[0:25]Os quilombos foram a representação prática e simbólica mais importante dos africanos e seus descendentes em relação à resistência contra a escravidão.
[0:43]Nessas comunidades embrenhadas pelo Brasil adentro, esses homens e mulheres se organizavam partindo de uma mistura de costumes. Resgatando valores africanos, aprendendo com saberes indígenas nativos, utilizando os recursos tomados dos brancos opressores.
[1:21]Os quilombos representavam a esperança para o negro, ainda escravizado, e o terror para os senhores que temiam os prejuízos nos seus negócios. Por muitas vezes esses quilombos eram combatidos e também se organizavam para resistir.
[2:05]O quilombo que ficou mais conhecido na história do Brasil foi o Quilombo dos Palmares.
[2:13]Os registros dizem que ele surgiu após a fuga de alguns escravos de fazendas de cana no interior de Pernambuco. Após a invasão holandesa no século XVII, os portugueses ficaram enfraquecidos e muitos dos escravizados aproveitaram para fugir para Palmares. Povoando aos poucos aquela comunidade que ficava na serra da barriga, um lugar de acesso muito difícil. Com um número grande de homens libertos pela luta, Palmares tornou-se uma imensa fortaleza, cuja influência tornou-se tamanha que o rei de Portugal chegou a tentar negociar com os líderes.
[3:07]Inicialmente comandado por Gangazumba, o Quilombo dos Palmares foi atacado pelos brancos opressores inúmeras vezes. Mas seu maior líder político e guerreiro foi, sem dúvidas, Zumbi.
[3:43]Zumbi nasceu num quilombo, mas foi capturado por um grupo de perseguidores, ainda criança. Tendo sido vendido a um padre, foi educado para aprender a ler e escrever, bem como entender certos princípios da cultura dos brancos. Quando adolescente, sente a necessidade de lutar por sua liberdade e foge para Palmares. Grande estrategista, tornou-se o líder que desafiou o sistema de escravidão na região de Pernambuco, chegando a invadir fazendas e libertar escravos com seu exército negro. Temido pelos senhores, louvado pelos escravizados. O temor dos senhores era tamanha que chegaram a organizar expedições gigantescas contra Palmares e foram vencidos.
[4:51]Palmares só caiu mesmo quando os governadores das províncias, com o apoio do rei de Portugal, mandaram chamar o caçador e matador de índios, Domingos Jorge Velho, para comandar o maior contingente de soldados da época, juntando gente de várias províncias. E com canhões, crueldade e covardia, conseguiram entrar na Fortaleza Palmarina e destruir o sonho de liberdade lá construído.
[5:23]Zumbi, o líder guerreiro, foi morto no dia 20 de novembro, lutando até o último momento. Sua história, no entanto, manteve viva sua memória, suas raízes e sementes, e as lutas contra a escravidão continuaram e ampliaram-se até os últimos dias.
[5:43]Em 1888, quando a propaganda abolicionista e as revoltas dos escravizados pareciam incontroláveis em todo o país. Além das pressões internas da Inglaterra sobre a corte, num ato de tentar garantir o mínimo de controle sobre a situação, a então princesa Isabel assina a Lei Áurea como um passo decisivo no fim legal da escravidão no Brasil.
[6:14]Apesar desse decreto, a situação geral dos descendentes de africanos ainda ficou muito difícil. Embora livres, não possuíam nada, nem um pedaço de terra para plantar, nem propriedades ou posses que pudessem usar para tirar seu ganha pão. A abolição trouxe a liberdade, mas não a igualdade de oportunidades e a dignidade, muito menos reparou a violência de mais de 300 anos sobre as costas negras.
[6:51]Daí, a memória de Zumbi, como um guerreiro que lutou não apenas por sua própria vida, mas também pela de todos os seus. Fica como semente, herança, para que os que hoje vivem num mundo ainda tão cheio de preconceitos, injustiças, intolerância, exploração, violência, opressão. O Quilombo dos Palmares era um lugar onde conviviam pessoas de todos os tipos em paz com a natureza. Negros, índios, brancos foragidos, homens e mulheres excluídos da sociedade colonizadora e aproveitadora da época. Um lugar onde cada um podia ser aquilo que desejava, respeitando o outro, a si mesmo e a vida.



