[0:00]Oi, gente, tudo bom? Mais um vídeo do quadro Projeto ENEM aqui do canal, onde eu faço mais do que um review de uma obra. Eu faço uma análise completa, técnica, com um resumo completinho de uma obra que geralmente caem com frequência em provas importantes de vestibulares ao longo do país e também do próprio ENEM.
[0:20]E uma das obras que mais cai nesse tipo de prova é o livro Capitães da Areia de Jorge Amado, lançado em 1937. Apesar de ser um livro publicado há muito tempo, ele é super atual porque fala de problemas da sociedade, especialmente da problemática de meninos abandonados, moradores de rua e questão mesmo de violência, de roubos, furtos.
[0:41]Inclusive, foi um livro que foi super censurado na época. Ele foi queimado em praça pública, a pedido mesmo do próprio governo, então foi levantou muitas polêmicas. Hoje em dia é realmente uma das obras mais importantes da nossa literatura, talvez por isso seja uma das obras mais pedidas.
[0:59]E aqui eu vou falar com detalhes sobre o trabalho, vou falar certinho tudo que acontece dentro do livro, mas eu reforço que esses vídeos que eu faço aqui no canal são para te ajudar a entender melhor as obras, para você de repente se aperfeiçoar no estudo desses trabalhos, mas esse vídeo não substitui a leitura do livro.
[1:18]O que eu quero aqui é te incentivar e te fazer entender que as obras clássicas são sim muito gostosas de lerem e você já tendo essa bagagem, muitas vezes é mais fácil de você entender o contexto e poder aproveitar muito mais aquele enredo envolvente que tem nesses trabalhos.
[1:33]Vamos conversar um pouquinho sobre Capitães da Areia.
[1:40]Mas antes da gente começar, eu vou pedir para você dar uma conferidinha se você já tá inscrita aqui no canal.
[1:46]Se não, eu vou te convidar a clicar nesse botãozinho inscrever-se. Aqui no canal já tem diversos outros vídeos sobre esse tema, então eu escolhi várias outras obras importantes da literatura para comentar aqui com detalhes. Então, se você tá buscando algum outro trabalho, dá uma conferidinha. Eu vou deixar a lista aqui embaixo ou entra no meu perfil que lá tem uma playlist com Projeto ENEM.
[2:07]Você procura lá alguma obra que, de repente, você esteja à procura, mas além disso, aqui no canal eu falo muito sobre cinema, seriados, entre outros temas da cultura pop. Então, se você gosta desses temas, esse canal é para você. Já me ajuda e dá um joinha logo agora no começo do vídeo que isso faz com que esse trabalho também seja divulgado para outras pessoas que, de repente, não conheçam o canal e estejam precisando aprender um pouco mais sobre literatura ou tenham curiosidade para saber um pouquinho mais sobre Jorge Amado e Capitães da Areia.
[2:33]Também aqui embaixo, tá marcadinho todas as minhas redes sociais, me segue por lá que eu vou ficar bem feliz.
[2:39]Em Capitães da Areia, a gente acompanha a história de um grupo de crianças e adolescentes que são abandonados, moram na rua e que praticam diversos roubos e furtos em Salvador, na Bahia, no fim dos anos 20. Eles são chamados de Capitães da Areia, e eles são muito conhecidos porque a mídia local divulga bastante o que acontece com eles. São mais de 50 crianças e ali, logo no começo do livro, a gente acompanha o que a sociedade vê deles através de algumas matérias fictícias do jornal.
[3:09]Então, a gente começa acompanhando algumas matérias que vão se prolongando ao longo do livro, onde a gente tem os relatos dos roubos que aconteceram, então eles invadem algumas casas e fazem alguns roubos, e também praticam alguns furtos no centro ali de Salvador.
[3:27]Nas matérias que são jornalísticas, teoricamente, a gente acompanha também algumas possíveis situações que possam agravar toda essa situação. Então, alguns momentos das matérias são apontados a falta de atividade realmente da polícia de conseguir coibir aquilo. E aí tem uma carta como se fosse uma carta-resposta da polícia, falando que eles fazem a parte deles, mas que eles precisam do juizado de menores para fazer algum trabalho ali com aqueles adolescentes.
