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Sustentabilidade: Haroldo de Mattos Lemos at TEDxBaiaDaIlhaGrande

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[0:31]É, prazer muito grande estar aqui para conversar com vocês sobre essa questão da sustentabilidade, em função inclusive da reunião que nós vamos ter o ano que vem no Rio de Janeiro para discutir esse tema.
[0:31]É claro que encontrar uma definição aceita por todos, fácil de entender sobre sustentabilidade é muito difícil.
[0:31]E entendendo os três mega desafios, qualquer atividade humana nós vamos poder depois comparar com os mega desafios para saber se aquela atividade é boa ou não para sustentabilidade.
[0:31]Então, primeiro para começar, nós temos que dar uma olhada no que aconteceu no passado, o slide, por favor.
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[0:31]Bom, muito boa noite a todos. É, prazer muito grande estar aqui para conversar com vocês sobre essa questão da sustentabilidade, em função inclusive da reunião que nós vamos ter o ano que vem no Rio de Janeiro para discutir esse tema. É claro que encontrar uma definição aceita por todos, fácil de entender sobre sustentabilidade é muito difícil. Mas o meu, um dos meus objetivos principais aqui, vai ser mostrar para vocês que existem três mega desafios, três desafios básicos que a humanidade vai ter que vencer se quiser entrar realmente na direção da sustentabilidade. E entendendo os três mega desafios, qualquer atividade humana nós vamos poder depois comparar com os mega desafios para saber se aquela atividade é boa ou não para sustentabilidade. Ok? Então, primeiro para começar, nós temos que dar uma olhada no que aconteceu no passado, o slide, por favor. Então, reparem, eh, a humanidade sempre dependeu da energia vinda do sol. Historicamente, que era capturada pelas plantas através da fotossíntese, transformava em energia química, e isso é que movimentava e fazia com que a vida fluísse na Terra. É, a disponibilidade de energia, portanto, limitava muito o homem no seu poder de usar recursos naturais disponíveis. O homem dependia do seu trabalho próprio, depois passou a depender também do trabalho dos animais que ele conseguiu eh domesticar, o boi, por exemplo, o cavalo para puxar o arado, e também das pessoas que ele conseguia escravizar, mas era trabalho animal, trabalho humano, trabalho animal. Pois bem, eh, a partir do início de 1700, quando Thomas Newcomen desenvolveu a primeira máquina a vapor, gerado pela queima de carvão mineral, então a coisa mudou. Essa máquina, então a coisa mudou, essa máquina tinha uma eficiência de 500 cavalos para puxar água do fundo das minas de carvão, liberou quem fazia isso para extrair mais carvão e a partir daí o homem, eh, dispôs de energia barata disponível, eh, que para movimentar recursos, fazer mineração, con fazer grandes obras, transporte para um lado e para o outro, ficou bem mais fácil. Então, eh, a humanidade aumentou muito a sua capacidade de usufruir dos recursos naturais usando a energia dos combustíveis fósseis. Consequência disso, né? Houve uma explosão populacional, e reparem que a humanidade levou séculos a fio até atingir 1 bilhão de habitantes em 1802. E 200 e poucos anos depois, nós estamos atingindo esse mês de outubro, nós estamos atingindo 7 bilhões. Então, em duas duas dois séculos e pouquinho, a humanidade multiplicou, a população foi multiplicada por sete. Bom, vamos olhar somente o último século, século passado, as grandes transformações que o homem provocou sobre a nossa biosfera. Primeiro, a população pulou de 1 bilhão e meio em 1900 para 6,1 bilhões no ano 2000, quer dizer, multiplicou por quatro a população. Mas as atividades econômicas foram multiplicadas por um número muito maior do que isso, né? Somente nos últimos 50 anos do século passado, depois da Segunda Guerra, a atividade econômica aumentou 10 vezes. Significa mais uso de energia, mais uso de minerais, etc. e mudanças na nossa biosfera. Como consequência, uma das consequências, pesqueiros mundiais sobre explorados. Nós estamos pescando os peixes com uma velocidade muito superior àqueles conseguem se reproduzir. Então, isso é um problema complicado e por causa disso, então neste século que nós estamos agora, a humanidade estará, está enfrentando grandes desafios. Primeiro deles, talvez o mais difícil de todos seja o aquecimento global, mas nós já temos em várias áreas do mundo, escassez de água, né? A população está crescendo, o uso da água pela população está crescendo e, finalmente, daqui a uns 50 anos, no máximo, nós vamos ter que enfrentar o esgotamento do petróleo. E nós vamos