunto estava nas ruas. Tipo, o que que está acontecendo? Por que que ninguém está bombardeando essa cidade? Alguns estavam dizendo lá que Hiroshima estava sofrendo menos bombardeios porque os americanos estavam planejando usar as bases militares da cidade quando houvesse a invasão. Outros diziam que seus parentes no Havaí e na Califórnia tinham pedido para o governo americano poupar a cidade. Ou seja, era rumor. Ainda assim, a vida do Sadao era de medo constante, e de todo mundo. Vai ficar com medo o tempo todo, né? Quem estava ali naquele lugar, tem que sentir medo o tempo todo. Imagina, está tendo que derrubar casas para poder se preparar para bombardeios que você não sabe quando vai vir. Bastaria uma única bomba atômica para destruir a vida dele ou a vida da família inteira dele.
[10:57]Em 26 de julho de 1945, tudo já estava alinhado. A bomba atômica já tinha sido testada em segredo 10 dias antes.
[11:09]O presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, ofereceu um acordo de paz aos japoneses em troca de rendição incondicional imediata. Se os japoneses se recusassem, eles sofreriam, nas palavras do presidente, that bomb has more power than 20.000 tons of TNT. If they do not now accept our terms, they may expect a rain of ruin from the air, the like of which has never been seen on this earth. O mundo não tinha a menor ideia do que ele queria dizer com essa frase. Uma promessa vazia, talvez, né? Tipo, cão que ladra não morde? Será que é isso? Uma bravata? O imperador do Japão não se rendeu. O Japão estava preparado para pagar o preço e lutar até o fim. Sabe como é que é japonês quando bota na cabeça que vai defender o próprio terreno, né? Bom, em Hiroshima, Sadao ouvia as sirenes de bomba e se abrigava. Os americanos jogavam algumas bombas, mas também jogavam panfletos. Sadao sabia o que tinha nos panfletos. Eram panfletos escritos em japonês, sugerindo que o povo abandonasse a cidade para não sofrer o pior. Mas o Sadao também sabia que era ilegal pegar os panfletos. Era um crime contra a pátria, né? Contra a honra do Japão. A ordem do governo era para prender qualquer pessoa vista com um desses panfletos do inimigo. Então, o Sadao viu os panfletos pairando no ar, né, uma chuva de papel, mas ele não pegava nenhum deles. Eram mentiras, eram palavras do inimigo. O Imperador Hirohito tinha falado na rádio, o Japão não iria se render. Nós, nós, eu espero que o nosso. Enquanto Sadao tentava continuar a rotina dele, Paul Tibbets estava angustiado. Ele recebeu ordens para não decolar, para permanecer na base. Ele viu os bombardeiros decolando quase todos os dias nas últimas semanas. Ele não podia estar em nenhum deles. Esses voos eram testes. Foram mais de 50 testes nos céus japoneses carregando bombas falsas ou bombas convencionais. Era necessário que as defesas japonesas se acostumassem com esses sobrevoos, né? Era necessário também que o caminho para os alvos fosse mapeado com precisão. Era necessário fotografar os alvos, mas Paul Tibbets não podia embarcar. Se por acaso um bombardeiro fosse derrubado, Paul Tibbets não poderia cair nas mãos do inimigo e não poderia ser interrogado. Então ele ficava. Ele não podia ir. Ele ficava no solo vendo outros fazendo o que ele tanto queria fazer, voar, combater. Em 30 de julho de 1945, chegou a encomenda. Era uma bomba de 4 toneladas com um design que não era muito diferente de tantas outras bombas lançadas em solo inimigo antes. Era um artefato tão modesto, né, que tinha o apelido de Little boy, garotinho em português. Paul Tibbets pode ter zombado da bomba, né? Para que tanto alarde para soltar uma única bomba? Porque voar um B-29 com um único artefato? Ele não sabia, mas dentro daquela cápsula tinha 64 kg de urânio 235. Não importava. Para ele e para o time dele era só mais uma missão, né, como tantas outras. Finalmente, ele teria autorização para pilotar. Bom, junto com a bomba Little Boy, que eles trouxeram, vieram também o comandante e físico Francis Birch e o físico Harold Agnew, né? E surgiu um impasse. O Agnew classificou a bomba como extremamente insegura para decolar. Um acidente qualquer na decolagem e a bomba detonaria ali mesmo. Segundo o Agnew, não tinha condições da bomba decolar armada. Ela precisava ser neutralizada de alguma forma. Por outro lado, a equipe a bordo teria condições de armar a bomba durante o voo? Foi o próprio Birch que resolveu o dilema. Ele removeu uma peça da bomba, uma peça que deveria ser recolocada antes do lançamento. A arma mais perigosa já inventada até aquele momento estava pronta para ser transportada. Na madrugada do dia 6 de agosto, chegou a hora. A previsão do tempo era céu limpo, ventos leves, um céu, né, de brigadeiro. O Coronel Paul Tibbets estava perfeitamente desperto e pronto para o serviço. Ele se encaminhou