[0:00]capítulo 12.
[0:15]Sim, ah, antes de começar as crianças então já podem retirar-se para o departamento infantil.
[0:25]Onde elas vão não ter o culto para elas, onde elas vão continuar esse culto da qual, do qual, elas já estavam participando, só que numa linguagem apropriada para elas.
[0:41]Romanos capítulo 12.
[0:48]Vamos ler os versos 1 e 2. Rogo-vos pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Até aqui a leitura da palavra de Deus. Nós vamos orar mais uma vez, pedindo a iluminação do Espírito Santo, na compreensão da palavra de Deus. Senhor nosso Deus, pedimos que teu bendito espírito nos encaminhe na compreensão da escritura, que ele ilumine a nossa mente e o nosso coração, para que nós não somente entendamos o sentido do que está escrito, mas de que maneira se aplica a nossa vida hoje. Nós queremos sair daqui, Senhor, sentindo que o Senhor falou conosco. E dá-nos também uma disposição mental, espiritual e apropriada, para vivermos de acordo com o que vamos aprender. É o que nós te pedimos em nome de Jesus. Amém. Queridos irmãos, eu, eu estou começando uma, começando aqui e continuando uma série de pregações em Romanos, que eu comecei em 2016. E depois de conversar com o Pastor Cláudio, então, ele me deu essa autorização. Eu pensei em continuar a série de Romanos por dois motivos. Primeiro, porque uma grande quantidade de pessoas vem acompanhando essa série, e usando inclusive para estudos bíblicos, pequenos grupos, classes de escola dominical. E segundo porque a editora Vida Nova já, já contratou os sermões até o capítulo 16. O primeiro volume com os capítulos de 1 a 7, sai agora em novembro. E eu vou continuar, deve sair mais pelo menos um volume, ou, quem sabe, até três volumes com a exposição de Romanos. Então, para você não sentir que está pegando o bonde já andando, a série de 1 a 11 está no, no meu canal do YouTube. Toda a série, que vai estar linkada ao site da igreja. Então, pelo site da igreja, você entra e você tem todas as pregações, são quase mais de 50 pregações, na, em Romanos de 1 a 11. Você pode também comprar o livro, né? Quando sair em novembro, a assinatura é grátis, não vai ter nada extra por isso. E seguir as exposições que serão feitas regularmente aqui na igreja. Então, nós, eu parei em Romanos 11, e agora devo, começamos, ah, em capítulo 12, até o capítulo 16. Assim Deus nos dê condições para isso. Vamos começar lembrando que a carta aos Romanos. Paulo escreveu essa carta no final da sua terceira viagem missionária. Ele estava, provavelmente, em Corinto, após ter saído de Éfeso. Os estudiosos dizem que ele escreveu aí por volta do ano 57 ao ano 59. O fato é que Paulo tinha, durante cerca de 15 anos, evangelizado toda aquela região ao redor da Bacia do Mediterrâneo, e agora não tinha mais campo de trabalho. É uma expressão que ele usa no, no capítulo 15. Quer dizer, ele não, não tinha mais o que fazer, porque nas grandes cidades daquela região, de todas as províncias do Império Romano, ele havia plantado uma, uma igreja, ou, pelo menos, evangelizado, é, ali. E agora ele, como missionário, colocava os olhos na Espanha, mais ao nor, oeste de onde ele estava, e aonde Cristo não havia sido ainda anunciado. Ele tinha planos para pregar ali. Mas ele precisava do apoio de uma igreja para isso. E a igreja de Roma ficava exatamente no caminho. Ele não era conhecido da igreja de Roma, embora houvesse pessoas que o conhecessem ali. E ele, então, resolve escrever essa carta com o objetivo de apresentar seus planos à Igreja de Roma, pedir o apoio da igreja para pregar o evangelho na Espanha. Só que havia muitos rumores a respeito de Paulo que eram disseminados pelos seus inimigos, que eram os judeus. Nós encontramos a perseguição dos judeus contra Paulo no livro de Atos. E judeus convertidos ao cristianismo, mas que achavam que, ah, mesmo aqueles que não eram judeus, precisavam ter as três grandes marcas do judaísmo, que era circuncisão, a, a dieta religiosa dos judeus e a guarda do calendário sagrado dos judeus. Lua Nova, as três grandes festas e sábados e assim por diante. E aí eles criticavam Paulo e perseguiam Paulo porque Paulo pregava que o homem é salvo pela graça, e não por obediência às obras da lei. E que essas obras da lei, elas foram requeridas da nação de Israel, na antiga dispensação, mas elas encontraram o seu cumprimento em Jesus, e pela fé, mediante a graça, a pessoa é recebida por Deus e perdoada livremente dos seus pecados. Os judeus não aceitavam isso e nem os judeus convertidos ao, ao cristianismo. Eles, então, perseguiam o apóstolo Paulo. E diziam que Paulo era um falso profeta, que tinha renegado a lei de Moisés, que falava contra o templo, contra as grandes instituições do Antigo Testamento, a revelação que Deus havia dado. Eles tornavam a vida de Paulo muito difícil, muito difícil.