[3:57]Aí tem uma outra situação em que o juizado de menor também manda uma carta para o jornal, explicando, cinzentando de toda aquela situação e diz que a culpa não é deles, que inclusive eles disponibilizam um reformatório ou onde, teoricamente, aqueles aquelas crianças e adolescentes quando são encaminhados para o local se regeneram, tem uma todo uma rede de apoio ali no local.
[4:17]E aí num outro momento a gente vê que existem cartas de pessoas mandando para o jornal, contestando isso, inclusive uma mãe manda uma carta falando que isso é mentira, que é o conselho de vocês visitarem esses reformatórios para vocês verem. Lá são feitas sessões de tortura com essas crianças, elas saem muito pior.
[4:36]E aí fala que prova disso é o padre José, que conhece lá o espaço. Aí depois tem uma carta do padre, falando que realmente tudo isso não é assim. Então, já de início no livro, a gente já percebe todo o contexto cultural e histórico que tem em volta daquela história que a gente vai ser apresentado daqui a pouco.
[4:55]Então, você já tem uma bagagem de como era a situação social na época do local que vai servir como plano de fundo para toda essa história dos Capitães da Areia.
[5:03]Aí a gente passa a acompanhar o que acontece de fato com essas crianças e adolescentes que formam esse grupo conhecido como Capitães da Areia. Eles são, em si, o personagem principal do livro, porque a gente não tem exatamente um protagonista. A gente tem o grupo Capitães da Areia.
[5:18]Então, ele é formado com várias crianças e adolescentes, mas a gente acompanha os principais. Dentre eles, tem o Pedro Bala, que é um dos líderes ali do grupo, ele é o que tem mais voz ativa. Ele é muito altruísta, ele é muito corajoso, mas o livro não deixa passando uma imagem de que ele fosse um herói. Ele realmente tem algumas falhas. Ele é realmente um bandido, mas que foi formado com base em todo esse histórico de problemas que ele passou.
[6:18]Ele é filho de um ex-sindicalista que foi assassinado durante uma greve. Então, aí já vem um primeiro conceito ali social em volta de tudo isso. Então, ele tem um pouco dessa personalidade. Ele é meio revolucionário, ele é meio corajoso, ele quer mudar as coisas.
[6:36]Então, ele sempre foi escolhido como líder, como a voz ali do grupo. Um outro personagem de destaque que tem ali nos Capitães da Areia é o Professor, que também é um adolescente, ele é muito amigo do Pedro Bala. Ele também tem bastante voz ativa ali. Ele é o único desse grupo de vários de dezenas de adolescentes que sabe ler.
[6:54]Então, é ele que lê as notícias dos jornais para eles. Ele sempre tá lendo alguma historinha, algum livro. Ele sempre cria histórias fantasiosas a mais, né, para aquelas crianças e adolescentes que estão ali. Ele também tem muita habilidade com pintura, tanto que ao longo do livro, algumas coisas relacionadas a isso vão acontecendo. Então, ele tem essa visão um pouco mais artística ali do grupo. E ele também é uma pessoa super sentimental, mas, obviamente, ele sobrevive desses furtos e desses assaltos, assim como todas as outras crianças que estão ali.
[7:22]Dentre esses protagonistas, também tem o Gato, que é o considerado o galã ali. Ele sempre pega as menininhas, tal, ele é muito bonito, em comparação aos demais, é uma coisa que é citada ali no livro. Inclusive, uma das principais tramas que gira em torno desse personagem é que ele se apaixona pela Dalva, que é uma garota de programa. Inclusive, ao longo do livro, ela acaba perdendo o amante que ela tinha, ela acaba se envolvendo com o Gato, ele acaba virando meio cafetão dela.
[7:50]Então, tem esse arco. Tem também o Volta Seca, que é um rapaz que se diz ser afiliado do Lampião. Então, ele tem uma fascinação pelos cangaceiros. Ele tem essa visão meio de sociedade, de roubar dos ricos para ajudar os pobres. O sonho dele é ir com os cangaceiros. Tem também o Sem Pernas, que é um outro adolescente ali, que é um dos mais violentos. Ele tem, como ele manca, ele sofre algumas coisas nesse sentido, e ele acaba usando essa deficiência dele para facilitar os roubos dos Capitães da Areia.
