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DESCONFIANÇA E MENTIRAS: Como saber se está sendo enganada? com Carol Tilkian

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[0:00]E aí, quais são as principais mentiras que a gente conta nas relações e por que que a gente faz isso?
[0:00]Uma das perguntas que eu mais recebo é: como é que eu sei se a pessoa tá mentindo para mim?
[0:00]Eu vejo que a gente tá cada vez mais desconfiado e essa desconfiança está se transformando em invasão de privacidade do outro.
[0:00]Porque ele pensava, o único lugar onde ela vai conversar no telefone com alguém é dentro do carro, e ele acordava cedo, descia, punha o tal do iPad e na volta pegava.
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[0:00]Honestidade e mentira nas relações. E aí, quais são as principais mentiras que a gente conta nas relações e por que que a gente faz isso? Uma das perguntas que eu mais recebo é: como é que eu sei se a pessoa tá mentindo para mim? Se eu tô sendo enrolado? Eu vejo que a gente tá cada vez mais desconfiado e essa desconfiança está se transformando em invasão de privacidade do outro. Cada vez mais pessoas olham e-mails, inboxs, colocam detetives. Tem gente colocando AirTag da Apple dentro do carro, clonando o celular. Eu já ouvi uma história que é absurda de contar, porque foi num primeiro date, eu achando que, né, tava ali num flirt e de repente no primeiro date o cara me conta que ele era recém separado e que ele descobriu que a ex-mulher dele tava traindo ele, porque ele ficou desconfiado e aí ele começou a colocar o iPad, todos os dias embaixo do banco dela do carro e deixava para gravar. Porque ele pensava, o único lugar onde ela vai conversar no telefone com alguém é dentro do carro, e ele acordava cedo, descia, punha o tal do iPad e na volta pegava. E foi assim durante um tempo até ele pegar uma gravação de uma ligação dela pra irmã contando que ela tava tendo um caso. Eu fiquei pensando, por que que este homem está falando isso para mim no nosso primeiro encontro? Obviamente só tivemos este encontro, mas se não vira romance vira pauta. E eu acho muito sintomático, né? A pessoa poder fazer isso, falar. Eu vejo que existe hoje essa obsessão de pegar o outro na mentira. Tem uma verdade, né? Assim, eu quero saber a verdade. E agora virou todo mundo paladino da verdade, e todo mundo sacaneia e mente e mais cedo ou mais tarde você vai descobrir. Inclusive, recentemente teve um episódio sobre expectativas, e eu aponto lá o quanto a gente faz um jogo de tive a minha expectativa frustrada. Ah, o outro me mentiu. Ah, ele tava me enrolando. Ah, me manipulou. Olha aí, peguei na mentira, ele não gostava de mim coisa nenhuma. Não, às vezes a pessoa gostava e mudou de ideia. A gente precisa parar também de novo, de ficar virando paladino da verdade, para poder identificar o quando as pessoas estão mentindo, quando elas não estão mentindo, por que que a gente tá mentindo, né? Eu acho que é importante da gente pensar, que eu quero trazer para a gente refletir, é, quais são as relações que a gente se coloca, e será que a gente tá criando dinâmicas onde a gente e os outros se veem impelidos a mentir? E por quê? E antes da gente entrar na mentira, queria convidar vocês, eu sou professora da Casa do Saber, tô com sete cursos na plataforma agora. Tem um curso que fala sobre como fazer o amor ser possível hoje, um curso sobre codependência e dependência emocional, para a gente identificar e sair dessas dinâmicas. Um outro que fala sobre o luto, rejeição e abandono, como a gente lidar com o fim das relações amorosas. Tem um curso só sobre amores sólidos e como a gente aprofunda todas as nossas conexões afetivas. Um clube do livro incrível, onde eu selecionei seis romances para a gente pensar o amor a partir dessas ficções, e muitos mais outros cursos, não só meus como de professores maravilhosos. Tem um desconto especial para os ouvintes aqui do Amores Possíveis, é só você entrar em casadosaber.com.br, colocar o cupom Amores 10, Amores no plural, número 10, vou deixar aqui escrito na legenda e na descrição do episódio. Vou ficar muito feliz em ter vocês comigo pra gente mergulhar no conhecimento mesmo do afeto e sair das discussões rasas e das mentirinhas sobre amor e sobre como fazer uma relação funcionar. Então, voltando para o nosso tema da mentira. Sim, a gente vive numa cultura da mentira. E aí, eu abro esse episódio falando que a gente está obcecado em descobrir a verdade e será que o outro está mentindo? E a verdade é que as pessoas sim estão mentindo mais. Tem diversos estudos de sociólogos, psicólogos