[6:43]E agora, aparece aqui querendo o apoio financeiro para pregar esse mesmo evangelho que ele procurava destruir lá na Espanha. A confusão ia ser grande. Então, Paulo escreve a carta aos Romanos com o objetivo de apresentar o evangelho que ele prega à luz das questões judaicas da sua época, e colocando no meio o seu plano de passar em Roma e dali seguir para a Espanha para pregar o evangelho. A carta é uma espécie de preparação da sua chegada à igreja de Roma. Nós estamos aqui no capítulo 12, no início da segunda grande parte da carta. Na primeira parte, que vai do capítulo 1 até o capítulo 11, Paulo faz uma exposição das grandes doutrinas do evangelho, embora não exaustivamente. Ele fala da condenação de todos os homens, tanto judeus como gentios, capítulos de 1 a 3. Depois ele fala como Deus em Cristo, gratuitamente, justifica tanto judeus como gentios, ah, mediante a fé em Cristo Jesus, metade do capítulo 3 até o capítulo 5. Depois ele fala como unidos a Cristo, judeus e gentios podem viver uma vida de santificação, sendo libertos do poder do pecado e da condenação da lei, capítulos 6, 7 e 8. E aí ele trata da posição ou do papel da nação de Israel no plano de Deus. O que é que, então, qual a posição da nação de Israel, o que é que vai ser dos judeus, e a aliança que Deus fez com os filhos de Abraão, como fica tudo isso, ele trata do capítulo 9 até o capítulo 11 e termina com uma doxologia, falando da maravilha ou da profundidade do conhecimento de Deus exibida nesse plano extraordinário, concebido na eternidade e desenvolvido na história. E agora chegou o momento em que Paulo vai dizer em termos práticos o que é que isso significa. É exatamente onde nós, nós estamos. O capítulo 12 de 1 a 2 é a transição da parte mais doutrinária da carta para a parte prática. E aqui Paulo faz um apelo aos seus leitores, e dá duas ordens com base em tudo aquilo que ele havia dito. O apelo é para que eles, então, à luz de tudo que foi exposto, que eles se ofereçam como sacrifício vivo a Deus, é o verso primeiro. E depois, as duas ordens, que eles não se conformem com este século e que sejam transformados pela renovação da vossa mente. Meu alvo é cobrir os dois versículos, mas eu não sei se meu tempo vai dar. Porque quando eu comecei a estudar aqui, eu disse: isso é um versículo, isso são dois versículos fáceis. Todo mundo conhece Romanos 12 de 1 a 2. Mas quanto mais eu lia, mais eu descobria que há, que precisa tempo para expor o pensamento do apóstolo Paulo aqui. Alguns comentaristas dizem que talvez sejam os dois versículos que têm mais conteúdo, concentrados, né, zipados na carta aos Romanos. E que para você, eh, desempacotar o que Paulo colocou aqui, para vocês terem uma ideia, numa série que John Piper fez sobre Romanos, ele levou seis sermões nesses dois versículos, né? E eu tô tentando fazer tudo isso hoje de manhã. Então, não sei se vai dar. Se não, domingo que vem, nós continuaremos com a graça de Deus. Então, como eu disse, Paulo aqui, ele faz um apelo e traz duas ordens aos seus leitores com base nos capítulos de 1 a 11. Vamos ver, em primeiro lugar, o apelo que está no verso 1, quando ele diz: Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Aqui Paulo está fazendo mais do que um apelo, ele está rogando. O rogo aqui é um, é um pedido apaixonado, sentido, fervoroso, intenso, expressa um desejo profundo que havia no coração do apóstolo. Ele não está simplesmente dando uma ordem ou fazendo um pedido, mas ele abre o seu coração e com fervor e com intensidade, ele suplica aos seus leitores que façam o que ele vai passar a dizer. E o que ele roga é que os crentes de Roma ofereçam o corpo deles a Deus, como sacrifício vivo, santo e agradável. Não dá para deixar de notar que Paulo está aqui deliberadamente usando a linguagem tirada