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A Perspetiva de Kuhn

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[0:04]Kuhn destaca o papel que a história da ciência tem na construção da própria ciência.
[0:04]Segundo Kuhn, o cientista não é um sujeito neutro nem isolado, mas condicionado e contextualizado.
[0:04]A construção das teorias científicas está sempre dependente de um conjunto de factos, de crenças.
[0:04]Centra-se numa teoria que proporciona problemas e soluções exemplares a uma certa comunidade de investigadores, no interior da comunidade científica.
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[0:04]Kuhn, como Popper, acredita na objetividade da ciência, pensa que as teorias científicas são descrições da realidade, ainda que imperfeitas, e que à medida que o conhecimento científico avança, nos vamos aproximando da verdade. Obtendo uma imagem cada vez mais correta da realidade. Thomas Kuhn rejeita esta perspectiva. Kuhn destaca o papel que a história da ciência tem na construção da própria ciência. Segundo Kuhn, o cientista não é um sujeito neutro nem isolado, mas condicionado e contextualizado. A construção das teorias científicas está sempre dependente de um conjunto de factos, de crenças. Isto é, a produção científica depende de um paradigma científico. O que é um paradigma? Paradigma é toda uma forma de fazer ciência. Centra-se numa teoria que proporciona problemas e soluções exemplares a uma certa comunidade de investigadores, no interior da comunidade científica. Podemos pensar como exemplo de paradigma, a teoria geocêntrica, Terra no centro do universo, que se manteve dominante enquanto instalada, até ao século 16. Até surgir a hipótese heliocêntrica, que se lhe contrapunha, pressupondo que seria o Sol que estaria no centro do universo. Kuhn decompôs então em diferentes fases o processo histórico pelo qual se passa de um paradigma para outro. Essas etapas são então as seguintes: 1º: Ciência normal. Quando um paradigma surge, inicia-se um período de ciência normal, correspondendo à fase da atividade científica que ocorre no âmbito de um dado paradigma aceito pela comunidade científica. Consiste essencialmente na resolução de enigmas ou problemas, de acordo com a aplicação dos princípios, regras, conceitos do paradigma vigente. Anomalias. Enigmas persistentes, factos a que o paradigma não é capaz de responder, não são vistas como refutações, como provas de que os pressupostos teóricos fundamentais são falsos. Continuando estes últimos a ser aceites. Crise. Fase de tomada de consciência da insuficiência do paradigma vigente para explicar todos os factos ou anomalias. Vive-se um clima de insatisfação e insegurança. Ciência extraordinária. Fase de questionamento dos pressupostos e fundamentos do paradigma vigente; debate sobre a escolha de um novo paradigma. Gera-se um debate sobre a manutenção do paradigma antigo ou a escolha de um novo paradigma. Revolução científica. Fase de mudança e aceitação de um novo paradigma pela comunidade científica. Novo paradigma. Conjunto de crenças, regras, técnicas e valores, etc. compartilhados e aceites por uma comunidade científica e que orientam a sua atividade. Corresponde a um modo de fazer ciência, de perceber, de abordar e resolver problemas, que se institui no seio dessa comunidade. Ou seja, para Kuhn, a mudança de uma teoria geocêntrica para uma teoria heliocêntrica, deu-se porque o paradigma da teoria geocêntrica não era capaz de explicar todos os fenómenos que eram observados (anomalias). O paradigma deixa muitos problemas por resolver. Quando se compreendeu que esse paradigma deixava muitos problemas por resolver, começou-se a questionar se seria realmente aquele que corresponderia à realidade. Após um debate longo e sangrento, como tantos relatos históricos demonstram, deu-se uma revolução na ciência, passando a dominar o paradigma da hipótese heliocêntrica. Para Kuhn, portanto, era importante destacar dois momentos fundamentais de progresso no interior da ciência: primeiro, a ciência normal, a resolução de novos enigmas significa a possibilidade de validar novos resultados sem pôr em causa as teorias do paradigma vigente. Segundo, revoluções científicas, ocorrem novas descobertas que não se ajustam ao paradigma anterior. A evolução da ciência dá-se pela substituição de teorias por outras que resolvem melhor as anomalias que vão surgindo. Deste modo, a mudança de um paradigma para outro não é cumulativa. Isto é, não se vão acumulando princípios de um paradigma para o outro, antes corresponde a um modo qualitativamente diferente de olhar o real. Basta pensar no exemplo que temos visto até agora. A verdade das teorias científicas está sempre dependente do paradigma em que elas se inserem. Aquilo que é verdadeiro num paradigma pode não o ser no outro. Os paradigmas são incomensuráveis. Isto é, são incomparáveis e incompatíveis, são formas totalmente diferentes de explicar e prever os fenómenos. A escolha de um novo paradigma é marcada por fatores de ordem histórica, sociológica e psicológica. A escolha entre teorias rivais obedece a critérios objetivos, ideias de exatidão, consistência, alcance, simplicidade e fecundidade e subjetivos, relativos à história de vida e à personalidade do cientista. A incomensurabilidade dos paradigmas, ou seja, o facto de não poderem ser comparados objetivamente, traz consigo uma interpretação diferente daquilo que pode ser o progresso da ciência. Em Kuhn, o progresso científico não pode ser entendido como um processo cumulativo de teorias e paradigmas cada vez melhores em direção a uma meta ou fim. Se não podemos dizer que o novo paradigma descreve melhor a realidade do que o seu antecessor, também não podemos afirmar que a ciência progride de modo cumulativo e contínuo ao substituir um pelo outro. Assim, as mudanças de paradigmas não implicam uma aproximação à verdade. Kuhn não concorda com uma visão teleológica da evolução da ciência. A verdade não é uma meta para a qual se orienta a ciência. É relativa a cada paradigma e só pode ser compreendida dentro dos limites que cada paradigma impõe. Críticas à teoria de Kuhn. A perspectiva de evolução da ciência de Kuhn não está, portanto, isenta de críticas. A questão da incomensurabilidade dos paradigmas conduz a um relativismo do conhecimento e em última análise, da verdade. Alguns críticos acusam Kuhn de ser relativista. Espécie de irracionalidade de conversão quase religiosa na forma como os cientistas abandonam um velho paradigma e adotam um novo. Isto levanta entraves à questão do valor da ciência. Enquanto Popper considera que pelas características lógicas inerentes às teorias científicas, o conhecimento científico é objetivo. Kuhn destaca a intersubjetividade inerente ao processo de fazer ciência. Os critérios não são só objetivos, são também subjetivos.

[6:03]A ciência não é absolutamente certa e indubitável.

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