precisar de energia. A pior coisa que pode acontecer para a humanidade é ficar sem energia. Então, são desafios muito grandes, né, que nós temos. Pra gente entender os três mega desafios que a humanidade vai ter que enfrentar para chegar na sustentabilidade, os dois primeiros estão intimamente ligados ao modo de funcionamento físico, químico, biológico da nossa biosfera. A nossa biosfera é um sistema quase fechado. Nós recebemos de fora energia solar que é fundamental para a vida na Terra. Essa energia solar através da fotossíntese, ela é transformada em energia química que está nas plantas, nas algas no mar, né, o capim, a madeira, eh, o capim vira boi, as algas no mar acabam virando peixe e assim por diante. Então, nós temos na nossa biosfera recursos naturais renováveis em função da energia solar. Mas nós temos também recursos não renováveis, que são materiais como minério de ferro, minério de alumínio, né? E combustíveis fósseis e o que que nós, humanidade, fazemos todo santo dia? Todo santo dia nós estamos pegando recursos naturais renováveis e recursos naturais não renováveis e produzindo bens e serviços que a humanidade precisa para sua vida diária, alimentos, vestuário, transporte e assim por diante. Todo santo dia nós estamos fazendo isso. Agora, então, aí nós já vemos um primeiro grande desafio é garantir a disponibilidade de recursos naturais estratégicos para futuras gerações. Nós não podemos permitir que eles se esgotem. Depois, é, quando nós produzimos bens e serviços, nós produzimos também resíduos e poluição. Toda vez que a gente transporta comida do campo para as cidades, tem resíduos que são jogados no ar. O que está acontecendo hoje, o que nós estamos vendo, não é opinião de ninguém, é medição científica, tanto no ar, quanto nos solos, quanto nas águas, os resíduos e poluição estão se acumulando. Significa que nós estamos jogando sobre a biosfera mais resíduos e poluição do que ela consegue absorver. Nós não podemos continuar durante muito tempo fazendo isso, porque nós vamos intoxicar a biosfera com resíduos e poluição. Então esses são os dois primeiros mega desafios, né, para que, eh, a gente possa chegar na, na sustentabilidade. Primeiro, garantir a disponibilidade dos recursos naturais para que as futuras gerações também possam produzir bens e serviços que vão precisar diariamente, e o segundo, respeitar os limites da biosfera para assimilar resíduos e poluição. Pois bem, eh, existe um terceiro mega desafio, que é a questão da redução da pobreza, né? O que eu estou mostrando para vocês aí, nós todos aqui na América na nas Américas, nós estamos acostumados, estávamos acostumados a ver a migração de latino-americanos para dentro dos Estados Unidos, as máfias que foram formadas na fronteira para passar as pessoas. Isso existe também no mar Mediterrâneo. Toda santa noite, vários barcos desse tipo com imigrantes ilegais, existem máfias que foram formadas, estão despejando 200, 300, 500, 1.200 imigrantes ilegais africanos nas costas da Europa. Isso não é sustentável. Nós temos que reduzir a pobreza para que haja melhor governabilidade do mundo, para que não haja tanto terrorismo e não é ético continuar vivendo num mundo em que as pessoas ainda morrem de fome, mas não é pela falta de comida, é pela falta de dinheiro para comprar comida. Então, redução da pobreza é uma coisa fundamental também para a sustentabilidade. Como é que nós estamos? Mal. avisa que a humanidade hoje já está consumindo mais do que 30% de recursos naturais renováveis do que o planeta é capaz de repor. Isso é uma coisa também insustentável. Como é que a gente mede isso? O conceito da pegada ecológica. A pegada ecológica de uma pessoa é a área necessária para produzir tudo aquilo que ela consome e também para assimilar os resíduos que ela produz. A pegada ecológica pode ser para uma pessoa, pode ser para um país inteiro, né? Então, se nós olharmos para o caso do Brasil, por exemplo, nós vamos ver o seguinte, isso aqui é a pegada ecológica do Brasil. Está crescendo lentamente, vai crescer um pouco mais aqui porque nós estamos puxando mais gente para consumir. E isso aqui em cima é o que a gente chama de biucapacidade, que é a capacidade de produzir coisas, produzir alimentos, é, é, água, eh, fertilidade do solo, minerais, eh, combustíveis fósseis e assim por diante. Então, o Brasil ainda tem um bom saldo ecológico que é isso que está aqui. O Brasil ainda está numa boa posição. Se nós olharmos, por exemplo, os Estados Unidos, os Estados Unidos também tem uma grande biocapacidade, grandes terrenos férteis, mas a partir de 1967, mais ou menos, a pegada ecológica suplantou