do sistema de sacrifícios dos animais do Antigo Testamento, e usando para os cristãos. Por exemplo, ele fala em apresentar, que é uma linguagem bem, bem ritualista do Antigo Testamento, a ideia de você trazer alguma coisa e oferecer a Deus. Corpo que se oferecia ao corpo dos animais que era colocado sobre o altar. Sacrifício que descreve bem o que era feito no culto do Antigo Testamento. Depois ele usa a palavra culto, que também aponta para o culto do Antigo Testamento, ou seja, ele está usando toda aquela linguagem das cerimônias do Antigo Testamento, do culto feito no templo, e aplicando agora aos cristãos. Os animais eram para ser trazidos sem defeito, pelo sacerdote, e mortos ali no altar. Depois, algumas partes do animal eram colocadas sobre o altar e eram consumidas totalmente pelo fogo. E aquela fumaça das partes queimadas subia até Deus, simbolicamente falando, que sentia o aroma e era um aroma suave a Deus. Assim era feito o culto no templo do Antigo Testamento. Agora Paulo usa essa figura e, em contraste, diz que os crentes devem apresentar o seu corpo a Deus como sacrifício. A diferença é que eles não, os cristãos, eles não oferecem mais sacrifícios, mas aqui, na linguagem de Paulo, eles são o sacrifício. Em vez de trazer animais, eles tinham que se oferecer a Deus como sacrifício. E Paulo usa corpo, não é? Apresentem o corpo de vocês. Ah, porque corpo aqui significa a pessoa inteira, inclui coração, mente, vontade, consciência, enfim, tudo o que nós somos, toda a nossa personalidade. Como nós já dissemos também, o verbo apresentar é o mesmo verbo que é usado para o ato do sacerdote trazer diante de Deus o animal ali no altar, significando uma entrega completa, absoluta. Ou seja, o paralelo é esse, da mesma forma que os animais eram apresentados para serem mortos e completamente consumidos no altar. Assim também, o cristão deve se entregar a Deus completamente, sem reservas, voluntariamente. E essa apresentação, Paulo diz aqui, é um sacrifício vivo porque o cristão não precisa ser sacrificado. Cristo Jesus já fez isso por ele. Cristo já experimentou a morte no altar do Calvário, para que os cristãos agora, sem, que tenham que fazer a mesma coisa, se ofereçam a Deus como um sacrifício. Esse sacrifício é a sua entrega, sem reservas, total e absoluta a Deus. Significa viver uma vida, numa atitude de entrega, submissão e de total renúncia, como alguém que está sempre disposto, se necessário for, a dar, inclusive a sua vida pela glória de Deus. É por isso que é chamado sacrifício vivo. É isso que o cristão é. O cristão é um sacrifício vivo, ou seja, a vida dele é sempre no altar de Deus. E ele está disposto, se necessário for, a se deixar consumir inteiramente para a glória de Deus, se as circunstâncias assim o exigirem. É nesse sentido que é um sacrifício vivo. E santo, porque, uma vez santificados pelo sangue de Jesus, purificados pelo sangue de Jesus, também nós somos, igual aquela fumaça, agradáveis a Deus. O nosso sacrifício sobe a Deus em aroma agradável. Agora, o ponto aqui que vai fazer toda a diferença, é que Paulo diz que isso tem que ser feito pelas misericórdias de Deus. Observe logo o início do versículo. Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus. Misericórdia é uma demonstração, através de atitudes e de sentimentos, de compaixão, simpatia e ajuda por alguém que geralmente não merece. Que geralmente não merece. Aí é chamado de misericórdia. Se a pessoa merece, você está só dando a ela o que ela tem direito. Mas a misericórdia tem a ver com a falta de mérito daquela pessoa ou coisa que vai receber a atitude ou o sentimento de misericórdia. E note que Paulo aqui, ele usa no plural, pelas misericórdias de Deus. E a, a melhor interpretação é que Paulo aqui está se referindo aos atos misericordiosos