[0:00]Já aconteceu isso com você? Você pega o celular só para ver a hora ou para responder uma mensagem rápida. E aí quando você se dá conta, passaram 2 horas? 2 horas, 3 horas que você ficou ali rolando o dedo para cima, vendo o vídeo de gatinho, dancinha, receita que você nunca vai fazer. Fofoca de gente que você nem conhece. Já te aconteceu? E você perde totalmente a noção do tempo, parece que você ficou 5 minutos ali, né? E a sensação que fica depois, né? Não é de descanso, é de cansaço mental, é uma nuvem na cabeça. Parece que o cérebro virou mingau. Você tenta ler um livro, né? Você pega o livro da mesa, você não consegue passar pela primeira página, ou você volta várias vezes porque você não registrou o que você leu, né? Aí você tenta ver um filme, aí você pega o celular 10 vezes porque você acha o filme lento demais, a gente tá com essa sensação que tudo é lento, né? Se você se sente assim, saiba que isso tem nome, viu? Em 2024 a Universidade de Oxford elegeu a expressão do ano como Brain Hot. Em português a tradução é podridão cerebral. Forte, né? Eu achei assustador. E fiz aí uma boa de uma reflexão da minha vida, do meu jeito de de funcionar. Só que hoje a gente precisa conversar sobre como esses vídeos curtinhos estão literalmente derretendo a nossa capacidade de pensar, né? De focar e de viver a vida real. Ai, gente, até complicado, viu? Como é que vocês estão se sentindo hoje, né? A mente tá pensando normal ou tá nublada? Olha, o tema de hoje é um puxão de orelha em mim e em vocês. Porque todo mundo cai nessa armadilha. Quando eu li que podridão cerebral foi elencada palavra do ano passado, né? Eu fiquei realmente chocada, né? Mas eu não, não, eu nem fiquei tão surpresa, né? Porque eu atendo jovens no consultório que eles não conseguem mais manter uma conversa de 10 minutos, né, sem olhar no celular. Eu tô, tá na consulta e a pessoa tá, tá lá, né? Eu atendo adultos, profissionais competentes que me dizem: "Naí, eu sinto que eu fiquei mais burro." Eu não tenho mais memória. Eu esqueço o que eu ia fazer na cozinha, eu preciso voltar. Nossa, isso já me aconteceu quantas vezes, né? Eu celular, número de telefone eu lembro dois, três só, porque tá tudo lá, a gente não se esforça mais. E a gente culpa a idade, culpa o stress, a COVID, mas o culpado muitas vezes está no nosso bolso, na nossa bolsa, né? O que que é esse tal de Brain Hot, né? É o estado mental de névoa, de letargia causado pelo consumo excessivo de conteúdo rápido e de baixa qualidade. É o TikTok, é o Reels, é o Shorts. Esses aplicativos, eles não foram feitos para te informar. Eles foram desenhados por engenheiros e psicólogos comportamentais para te viciar. É isso mesmo que você ouviu. Eles querem sequestrar a sua dopamina. Cada vez que você passa o dedo e vê um vídeo novo, é uma microdose de prazer. É rápido, é colorido, é barulhento. O teu cérebro adora. Ele pensa: oba, novidade! Oba, risada! Oba, polêmica! Só que a vida real, ah, meus amores, a vida real é lenta. Ler um livro demora, cozinhar demora. Construir uma carreira, demora, criar um filho, demora. E quando o teu cérebro acostuma com a velocidade do vídeo a 15 segundos, né? A vida real parece insuportavelmente chata. Você conhece gente que não consegue mais ouvir uma uma mensagem no celular, um áudio? Ela, ela bota no dois, naquela velocidade máxima. E tem mais um agravante nisso tudo. O problema não é só o tempo que você perde, é o que acontece com a sua estrutura cognitiva. O nosso cérebro, ele é um músculo. Se você só alimenta esse, esse cérebro com fast food mental, conteúdo que não exige pensar, que já vem mastigado, ele atrofia. É por isso que chama podridão. É a perda da capacidade de pensamento crítico, né? Você vê um um vídeo de 30 segundos sobre política, sobre saúde, sobre qualquer coisa, sobre psicologia e acha que entendeu o assunto. Gente, a complexidade do mundo não cabe em 30 segundos. A complexidade das coisas não cabe em 30 segundos. Mas a gente está criando uma geração e nós estamos entrando nessa também, né? Que que só lê a manchete, que tem preguiça de se aprofundar. E isso gera ansiedade, gera irritabilidade, você perde a paciência de lidar com as pessoas, de ouvir as pessoas falando. Você já tentou tirar o tablet da mão de uma criança que tá a duas horas vendo o vídeo? Ela chora, ela grita. E nós, adultos, né? Se a gente, se, ó, se a internet cai, a gente fica andando pela casa igual barata tonta. A gente não sabe mais lidar com o tédio. Gente, a gente não sabe mais