que estão documentando que, eh, as pessoas estão mentindo cada vez mais. Tem uma pesquisa de uma empresa americana que chama RushRush, que foi feita com mais de 2500 pessoas e descobriu que entre os casais, os homens mentem três vezes mais do que as mulheres. Eles mentem três vezes por dia para as mulheres e elas mentem uma vez por dia. Já vai pensando aí quais são as mentiras que você conta e quais será que são as mentiras que você ouve do seu parceiro ou parceira. Tem uma outra pesquisa que foi feita pelo Sean Horren, do Departamento de Comunicação da Universidade de Pau de Chicago, que revelou que os namorados mentem para os parceiros ao menos três vezes por semana e que o principal motivo dessa mentira é camuflar os seus verdadeiros sentimentos. A gente se desautoriza a falar que ficou triste, que ama muito, que quer encontrar, que está com raiva, que ficou com ciúmes da ex-mulher. E tudo bem, de novo, não sei se a gente vai falar sobre honestidade mais para frente, será que todas as coisas precisam ser ditas ou não? Mas a questão é, quando vale a pena mentir, quando não vale, o que que a mentira está trazendo para as nossas relações? Que a gente vê é que a mentira, de uma certa forma, ela se tornou aceitável, ela é um lugar comum nas nossas interações diárias. E, acho que o principal motivo pelo qual a gente mente é uma tentativa de evitar conflito. Brasileiro é o rei da mentira para agradar e da cultura da desculpinha. Eu tenho um grande amigo irlandês que veio morar no Rio de Janeiro e aí ele falava, cara, eu, eu no trabalho, as pessoas falam que vão entregar e não entregam. Elas combinam de sair para tomar uma cerveja e não vão. Elas falaram que ficaram doentes e depois postam uns Stories que elas estavam no bar. Elas só não queriam beber cerveja comigo. Só que a gente não conta, né? Porque você fala, ai, putz, eu vou criar um climão. Então, eu dou uma desculpa. E aí isso vai se estendendo para as relações. Tem um trechinho do tudo sobre amor, novas perspectivas da Bell Hooks, que eu brinco que é a minha Bíblia, que ela fala assim: Desde cedo, fica gravado na nossa consciência e dizer a verdade trará dor. Assim, as crianças aprendem que mentir é uma maneira de evitar se ferir e ferir os outros. E aí a gente aprende isso na infância e vai escalando para as relações. Ah, não, deixa eu não contar, porque isso vai gerar estresse, a relação já tá difícil, eu não vou machucar o outro. Só que na tentativa de poupar e poupar o outro, muitas vezes as mentiras vão escalando e a gente vai se afastando das pessoas das quais a gente ama, porque uma hora não dá mais para sustentar essas mentiras. E eu vejo que, principalmente, nós mulheres, a gente funciona numa chave muito também de mentir para agradar. Porque de novo, a gente cresceu aprendendo a ser boas meninas, a fazer o que o papai mandou, a sorrir sempre para ser uma menina educada. E aí, a gente mente para poupar o outro, para agradar. É só pensar a quantidade de mulheres que fingem orgasmo. Pra quê? Para que o cara pense que ele é um ótimo cara da cama, ou para que ele não ache que você é uma mulher frígida. É um desserviço que a gente está fazendo, desde as pequenas coisas, gente, de você ganhar um presente que não tem nada a ver com você e falar, eu amei. Não estou dizendo que é para falar, é horroroso. Você pode só falar, obrigada, fiquei muito feliz. Mas a gente vai mentindo para agradar e vai se anulando. É mentiu o orgasmo, é a pessoa falar, por exemplo, eu já sempre falo aqui da coisa dos transtornos alimentares e eu tenho um milhão de questões com a alimentação. E daí já me falaram, ah, mas se a pessoa te convidar para comer macarrão, você tem que ir. Gente, isso eu vou tratar na minha terapia e na minha psiquiatra. Enquanto comer macarrão a um WISH para mim, eu não vou falar que eu como macarrão para agradar, eu vou falar, olha, podemos ir num lugar que tenha um grelhadinho com salada? Ou se a pessoa for cozinhar e ele for perguntar alguma restrição, eu já falei muitas vezes, ai, nenhuma restrição, e fiquei desesperada. Agora eu falo, ih, um monte de restrição, hein, vou te contar, mas ó, podemos fazer uma coisinha low-carb? Pronto. Ah, ele vai me achar louca, vai me achar, ah, neurótica. É, bom, temos transtornos alimentares, vou falar sobre isso. Se eu ficar mentindo sobre quem eu sou para agradar, ou para atender o desejo do outro, ou o que a gente acha que é o desejo do outro, a gente vai se impedindo de ser quem a gente é. E aí a gente fica preso na síndrome da boazinha, que depois vira uma síndrome da impostora, porque assim, bom, eu tô aqui tentando entender o