de Deus para conosco, que ele descreveu nos capítulos de 1 a 11. Entre eles você encontra a eleição soberana, antes da fundação do mundo. A substituição por meio de Jesus Cristo, na cruz, pelo seu sangue. A justificação pela fé, mediante a fé, pela graça. A adoção de filhos e sermos feitos herdeiros de Deus. A concessão do Espírito Santo como o Senhor, como o selo e penhor. E a admissão dos gentios à igreja mediante a graça de Deus. Estas são as misericórdias de Deus. São os atos salvadores de Deus na história que ele fez sem atentar para o nosso mérito, porque nós não temos nenhum, onde graciosamente Deus executou na história a redenção de um, um povo que ele tinha escolhido e eleito antes da fundação do mundo, através do seu amor soberano. Estas são as misericórdias de Deus. A o, a prova do que eu estou dizendo é a palavra pois. Rogo-vos, pois, o pois aqui remete para o que veio antes. Aí ele resume o que é que veio antes, pelas misericórdias de Deus. É como se ele dissesse assim: Eu peço a vocês, pois, isto é, pelas misericórdias de Deus que eu expliquei nos capítulos de 1 a 11, que vocês agora ofereçam o corpo de vocês como sacrifício vivo, santo e agradável. Isso aqui é um ponto muito importante, porque essa entrega que Paulo pede de nós, ela não é um ato místico ou pragmático ou sem sentido ou legalista. Mas ela é o resultado de nós termos compreendido o que é os capítulos de 1 a 11. A justificação pela, pela fé, pela graça, a adoção de filhos, o perdão de pecados, a morte de Cristo por nós, todos esses temas que Paulo trata na primeira parte da carta aos Romanos. Uma vez que você entendeu isso aí e que isso representa as misericórdias de Deus por você, a conclusão óbvia, lógica é que você faça isso que Paulo está dizendo, que você, então, a partir de hoje, a partir de agora, você vai viver como se fosse um sacrifício vivo e agradável e santo diante de Deus. Você vai viver no altar de Deus, entregue a ele completamente. É por isso que Paulo explica essa atitude, no final do verso 12, dizendo assim: Que é o vosso culto racional. Isso tudo que ele falou aqui, ele explica dizendo: isso aqui é o culto racional de vocês. A primeira decisão que a gente tem que fazer aqui, é se Paulo tá falando do culto público, como esse aqui, ou da nossa vida como culto, no dia a dia. Eu opto pela primeira opção, já que o contraste é com o culto do Antigo Testamento. Não quer dizer que não vai ter implicações para a vida diária, dia a dia. Vai ter no verso 2. Mas eu creio que culto aqui, ele está pensando no culto público, já que o contraste é o culto do Antigo Testamento, quando os animais eram oferecidos, um culto público, eh, diante do povo de Deus com todos aqueles rituais. Em contraste àquele culto do Antigo Testamento, com todas as suas características que eu já mencionei, Paulo diz que o nosso apresentar, o apresentar do nosso corpo a ele, é o que ele chama de um culto racional. E aqui, mais uma vez, nós vamos ter que fazer uma outra escolha também, porque a palavra racional, no, no grego, é de onde vem a palavra, de onde vem a nossa palavra lógica. E significa alguma coisa que é o resultado de um processo mental, do entendimento, do conhecimento. Por isso, já que é feito com a mente, a tradução poderia ser também culto espiritual, que é a tradução, por exemplo, da NVI. E é a tradução da maioria das traduções americanas, em vez de traduzir culto racional, que dá a ideia de um culto assim muito intelectual, né? Que o pessoal não gosta, ah, o culto é muito intelectual, tem muita doutrina. Não é bem isso que Paulo tá falando. Quando ele diz culto racional, ele está dizendo um culto que é resultado de você ter entendido tudo aquilo que foi dito antes e que, portanto, é apresentado com coerência. É o resultado de você ter compreendido as