[8:26]Então, ele passa alguns períodos, às vezes, na casa das pessoas. Ele procura as pessoas, falando que ele tem uma deficiência, precisa de ajuda. Essas pessoas o acolhem, e ali ele começa a descobrir o que que essas casas têm de valor e tudo mais. E dali a uns dias, os Capitães da Areia vão lá e roubam tudo. Inclusive, ele tem um alguns momentos, ele sofre um pouco de de dor na consciência por causa disso, mas a gente também vai entendendo que todo o passado dele também o levou a isso, né? Ele tem uma uma aversão aos policiais e mostra que ele já sofreu tortura policial no passado. Então, isso tudo afetou também a personalidade dele.
[8:57]Tem também o João Grande, que é um dos maiores de porte físico ali do grupo, é um dos mais corajosos, bondosos. Ele é, inclusive, é considerado o segundo ali no comando. Ele tem um papel importante também ao longo do livro, quando a gente chega na segunda parte da trama. Tem também o Pirulito, que é um outro personagem, é um dos outros garotos. Ele é super religioso, tanto que ele se aproxima muito do padre, que é um padre amigo deles ali, que é uma das pouco um dos poucos adultos que ajudam eles de alguma forma.
[9:26]E aí por diante, né? A gente vai conhecendo vários desses personagens, alguns deles ganham mais destaque que os demais, mas no geral é um grupo formado por muitas crianças e adolescentes. E esses, esse grupo em si, é o personagem principal, a gente, como eu comentei, não tem um protagonista específico.
[9:44]O livro Capitães da Areia é dividido em três partes: No primeiro momento, a gente acompanha a realidade dos Capitães da Areia. A gente é apresentado a personalidade de cada um deles, por isso que eu tentei dividir os principais e comentar mais ou menos o que eles são, porque a gente conhece o passado deles, conhece como eles sobrevivem no dia-a-dia, fazendo esses furtos, entrando nas casas, roubando e a gente vai criando uma certa empatia e entendendo o que acontece com eles.
[10:11]Entendendo que eles não têm ajuda nenhuma do Estado, eles não recebem nenhum tipo de colaboração nem da igreja. Eles recebem apoio da comunidade de algumas personalidades ali, como um amigo deles que acaba, que é professor de capoeira, que acaba ajudando em alguns momentos, tem uma líder religiosa ali da Umbanda que às vezes ajuda eles também, o próprio Padre José. Mas, no geral, eles estão ali por conta própria, né? Eles que têm que sobreviver.
[10:35]Então, nesse primeira parte do livro, a gente acompanha essa situação. A gente vê esse lado negativo deles dos roubos e tudo mais, mas a gente também vê o lado de infância e adolescente deles, porque tem um certo momento no livro em que eles brincam num carrossel. Então, você vê que, apesar deles furtarem as coisas, eles também são crianças. Tem aquela questão do professor ficar lendo livros para eles, e eles ficarem fantasiando algumas histórias, você vê que tem essa questão da infantilidade deles.
[11:06]Então, eles são crianças adultas. Um ponto importante para se destacar é que esse livro, ele é narrado em terceira pessoa, com um narrador onisciente, ou seja, a gente, além de conseguir entender tudo que tá acontecendo em vários pontos ali daquelas situações que os meninos capitães da areia passam, a gente também consegue entender o que eles pensam, o que eles sentem, porque é um narrador onisciente.
[11:24]Então, a gente consegue entender, inclusive, remorsos, problemas do passado que eles tiveram, a gente entende todo o contexto, justamente por causa desse tipo de narração. Então, é uma narração em terceira pessoa onisciente. Essa primeira parte do livro acaba com a epidemia de varíola que acontece ali em Salvador.
[11:45]Então, grande parte da sociedade acaba morrendo. Alguns desses garotos também do Capitães da Areia ficam doentes, e aí a gente acompanha toda aquela devastação que acontece na cidade nesse período por causa da epidemia de varíola, que também é chamada como bexiga. Então, aquelas coisas que as pessoas falam, ah, bixigueiro, vem muito dessa expressão por causa da doença.