que que eu preciso fazer para agradar nessa relação, para ser a namorada legal, para ser a funcionária padrão. E aí, a hora que eu fizer do meu jeito, parece que vai ser errado. Isso acontece muito também em cultura empresarial. Você começa para agradar, tentar fazer, você saca, você, principalmente se você entra num cargo de liderança. Então, você vai liderar uma equipe que você saca que o ex-chefe ou a ex-chefe era muito amado. E aí você fica querendo mimetizar o jeito e os processos que a pessoa fazia, só que você tem o seu jeito de liderar. Se você ficar fazendo do jeito que você acha que eles gostariam para agradar, você nem vai estar trazendo o pelo qual você foi contratado, nem vai agradar, porque eles vão ficar meio, família de dinossauro não é mamãe, você não é a pessoa que foi mandada embora ou que saiu de lá. E você vai ficar refém desse lugar, né? E aí, eu fico pensando o mentir versus omitir. E o quanto a cultura da mentira também tem muito a ver com a nossa cultura dos filtros e da vida editada, né? Eu fiz recentemente um episódio sobre conversantes, vale vocês voltarem para ouvir, e na nossa profundidade dos conversantes é tudo editado, né? Então, as conversas são pensadas, as frases são bem redigidas. A gente vive numa cultura de, ai, oi, acabei de acordar no Stories, mas tem um filtrinho, muito natural. A mensagem é pensada, o e-mail do trabalho você coloca no ChatGPT para ele redigir melhor. Eu vejo também coisas, por exemplo, o Brasil é um dos países que tem mais pessoas deprimidas no mundo. As pessoas não falam sobre a depressão no começo dos encontros amorosos, porque elas têm medo de serem julgadas. Ah, tô dizendo que você precisa chegar e na primeira, nos primeiros 5 minutos, falar, oi, eu tomo Zoloft, tomo prozac, tomo tal, não. Mas, se é algo que você, você tá se sentindo, né, se tá sentindo uma conexão com a pessoa, você não precisa esconder que você é deprimido, se você fosse diabético, você falaria disso com mais naturalidade, que também é uma doença crônica. Então, o quanto a gente tá omitindo traços nossos para tentar criar essa melhor versão. Para evitar conflitos, para evitar decepcionar o que a gente acha que é o ideal do outro, a gente evita o aprofundamento do vínculo. Porque se eu não conto sobre as minhas questões, se eu não frustro o outro, se eu não falo, é, eu não vou comer macarrão, mas eu super vou te acompanhar no vinho, sou ótima nisso. Quem que eu tô sendo? Ali cabe uma relação onde eu não posso falar dos meus incômodos? Não cabe, né? E aí, eu acho que a gente tem que começar a pensar quais coisas eu omito que eu poderia parar de omitir. E pensando, voltando para os dados de que todo mundo mente e não necessariamente isso quer dizer que seu relacionamento tá ruim, eu quis trazer aqui uma outra pesquisa americana que foi realizada pela Online Doctor com mais de 2000 pessoas e descobriu quais que são as principais mentiras e por que que os homens e as mulheres mentem para seus parceiros. Aí eu quero nos comentários também saber se você se identifica, se você já fez essas mentiras, se você já ouviu essas mentiras. E os dados são bem interessantes. Então, 73,4% das pessoas assumem que já mentiram e mentem para os parceiros. Então, a grande maioria das pessoas mente. Sendo que 8,5 em cada 10 se considera feliz no casamento. Quer dizer, alguma mentirinha aqui não está criando conflitos no casal. Às vezes a mentira é o, adorei esse vestido, ou a comida ficou ótima, vou trabalhar mais uma horinha e, na verdade, você foi tomar uma cerveja com seu colega de trabalho, mas tudo bem. E aí pensando nas grandes mentiras, quais são, eh, as mentiras significativas que a gente precisa entender que estão aí na raiz das relações? Infidelidade é a grande questão para homens e para as mulheres. Então, 25,3% das mulheres e 24,9% dos homens admite mentir sobre o tema. E passado esse grande tema, que é um tabu, e tem um episódio aqui no Amores Possíveis só sobre traição, porque eu acho que ele vale só uma conversa dele, por isso tem um episódio lá. Até vocês depois me falem se vocês querem que eu volte a falar e fazer um novo episódio sobre traição. Que eu acho que a gente tem que entender que tem um lugar da transgressão e da mentira que ela vai acontecer. Não acho que abrir todas as relações é o a resposta para para a questão da infidelidade. Mas passado esse grande tema, é interessante ver que os homens mentem mais sobre questões mais graves. Então, um a cada cinco homens mentem sobre o consumo de álcool. Eles falam que bebem muito menos do que eles bebem. 