[0:00]A seleção brasileira venceu a Croácia por 3 a 1, mas além do resultado, jogos assim servem tanto para avaliar jogadores individualmente, como também as ideias coletivas do modelo de jogo. Mas e aí, quais são os destaques positivos e negativos de mais uma partida da seleção brasileira comandada por Carlo Ancelotti? O destaque positivo que reforça a principal arma da seleção brasileira são os contra-ataques. Em especial, dois tipos de contra-ataques têm sido o caminho do gol até as redes adversárias. Contra-ataques de transição, em especial aqueles nascidos nas bolas paradas, e contra-ataques que nascem de perde e pressiona. Com exemplo, tudo vai ficar mais claro. A primeira boa chance do Brasil nasceu de um pé de pressiona. A Croácia recupera, o Matheus Cunha pressiona, o Modric erra o passe, enquanto o Vinícius Júnior aparece recolhendo a sobra. Ele acha o Danilo livre no meio da área, que finaliza na perna boa, na canhota, mas o Livaković faz uma excelente defesa. Outra pós-perdida que o Brasil vai aproveitar, a Croácia tentando sair de trás para pressionar e recuperar. Dessa vez é o Casemiro que pressiona o Modric, o João Pedro tabela com o Matheus Cunha que faz essa ótima devolução e o Livaković mais uma vez salva a Croácia. Atenção ao Matheus Cunha, no momento em que ele percebe que a bola vai sobrar, ele já tá lendo a jogada na sua frente, procurando o Vinícius Júnior. Quando a bola chega, ele já sabe o que ele vai fazer e acerta esse belo lançamento, colocando o Vinícius Júnior no cenário que ele mais gosta de atacar, com a defesa sem sobra, correndo para trás. Grande jogada do Vinícius e mais uma vez ele vai encontrar o Danilo livre entrando no meio da área, finaliza de canhota, belo gol do Brasil. Nos acréscimos do segundo tempo, o Brasil voltou a mostrar que o contra-ataque é a sua grande força, independentemente dos atacantes que tiverem em campo. O Igor Thiago ganha a disputa, o Endrick arranca pelo meio, enquanto o Martinelli passa aberto se apresentando para finalizar. Considerando que a prioridade é se defender bem, a gente pode concluir que o maior problema do modelo de jogo da seleção continua sendo a organização para pressionar alto, como já havia sido na partida contra o Japão e também contra a França. Quando o Brasil tentava pressionar, os desencaixes apareciam novamente. Nesse lance, pensando na organização dessa partida, o encaixe deveria estar com o Matheus Cunha pelo lado, João Pedro pelo meio, Danilo mais recuado e o Casemiro mais adiantado. Como nada disso aconteceu, existem três jogadores da Croácia livres. Na sequência da jogada, o Casemiro tenta correr para fazer a cobertura, mas vai chegar atrasado e pelo meio o Kramaric ficou livre esse tempo todo. E é o Luís Henrique que sai lá da ponta para pressionar e consegue ajudar a neutralizar o ataque da Croácia. Aqui o Brasil mostra um bom encaixe de marcação, mas pede no duelo individual. O Modric antecipa o Casemiro, ganha a disputa e agora a Croácia tem quatro contra três para atacar. Se a defesa tenta manter o encaixe agora, pode entregar as costas, por isso que a tendência é recuar e recompor, abortando a pressão alta e permitindo que a Croácia avance em campo. E foi justamente assim que nasceu o gol da Croácia, já com os reservas em campo, o Léo Pereira sobe para tentar matar a saída, mas o adversário consegue sustentar e o desencaixe acontece aqui. No momento em que o Fabinho tenta dobrar a marcação, o jogador que ele estava marcando ataca o espaço, aproveitando a linha alta. E na sequência da jogada, o jogador faz exatamente o que a jogada pede: tapa rápido nas costas da defesa, aproveitando a janela do ataque rápido. Considerando como o adversário está organizado em campo, a gente pode dividir os tipos de ataque para entender as forças e fraquezas do Brasil. Além dos contra-ataques e das bolas paradas, existem duas situações: adversário organizado pressionando alto, e adversário organizado postado atrás. E digamos que esses dois cenários também têm ainda bastante espaço para evolução tática. O Brasil tinha a difícil tarefa de atacar a Croácia defendendo em 5-4-1, e o plano de ataque era claro: tentativa de infiltrações pelo lado esquerdo, usando a aproximação de jogadores. A seleção insistiu bastante nessa jogada no primeiro tempo, o Matheus Cunha se apresentava para armar, e o Danilo buscava o espaço entre as linhas, o que em termos de posicionamento pode ser um plano bastante interessante. O problema maior foi que a bola chegou poucas vezes aqui. Nesse lance, o Douglas Santos prende, a jogada não flui e a defesa da Croácia consegue bloquear. E aqui um bom lance para mostrar como essa jogada tinha potencial. Matheus Cunha armando, Danilo livre, decisão correta, passe na medida, criando uma ótima situação de ataque. Mas a bola acaba escapando do Vinícius Júnior e a jogada perde o potencial. Então, atacando a Croácia em bloco baixo, definitivamente, o melhor caminho para o Brasil era iniciar na esquerda, fazer o arco para dentro e acessar o Danilo, mas foi uma jogada pouco executada. Outro ponto é a saída de bola. Nesse cenário, o posicionamento inicial se repete em praticamente todas as partidas, o padrão da era Ancelotti, mas também as dinâmicas. Por exemplo, a tentativa de bola longa para o Vinícius Júnior.
[5:36]Nessa partida, às vezes que o Brasil escapou de forma limpa, foram as vezes que a Croácia errou a pressão, oferecendo aquelas linhas de passe nos momentos de trocar a marcação. Para atacar, os contra-ataques e as bolas paradas são a grande oportunidade do Brasil na Copa. Enquanto as construções rápidas e os ataques posicionais são os pontos que ainda merecem bastante atenção. Sem a bola defendendo, bloco recuado, bolas paradas, contra-ataques mostram boa solidez, com algumas brechas mais pontuais, enquanto a pressão alta ainda segue sendo o calcanhar de Aquiles da seleção brasileira. Mas esse mapa é apenas a superfície do jogo do Ancelotti, para aprofundar a sua capacidade de análise tática e leitura de jogo, a nossa formação toca as inscrições abertas agora. Futebolcursos.com, clica no link na descrição e comece agora mesmo a treinar a sua leitura de jogo e eu vejo você lá.



