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Todas as vezes que a VIDA na TERRA quase foi EXTINTA

Ciência Todo Dia

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[0:00]Quando a gente fala sobre extinções em massa, a maioria das pessoas pensa na mesma coisa, a extinção dos dinossauros.
[0:00]Mas esse foi só o episódio mais recente de uma série de momentos em que a vida foi praticamente exterminada da face da Terra.
[0:00]De cada 50 espécies que já habitaram o nosso planeta um dia, 49 não existem mais.
[0:00]Uma boa parte dessas extinções acontece de uma maneira bem lenta, de pouquinho em pouquinho.
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[0:00]Quando a gente fala sobre extinções em massa, a maioria das pessoas pensa na mesma coisa, a extinção dos dinossauros. Mas esse foi só o episódio mais recente de uma série de momentos em que a vida foi praticamente exterminada da face da Terra. Eu não quero assustar ninguém, mas extinções são relativamente comuns. De cada 50 espécies que já habitaram o nosso planeta um dia, 49 não existem mais. Tá vendo? Você é uma pessoa de sorte. Uma boa parte dessas extinções acontece de uma maneira bem lenta, de pouquinho em pouquinho. Certas espécies não conseguem se adaptar e vão deixando de existir, enquanto ao mesmo tempo, outras espécies surgem lentamente e vão conquistando espaço na Terra. E esse é apenas o ciclo da vida correndo de maneira natural. Mas de tempos em tempos, uma catástrofe varre de uma vez só todas as espécies que vivem por aqui. Praticamente todas as formas de vida, muitas delas que levaram milhões de anos para surgir, se adaptar e prosperar, são simplesmente deletadas. Enfim, não existe um significado único e definitivo sobre o que é uma extinção em massa. O conceito pode variar na opinião de cada pesquisador, mas nesse vídeo nós vamos adotar o critério usado pelo Museu de História Natural do Reino Unido. A definição deles diz que uma extinção em massa é quando espécies desaparecem muito mais rapidamente do que elas são substituídas. Em números, é quando pelo menos 75% das espécies morrem em um curto período de tempo. Eu só preciso deixar claro que quando a gente fala curto aqui, nós estamos nos referindo a período geológicos de tempo. E eles podem durar literalmente algo entre 800.000 e 2 milhões de anos. E essa escala de tempo faz sentido. A Terra tem 4,5 bilhões de anos de idade. Um período desses equivale a menos de 0,001% de todo esse tempo, o que é basicamente um estalar de dedos geológico. Então agora que nós temos uma boa definição de o que é uma extinção em massa, nós podemos revisar toda a história do nosso planeta. E fazendo isso, nós podemos encontrar cinco grandes episódios em que a existência da vida na Terra resistiu literalmente por um fio. Então sentem-se que agora eu vou contar para vocês a história de todas as vezes em que a vida quase foi extinta da Terra. Só antes de continuar, eu recentemente comecei a me aventurar no mundo de inteligências artificiais generativas. Inclusive, eu fiz uma imagem de como imagino a Terra alguns bilhões de anos. Acontece que para você usar bem essas ferramentas, você precisa melhorar sua habilidade de prompt, que é o comando que você dá na hora de gerar uma imagem. E para minha sorte, a Alura, que fez esse vídeo em parceria comigo, tem uma formação completa em inteligência artificial. Se você quer melhorar sua técnica e realmente dominar essas novas tecnologias que estão mudando o mercado todos os dias, acesse Alura.tv/cienciatododia ou use o QR code que está aparecendo na tela em algum lugar nesse exato momento. 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Como você certamente aprendeu nas aulas de geografia na escola, o mapa do mundo nem sempre teve o formato que a gente está acostumado hoje em dia. Nessa época, as grandes placas tectônicas da Terra estavam dispostas dessa outra maneira. O megacontinente chamado Gondwana, que corresponde hoje a América do Sul, a África, a Oceania e a Antártida, estava se deslocando em direção ao Polo Sul do planeta. E isso levou ao resfriamento da temperatura da Terra. Geleiras se formaram e, por consequência, o nível do mar começou a diminuir. Um problema e tanto, já que ele era o lar de todos os animais dessa época. O resultado? Cerca de 85% das espécies que habitavam o nosso planeta simplesmente deixaram de existir. E olha que essa foi só a primeira vez que a Terra passou por uma limpa geral. Segunda extinção em massa, Devoniano, 360 milhões de anos atrás. A segunda grande extinção aconteceu há algumas dezenas de milhões de anos depois, num período um pouco mais fácil de falar, o Devoniano. E também era mais fácil de se habitar nessa época. É que a essa altura a vida não era mais tão restrita à água. Ou seja, foi nessa época que um peixe desocupado decidiu ir para a terra e por causa dele você tem que