16,2% escondem dívidas. E por que que eu estou trazendo esses dois dados aqui primeiro e eu quero parar neles antes de trazer os próximos? A violência contra as mulheres tem crescido vertiginosamente. E muitos desses homens batem nas mulheres alcoolizados. Muitos desses homens que mentem para vocês que bebem menos do que bebem, são alcoólatras, e eles precisam falar que eles têm problemas com o álcool para que isso possa ser tratado por eles, pela família. Quando ele fala que não tem um problema, ele bebeu pouco e ainda assim esse homem chega violento e grita e bate ou joga o copo na parede. Tem uma cena, uma das primeiras cenas do Maid, que é uma série do Netflix sobre abuso emocional, eu recomendo muito. Ele está bêbado, ele chega em casa, briga com ela e ele é violento, ele não bate nela, mas ele é violento psicologicamente, emocionalmente. Ela chega na assistente social e a assistente social fala, ele foi violento? Ela fala, ele não me bateu. Ela fala, mas ele foi violento? E ela não consegue verbalizar, porque para ela a violência era só violência física. Quantos desses homens chegam bêbados em casa e são violentos, levantam a voz, gritam, quebram coisa em casa? Um a cada cinco homens está mentindo sobre a quantidade de álcool que bebe, isso é preocupante. Depois, 16,2% escondem dívidas. Por conta do caso da Ana Hickmann no ano passado, muito começou-se a falar sobre violência patrimonial. E a gente tem que falar sobre violência patrimonial. Culturalmente, a gente vai assumindo essa coisa de que, ai, mulher não gosta de mexer em dinheiro, não entende de dinheiro. Quantas mulheres depositam todo o salário numa conta conjunta do cara, ou escolhem parar de trabalhar para cuidar dos filhos, eh, e aí nem sabem quanto o cara está ganhando, o quanto ele está guardando só para ele. De repente esse casal se separa e ela não tem direito a quase nada. A gente fica com medo de discutir o acordo, os acordos de casamento e parecer interesseira. A gente precisa falar de dinheiro. Falar de dinheiro não está contaminando o amor. E é engraçado, né? Porque eu falei isso e daí eu penso que tinha aquela coisa de, ai, mexeu no dinheiro. Agora a gente quase não mexe mais em nota, mas mexeu no dinheiro, vai lavar a mão, porque é coisa suja. E aí, parece que é isso, né? Falar de dinheiro vai sujar a relação. Quase 20% desses homens mente sobre dívidas. Isso acontece muito porque para o homem, a virilidade está muito ligada ao sucesso profissional. Não por acaso a gente tem um crescimento gigante de jovens entre 20 e 30 anos com problemas e disfunções sexuais que estão ligados com o fato deles não estarem se sentindo potentes na vida. E esse vida está diretamente ligado com a vida profissional. Então, esses caras estão com dívidas, ou não se colocaram profissionalmente, foram demitidos, e aí eles se sentem impotentes na grana, que é o grande símbolo da virilidade masculina. E essa impotência vai para a sexualidade. E aí eles escondem isso. Tem muito caso de homem que é demitido e não conta para a mulher que foi demitido e desce no prédio e fica embaixo no carro, ou dá uma volta, porque não quer ser visto como menos homem. A gente precisa poder falar, precisa poder conversar sobre dinheiro. Também não é incomum, relações que terminam quando a mulher começa a ganhar mais do que o homem. Então, é um casal que sempre dividiu as contas, que parece um casal desconstruído, moderno, colaborativo, até que a carreira da mulher tenha uma ascensão e o homem se sente menos viril, menos potente. E aí começa a colocar essa mulher para baixo, e a falar para ela, ah, agora essa casa está toda largada. Bom, as crianças estão mal-criadas, porque também você volta tarde desse seu trabalho novo. Olha, engordou, hein? Então, ele vai minando a sua autoestima, porque ele está se sentindo pouco potente por conta do seu dinheiro. Isso é violência patrimonial, e essas relações acabam, e você sai com a sua autoestima toda ferida. Essa é uma mentira que a gente não pode normalizar. Depois, 15,5% dos homens esconde e mente sobre estar em sites e apps de paquera. E 10,4% mentem para esconder uma doença física. Quantas mulheres, as principais mentiras são: 15,2% escondem dívidas. Olha de novo como falar de dinheiro é tabu. Tem esse lugar do, de não querer reforçar essa imagem de que mulher não sabe cuidar de dinheiro. A gente passou anos batalhando pela nossa emancipação, e de repente você tem que falar, não dei conta do dinheiro, me atrapalhei, investi errado, gastei mais do que eu podia. Para a gente parece um retrocesso. E, na verdade, a gente tem que poder falar sobre isso, porque senão a coisa vai escalando. Né? Eu vejo casais que