misericórdias de Deus por você. E, consequentemente, ele também é um culto espiritual, em contraste com o culto do Antigo Testamento, que era baseado em externalidades, formalidades, rituais, animais mortos. Nós não fazemos nada disso, como cristãos agora. Nosso culto, ele é em espírito e em verdade, exatamente porque nós compreendemos que aquele culto do Antigo Testamento, ele tinha um símbolo, ele tinha uma figura, que era Cristo. Uma vez Cristo tendo cumprido tudo aquilo que era prefigurado, nós agora, pela fé, nós pudemos nos apresentar a Deus, e isso é o que Paulo chama de culto racional. É um culto simples, sem representações e cerimônias, sem ser baseados em externalidades, mas feito em espírito e em verdade por pessoas que compreenderam, compreenderam o que Deus fez por elas no Antigo Testamento. Aliás, na, na, em, nos atos salvadores de Deus registrados na Bíblia. É nesse culto que nós entregamos, no culto, nós, então, nos entregamos completamente a Deus, através da adoração, dos cânticos, dos hinos, dos louvores, ouvimos a palavra de Deus, recebemos a palavra de Deus, e dali saímos prontos para servir a Deus, que é agora o verso 2, que na, na sequência, ele expande isso aí. Eu disse que Paulo aqui, ele dá um, faz um pedido e dá duas ordens, não é? O primeiro pedido é esse. Com base nas misericórdias de Deus que foram escritas nos capítulos de 1 a 11, nós devemos nos apresentar a Deus como se fôssemos um sacrifício. Só que um sacrifício vivo, não morto como aqueles animais. E que isso é o nosso culto racional. Ou seja, no culto que nós oferecemos a Deus, nós entregamos a ele, vez após vez. Toda vez que nos reunimos. Culto é entrega. Nesse sentido, nós podemos dizer isso. Culto é aquele momento que publicamente, junto com os irmãos, você renova o seu compromisso com Deus e diz: Deus, eis-me aqui. Eu entendo as tuas misericórdias. Eu ouvi a tua palavra. Eu cantei esses hinos. Eu ouvi as orações. Eu pertenço completamente ao Senhor, mediante Jesus, e minha vida está aqui, completamente ao teu serviço. Aí vem os dois, as duas ordens que Paulo coloca aqui. Eu estou falando de pedido e ordem, é mais uma divisão didática, porque, na prática, o pedido de Paulo é uma ordem, não é? Não, não, não tem muito como a gente fugir, não. Mas é apenas para, para seguir uma, uma, uma estrutura mais didática. Paulo aqui, no verso 2, ele não somente está expandindo o sentido do verso anterior, mas ele acrescenta dois pontos. O primeiro é, verso 2, Não vos conformeis com este século. E o segundo é, transformai-vos pela renovação da vossa mente. Esse culto racional de que eu falei, que é a entrega em culto do nosso corpo, significando o nosso ser como um todo, a Deus, como sacrifício vivo, se expressa na prática, em duas atitudes. E aí, sim, nós vamos falar de culto agora como sendo vida diária, não é? O dia a dia. Quais são as duas atitudes, então, que expressam o nosso culto racional? No culto nós nos entregamos a Deus. Tudo bem. Mas como é que isso funciona no dia a dia? Então, está aqui o verso 2. Primeiro, não se conforme com esse século, e segundo, seja transformado pela renovação da sua mente. Vamos, então, ver cada uma destas duas orientações. Primeira delas, Paulo diz, não vos conformeis com este século. Conformar é uma palavra interessante na língua grega. Significa entrar no esquema. Entrar no esquema. Significa, então, você espremer-se, ou, usando uma figura mais comum, você espremer-se para caber numa forma. Você sabe quando você vai no sapateiro e acha aquele sapato lindo, não é? Mas que não tem exatamente o seu número. O número é um pouquinho menor. E você espreme o seu pé ali, né, para poder caber. Essa é a palavra que ele está usando aqui. Não se conforme. Não deixe que o mundo molde, seja o molde onde você vai colocar a sua vida.