para o bombardeiro dele, um B-29, que era batizado de Enola Gay. Era o mesmo nome da mãe do Paul Tibbets, a senhora Enola Gay Tibbets. Então, era um pedaço do amor de mãe numa terra distante. Talvez Paul tenha dado até um sorriso ao se aproximar do avião, talvez ele tenha se lembrado da torta da maçã que a mãe dele fazia, né, do abraço carinhoso da infância, do susto que a mãe levou quando o filho largou a medicina para se alistar na Força Aérea. Bom, agora a senhora Enola Gay estava ali com ele em espírito. Faltando 15 minutos para as 3 da manhã, o Enola Gay decolou da base naval de Tinian nas Ilhas Marianas no meio do oceano. Lado a lado com ele, decolaram mais dois bombardeiros B-29 para observação e suporte. A esquadrilha também contava com mais quatro aeronaves para reconhecimento e análise dos efeitos da explosão. Só o Enola Gay tinha carga explosiva e essa carga explosiva era composta por uma única bomba. Foram 6 horas de viagem sem nenhum incidente. Sadao Hirano dormia quando o Enola Gay decolou. Quando o rapaz finalmente acordou para ir para a escola, para começar os trabalhos do dia, a bomba foi engatilhada em pleno voo. Ele vestiu o uniforme, tomou o café da manhã dele, se despediu dos pais e saiu. Nesse momento, o avião Straight Flush sobrevoou Hiroshima e reportou. Tudo tranquilo. O dia estava limpo. Para os japoneses e americanos, o dia estava limpo. Quando Sadao Hirano estava chegando na escola, o Tenente Morris R. Jeppson removeu a última trava da Little Boy.
[15:58]8:09 da manhã, o Coronel Paul Tibbets atingiu quase 10.000 metros de altitude sobre Hiroshima. Estava indetectável, completamente. Ninguém conseguia detectar que o avião estava ali em cima. Ele iniciou a arrancada final em direção ao ponto de lançamento. Foram só 6 minutos. 8:15 da manhã. Little Boy foi lançada para fora do avião e levou 44 segundos para atingir o ponto de detonação.
[16:24]Foram os últimos 44 segundos de vida para dezenas de milhares de pessoas. Imediatamente, o Enola Gay fez a curva para voltar e se afastar o máximo da explosão. 8:15 da manhã, todos os alunos da escola do Sadao Hirano estavam reunidos no pátio para receber as instruções do dia, normal, todas as crianças. Às 9 horas da manhã, eles deveriam estar no centro da cidade para começar mais um trabalho de demolição. Foi quando todos viram o flash alaranjado, muito mais forte do que a luz do sol. Não tinha sombra no pátio. Todos foram atingidos em cheio pelo clarão. Só três pessoas a bordo do Enola Gay sabiam o que estava acontecendo. Pro resto da tripulação, era um bombardeio normal. Não fez diferença, tanto quem sabia quanto quem não sabia, ficou em choque. Eles receberam instruções para usar óculos de proteção. Mesmo assim, o clarão que veio pelas janelas era arrebatador. Paul Tibbets lembra de alguém lá dentro dizendo: "Oh my God, oh meu Deus". Ele mesmo se lembra como algo aterrorizante, impossível de se acreditar. Todas as câmeras das outras aeronaves que deveriam registrar o momento, simplesmente queimaram. Só uma filmagem se salvou daquele dia, uma filmagem feita de dentro de um dos aviões com uma câmera que tinha sido contrabandeada por um tripulante. Só 1,4% do material radioativo da Little Boy realmente detonou. Menos de 2% que ele poderia fazer, olha isso. Esses 1,4% causaram uma explosão equivalente a 15.000 toneladas de dinamite. Era quatro vezes o poder explosivo do maior bombardeio já registrado na Segunda Guerra Mundial. Era o poder nuclear. Era a primeira bomba atômica detonada num ato de guerra da história. Ela gerou temperaturas de 4.000° C num raio de quase 5 km. A explosão foi sentida por mais de 60 km de distância. O calor emitido queimou instantaneamente todas as crianças no pátio da escola do Sadao Hirano. Mas a queimadura não foi a primeira coisa que ele sentiu. A primeira coisa que ele sentiu foi um impacto. A onda de choque espalhou todo mundo em todas as direções. Sadao desmaiou. Quando ele se levantou, a sede veio, uma sede profunda, o ar estava seco e era muito difícil respirar. O ar estava cheio de partículas, cinzas. Então ele ouviu os gritos. Crianças chorando, crianças chamando pela mãe, crianças gritando de dor. Quando Sadao conseguiu olhar em volta direito, ele viu que todos estavam queimados. As roupas tinham sido rasgadas pela onda de choque, a pele estava exposta e muitos deles, a pele estava caindo, como tiras de roupa. A dor apareceu de forma intensa. A bordo do avião Enola Gay, começou o longo voo de volta para Tinian. A tripulação abriu e dividiu o sanduíche de presunto que tinham trazido para a viagem. Sadao Hirano não fazia ideia do que estava por vir. Ele e mais dois amigos resolveram fugir para uma colina próxima. O que eles viram no caminho foi um pesadelo interminável. 