não falam sobre dívidas financeiras, acontece, você vai no banco e aí você pega mais um empréstimo e mais um empréstimo e mais um empréstimo, e de repente a sua mulher ou seu marido recebe uma ligação do tipo, oi, faz 5 meses que a escola não é paga, o que que aconteceu? E você nem sabe o que que estava acontecendo. Assim, precisamos sentar e falar sobre o tal assunto sujo que é o dinheiro. Depois, o segundo ponto que eu também quero parar para a gente problematizar é, 8,4% das mulheres escondem diagnósticos de doenças. E aí, isso não é infundado, né? A gente vê o caso da Preta Gil no começo do diagnóstico dela de câncer. E de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, tem uma pesquisa que foi divulgada em abril de 2023, que revelou que 70% das mulheres com câncer são abandonadas pelos parceiros. 70% das mulheres com câncer são abandonadas pelos parceiros. Eu sei que eu falei aqui, né, que um dos dados dos homens é que 10,4% deles também mente para esconder uma doença. Mas eu fiz essa pausa no dado da mulher, primeiro porque ele é a segunda maior mentira delas. E depois, porque a gente não vê as mulheres abandonando esses homens quando eles estão nos hospitais. Talvez a mentira deles tenha a ver com esse medo de sair do lugar do provedor, de dar preocupação para para essa casa, de precisarem ser cuidados, de se mostrarem vulneráveis. Essas mulheres mentem porque elas são abandonadas quando elas falam que elas estão doentes. 70% delas são. Por quê? Quem cuida de quem cuida? E aí o terceiro dado de mentira das mulheres é que 8% delas afirmaram que ganhavam menos dinheiro do que realmente ganhavam. Elas mentiram sobre o quanto elas ganhavam. E tem uma pesquisa muito interessante de aplicativos de namoro que mostra o seguinte: as mesmas mulheres, mesma foto, mesma bio. Quando elas colocavam que elas tinham pós-graduação, elas tinham menos matches do que quando elas tiravam o negócio de pós-graduação. De novo, um lugar de luta de poder. Não é sobre falar a verdade ou não falar a verdade. É esse cara se sentir menos potente. Quando ela fala que ela ganha mais, esse cara se sente menos viril, menos no lugar do macho alfa. A gente não quer competir em quem tem a maior conta bancária. Não é sobre isso, ninguém mais está procurando o cara provedor, a mulher provedora. Tem outras, outros pontos de conexão. Por que que a gente tem que mentir? Assim como a gente tem que parar de mentir sobre o orgasmo, eu acho que a gente tem que parar de mentir sobre o quanto a gente ganha, porque para parar também de ficar nessa máxima de mulher independente, assusta homem. Mulher bem-sucedida, assusta homem. Lembro que quando eu comecei a trabalhar, eu era estagiária, e aí eu, o, eu era planejamento de uma agência de publicidade, e eu atendia uma empresa, uma multinacional, e logo que eu entrei mudou o presidente, a CEO, e daí era um cara e virou uma mulher. E uns seis meses depois ela separou. E aí estava, né, fofoca do corredor, ah, porque fulana separou, e a minha chefe, também uma mulher, falou, é, né? Porque não dá para ela ser CEO América Latina dessa multinacional desse tamanho e e também ter um casamento. Eu pensei, gente, que comentário machista, né? Porque se fosse um homem, ninguém falaria, ah, virou CEO, vai separar, porque não vai dar para virar CEO e ter um casamento bem-sucedido. Se uma mulher normaliza esse comentário para outra mulher, é quase como se a gente se punisse mesmo, né? Ah, sou bem-sucedida, vou me punir. Eu ouço da minha avó. Será que você não está solteira agora porque você fala sobre amor e isso assusta os homens? Já ouvi de amigas isso, porque a minha avó tem 98 anos, eu contemporizo. Já ouvi de amigas de 41. Eu fico puta. Mas assim, eu só fico puta porque assim, em algum lugar isso ecoa em mim. Agora eu coloco de volta, assim, bom, se eles se assustarem, isso é um filtro, porque tem muitos que se interessam. E, na verdade, eu me interesso pelo interesse dos outros. Então, isso para mim faz toda a diferença. E eu me interessaria pelo interesse, se eu fosse engenheira química, se eu fosse garçonete, sendo psicanalista e comunicadora falando sobre amor. A gente tem que prestar atenção nos conselhos que a gente dá. Ai, mente, não conta muito o que você faz, não fala quanto você ganha. E aí, eh, eu vejo que além dessas grandes mentiras, a gente vai se acostumando a construir relações pautadas numa rotina de pequenas mentiras para não machucar o outro. É como se a gente fizesse pequenas mentiras para gerar grandes benefícios, como se dizer a verdade fosse aprofundar suas inseguranças, tornar as relações tensas, torná-las pesadas, né? Eu sempre falo aqui do mito das relações leves. Então, assim, ah, não, deixa eu mentir e falar que está tudo bem, que eu não estou com ciúmes, porque é melhor evitar conversas desconfortáveis. Só que quanto menos eu treino ter conversas desconfortáveis, menos eu resolvo os desconfortos e eles só escalonam. Então, sobre as mentiras, quase duas em cada cinco mulheres admitiram ocultar a verdade sobre como se sentiam em relação a um presente do marido. 