[25:11]Não se conforme com esse mundo. Ou como a NVI traduziu: não se amolde à maneira de viver das pessoas desse mundo. Então, essa ordem, primeiro, é de não conformismo. A vida cristã começa em culto. Nós reconhecemos as misericórdias de Deus e, agora, vamos para a prática. Na prática significa que nós somos diferentes da maneira de viver dessas pessoas que não conhecem as misericórdias de Deus. Que não foram alcançadas pela graça de Deus, que não receberam a misericórdia de Deus. Palavra século que ele diz aqui, não vos conformeis com esse século, na verdade, eh, poderia ser traduzida como mundo. E mundo aqui é aquele sistema de valores, eh, das pessoas que não conhecem a Deus. E Paulo já tinha descrito a maneira das pessoas do mundo viver, lá em Romanos, capítulo 1. Eu não vou ler porque a lista é longa, mas se você quiser ver depois, de 26 a 31, Paulo fala da maneira de viver da sociedade greco-romana da sua época. Que vai desde a prática da homossexualidade, ele começa com lesbianismo, depois entra em homossexualismo, e depois vem uma lista de quase 20 atitudes que tem a ver com desde inveja, idolatria, desobediência aos pais, ódio a Deus, inimizade contra Deus, é uma lista enorme e deprimente que descreve a maneira de viver das pessoas que não conhecem a Deus. Aqui, no capítulo 12, Paulo diz: não se amolde à maneira dessas pessoas viver. Vocês não vão viver como essas pessoas vivem. Se vocês já entenderam as misericórdias de Deus, o pois aí é importante, né? Rogo-vos, pois. Se você já entenderam as misericórdias de Deus, vocês não podem viver dessa maneira. O sentido, então, é esse, não formem e não moldem a sua maneira de viver, a sua maneira de pensar e de agir de acordo com os valores, práticas e padrões desse mundo. Isso na prática significa você recusar, fugir, rejeitar, dizer não a todo tipo de comportamento que seja contra a palavra de Deus, que seja contra aquilo que é agradável, vivo e santo para com o nosso Deus. A segunda ordem, que é a antítese dessa primeira, é, ainda no verso 2, que nós devemos transformar-nos pela renovação da nossa mente. A frase toda é essa: Não vos conformeis com este século, que agora a gente já sabe o que é, mas, em vez de deixar que o mundo molde nossa maneira de pensar e viver, transformai-vos pela renovação da vossa mente. Ou seja, em vez de viver como as pessoas desse mundo vivem, os cristãos deveriam transformar-se. E mais uma vez nós estamos diante de uma palavra muito bonita. A palavra transformar é uma palavra que literalmente, eh, onde, de onde vem a nossa palavra metamorfose. É aquilo que acontece com um casulo e ele muda, e ele vira uma borboleta. Então, nós chamamos esse processo de metamorfose. Essa palavra metamorfose é a palavra grega que aparece aqui e que foi traduzida como transformar-se. É porque é uma transformação tão grande, não é? E que começa com uma coisa feia, um casulo, não é? E termina numa coisa bonita, que é provavelmente a melhor palavra que Paulo poderia usar para descrever aquele processo pelo qual os cristãos devem passar a sua vida toda. Do pior para o melhor, sendo metamorfoseados. É a mesma palavra que os evangelistas usam para dizer o que aconteceu com Jesus no Monte da Transfiguração. E diz lá, e foi trans, e foi transfigurado diante deles. Lembra do texto? Que ele, a aparência de Jesus mudou. É a mesma palavra que aparece lá, é a mesma palavra que aparece aqui. Em vez de nós nos amoldarmos ao mundo, vivermos de acordo com os padrões desse mundo, Paulo diz: Você tem que se transformar, passar diariamente por um processo de metamorfose, em que você vai deixar esses valores, nos quais um dia você viveu, e você vai ser mais e mais semelhante a Jesus Cristo, com base em quem as misericórdias de Deus, que você conhece, se manifestaram. Ou seja, é um processo constante, diário, de transformação. Transformação tão profunda que é uma metamorfose. É uma metamorfose. De que maneira? Você pode dizer, Pastor, isso é complicado, é muito difícil, né? As pessoas não mudam, ou mudam com dificuldade. De fato, é. Mas não é impossível. Veja, Paulo aqui diz de que maneira essa mudança, essa transformação constante da nossa vida, ela vai ser operada. Final do verso 2, e, meados do verso 2, ele diz: transformai-vos pela renovação da vossa mente. Eis aqui a maneira pela qual nós passamos por esse processo de mudança diária, é pela renovação da nossa mente. Mente aqui é a maneira de nós pensarmos, é o nosso entendimento. Como nós entendemos as coisas? E renovar a mente é diariamente realinhar a sua maneira de pensar com a maneira de Deus pensar. E através dessa renovação diária, a sua vida vai ser transformada. Se você não se convencer, você não vai mudar de atitude. Não adianta. Uma pessoa que é convencida contra a sua vontade, ela continua tendo a mesma opinião de antes. Ela tem que ser persuadida. Você tem que renovar a mente, você tem que pensar como o cristão. E aí, as suas atitudes, sua maneira de viver serão atitudes cristãs.
[31:22]Mas enquanto a sua mente não for renovada, ou seja, reorientada, para pensarmos, tendo Deus como referencial, você vai ser, você pode ser crente no coração, mas você, a sua mente ainda é pagã.
