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Epigenética - A Regulação da Vida | Biologia com Samuel Cunha Entrevista Leandro Garcia

Biologia com Samuel Cunha

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[0:00]Fala, pessoal, tudo certinho? Bem-vindos a mais um vídeo do canal Biologia com Samuel Cunha. E esse vídeo não é uma vídeo-aula, mas ele traz um assunto muito interessante dentro da área da biologia. E esse assunto é a epigenética. Com certeza genética você já ouviu falar, no ensino fundamental, no ensino médio ou no ensino superior se o teu curso é da saúde, né, biologia, medicina, enfim. Mas para falar sobre esse assunto, que é um assunto muito aprofundado, eu vou trazer aqui um grande amigo meu e o cara que pesquisa a epigenética no doutorado, que é o seu Leandro. Chega aí, Leandro. Tá aqui o Leandro e o Leandro, bem-vindos ao canal. Ele vai estar aí com nós nesse vídeo, discutindo um pouco sobre esse assunto bastante interessante. Bem-vindo aí, Leandro. Beleza? Tudo bem? É um prazer estar contigo aí, falar um pouquinho com os seguidores do canal Biologia com Samuel Cunha. Tive o prazer de fazer graduação, esse grande professor aí que é o Samuel, e vamos lá falar sobre esse assunto. Sempre muito bem-vindo, então, Leandro, e aí? Já a gurizada deve estar se perguntando, que que é a epigenética? Bom, a epigenética é uma área ligada totalmente à genética. A genética estuda as características hereditárias, principalmente baseada no DNA. A gente sabe que o DNA é passado adiante. Só que pensava-se que a única coisa que a gente passa adiante nessa vida é o nosso material genético. Hoje, a epigenética nos mostra que, além do material genético, a gente passa mais coisas ainda, né, que é o que a gente chama de epigenética ou os mecanismos da de controle de regulação gênica. Então, tá, Leandro, tu tá dizendo que quando a gente tem os nossos filhos, a gente não passa só o nosso material genético, a gente tá passando algo a mais? E esse algo a mais que seria, então, a epigenética? Perfeito. Hoje a gente sabe que a epigenética, basicamente, ela trabalha na regulação de genes. A gente sabe que todos os genes, todas as células têm o mesmo número de genes, têm o mesmo número de cromossomos, exceto os gametas, os gametas, óbvio. Mas as células não têm todos esses genes ativos. Alguns genes estão desligados, silenciados e alguns, alguns nunca vão ser expressos. E quem tá comandando isso aí? Mecanismos de regulação que são estudados na epigenética. Pô, isso é muito interessante. Eu tava conversando com ele um pouco antes de gravar o vídeo, e a gente viu que complexidade dos seres vivos não significa número de genes, né? Uma relação que a gente pode fazer é que quando o organismo é mais complexo, mais elementos regulatórios ele, ele possui. Por exemplo, a gente possui menos de 2% de genes que codificam proteínas ou RNA. Esses outros 98% do nosso material genético tem função de regulação, de controlar esses menos de 2% de genes. Muito legal. E isso que é a curiosidade, e isso que é o interessante. Tu já te perguntou, tu não te lembra, né, mas tu já foi uma única célula. Quando o espermatozoide fecundou o óvulo, formou, né, o que? O você. Ou tu, só que na época tu era uma única célula. Essa célula começa a sofrer mitose: dois, quatro, oito, dezesseis, assim vai. E apenas dessa única célula, que tem todo o material genético herdado de teus pais, você desenvolveu todas as trilhões de células que tu tem no teu corpo. Tudo bem, até aí nenhuma novidade, mas aí que vem a grande curiosidade. Como é que a célula que tá no teu olho sabe que tem que sintetizar as proteínas do teu olho, que dá cor, por exemplo? Como é que as células que estão no teu pâncreas, que tem todo o material genético, sabe que tem que produzir insulina, ou que tá na tua, ponta da tua unha, produção de unhas, ou de cabelos? Ou seja, todas as nossas células, né, Leandro, possuem todo o nosso material genético, só que células de determinados locais expressam, ou seja, tem seus genes ativos, são um pouquinho de genes ativos. O que que aconteceria se uma célula começasse a ter todos os genes ativos? Ia ser, isso no, ao longo da evolução, ele ia ser perdido porque tem um gasto energético muito grande. Então, a gente pode pensar que logo no início da evolução, quando foi se aumentando os números de genes, foi também aumentando o número de regulação desses genes, para que eles não tivessem ativos, sem, sem ser necessários, né? Perfeitamente. Então, quando nós estamos falando