32% mentiram sobre dizer o que pensavam da família do seu parceiro, e três em cada 10 mentem sobre o desempenho sexual do parceiro. Já os homens, quatro em cada 10 mentem sobre o peso da mulher. Aquele famoso imagina, você não engordou. Fazendo também parênteses aqui, né? Né? Então, uma a cada três mulheres mente sobre o que realmente pensa da família do outro. É claro que a gente tem que ser educada. Você não pode falar, eu acho a sua mãe uma Meg grosseira, que fica se metendo aqui na educação dos nossos filhos. Família da gente, a gente pode falar mal, mas os outros não. Só que não colocar os incômodos é também ir se afastando, porque o que eu vejo, eu percebo isso muito nos meus analisandos na clínica é, quanto mais incomodado você fica, mais você começa a entender que o seu marido ou a sua esposa tá, assim, ah, são eles versus eu. Então, se o seu casamento está em crise, você fala, olha lá, minha mulher está no time da família nuclear dela e eu estou sozinho. Então, você começa a falar, ai, porque seu pai isso, porque sua mãe aquilo, porque a sua irmã nananã. Presta atenção se isso está acontecendo no seu casamento, se o seu marido ou a sua mulher, ou seu namorado ou namorada estão rivalizando com, eh, o seu pai, sua mãe, seus irmãos. Isso é um jeito de te afastar desses seus vínculos e é muito um mecanismo de relação abusiva. Falar sobre o que pensa é diferente do desmerecer, do falar, é porque seu irmão também que é rico pode vir aqui da palpite e acha que está tudo bem. É, mas o dinheiro dele não desmerece quem ele é. Então, vamos separar as coisas. De onde vem esse? E aí pensando, né, pensando no sobre o peso e sobre o desempenho sexual. Tem um lado que a gente pode pensar, bom, isso pode ser uma escolha consciente em relação à vulnerabilidade do parceiro ou da parceira. Eh, e pode ser bom para o relacionamento. Por outro lado, o que eu acho que pode ser interessante, é de novo me colocando no lugar da mulher com transtorno alimentar. Não é o não engordou, é o tirar o foco do, do corpo, falar, cara, eu gosto de você como você é. Eu acho você uma mulher incrível, inteligente. E é treinar isso na sua filha mulher também. A gente fica elogiando as pessoas pela beleza, nossa, você tá linda, nossa, você emagreceu. É poder deslocar a conversa. É a mesma coisa do desempenho sexual, né? Eu acho que é claro, é importante a gente conversar e falar, assim, não para mim não tá bom, eu queria experimentar tal coisa. Eu vejo o quanto muitas vezes dentro do sexo do casal, a gente ainda está performando algo para agradar e toda intimidade, às vezes de anos de casamento, a gente não usa a nosso favor, de falar, queria experimentar usar um brinquedinho junto, ou vamos transar num lugar público, ou, não sei, assim, qual é a sua fantasia, ou isso daqui está me incomodando, essa posição não está mais legal. A gente fica com vergonha, ou a gente fala, putz, se eu falar, será que o outro vai começar a achar que eu estou interessada por outras pessoas, e isso vai aumentar a fantasia dele? E aí de novo, a gente vai criando fantasmas. Vamos dividir as coisas. Não é criticar o outro, é compartilhar algo que pode, que pode ser bom. E aí, eu acho que é importante a gente pensar, né, voltando nessa coisa das desculpinhas, do não, você não engordou, do, do quanto essa falsa cordialidade, as mentiras que a gente conta para poupar o outro, acabam atuando contra nós. Porque a gente começa a achar que está todo mundo fazendo pequenas mentiras, né? E aí, a gente inventa desculpas, sei lá, a pessoa não respondeu, você fala, ou ela falou que vai trabalhar, você pensa, ih, já vi esse filme, está saindo com outra pessoa, está me enrolando, não quer dizer sim, mas também não quer dizer não. A mesma situação pode ser verdade e pode ser uma desculpinha. O cara pode ter ficado trabalhando até mais tarde, por isso cancelou o jantar? Pode. Ele pode ter falado que ficou trabalhando até mais tarde, na verdade foi sair com outra pessoa? Pode. E aí, para fazer o tira-teima, eh, a gente talvez tenha que não ficar tentando investigar e stalkear, pensando na verossimilhança, ou nas suas outras histórias, é, deixa