[31:59]Eu pensei em trazer alguns exemplos aqui de como funciona isso. Por exemplo, no trânsito. O melhor exemplo que eu podia ter, né, Pastor, trânsito. Está no trânsito, de repente o cidadão vem pela faixa do ônibus, o trânsito está parado. Você estava ali parado atrás de um caminhão. Aí, de repente, vem um cidadão, você olha pelo espelho e oito carros atrás, o cara sai, entra na fila, fila exclusiva do ônibus, vem, vem, vem, vem e imbica na sua frente. Não é? A primeira reação nossa, certamente, não é, Ó, Deus, abençoa essa pessoa. Com certeza, não é a primeira reação. Então, você se sente assim, não é? Estimulado para, né? Aí você aproxima o seu carro mais ainda da traseira do caminhão, para não deixar o cara entrar, né?
[33:45]Não, não é por amor ao trânsito, é porque você está com raiva do cara, vai fazer isso, né? E aí, naquele, é naquele momento que você se lembra das palavras do Senhor. Amados, não vos vingueis a vós mesmos. Não vos vingueis a vós mesmos. Vençam o mal com o bem. Deixa ele entrar na sua frente. Não é? Então, esse processo, você lembra, você reorienta a sua mente e o resultado vai ser uma outra atitude. Ou, por exemplo, no casamento. De repente, eh, você, não é? A sua esposa fez algo, isso nunca acontece, de repente, a sua esposa fez alguma coisa, eh, que, que você não concorda, né? Ou alguma coisa errada. Você ficou com raiva. Sua primeira reação, aí você lembra daquela passagem que diz: maridos, não trateis a vossa esposa com amargura. Aí você segura. Você reorienta a sua mente e diz: eu não vou tratar a minha esposa com amargura. Ou, então, nas mídias sociais. Eita! Mídia social. E, de repente, começa a chegar daqueles grupos de WhatsApp e tudo mais, aquela, aqueles memes, aquelas fotos, aquelas coisas e tudo mais. Aí você se lembra do que está escrito em Filipenses: tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. Aí você bloqueia já um monte de gente. Maravilha, não é? Você reorientou sua mente. Você está pensando como o cristão. Está pensando como Deus pensa. Está vendo como Deus vê. Então, essa renovação diária da sua mente é que vai ser a base para a transformação da sua vida. Você vai, agora, se portar como o crente. E é isso na prática a expressão do culto racional, do culto que nós prestamos a Deus. Para terminar, o objetivo, Paulo diz aqui que o objetivo dessa transformação pela renovação da nossa mente, é, final do verso 2, para que experimenteis qual seja boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Ou seja, quando a nossa mente é realinhada para pensarmos conforme Deus pensa, nós podemos, então, experimentar a boa vontade dele.
[36:06]Ah, é claro que a primeira, mais uma vez, nós temos que fazer uma decisão aqui. O que é a vontade de Deus? Porque a expressão vontade de Deus, como ela aparece na Bíblia, ela se refere geralmente a duas coisas. Aquela vontade de Deus que foi revelada na escritura. Por exemplo, Paulo escreve aos Tessalonicenses, essa é a vontade de Deus, a vossa santificação. Então, ninguém precisa perguntar a Deus, se no namoro, por exemplo, pode transar com o namorado, ou pode viver com uma pessoa antes de casar. Não precisa perguntar, porque Deus já disse, a vontade de Deus é a vossa santificação, que vocês tenham os seus corpos em pureza e em santidade. Então, não é uma vontade secreta de Deus. É o plano que ele tem para cada pessoa, individualmente. O que Deus quer que eu faça em cada situação, a partir dessa vontade revelada nas escrituras sagradas. Experimentar essa vontade significa conhecê-la, entendê-la,
[37:34]prová-la e, portanto, a ideia de experiência. Experimentá-la, sentir a vontade de Deus.