[12:06]É então que começa a segunda parte do livro, e a gente é apresentado para uma também das principais personagens ali da história que é a Dora. A Dora é uma adolescente também, uma pré-adolescente, que acabou de perder os pais por causa dessa epidemia de varíola. Então, ela tá sozinha no mundo, ela e o irmãozinho dela, o Zé Fuinha, que no livro tem 6 anos.
[12:28]A Dora, ela é muito corajosa, ela é toda independente, ela é toda com personalidade forte, e ela acaba conhecendo ali no no centro, ela conhece o Professor e o João Grande, e eles compadecendo de toda essa situação dela, e vendo tudo o que tá os perigos que ela que ela poderia passar, eles oferecem para ela ir com eles até o trapiche, até aquele armazém onde eles moram, para que ela possa seguir ali com eles, né?
[12:53]Chegando lá, inclusive, ela é acolhida pelo João Grande, porque, inicialmente, como ela é a única menina ali do grupo, ela sofre algumas tentativas de abuso, tal, mas com o tempo a relação dela com os meninos que estão lá acaba sendo quase de irmã mais velha e de mãe. Ela é o único exemplo feminino que passa a ter ali.
[13:10]E ali, com o tempo, a Dora cada vez mais se aproxima deles, cada vez mais ela vira um deles. Então, ela começa a praticar roubos e furtos junto com os demais integrantes dos Capitães da Areia. Ela se veste de menino e ajuda nos assaltos durante o dia-a-dia. Uma das principais coisas que acontece também nesse segundo ponto do livro é que a Dora começa a se apaixonar pelo Pedro Bala, que é aquele rapaz que eu falei que é o líder ali do grupo.
[13:34]Ele também se apaixona por ela, e existe meio que um triângulo amoroso, porque o Professor também gosta dela. Só que o Professor é muito amigo do Pedro Bala, então ele acaba não não consumando nada desse sentimento, né? Ele acaba entendendo que os dois gostam.
[13:50]No final dessa segunda parte do livro, a gente acompanha a prisão do Pedro Bala e da Dora. Eles acabam sendo ali cercados pela polícia, eles conseguem despistar os policiais para que não pegue o restante do grupo, e eles acabam pegos.
[14:03]Aí o Pedro Bala vai para o reformatório, aquele reformatório que era comentado no começo do livro, naquelas matérias jornalísticas. E a Dora vai para um orfanato. A Dora fica muito doente. Ela tá febril ali no orfanato, e o Pedro Bala a gente acompanha tudo que acontece ali com ele, porque ele passa, de fato, a ser torturado.
[14:25]Aquilo que é comentado naquela matéria do jornal lá no início do livro, é realmente realidade. Ele passa por diversos sofrimentos ali, até que os integrantes do grupo, dos Capitães da Areia, vai lá e ajuda a resgatá-lo, e eles partem para o orfanato para pegar a Dora.
[14:37]A Dora tá febril, mas ainda assim ela vai com eles. E aí quando chega ali no trapiche, ela já tá muito doente. Ela se declara para o Pedro Bala, eles meio que formam um casamento ali meio que simbólico. Os dois passam a noite juntos pela primeira vez, e no dia seguinte, o Pedro acorda já com a Dora morta ao lado dele.
[14:57]Ele, inclusive, ele vai para o mar, né? Ele tenta se matar, e quem salva ele é aquele capoeirista amigo dele. Na terceira etapa do livro, que é a terceira parte final, a gente acompanha o que acontece com os personagens. Então, ali a gente entende o que que aconteceu com cada um deles, depois desse período.
[15:14]A gente descobre que o Pirulito, que era aquele personagem que era super católico, ele acabou sendo convidado pelo Padre José para seguir realmente como seminarista. Inclusive, o Padre José, ele era um ex-operário, ele teve o apoio de um outro padre, foi o que salvou ele dessa situação, dessa vida precária, assim como a vida do Pirulito.
[15:36]Então, ele meio que repassa tudo aquilo que ajudaram a ele, ajudando o Pirulito, ele é enviado para uma outra cidade, para uma outra capela. O Professor, antes, na primeira parte do livro, ele tinha sido descoberto por um universitário carioca, que enquanto ele desenhava umas coisas assim na praia, ele ofereceu um cartão para ele, pediu para ele procurar.