eu sair com a pessoa de novo. É de novo o salto de fé. Que que, assim, o que que eu ganho em ficar sempre desconfiado dessa pessoa? Está bom, deixa eu olhar a recorrência. Se as desculpas são sempre recorrentes, provavelmente elas são mentiras, ou mesmo que não sejam mentiras, elas apontam para um desinteresse. Se elas não são e se a relação está se fazendo em ação, então para que que eu vou ficar neurotizando se é mentira ou se é verdade, ou o que que a pessoa está, está fazendo, né? Falando em mentira, e daí aqui pensando nessa coisa do, do neurotizar, eu acho que é muito importante, aqui eu quero fazer uma provocação polêmica, que é, o que que é ser honesto numa relação? Porque eu vejo que a gente fica, como eu falei no começo do episódio, paladinos da honestidade, né? E aí eu queria que você me respondesse, comenta no vídeo, no chat, em que momento você sentiu que a pessoa não foi honesta com você? Porque eu vejo que a gente quer que a pessoa fale tudo, né? Ah, a pessoa, ela já está parando de sair com você. E aí ela fala que ela está no momento enrolado no trabalho, e aí ela fala que ela não está numa fase de se relacionar, e depois de dois meses você vê ela postando, namorando alguém. E aí você fala, mentiu para mim. Cara, eu não, eu, sinceramente, não acho que a pessoa tem que virar para você e falar, olha, eu até quero namorar, mas não você, me desinteressei, achei que você era legal. A gente, às vezes, nem sabe muito porquê. E eu vejo, tem um episódio aqui sobre a nossa obsessão pela conversa final. Essa nossa obsessão pela verdade é um jeito, um, de não lidar com o luto, e depois de virar esse paladino da moral e dos bons costumes. Não, ele me devia essa verdade. Não, a pessoa falou algo, ela não te deve transparência absoluta. Por que que você quer saber a verdade? Porque você não suporta o não saber? Porque você não suporta a sua insuficiência? Todos nós somos seres complexos, incoerentes. Nem sempre a gente sabe, nem sempre a gente quer falar. Será que você está preparado para lidar com a ambiguidade alheia, sem vilanizar as pessoas? Porque aí eu vejo que assim, ah, fala que não quer mais sair comigo, mas fica vendo os meus Stories. É, porque talvez a pessoa seja curiosa, e talvez ela mande mensagem porque para ela é confortável, e é um afago no ego. Não, mas então ela tem que me dizer o que que ela quer, senão ela está mentindo. Ela não sabe o que que ela quer. E você também não sabe o que que ela quer. A gente tem que parar de estar nesse lugar dicotômico de, era tudo mentira, então era tudo mentira, essa pessoa é uma canalha. Porque isso é o jeito mais fácil e simplista de colocar a pessoa no lugar de vilão e você no lugar de coitado. E, às vezes, é, era legal e ela mudou de ideia. Ela acha você interessante, mas não o suficiente para namorar com você, só que o suficiente para ela ficar olhando os seus Stories quando ela está na cama, bodeada. E de vez em quando ela vai te mandar uma mensagem. São migalhas. E aí vale você se perguntar, eu quero ou não quero essa, essa história, essa dinâmica. Eu vejo que a gente diz que está querendo honestidade, mas a gente está querendo certezas, certezas que ninguém tem. É meio lógica de RH. Sabe assim, eu lembro minha primeira entrevista de RH, que era, de onde você se vê daqui a 5 anos? Sei lá, eu tenho 19 anos, sou estagiária. E se eu falasse, eu nem estava no lugar do dali a 5 anos. Por que que eu quero que a pessoa me fale as coisas? Para aplacar minha angústia. Não existe amor e relação sem angústia. Vamos parar de ficar cobrando esse, esse excesso de, de verdade, honestidade, porque isso impele as pessoas a, a mentirem. Pensando um pouco na, na privacidade, e no nosso direito à privacidade, né? Agora, principalmente pensando nas relações de casais, o quanto as senhas são compartilhadas, um entra no computador do outro, mexe no celular. Será, gente, tem um espaço seu que é privado, e a gente tem que normalizar isso. Inclusive, eh, eu falei na CBN, vale vocês ouvirem o CBN Amores Possíveis. Tem, eh, um advogado americano que fala que tem, tem crescido muito as ações de invasão de privacidade de celular entre os jovens, porque agora, igual o nosso, na nossa época o normalizar era, ai, me avisa se você chegou bem em casa, me manda uma mensagem ou me liga. Agora é, é, dá o seu Sharelife comigo. Então, você tem que dividir a sua localização em tempo real. Isso é uma forma de controle, é, e aí, parece que se você não está fazendo, ah, então você está me escondendo algo, você está mentindo para mim. Olha como isso é uma lógica abusiva, né? Não, você só quer ter a sua privacidade.