[37:55]Entender que você está fazendo aquilo que Deus deseja. Paulo diz que essa vontade é boa porque Deus sempre busca o bem de seus filhos. Diz que ela é perfeita, porque não há erro nenhum, engano nenhum nos planos de Deus. Embora, às vezes,
[38:55]quando a gente não concorda com a vontade dele, a gente, né, se eu fosse Deus, eu faria diferente, não é? Mas a vontade dele é perfeita. Nós não podemos melhorar o que Deus tem para nós, não há nenhuma situação em que a gente possa culpar a Deus de erro. E, portanto, ela é agradável, porque satisfaz a nossa mente e o nosso coração. Então, não sei se você acompanhou, mas o raciocínio de Paulo é esse aqui. Com base nas misericórdias de Deus, ofereça seu corpo a Deus em sacrifício. Isso é o culto racional de vocês. Que, na prática, o culto prático, significa duas coisas: não se deixar moldar pelo mundo, e segundo, ser transformado. Só que essa transformação é feita pela renovação da sua mente. E, fazendo isso, vocês vão experimentar a vontade de Deus no dia a dia de vocês, vontade que é boa, perfeita e agradável. É por isso que esse versículo tem, esses dois versículos têm tanto conteúdo que a gente sente que está apenas pisando na beira do mar, não é? Quando tem um mar imenso aí, que a gente pode avançar. Deixe-me partir, agora, para algumas conclusões, eh, que nós podemos tirar, algumas aplicações que nós podemos tirar aqui. Tem muita coisa que pode ser aplicada. Eu penso, em primeiro lugar, que essa passagem, ela é um bom corretivo para aqueles irmãos que são muito entusiasmados com a boa doutrina, mas esquecem o pois. Tem muita gente que ama a boa doutrina. E a nossa doutrina é boa. A nossa teologia reformada é maravilhosa, é a melhor teologia que tem. E tem muita gente que é extremamente dedicada a boa teologia, zelar pela exatidão teológica, zelar pela, para que essa boa teologia seja preservada, e não está errado. O problema é quando esquece o pois. Pois dedicação a uma boa teologia, preservação da boa teologia que não desemboca em oferecer a mim mesmo a Deus como sacrifício, culto racional e transformação diária, não vale nada. Nada. Teologia só tem valor se ela muda a minha vida. Se muda a minha maneira de ser, minha maneira de reagir, minha maneira de andar, de caminhar, maneira como eu trato as pessoas. Amar a teologia por amar a teologia não vale, absolutamente, nada. O pois nos ensina isso.
[41:27]Pois, há toda uma razão histórica para a Bíblia dizer aquilo que ela diz que nós devemos ser.
[41:39]O cristianismo, outro ponto em que o cristianismo é diferente das outras religiões e que nós vemos aqui, é que o cristianismo começa com misericórdia e depois vem a prática. Nas outras religiões, você primeiro tem que fazer alguma coisa. E aí, então, a divindade vai lhe recompensar. Mas no cristianismo, Deus primeiro faz alguma coisa por nós. Ele mostra a sua misericórdia, ele nos perdoa, ele nos recebe, ele nos justifica. E, então, ele diz: Agora, à luz das misericórdias que eu mostrei para vocês, você vai andar como filho de Deus. Você vai viver como alguém grato. A motivação é diferente das outras religiões. A motivação no cristianismo é a gratidão, o louvor e a adoração. Nas outras religiões, é obtenção de mérito, conquistar alguma coisa. E, às vezes, isso está presente no meu evangélico também, campanha, vou fazer voto, fazer uma negociata com Deus, esquecendo que é tudo pela graça e pela misericórdia. Essa passagem também é muito boa para aqueles que veem o culto apenas como seguir uma liturgia de maneira fria e mecânica. Como é que alguém que entendeu as misericórdias de Deus vem cultuar a ele e faz isso de maneira fria e formal?
[44:54]Isso aqui tudo deve mexer com a gente, com o nosso coração, nossa vida, prestar um culto a Deus, que parta das emoções mais profundas que nós tenhamos. Culto não é simplesmente seguir um ritual mecânico, adred, preparado. Mas expressar a Deus em louvor e adoração, a nossa entrega a ele, cheia de gratidão, de compromisso, porque nós entendemos o que ele fez por nós. É isso que é o culto racional. E, por último, eu sei que tem gente que fica com medo de se entregar incondicionalmente a Deus. Já ouvi alguém dizer assim: E se eu me entregar a Deus e ele me mandar como missionária para o Iraque? Não tenha medo da vontade de Deus. Não tenha. A vontade de Deus é boa. Ela é perfeita. E quando você estiver no centro dela, você vai ver que ela é agradável. Você não poderia estar em outro lugar melhor do que no centro da vontade de Deus. Então Deus nos convida nessa manhã, aqui nós nos ofereçamos a ele, sem reservas. Sem reservas. O que o Senhor quiser de mim. Tudo eu coloco diante do Senhor, nesse culto que eu te presto com inteligência, porque eu entendo. Eu faço isso com gratidão, Deus. Que a minha vida seja transformada, à medida que eu rejeito os moldes do mundo e eu renovo a minha mente de acordo com o teu querer. Mas eu quero experimentar a tua boa, perfeita e agradável vontade. Amém. Queira Deus aplicar essa palavra em nossos corações, queridos. Oremos nesse instante.



