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Leite: produção à base de pastagens perenes

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[0:04]Apesar de ocupar pouco mais de 1% do território brasileiro, Santa Catarina está entre os maiores produtores de leite do país.
[0:04]Os bons resultados estão relacionados em grande parte às ações da pesquisa e extensão rural da Epagri.
[0:04]O sistema traz maior rentabilidade às famílias, benefícios ambientais e humanização do trabalho no campo.
[0:34]A produção de leite à base de pasto é um modelo consolidado em Santa Catarina, um conjunto de tecnologias que trazem maior rentabilidade ao produtor.
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[0:04]Apesar de ocupar pouco mais de 1% do território brasileiro, Santa Catarina está entre os maiores produtores de leite do país. Os bons resultados estão relacionados em grande parte às ações da pesquisa e extensão rural da Epagri. A recomendação é a produção de leite à base de pasto. O sistema traz maior rentabilidade às famílias, benefícios ambientais e humanização do trabalho no campo.

[0:34]A produção de leite à base de pasto é um modelo consolidado em Santa Catarina, um conjunto de tecnologias que trazem maior rentabilidade ao produtor. Hoje nós estamos em Campos Novos na estação experimental da Epagri e vamos conhecer uma unidade que é referência no estado em produção de leite à base de pastagens perenes. E para ver na prática esse conjunto de tecnologias, nós vamos conversar com o Michael Ouriques, que é o gerente da Estação Experimental da Epagri. Maicon, o que que é esse Centro de Referência de Tecnologia em leite? Bom, o centro de referência, o CRT Leite, ele é um centro onde a gente, eh, já utiliza os princípios já consolidados pela extensão rural de Santa Catarina, através da Epagri, do fomento do governo do Estado. Nas propriedades rurais de todo o Estado. Aqui então, nós aplicamos todos os conhecimentos que a gente difunde e também tem a possibilidade com o centro de pesquisa a buscar melhoria desse processo. Então a gente pode estar, a gente, a gente está fazendo pesquisas aqui junto com, com, com os demais colegas da pesquisa para trazer inovações ao sistema, melhorias, né, busca de novos cultivares, formas de plantio, para que cada vez mais a gente possa estar levando tecnologia criando na pesquisa junto com, com a extensão e tá difundindo aos agricultores nos municípios de todo o estado.

[2:06]Bem, a partir de agora, o Michael vai mostrar na prática, as principais tecnologias aplicadas aqui nesse centro de referência em produção de leite.