[38:46]Então, trazendo um trecho da Bell. Frequentemente, quando informações são retidas por mulheres ou homens, a justificativa é proteger a privacidade. Na nossa cultura, a privacidade é muitas vezes confundida com o segredo. Precisamos lembrar que pessoas honestas, abertas e que falam a verdade, valorizam a privacidade. Todos nós precisamos de espaço onde possamos ficar sozinhos com os nossos pensamentos e sentimentos, onde possamos experimentar autonomia psicológica saudável e decidir compartilhar quando quisermos. Manter segredos comumente se relacionou com poder esconder e reter informação. Não é uma mentira, é só privacidade. Você diz que quer a verdade, mas você quer o controle. O que exatamente você quer saber? O que o outro está fazendo, o que o outro está pensando, onde é que ele foi exatamente, o que que isso significou? A pessoa, sim, te deve respeito, mas será mesmo que ela te deve toda a verdade? Eu acho que não. Eu não sei se a gente deve perguntar se a pessoa está saindo com outras logo no começo do uma relação, você está saidinho com alguém? Porque assim, eu, pelo menos, está saindo com alguém, ainda não falaram sobre exclusividade. Se eu souber que a pessoa está saindo com outras, apesar de eu estar saindo com outros, eu vou ficar incomodada. Então, eu prefiro não saber, não perguntar e não falar, ou perguntar, por que esfriou um pouco? Às vezes é só uma oscilação. Talvez a gente precise só de um pouco de cintura. E também entender que nos finais, a gente só precisa de uma conversa e de um contorno, mas não dessa verdade absoluta. Cazuza já falava que mentiras sinceras me interessam. Eu acho que em algum grau a gente precisa entender que a pessoa que está pedindo privacidade não necessariamente está mentindo. A gente tem que deixar de desconfiar o tempo inteiro, que talvez o excesso de desconfiança seja mais danoso do que o excesso de mentira. E, por fim, eu queria trazer uma outra passagem da Bell Hooks, que eu acho muito importante, que é pensar o quanto a gente ainda mente como uma forma de obter poder. Eu lembro quando eu li isso no livro, para mim foi muito marcante, que o que que ela coloca, né? Que principalmente os homens mentem para obter poder. E ela coloca assim, ó, que mentir é quase como se fosse uma das nossas primeiras brincadeiras de infância. Ela põe que os homens aprendem a mentir como uma forma de obter poder. E as mulheres não apenas fazem o mesmo, como também mentem para fingir que não tem poder. Em que momento você mentiu para ter mais poder ou para fingir que não tinha poder? E é interessante, porque, às vezes, isso nem tem a ver com a traição. Tem a ver com eu estou fazendo algo que você não sabe. Tem uma amiga que, eh, namorava um cara que era chefe de cozinha. E aí, ele sempre falava, ah, eu vou ficar aqui para fechar o restaurante, eu vou ficar aqui para fechar o restaurante, e um dia ela estava saindo da casa de uma amiga e passou numa rua, ele estava num bar com os amigos. Ela falou, por que você não me falou que você estava num bar? Eu não sou uma namorada ciumenta, você tem a sua vida, eu tenho a minha, mas tem esse lugar da transgressão. Sabe assim, ela não sabe. E aí, o, a Bell Hooks coloca, no momento em que um menino aprende que a sua poderosa mãe, que controla a sua vida, na verdade não tem poder dentro do patriarcado, isso o confunde. Então, a mentira se torna uma estratégia por meio da qual ele pode agir para tornar a mãe impotente. Mentir permite que ele manipule a mãe e até mesmo exponha a sua falta de poder. Isso faz com que ele se sinta mais poderoso. E aí, esse menino que começa a mentir para a mãe, começa a mentir muito mais para as mulheres do que para os outros homens, a Bell coloca no livro. Em geral, ele mente para outras mulheres, né? E não para os homens, porque ser honesto é ser bobo, é ser frouxo, é ser mole. O patriarcado vai dizendo isso para a gente nos filmes, nas revistas, e aí mentir é pertencer ao grupo dos meninos, é trair e não contar, é mandar a foto. Por isso a gente tem que rever as masculinidades, porque mentir ainda é pertencer. Mentir para os homens é evitar o climão, porque eles não querem ter DR, e aí eles fogem das conversas. De novo, não precisa trazer toda a verdade e ser 100% transparente, mas o distanciamento dos sentimentos faz com que os homens prefiram mentir para nem ter que mexer no que incomoda. Só que a gente vai ter que mexer no que incomoda, para que as relações mudem. Essa inabilidade para se conectar com os outros carrega em si uma inabilidade para assumir a responsabilidade por causar dor. Eles não querem ferir esse espaço narcísico, estou machucando alguém, não, eu sou um cara legal, eu tenho responsabilidade afetiva. Poder entender que eu vou causar dor é poder cuidar também de como essa pessoa vai curar essa dor. E aí eu quero fechar com um trecho da Bell que fala assim: a criança ferida dentro de muitos homens é um menino que da primeira vez que falou suas verdades, foi silenciado pelo sadismo paterno, por um mundo patriarcal que não queria que eles reivindicassem seus reais sentimentos. A criança ferida dentro de muitas mulheres é uma menina que foi ensinada desde os primórdios da infância que deveria se tornar outra coisa que não ela mesma, e negar seus verdadeiros sentimentos para atrair e agradar os outros. Quando homens e mulheres punem uns aos outros por dizer a verdade, reforçam a ideia de que o melhor é mentir. Para sermos amorosos, precisamos estar dispostos a ouvir as verdades uns dos outros, e o mais importante, reafirmar o valor de dizer a verdade. As mentiras podem fazer as pessoas se sentirem melhor, mas não nos ajudam a conhecer o amor. Um beijo e até semana que vem.

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