trabalhar segunda-feira de manhã. Nessa fase da história da vida na Terra, os primeiros insetos e vertebrados terrestres caminharam pela primeira vez sobre os continentes. E com as novas formas de vida, vieram novas formas de morte, e foram muitas. Cientistas em geral atribuem essa extinção não só a um, mas a uma série de motivos. O movimento dos continentes continuou e provocou mais alterações nos níveis dos oceanos. A temperatura do planeta também passou por mudanças, esquentando e esfriando. Também aconteceu uma redução na concentração de oxigênio na atmosfera. E o resultado dessa soma de fatores foi a subtração massiva da vida por aqui. A cada quatro seres vivos que existiam até então, três não conseguiram sobreviver a essa época. E esse é um número assustador, mas que não chega nem perto da maior de todas as extinções que já aconteceram até hoje no planeta Terra. Terceira extinção em massa, Permiano, 250 milhões de anos atrás. 95% de todos os seres que viviam nessa época foram extintos. Não à toa esse período é conhecido pelo nome nada simpático de a Grande Morte. Mais uma vez, uma das causas foi a movimentação dos continentes. Pô, mas eles também não sossega. Foi nessa época que os continentes se juntaram nesse bloco praticamente único, a famosa Pangéia. Um período que ficou marcado por mega catástrofes em escala global. A atividade vulcânica era extremamente intensa, erupções constantes espalhavam cinza e lava pelo planeta, além de lançar uma quantidade gigantesca de dióxido de carbono na atmosfera. E aí a chuva ácida deixava os oceanos tóxicos. Ou seja, uma combinação de fatores formou uma tempestade perfeita. Foi um período de tanta poeira bloqueando a luz solar que alguns pesquisadores não descartam a possibilidade de que um asteroide também tenha atingido a Terra nessa época. O fato é que o planeta se tornou praticamente inabitável. Grandes espécies de vertebrados que poderiam dar origem a animais que sequer fazemos ideia hoje em dia, acabaram ficando pelo caminho. A vida precisou recomeçar praticamente do zero até ser impactada por mais uma grande extinção. Quarta extinção em massa, Triássico, 200 milhões de anos atrás. 50 milhões de anos depois e adivinha quem é que ficou se mexendo para lá e para cá de novo e bagunçou toda a vida na Terra mais uma vez? Pois é, a Pangéia se separou e os continentes foram um para cada lado, indo em direção aos poucos às posições que eles ocupam hoje em dia. E novamente esse foi um momento dramático para a vida por aqui. Novos vulcões ativos, mais emissão de gás carbônico na atmosfera e outros temporais e chuva ácida causaram um verdadeiro estrago na terra. Muitos dos primeiros mamíferos que viviam por aqui morreram nessa época e grandes anfíbios também não resistiram. A estimativa é de que cerca de 76% dos seres que habitavam o planeta desapareceram. Mas, como em todas as grandes extinções que a gente mostrou até aqui, parte dos seres vivos conseguiu sobreviver. E nesse caso, alguns dos animais que escaparam com vida foram os dinossauros. A extinção de tantas outras espécies marcou o início do reinado duradouro dos dinossauros. Uma coroa que pertenceu a eles por mais de 160 milhões de anos. E aqui vale a gente parar para refletir um pouco sobre a duração dos eventos na escala geológica. Muitas vezes a gente não se dá conta do quão assustadora essa duração é. Para vocês terem uma ideia, a nossa espécie, o Homo sapiens, existe há cerca de 160.000 anos. E isso significa que seria preciso pegar absolutamente tudo que os nossos ancestrais fizeram, viveram e construíram, desde a saída das cavernas até pisar na Lua, e então multiplicar isso tudo por 1.000. Para só então nós alcançarmos a dimensão do período em que os dinossauros dominaram o nosso planeta. Foi uma época extremamente duradoura, mas ela mudou drasticamente de um dia para o outro, 65 milhões de anos atrás. Quinta extinção em massa, Cretáceo, 65 milhões de anos atrás. Um asteroide com cerca de 14 km de largura cruzou o espaço, atravessou a atmosfera da Terra e caiu no mar, onde hoje é a Península de Yucatán, que pertence ao território do México. E esse talvez tenha sido o maior efeito borboleta na história do universo. Porque se a rota do meteoro fosse apenas alguns quilômetros diferente, nenhum de nós estaria aqui hoje. A vida na Terra seria absolutamente diferente. Mas para nossa sorte e pro azar dos dinossauros, não foi isso que aconteceu. O impacto colossal do asteroide deu origem a uma série de catástrofes. É como se aquilo que causou as outras extinções voltasse a acontecer mais uma vez, só que tudo ao mesmo tempo. Logo depois do choque, a primeira consequência foi um super tsunami. Terremotos também sacudiram o continente, já que o meteoro caiu bem em cima da terra firme. Vulcões entraram em erupção, incêndios se espalharam por todas as partes, e uma nuvem com milhões