[15:52]Então, a gente acompanha que o Professor, ele vai estudar fora ali do estado, ele vai meio que ser a versão do Jorge Amado, mas na na ficção, porque como ele é um artista, ele vai para o Rio de Janeiro estudar pintura e retratar através da arte toda a realidade precária que aquelas pessoas passam ali em Salvador.
[16:11]O Sem Pernas, que era aquele que tinha um problema, né, na perna, que era deficiente, ele acaba fugindo da polícia, e acaba se matando, se jogando do elevador ali de Lacerda, que é um elevador, marco ali de Salvador. Ele tem tanto trauma ali da da daqueles sofrimentos que ele passou com a polícia, que ele prefere se jogar ali do elevador do que, de fato, ser preso.
[16:31]O Pedro Bala, que é o grande líder ali do grupo, ele meio que passa a bola, né, pro, porque ele acaba crescendo, outras pessoas ficam ali como capitães da areia. E ele acaba seguindo a mesma linha do pai dele. Ele acaba se envolvendo com o sindicato e o que dá a entender é que ele realmente se embrenha nessa parte do partido comunista, que ele acaba seguindo essa área muito mais política, muito mais engajada.
[16:54]Como eu comentei, a obra em si acompanha a realidade dessas crianças, não tem uma linha de sequência específica. A gente vai acompanhando a realidade deles e o que vai acontecendo com eles, especialmente nesse período que tem essa mudança, com a chegada da Dora, do irmão dela, a única menina que tem ali no grupo. E aí toda aquela passagem de informações para ela de como sobreviver e todo o relacionamento que todo aquele grupo tem com a sociedade de uma forma geral, né?
[17:21]O quanto eles são esquecidos, o quanto muita coisa que acontece na vida deles influenciou com que eles realizam hoje em dia. Então, porque eles estão furtando, roubando ali? É porque eles querem. É porque muita coisa da sociedade levou eles a isso. É isso que dá a entender no livro.
[17:35]Jorge Amado, que é o escritor desse livro, ele seguiu algumas linhas de literatura, e essa do Capitães da Areia, que ele escreveu aos 25 anos, ele era super novinho na época, faz parte dessa primeira etapa ali da literatura do próprio Jorge Amado. Então, ele foca no proletariado, ele foca no povo nesse período.
[17:53]Então, ele escreveu livros como Capitães da Areia, que mostra a realidade da população pobre, mostra a realidade do proletariado. Então, ele sempre tem esses livros nessa pegada. Numa próxima etapa, que talvez sejam até as obras mais conhecidas dele, já a partir da década de 50, depois que ele voltou do exílio, que aconteceram várias coisas relacionadas à vida dele que eu vou comentar meio por alto, ele escreveu alguns outros clássicos que têm mais um perfil popular, que são, por exemplo, os livros Gabriela Cravo e Canela, Tieta.
[18:25]Ele tem esse perfil de mostrar muito mais da cultura nordestina através de histórias mais populares. Então, ele já mudou um pouco o perfil. Ele não tá tão panfletário, assim, tão de denúncia assim. Ele faz as denúncias de uma forma muito mais sutil a partir da década de 50, que não é o caso do livro Capitães da Areia.
[18:42]O Jorge Amado, ele se candidatou a deputado federal. Inclusive, ele sempre foi muito ativo nessas demandas, muito mais sociais. Uma das coisas que ele sempre lutou muito foi pela questão da liberdade de religião. Até porque ele é baiano, ele tem essa questão mesmo de entender a diversidade religiosa das pessoas.
[19:03]Era uma coisa que ele batalhou durante muitos anos. Ele era do Partido Comunista Brasileiro, do PCB. Então, imagina, no período do livro Capitães da Areia, que foi em 1937, a gente estava no Estado Novo.
[19:12]Para você que não sabe, o Estado Novo foi o período do Getúlio Vargas, que foi um período ditatorial. Então, a gente passou por uma outra ditadura antes da ditadura de 60, né, de 64, do golpe que teve.