a sua biocapacidade. Então, nós dizemos que o Brasil é um país credor ecológico, que ele pode produzir muito mais do que consome. Os Estados Unidos já é um país devedor ecológico porque ele consome mais do que ele é capaz de produzir. Reparem, em 1961, essa era a situação no mundo. Os países em verde eram países credores ecológicos. Reparem que até os Estados Unidos também era credor ecológico, né? É, Brasil também e assim por diante. Poucos países, Japão, por exemplo, eram devedores, mas em 2005, a situação já mudou completamente. Então, a história é a seguinte, é impossível se pensar que num futuro todos os países sejam devedores ecológicos, quem é que vai produzir? Né? Então, nós tem um limite nessa história e nós temos que ter isso na cabeça. Pois bem, Herman Daly é um dos primeiros economistas que entrou nessa área ambiental. Ele foi do Banco Mundial. Ele dizia, num artigo muito interessante, a exploração de recursos naturais é tão intensa que não podemos mais fingir que vivemos em um ecossistema ilimitado. Isso é o que nós estamos fazendo, quando os países que têm grandes frotas pesqueiras continuam dando subsídios. O combustível sai quase de graça para que eles vão até o fim do mundo para pescar peixe. Então, a capacidade de perca hoje é muito maior do que a capacidade de reprodução dos peixes, né? Então, nós não podemos continuar fazendo isso. E ele dizia: Teorias econômicas que funcionavam bem em um mundo vazio já não se adequam a um planeta lotado. Porque a teoria econômica foi feita no final de 1800, início de 1900, né? Pouca gente no mundo, muitos recursos. Hoje a situação é completamente diferente. Então, o que é que a gente tem para o futuro, né? É, apareceu um relatório, esse Vision 2050, cujo objetivo é chegar a 2050 com os 9 bilhões de habitantes do planeta, vivendo bem. Significa não precisa ser todo mundo igualzinho não, mas todo mundo com uma vida decente, com alimentos suficientes, com saneamento disponível, com transportes de qualidade e assim por diante. Mas, dentro dos limites do que esse pequeno e frágil planeta pode oferecer e renovar cada dia. Pode parecer que esse relatório foi feito por um grupo de cientistas ou professores universitários meio pirados, mas não. Esse é um relatório que foi produzido e lançado o ano passado pelo conselho empresarial mundial para o desenvolvimento sustentável. Porque um grupo de empresários de mega empresas que estão planejando mais a longo prazo, perceberam que nós temos um problema muito sério de recursos para o nosso futuro. Então, esse relatório foi lançado, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável já traduziu para o português. Está disponível no seu site, né? Esse relatório, ele diz que nós precisamos de mudanças fundamentais nas estruturas de governança, na economia, nos negócios e no comportamento humano. Nós vamos ter que mudar os valores humanos. Na, na governança, porque os nossos, enquanto os empresários fizeram uma planejamento para 40 anos, os nossos, a maioria dos nossos governos planeja só para as próximas eleições. É tudo curto prazo, né? Então, nós não podemos continuar com esse tipo de planejamento. Então, esse é o planejamento que eles apresentaram. Nós não temos tempo de ver isso, mas eles separaram vários. Florestas, ecossistemas, eh, economia, eh, energia, etc. Materiais, em termos de materiais, em 2020, nós não devemos ter mais aterros sanitários, jogar fora materiais, temos que reciclar tudo o que nós vamos poder reciclar. E em 2050, nenhuma partícula jogada fora. É uma utopia, mas é só para mostrar que a coisa é realmente bastante séria e complicada, né? É, o PNUMA, governos, né? Nações Unidas é governo, né? Eles fizeram um relatório que foi aprovado em fevereiro desse ano, já preparando para a reunião do Rio de Janeiro, que fala sobre economia verde. Investir 2% do PIB mundial, 1,3 trilhão por ano, em 10 setores estratégicos, economia verde com baixo carbono, maior eficiência no uso dos recursos naturais e combater a pobreza. Então, eh, esse relatório vai ser discutido no ano que vem, esse dinheiro, 1,3 trilhão, não basta a gente acabar com alguns subsídios que nós não devemos continuar com eles, como é o caso da pesca, né? E, finalmente, eu queria dizer para vocês, né, que, infelizmente para as novas gerações, está acabando a era da abundância, que foi a era, quando eu era jovem, tudo era abundante, não se falava em reciclar. E nós estamos entrando numa era da escassez. Mahatma Gandhi dizia: Na Terra nós temos recursos para as necessidades de todos, mas não temos para a gula de todos. Muito obrigado.

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