lidar com o tédio. Você tá entendendo isso? É no tédio que nasce a criatividade. É no silêncio que a gente se escuta. Se não tem silêncio, não tem você. Só tem o barulho dos outros na sua cabeça, né? E só tem barulhos, barulhos mentais aleatórios. Além disso, eu preciso falar sobre o impacto disso nas nossas relações, porque Brain Hot, Brain Hot não, não apodrece só o cérebro, apodrece o afeto. Né? Quantas vezes você saiu para jantar com seu marido, com seus amigos e ficou todo mundo na mesa olhando para baixo? Você já parou para observar em restaurante? São casais, cada um com seu celular. A gente tá fisicamente presente, mas mentalmente, nós estamos em Nárnia. O corpo tá ali, mas a cabeça tá vendo a dancinha, a fofoca, a tragédia do dia. Será que a gente não tá aguentando mais a vida da gente? Será que é isso? A gente precisa se alienar, né? Isso passa uma mensagem horrível para quem tá com você. A mensagem é: esse aparelho aqui é mais interessante do que você. E para os filhos? Meu Deus, os filhos vendo os pais zumbis, né? Ele chama: "Mãe, mãe, olha aqui!" E a mãe responde sem tirar o olho da tela. "Uhm-hum, tô vendo." Tá vendo nada! Não tá vendo nada, né? A gente tá perdendo a conexão humana real. Gente, vocês, vocês têm noção disso que tá acontecendo? Que a gente tá fazendo? Que a gente se viciou? A gente tá trocando o olhar, o toque, a conversa, o olho no olho por uma enxurrada de informação inútil que a gente vai esquecer em 5 minutos porque nem reter as informações a gente tá conseguindo muito mais. Faz o teste, que que você viu no Instagram ontem à noite? Você lembra de três coisas que você viu? Provavelmente não. Foi tempo jogado no lixo, foi alienante, foi vida jogada no lixo. E não pensa que eu tô fora disso não, viu? Ah, tá bom, Naí, o diagnóstico é assustador, eu tô com o cérebro podre, e agora? Tem cura? Tem! Tem. O cérebro tem uma coisa maravilhosa chamada neuroplasticidade. Ele se recupera, mas ele precisa de reabilitação. E reabilitação de vício exige esforço, né? Então, primeira coisa, higiene digital. Você não precisa excluir tudo e virar um eremita, né? Mas você precisa colocar barreiras, né? Então, coloque limites de tempo no aplicativo. A gente tem que fazer um detox digital. Desative as notificações, né? Notificação é, é o mundo gritando, olha para mim o tempo todo, a gente não dá conta. Você não precisa saber na hora que a fulana curtiu a tua foto. Você vê isso quando você decidir entrar. Retome o controle, né, da tua vida. Segunda coisa, volta a fazer coisas lentas. Se obrigue a ler. Ai, doutor, eu leio duas páginas e canso. Leia duas, amanhã você lê três, né? É fisioterapia para seu cérebro. Assista um filme sem o celular na mão. Pede para alguém esconder seu celular e depois não tenta massacrar o cara para te devolver. Deixa o celular no outro cômodo. Cozinhe prestando atenção no cheiro, no gosto, né? Ensine para o seu cérebro que a vida real tem textura, tem cheiro, tem sabor. Coisa que tela não tem. E por último, abrace o tédio. Quando você estiver na fila do banco, no elevador, esperando o médico, não pegue o celular, é um exercício que eu tô te propondo fazer. Para ver se a gente consegue mexer um pouco nesse cérebro, que nós estamos atrofiando. Fica ali, olha para as pessoas, puxa assunto. Vai tomar um café. Ó, vou te deixar com vontade. Vai brincar com teu cachorro, com teu gatinho, vai olhar para o céu. Combinado? Promete para mim? Eu quero que vocês se cuidem, que vocês cuidem dessa cabecinha preciosa de vocês, tá bom? Gente, assistam 10 vezes esse vídeo, tá bom? Por favor, eu já assisti muitos vídeos assim, já tô pesquisando muito sobre isso, é muito sério o que que tá acontecendo, tá bom? Me escutem, tá? Grande beijo. Próximo vídeo, tô contando com vocês, até mais.

ISSO ESTÁ DESTRUINDO SUA SAÚDE MENTAL (E VOCÊ ACHA NORMAL) com Dra Anahy
Papo com Anahy D'Amico
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[0:00]2 horas, 3 horas que você ficou ali rolando o dedo para cima, vendo o vídeo de gatinho, dancinha, receita que você nunca vai fazer.
[0:00]E você perde totalmente a noção do tempo, parece que você ficou 5 minutos ali, né?
[0:00]Você pega o livro da mesa, você não consegue passar pela primeira página, ou você volta várias vezes porque você não registrou o que você leu, né?
[0:00]Aí você tenta ver um filme, aí você pega o celular 10 vezes porque você acha o filme lento demais, a gente tá com essa sensação que tudo é lento, né?
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