da tal epigenética que o Leandro ia falar com nós aqui, nós estamos falando desses mecanismos que regulam, fala, aqui é tu gene que tem que tá ativo, tu não tem que tá ativo. Em outro, em outro órgão, em outro tecido do nosso corpo, a epigenética está falando assim: esses genes aqui não podem estar ativos, ó, tá, tá no neurônio. O neurônio não pode secretar cabelo, então pega esses genes e inativa. Agora, o neurônio tem que tá responsável por estímulos nervosos. Então, essas células, esses genes que tem que tá ativo, é isso, Leandro? Isso. Interessante falar que, por exemplo, a gente pode pensar em camadas de informação. Na genética, a gente estuda um tipo de informação baseada nas quatro bases nitrogenadas: A, T, C e G. É isso que a gente estuda na genética: DNA, transcreve em RNA, produz, sintetiza proteína. Só que essa camada de informação de regulação não tem a ver com a genética, né? do DNA, ela, ela é formada por outras moléculas que a gente vai falar um pouquinho aqui também. Bom, Leandro, então a gente estava falando aqui, e chegamos à conclusão de que a epigenética é o que tá determinando os genes que estão ativos e inativos dentro de uma célula, dependendo do local onde ela está. Então, dá pra dizer que a epigenética que faz, que gera as especializações das células, ou seja, as células se especializam a partir da epigenética, como é que a gente pode falar isso aí? Perfeito. Então, por exemplo, a gente começa a falar em especialização celular e eu lanço uma pergunta para vocês: como que a gente consegue ter, ah, células, diferentes tipos de células no nosso organismo? Justamente ativando um conjunto de genes específicos. A gente sabe que a função da hemácia é produzir a hemoglobina, fazer o transporte de oxigênio. Essa hemoglobina, o gene dessa proteína vai estar em todas as nossas células do nosso corpo. Só que somente no nosso tecido sanguíneo, nas hemácias, esse gene vai estar ativo. Pô, isso é legal, né? Porque tu sabe que como é que é o conceito de clone, no ensino médio a gente estuda isso aí. Se você tirar uma célula somática, ou seja, uma célula que tem todo o nosso material genético, e pegar essa célula, claro, depois de fazer os mecanismos de clone, que eu posso depois fazer uma aula sobre clone, tu vai clonar. Não importa se tu tirou do teu neurônio ou do dedão do teu pé. Se a célula tá ativa e tem nessa célula todo o nosso material genético, tu faz um clone. Olha que legal, cara. Em todas as nossas células, exceção dos gametas e exceção das células que não têm material genético, que é, por exemplo, as hemácias, né? É possível fazer um clone. O Leandro tava comentando também uma coisa que eu achei muito interessante. Vocês sabiam que um alco, uma pessoa que bebe muito álcool ou que fuma muito, pode passar isso para as, para os filhos também a partir desses mecanismos epigenéticos? Explica isso, Leandro, como isso, cara? Bom, a gente sabe que alguns fenômenos ambientais, por exemplo, a radiação, podem interagir com o nosso DNA e ocorrer mutações, né? Modificações no nosso DNA e isso é hereditário, é passado adiante. Mas hoje sabe-se que não somente essas características são passadas adiante. As características de controle desses genes, como a gente tava falando, esses mecanismos epigenéticos, eles podem ser alterados por fenômenos ambientais. Como, por exemplo, obesidade, sedentarismo, má alimentação, fumo, alcoolismo. Hoje a gente sabe que, por exemplo, a utilização da nicotina altera teus mecanismos epigenéticos e tu passa isso adiante, mesmo não sendo, ah, informação baseada nos genes, uma informação baseada nessas moléculas de regulação. Tá, Leandro, agora o troço é interessantíssimo, tá, entendi. Só que a gurizada deve estar se perguntando, mas como é que a epigenética faz o controle desses genes? Como é que ela sabe que esses genes tem que estar ativos ou esses inativos? Que que é um tiuzão dentro da nossa célula lá, cara? Então, ah, hoje a epigenética, ela tem alguns mecanismos bastante conhecidos, principalmente três mecanismos, que são a modificação de histonas. Histonas, as proteínas que enrolam o DNA. Lembra lá quando a gente estuda DNA, tem aqui a minha aula de DNA. Se você quiser saber, as histonas estão enrolando o nosso material genético, isso não é novidade para ninguém. Então, a a modificação de histonas, nós temos o que a gente chama de metilação de DNA e até mesmo de RNA. O que que é a metilação do DNA ou RNA? É um radical metil que se liga em cima do gene, né, principalmente nas bases G e