[19:26]Então, era um período que se caçava algumas pessoas que, teoricamente, teriam ideias comunistas ou ideias que eram contrárias ao que era implantado na sociedade, e uma dessas pessoas que foi sempre muito criticada, perseguida e exilada foi o próprio Jorge Amado, e uma das obras que era o principal ponto de críticas nesse sentido era o próprio Capitães da Areia.
[19:46]Afinal, o que eu comentei até agora, o livro é uma crítica muito clara à sociedade, ao governo. Então, obviamente, isso incomodava muito o governo na época, por isso que sofreu tanta censura.
[19:59]O livro faz parte da segunda fase do Modernismo. Nos outros vídeos aqui do canal que eu comento sobre literatura, que eu falo sobre esse Projeto ENEM, eu já comentei de outras fases das escolas literárias, como, por exemplo, o romantismo, o realismo.
[20:14]O Modernismo é uma fase um pouco mais atual que fala sobre as realidades de fato, então, sem tanto florear sobre as coisas. E essa segunda fase do Modernismo, ainda vai além, porque tem essa visão do regionalismo. Então, a gente não tá falando só das minorias, como muitas vezes era falado antes da minoria do Rio de Janeiro, das grandes metrópoles. A gente tá falando também do povo, do Nordeste, da seca, da população retirante.
[20:39]A gente tá falando dessa etapa. Tanto que ele também faz parte de uma etapa também da literatura chamada Romances de 30, ou Neo-Realismo, que são esses romances modernos, né, da fase da segunda geração modernista, mas que foram lançados a partir do ano de 1928, e que tem como foco essa realidade muito mais regional.
[21:03]Tanto é que os principais autores que entram nessa fase, nessa etapa do Neo-Realismo, dos Romances de 30, são o Jorge Amado, que publica muitas histórias sobre a Bahia, a Raquel de Queirós, que também mostra muito essa questão da seca, e o Graciliano Ramos. Então, são autores que têm essa pegada muito mais regional, que mostra a realidade muito mais voltada a isso, ao povo nordestino, o povo mais segregado ainda do que eram os anteriores, comentado em outras fases da Modernismo.
[21:25]O livro Capitães da Areia já recebeu algumas adaptações, como peças de teatro, minissérie, mas a obra mais conhecida é uma de 2011, que foi um filme dirigido, inclusive, pela neta do Jorge Amado, a Cecília Amado, que retratou muito bem o livro. Inclusive, é um filme bastante elogiado, bastante crítico gosta como foi, realmente, retratada a história. E, inclusive, eu já achei diversas versões dele disponível na íntegra aqui no YouTube.
[21:52]Então, de repente, serve também para você que tá estudando, quer entender um pouco mais essa obra, assistir também a adaptação, além de ler também o livro, que isso é muito importante. Então, foi isso, gente, eu espero muito que você tenha gostado do vídeo, que esse vídeo possa ter te instigado a querer ler a obra, te ajudado a entender melhor do que se trata a obra, ainda mais por causa desse contexto histórico todo por trás do trabalho, porque isso faz diferença pra gente entender a importância do trabalho, o quanto ele foi realmente importante.
[22:20]É uma obra que não tem um texto rebuscado, é uma obra fácil de ler. Apesar de tratar de alguns assuntos difíceis, é um texto gostoso, que vai conduzindo a história de uma forma que vai te envolvendo. Então, não é cansativo de forma alguma. Recomendo se você ainda não leu Capitães da Areia para que você leia. Confira aqui embaixo, na listinha, todos os outros vídeos que eu fiz desse projeto.
[22:43]Então, tem livros do Machado de Assis, da Clarice Lispector. Tem muita coisa. Tenho certeza que vai te ajudar bastante nos estudos. Comenta aqui embaixo se você já leu esse livro, se você gostou das minhas, dos meus apontamentos de tudo que eu trouxe aqui. Me recomende também uma outra obra. Já nos outros vídeos eu recebi várias sugestões de vocês, vários outros livros para eu ler e também trazer essa análise mais técnica. Tá tudo anotadinho. Aproveito, prometo que eu vou trazer, mas pode me sugerir muito mais. É isso, um grande beijo e até o próximo.