e milhões de toneladas de poeira bloqueou a luz do sol. Não durante algumas horas ou dias, como muita gente pode pensar. Essa poeira toda ficou no ar durante anos. Rinite foi a causa principal de extinção dos dinossauros. Isso obviamente foi uma piada, não levem a sério. Sem a luz solar por tanto tempo, a fotossíntese das plantas foi interrompida. E isso causou um efeito dominó em toda a cadeia alimentar. Uma espécie foi dizimada, fazendo com que o predador dela também fosse dizimado e aí o predador dessa outra espécie também foi dizimado e assim por diante. Acontece que a vida não acontece isoladamente uma espécie da outra, todo mundo depende de todo mundo. A estimativa é que 80% das espécies desapareceram como consequência direta ou indireta da queda do asteroide. E entre elas, quase todos os nossos queridos dinossauros. Somente a linhagem das aves sobreviveu e deixou descendentes que até hoje estão por aí entre nós. Um estudo da Universidade Americana de Harvard em 2008, por exemplo, mostrou que galinhas são descendentes dos tiranossauros. E isso mostra que mesmo em um cenário tão adverso, seres vivos conseguiram achar um caminho para sobreviver. E aqui eu cito mais um importante paper científico sobre a vida dos dinossauros, chamado Jurassic Park. Tá brincadeira, esse é o filme do Steven Spielberg. Mas uma das falas mais famosas do filme diz que a vida encontra o meio, e é bem isso que eu quero dizer. Apesar de tantos obstáculos que ameaçaram ceifar a vida, ela teima em existir e resistir. É como aquela flor que nasce no asfalto, um símbolo da esperança que brota em meio ao caos. Sabe que asfalto não é muito caótico. Mas foi exatamente isso que aconteceu nas cinco grandes extinções que já aconteceram até hoje. E bom, esse poderia ser o fim do vídeo. Ele terminaria de forma bastante poética, bastante inspiradora, e aí agora eu poderia agradecer, dizer muito obrigado e até a próxima e estava tudo certo, mas a barrinha vermelha aqui embaixo do YouTube já mostra que, bom, a gente tem mais coisa pela frente, não temos? Por isso eu peço desculpa por cortar o clima, mas a gente precisa conversar sério. Senta aí. É que, infelizmente, a extinção dos dinossauros pode não ter sido a última extinção em massa. Sexta extinção em massa, Antropoceno, atualmente. Vocês pensaram que eu não ia causar uma crise existencial hoje, né? Mas nesse caso, é uma crise literalmente existencial, porque é a nossa existência que está em risco. Muitos especialistas apontam que sim, a sexta extinção em massa está acontecendo agora, e ela está sendo causada por nós. Cálculos mostram que a extinção de espécies está entre 100 e 1.000 vezes mais acelerada desde o surgimento do ser humano. Ou seja, uma única espécie está sendo capaz de dizimar várias outras espécies. A extinção, essa coisa que a natureza levou milhões de anos para fazer em outras ocasiões e precisou de terremotos, furacões, tsunamis e até um meteoro, a humanidade tá meio que conseguindo fazer sozinha. Uma salva de palmas para nós. E isso acontece de diversas maneiras. A exploração sem freio de recursos naturais, a derrubada de florestas, a poluição dos rios, a degradação dos solos. Além da emissão sem precedente de toneladas de gás carbônico todos os dias na atmosfera. Tudo isso vem contribuindo para o risco real da sexta grande extinção. E lembra daquele efeito dominó que eu falei agora pouco? O fim de uma espécie que leva ao fim de outra espécie, que leva ao fim de outra espécie. E é tolice do ser humano pensar que vai sair impune a toda essa destruição do meio ambiente. A humanidade não existe à parte do ecossistema, a gente faz parte dele. Por isso é urgente agir para mudar essa realidade enquanto ainda há tempo. Eu sinto muitas vezes que um clima pessimista e bastante conformista está se instaurando em alguns de nós. Algumas pessoas fazem comentários do tipo nós não temos o que fazer, quando na verdade, a história é outra. O nosso futuro não parece nada promissor se continuarmos como estamos agora, mas nós ainda temos chances de reescrever as próximas páginas do livro da história do nosso planeta, se as nossas próximas ações forem tomadas com sabedoria. E mesmo que a gente um dia consiga, sei lá, migrar para outro planeta, como, por exemplo, terraformar Marte, é mais provável que a gente apenas exporte para lá a nossa força de destruição. Ainda mais porque se a própria Terra, com tantos recursos naturais, está sendo devastada dessa maneira implacável pelo ser humano, mas não temos porque acreditar que ambientes muito mais inóspitos possam ser a salvação de uma espécie, capaz de provocar sozinha uma nova extinção em massa. E essa foi a nossa crise existencial de hoje. Então agora sim, muito obrigado e até a próxima. E eu espero que tenha uma próxima. Por favor, não estraguem tudo.

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