C, que a gente chama de ilhas CG. Então, esse radical metil se liga em cima do gene e não deixa ele ser transcrito em RNA. Então, ele foi silenciado, basicamente. E o terceiro mecanismo são os RNAs não codificantes. Hoje a gente sabe que a gente não tem somente RNA mensageiro, transportador, ah, RNA ribossômico, a gente tem vários tipos de RNA. Micro RNA. Micro RNA é um exemplo de RNA não codificante com função de regulação gênica. Dentro da epigenética. Tá, entendemos o que que é a epigenética, tranquilo. Mas, Leandro, tu tá estudando epigenética e vários pesquisadores no mundo estão estudando epigenética. A pergunta é: como esse estudo, o que, de que maneira a epigenética pode ajudar a população? Qual a melhor aplicação dessa área de pesquisa? Bom, existem várias aplicações, principalmente a epigenética é estudada no câncer, né? A gente sabe que um das, uma das causas do câncer é a regulação gênica e principalmente doenças infecciosas, doenças autoimunes, Alzheimer, dentre outras. Basicamente a gente sabe que o câncer, né, o que o tumor nada mais é que uma célula que começa a se dividir ininterruptamente, justamente porque os genes que controlam a divisão celular estão desregulados. Eles eram para estar silenciados em algum momento, a célula não pode se dividir a todo momento. Tem genes que controlam a divisão celular, e esses genes, então, eles estão ativos a todo momento, ou seja, há um erro ali. E aí, o cientista se pergunta, será que a gente pode regular corretamente esses genes? Sim, é o que está se pensando em se fazer. Que legal. Muito show. Outra aplicação aqui que agora tá me vindo na cabeça, imagina, uma pessoa que tem diabetes tipo 1, que é insulinodependente. Ela não produz insulina no pâncreas porque ali as células, né, que fazem essa secreção, acabam sendo destruídas. Há uma possibilidade, mais adiante, de conseguir fazer a regulação gênica, trabalhar com a epigenética para que outras células produzam a insulina em vez dessas células do pâncreas? Bom, ah, excelente pergunta que me fez até me lembrou algumas outras técnicas de, da biotecnologia. Hoje a gente sabe que a biotecnologia, ela tá avançando tremendamente na biologia. E hoje existe uma técnica muito potente de edição de genes, que tu pode colocar mais de cinquenta, sessenta genes na célula, o que o que a gente chama de edição de genes, tu pode editar os genes, tu pode inserir genes numa célula, retirar genes de uma célula. Então, é uma coisa muito potente. Essa técnica que se chama CRISPR, né, e tá sendo bastante utilizada. E justamente, com certeza, sim, através dessa técnica tu poderia fazer isso aí. Muito legal. E agora, Leandro, só para finalizar aqui, para o vídeo não ficar também muito longo. Bom, gurizada deve estar se perguntando aí quem se interessou, como é que o estudo é, como é que eu chego no patamar aí que tu tá de doutorado, doutorando aí e e estudando epigenética? Qual é o caminho que tu pode trilhar para esse, para esse rumo aí? Bom, basicamente quem estuda na área de saúde, seja medicina, biologia, enfermagem, nutrição, biomedicina, né? Ah, nas universidades existem laboratórios que trabalham na área de genética, na área de epigenética. E aí tu pode seguir estágios na graduação, fazer uma pós-graduação nessa área, mestrado, doutorado, ou também tu pode sair em estágios em instituições privadas. E cada, cada vez mais tem essas instituições de pesquisas que também, né, vocês podem entrar, por exemplo. Show de bola. Bom, gurizada, então, mais ou menos a conversa é isso aí. Claro, que é um assunto muito extenso, teria horas aqui para ficar discutindo, eu fiquei discutindo horas desse assunto, desse assunto aqui com, com o Leandro. Mas eu vou deixar aqui nos comentários o contato dele, um e-mail dele, enfim, para vocês, se tiverem interesse, pedirem artigos ou algum material para estudar e tirar qualquer dúvida com esse cara aqui, um grande parceiro aí, né, Leandro? Vou falar para os seus seguidores também, fazer uma pergunta, se já tinham ouvido falar de epigenética, podem colocar nos comentários aí qualquer dúvida. E é isso aí, gurizada, coloquem aí nos comentários se tiver qualquer dúvida, qualquer curiosidade. Eu e o Leandro vamos estar interagindo com vocês. Foi um grande prazer estar aqui para mais este vídeo, né, sobre epigenética, um assunto muito novo e curioso. E com a participação do grande Leandro. Fechou, Leandro? Agora, tapa. Não vem de novo, não vem de novo. Fechou. Tchau. Fui.

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