[2:21]Bom, então a base do sistema utilizado aqui no CRT Leite, difundido pela Epagri e a Secretaria de Agricultura em todo o estado, é a base da alimentação dos animais com base em pastagens perenes de verão, o uso de sobresemeadura de inverno com as pastagens, eh, no período de inverno sobre essas áreas com os piquetes. Ah, também o uso, eh, racional dos concentrados, que seria a ração, com base na produção leiteira. A gente faz o arrasoamento do animal. Então a gente sabe que as pastagens, elas tem uma condição nutricional de fornecer uma quantidade de alimento para esses animais. Durante os períodos que a gente tem um vazio forrageiro, principalmente na nossa região aqui no estado, no outono, ali entre o período de abril e final de maio, onde as pastagens perenes de verão, elas não têm um crescimento tão significativo como, como nos períodos mais quentes e as pastagens de inverno ainda não têm condições de fornecer o alimento na quantidade necessária no sistema para os animais, nós fazemos o uso da forragem conservada. O que que seria forragem conservada? É o uso da silagem, do feno e do, dos pré-secados. Então, como esses alimentos, depois da pastagem, começam a aumentar muito o custo de produção, nós temos que usar eles de forma racional e estratégica nos períodos do ano que nós temos as maiores dificuldades com a pastagem. Já a ração, nós trabalhamos no, num sistema racional por mérito. Então a gente sabe que as pastagens e a pastagem conservada, ela tem uma condição de dar um potencial produtivo para esses animais, porém esses animais leiteiros tem um potencial genético muito maior. Então há a necessidade da gente fazer a suplementação dessa alimentação com as rações preparadas. Como é que nós fazemos esse arraçoamento? Nós usamos também a tecnologia e o trabalho feito através do controle leiteiro, que é o monitoramento de, de periódico de cada período de lactação do animal para ver quanto que ele tá produzindo e quanto ele precisa complementar com a ração com base na sua produção. Então, alguns animais ganham um pouco mais de ração, animais mais produtivos e animais que não tem essa produção tão grande, a gente usa a quantidade necessária. Então, continuando com alguns princípios do nosso sistema, um deles é a, a construção de ambientes mais propícios para, para os animais. Uma das condições que a gente precisa fornecer para os animais é a sombra, principalmente nos horários mais quentes do dia. Então, eh, nesse sistema, nós preconizamos o uso das áreas de pastagem mesmo para propiciar esse conforto animal, que é através das linhas de árvore, onde geralmente cerca de 50% dos piquetes, que são os piquetes usados durante o dia, contam com a implantação de sombra. E além de todos os piquetes contarem com acesso disponível de água de qualidade em volume necessário para que os animais possam ter o conforto térmico e se fazer a dessedentação junto com a alimentação à base de pasto. Outra tecnologia importante utilizada nas propriedades e aqui no CRT também é o planejamento forrageiro, onde a gente faz o uso de diferentes espécies de forragem para estar proporcionando a melhor alimentação animal. Nós temos, então, ao fundo, lá o capim pioneiro elefante. Aqui ao lado, outro capim pioneiro muito utilizado no nosso, no nosso estado, que é o Kurumi, capim elefante Kurumi. O Tifton 85, que é onde a gente está aqui na pastagem. Né? E também a missionária gigante que é utilizada dentro da composição forrageira dentro de uma propriedade. Cada pasto, ele tem um, uma capacidade de suporte para cada tipo de animal e são mais adequados para diferentes tipos de terreno e diferentes condições que tem na propriedade. Então, por isso a importância da visita do extensionista para fazer esse planejamento forrageiro e tá localizando e quantificando o metro quadrado, os hectares necessários de cada forragem dentro do sistema produtivo em cada propriedade rural. Uma outra situação que a gente verifica nas propriedades e aqui também no CRT, é a maior resiliência do sistema. O que que é essa resiliência? A maior capacidade desse sistema em absorver todos os problemas climáticos que a gente vem sentindo aí no estado nos últimos tempos. A gente sabe que a seca que nós tivemos nesse, nesse último ano, ela foi uma das mais severas, mas de forma corrente, nós temos períodos de estiagem mais prolongado que vem acontecendo ano após ano. Quando o produtor tem um sistema de pastagens perenes implantadas, essa pastagem já está implantada aqui e na primeira chuva, ela já tem um pronto restabelecimento e o fornecimento de de comida para esses animais, ele já é prontamente restabelecido. Em comparação com propriedades que precisam, após uma condição favorável, preparar o solo, comprar a semente, aguardar 40, 60 dias até esse alimento estar pronto. Agora nós estamos aqui visitando a propriedade do, do senhor Jaime Siqueira, da esposa da Arvillete, uma área de 24 hectares que trabalham com a pecuária leiteira e também com a produção de grãos na parte de silagem. Então, continuando tudo aquilo que a gente comentou na nossa, no CRT Leite, na Central Tecnológica de Leite que nós temos aqui em Campos Novos, aqui nós vemos na propriedade do seu Jaime, a implantação de toda essa técnica, toda essa tecnologia baseada na produção de, de leite à base de pasto com sombra e água. Então aqui essa propriedade já plantou a pastagem cerca de dois anos, fez o parque do piqueteamento junto com, com o auxílio dos colegas da Epagri. Já implantou a primeira parte de sombra e tá em fase de implantação da água, através de algumas políticas públicas utilizadas, como o Kit Forrageira e o FDR, também que foram utilizados para fortalecer e implementar essa tecnologia na propriedade aqui do Jaime e de outros produtores aqui também da região. Então agora a gente vai saber um pouco do, do seu Jaime, como é que ele passou por esse momento de dificuldade que nós tivemos em Santa Catarina, da estiagem e como esse sistema baseado em pastagens perenes pode ajudar ele a passar da melhor forma possível por um momento tão difícil de estiagem que nós tivemos aqui. Pois é, Marco, a questão é que a questão da pastagem perene, que ela é mais resistente à, tipo, por exemplo, a seca, por causa que ela tá implantada, ela tá enraizada, né? Daí, na na questão que a gente não teve muito problema com a queda de produção, porque a gente já tinha pastagem implantada. Se a gente precisasse, por exemplo, uma pastagem de verão para implantar, até você ter o momento de você largar as vacas, demorava tipo 30, 40 dias para você ter o primeiro pastorejo. E assim, como nós já temos a a a Tifton formada, a grama plantada, a gente não não teve esse período de, por exemplo, de crise de pastagem, por causa que já tinha a grama, que foi conseguindo manter as vacas em cima e ela foi rebrotando devagar junto com toda a seca que deu, né? Então, com o acompanhamento da assistência técnica da Epagri, aqui na pastagem e as instalações que nós mudamos mais perto da pastagem, nós saímos de um, de um, da média que nós estávamos em 14, 12 a 14 litros dia para uma média de 22 litros dia hoje. Isso já é uma grande vantagem para nós e, e estamos ganhando bem, bem, bem mais com essa implantação de, de pastagem perene, né?

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