2/3 de todos os edifícios da cidade de Hiroshima foram reduzidos a ruínas. Era muito difícil reconhecer ruas e avenidas sem os prédios. Tudo era igual na devastação. Pessoas gritavam presas entre os escombros ou por causa de queimaduras de corpo inteiro. Ao mesmo tempo, a cidade ardia. Todos os pequenos focos de incêndio se juntaram para formar uma única tempestade de fogo que se alastrava. Então aqueles meses e meses, né, de trabalho para criar linhas de contenção não serviram para nada diante de tanto calor. Pessoas que estavam soterradas foram engolidas pelas chamas. Multidões pularam nos rios para tentar escapar das temperaturas altíssimas. Muitas se afogaram. Os incêndios levaram três dias para se apagarem. Sadao e os amigos chegaram no abrigo antibombas que já estava lotado de pessoas. Entre 50 mil e 100 mil pessoas morreram no dia da explosão, nas primeiras horas. Dezenas de milhares morreriam, né, nos dias, semanas, ou até meses seguintes. Vítimas dos ferimentos ou vítimas do envenenamento radioativo. O Coronel Paul Tibbets posou o Enola Gay de volta na base dele e ficou espantado. Centenas de pessoas estavam esperando na pista comemorando. Tinha generais que ele nunca tinha visto antes, oficiais de altíssima patente, todos celebrando. No momento em que Paul Tibbets colocou os pés na escada de descida do avião, ele já recebeu uma medalha de honra no peito. Missão cumprida, um marco histórico. Sadao e os amigos dele ficaram o tempo do lado de fora do abrigo. Ele lembra até hoje de ver um homem com mastro de madeira fincado na barriga. Soldados tentaram remover o mastro de madeira e não conseguiram. Depois de um tempo, né, Sadao e seus amigos começaram, né, o longo caminho de volta para suas casas, se é que essas casas ainda existiam. Eles não tinham forças. A pele dos braços estava pendurada. A única forma possível de andar era de cabeça baixa, com os braços esticados para frente. Ele mesmo descreve a cena. Eles eram como fantasmas vagando pelo inferno. No caminho, eles conseguiram encontrar três baldes de água. Foi isso que deu forças para eles continuarem. Sadao Hirano chegou em casa às 6 da tarde, quase 12 horas depois de ter saído naquela manhã. Os pais dele estavam bem. Sadao morava no subúrbio. Foi a mãe dele que reparou que ele tinha os dedos das mãos fechados, né, como se tivesse segurando alguma coisa. Ele abriu os dedos um por um, com esforço. O que ele estava segurando era uma um monteado de pele, a pele dele. Uma monteada de pele que ainda estava conectado com o braço dele. A mãe teve que usar uma tesoura para cortar o que faltava. A mãe limpou as feridas com álcool de saquê, deu uma dose para o Sadao e ele apagou. Sadao Hirano ficou na cama por 20 dias seguidos, em dor. Enquanto Sadao Hirano dormia, o Enola Gay decolou mais uma vez. Dessa vez Paul Tibbets não era o piloto e o Enola Gay não estava carregando uma bomba nuclear. O Enola Gay fez parte da esquadrilha de outro avião para outra cidade, levando outra bomba, a cidade era Nagasaki. Em 9 de agosto, 3 dias depois de Hiroshima, os Estados Unidos lançou a segunda e última bomba nuclear contra um alvo militar. Mais de 70 mil pessoas foram mortas em Nagasaki. Quando Sadao Hirano finalmente conseguiu se levantar da cama, o Japão já tinha se rendido. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado. As cicatrizes da bomba continuaram no corpo do Sadao Hirano por toda a vida dele. As cicatrizes da bomba atômica continuaram na mente das pessoas por décadas. Hiroshima e Nagasaki foram uma amostra do potencial de um novo tipo de guerra. Um novo tipo de guerra que, felizmente, nunca se repetiu. Toda vez que o noticiário fala sobre o risco de guerra nuclear, ok? É desse tipo de horror que a gente está falando. Só que muito pior, 1000 vezes pior. As armas evoluíram, né? O potencial destrutivo aumentou exponencialmente. Um novo ataque nuclear, onde quer que seja, dificilmente vai deixar sobreviventes, né? Não tem como. Cada história é uma história diferente. E essa foi uma história que jamais deve ser repetir para o bem de todos nós.
[23:05]Se você gostou dessa história, a gente conta muito com a sua inscrição e com o seu comentário aqui embaixo. Comenta aqui, dá uma sugestão pra gente do que que você acha que a gente tem que trazer no nosso próximo vídeo aqui dentro desse canal. Mas, mais importante, se inscreve nesse canal. A gente precisa de todos vocês juntos nesse movimento, começando um canal de histórias bacanas para vocês entenderem, para vocês conhecerem a história, o que que aconteceu, alguns casos isolados, alguns casos maiores, mas a gente quer trazer sempre detalhes para vocês, sobre alguma coisa que não foi contada. Por isso que eu acho legal você estar aqui com a gente. Obrigado de coração. Conto com a sua inscrição. Até a próxima, galera, fui!



