[0:03]A recepção do público para o aguardado card na Casa Branca foi esmagadoramente negativa nos Estados Unidos. E sim, tem muito a ver com a expectativa em torno de um evento único, especial. Os vendedores, Dana White e Donald Trump, inclusive, são muito culpados por isso. O primeiro disse que seria a melhor escalação de todos os tempos, e o segundo chegou a falar que todas as lutas seriam disputas por cinturões. Trump chegou a revelar que Dana White estava segurando desde janeiro os seus principais lutadores para a noite de gala. Quando, na verdade, o presidente, cada vez mais desinteressado pelo UFC, começou a montagem há duas semanas. Vejam bem, não é que o evento tá ruim, longe disso. Alex Poatan e Ilia Topuria são duas das quatro maiores estrelas ativas no esporte. O lance é que os caras estão há um ano jogando a expectativa lá no alto. Prometendo o lançamento da nova Ferrari com tecnologia e performance nunca antes vista e entregando o novo Toyota Corolla, um ótimo carro, mas não uma Ferrari. Então, tem sim a ver com a expectativa gerada pra Casa Branca. Se esse fosse um evento numerado qualquer, ninguém estaria reclamando. Só que acho que essa não é a explicação completa, o único motivo. Porque existe uma coisa muito importante nos esportes de combate chamada química. É fundamental ter um bom par, tanto pra dançar tango, quanto pra lotar arenas no MMA e no boxe. Se o adversário em questão não fosse importante, o maior vendedor de pay-per-views da história, Floyd Mayweather, não teria vendido 4.6 milhões de pacotes contra Manny Pacquiao. E na rodada seguinte, só quatro meses depois, menos de 10% disso, 400 mil pacotes contra o Andre Berto. No MMA é a mesma coisa. Porque Conor McGregor nos Estados Unidos vendeu mais combinado com Khabib Nurmagomedov do que com os americanos Nate Diaz, Eddie Alvarez, Donald Cerrone e Dustin Poirier. Química, a história entre eles, a rivalidade gerada, o caos que rolou antes, durante e depois. McGregor também vendeu bem mais somado ao Nate Diaz, que nunca ganhou nada, do que é o super campeões Eddie Alvarez, né, que campeão do Bellator e do UFC e José Aldo Júnior. De novo, encaixe de personalidade, carisma, etc e etc. Nesse caso da Casa Branca, Alex Poatan e Ilia Topuria estão carregando 100% do card. Só que eles não vão lutar entre si e muito menos sozinhos e não há qualquer química com os adversários escolhidos. Por exemplo, se os adversários fossem Islam Makhachev e Jon Jones, acho que não haveria qualquer crítica. Verdade seja dita, o UFC até tentou ir por esse caminho, mas não conseguiu. Enfim, o ponto é que Gaethje, ao que tudo indica, será feito de pinhata humana. E o público não é bobo, entende isso, que no papel não é uma luta tão competitiva. Apesar de ser campeão interino, Gaethje não é o desafiante número um da categoria de fato, não é esportivamente o nome mais indicado para o campeão. Se ele tivesse enfrentado Arman Tsarukyan ou Charles do Bronx e não o Paddy Pimblett, ele estaria nessa posição? Isso é um fato, historicamente o público não costuma se animar com pedra cantada, resultado extremamente previsível. É emoção que vende, dentro e fora do octógono, e emoção demanda imprevisibilidade. Topuria contra Makhachev, traz essa imprevisibilidade, Topuria contra Gaethje, não. No caso do Poatan, aí sim rola um equilíbrio enorme, o resultado pode ir para qualquer lado. Vários mistérios permeiam essa luta, né, tipo, poder de fogo do índio vai converter bem para o peso pesado? Ele vai virar o primeiro triplo campeão da história? Seria o Gane finalmente conquista o cinturão linear? Só que o adversário é cansado, tem carisma de abacate e estará tendo o quinto tiro shot em oito rodadas, então é mais do mesmo. Ainda é pelo cinturão interino, não pelo linear, e a gente tem que considerar o ambiente, o entorno. De novo, parte do card vai passar em TV aberta nos Estados Unidos, aniversário do Donald Trump, 250 anos da Independência. Nenhum dos dois é americano, nem fala inglês direito, pode ser meio peixe fora d'água. Sim, Poatan é uma estrela internacional que fura a bolha brasileira, mas não é exatamente a mesma coisa para o americanão nacionalista lá. Pensa só no nosso caso, a Farmasi Arena no Rio de Janeiro ficaria tão elétrica para o Jon Jones como ficou para o Charles do Bronx? Pra gente aqui, nosso consumo doméstico, Poatan contra Gane ou qualquer peso pesado é impactante, né? Lotaria qualquer estádio. O lance é que o evento não será no Palácio do Planalto, dia 7 de setembro, por isso a chiadeira lá. Na luta principal, pelo menos o local tem alguma identificação com a zebra, apesar de não estar animado com a chance do Gaethje. Então, esse é o problema, expectativa não suprida, número um, e a ausência de boas rivalidades, casamentos com químicas, número dois. Poatan, Gane, Topuria, Gaethje, são, é um grupo respeitoso, gente boa. Sendo que antes disso, vem Sean O'Malley contra Ajamain Sterling, parece que fizeram de sacanagem, é tão sem graça quanto dançar com parente. Para vocês terem uma noção melhor da recepção negativa nos Estados Unidos, Colby Covington, puxa-saco histórico da administração do UFC, comentou o seguinte no site MMA Junkie: Esse evento é uma porcaria na melhor das hipóteses. Os fãs já falaram e odiaram, é um card terrível. Prometeram seis ou sete disputas por títulos, tem uma por título e o interino criado de última hora. As coisas estão muito desorganizadas, parece que eles não se importam mais. Fizeram todo aquele dinheiro da Paramount e estão felizes com isso. Ao mesmo tempo, descobrimos nos últimos dias que a luta principal escolhida para o UFC 328, dia 9 de maio, em Nova Jersey, é Khamzat Chimaev contra Sean Strickland. Pode mudar, alguém pode lesionar, claro, sempre pode. Chimaev inclusive, nesse momento, está em Dubai em meio a um conflito. Nunca se sabe, mas hoje a intenção é essa, a gente aqui do sexto round pode confirmar. Se tá na dúvida, pega os indícios públicos, Sean Strickland já avisou que entrou em camp para bater em terrorista. Adam Zubayraev, repórter russo, muito próximo do lobo, meteu no Twitter hoje, né, que a partir do dia 9 de maio, Strickland não vai poder dar entrevistas porque estará com a maxila quebrada. E na surdina Mavlov já reclamou lá na França do tiro shot e ir para o Strickland. Aí sim, mais química do que isso aqui é impossível. São dois caras muito diferentes, que se detestam, já treinaram juntos e contam histórias opostas sobre esse treino. Strickland, como vocês sabem, topa bater abaixo da linha de cintura, né, falar sobre religião, família, nacionalidade, etc e etc. Portanto, as coletivas de imprensa prometem ser bem tensas, até belicosas, é bom o UFC fazer um bom trabalho de segurança. Finalmente, o casamento técnico é excelente. Chimaev é invicto, uma máquina, ninguém para aquelas quedas. Mas se existe uma solução para esse problema, ela se chama Sean Strickland, que tem defesa de queda acima da média, todo mundo fala, gás infinito e é superior em pé. Para completar o circo, ele se enfrentam uma semana antes do retorno da mulher mais popular do nosso esporte, Ronda Rousey. Strickland que já classificou essa luta com a Gina Carano como irrelevante, apenas duas mulheres em menopausa se batendo. E ontem, na coletiva de imprensa delas, foi um dos tópicos centrais, as duas, claro, desceram o malho. É óbvio que vai rolar uma simbiose, uma copromoção aqui. A pergunta então é: se tem essa química, esse tempero, drama, rivalidade, por que não levaram para a Casa Branca e temperaram lá? Porque simplesmente não vão botar um microfone na mão do super inconsequente Sean Strickland, perante uma porrada de chefes de estado, durante uma campanha militar, no momento em que ele está sendo bem crítico com a gestão Trump nas redes sociais. Muito menos vão dar esse mesmo microfone para o atleta russo, pró-Palestina e amigoço do Khamzat Kadyrov. Então, ficou para maio, e sim, a impressão é que o público americano se interessou mais por Strickland contra Chimaev do que qualquer casamento que foi para a Casa Branca. As coisas são como são, mas claro, esse é apenas o meu ponto de vista, os meus dois centavos. Não vou perguntar aqui qual o evento apetece mais ao público brasileiro, porque tem o Poatan em um. Mas se tira o Poatan e, vamos dizer, bota o Tom Aspinall, que que você acharia desse card da Casa Branca? Comenta livremente aqui embaixo, sua impressão também sobre Khamzat Chimaev e Sean Strickland, quem leva a melhor, e deixa o like, clica no botão Haipar, ajuda a gente aí com o algoritmo do YouTube, é a melhor forma de você retribuir o meu trabalho. Aqui em cima vai tá o link pra resenha de ontem, que eu falei sobre a demissão de Jon Jones. Acho que chegou essa hora. Por que não aconteceu a luta com Poatan, no mesmo evento da Casa Branca e o que vai acontecer, a relação parece que entornou e esgarçou completamente com o Dana White, aqui você entende tudo. Grande abraço a todos, obrigado pela audiência de sempre, e até amanhã.

CONFIRMADO: UFC 328 SERÁ MAIS DIVERTIDO QUE UFC CASA BRANCA... #Resenha
Sexto Round
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[0:03]A recepção do público para o aguardado card na Casa Branca foi esmagadoramente negativa nos Estados Unidos.
[0:03]Os vendedores, Dana White e Donald Trump, inclusive, são muito culpados por isso.
[0:03]O primeiro disse que seria a melhor escalação de todos os tempos, e o segundo chegou a falar que todas as lutas seriam disputas por cinturões.
[0:03]Trump chegou a revelar que Dana White estava segurando desde janeiro os seus principais lutadores para a noite de gala.
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