Thumbnail for ORIGEM e EVOLUÇÃO dos CÃES by Zoomundo

ORIGEM e EVOLUÇÃO dos CÃES

Zoomundo

17m 14s2,608 words~14 min read
Auto-Generated

[0:00]Cachorros, dizem que eles são os melhores amigos do ser humano. E por muitas vezes são mesmo, independente se for um pequeno chihuahua ou um grande cão boiadeiro. Muitas vezes, quando comparamos raças de cães tão diferentes, parece até difícil de acreditar que todas elas são a mesma espécie. Mas é ainda mais incrível saber que todas essas centenas de raças de cães, que fazem a nossa alegria hoje, descendem de um ancestral de lobo selvagem, que passou por um processo de domesticação, feito por nós humanos, ao longo de milhares de anos. Mas como será que um lobo virou um cão? Quando será que isso aconteceu? Onde aconteceu? E será que apenas uma espécie de lobo foi domesticada? Isso tudo e muito mais é o que você vai descobrir neste vídeo. Saudações zoológicas! Eu sou a Amanda e eu sou o Bruno, e hoje, a gente trouxe um dos vídeos mais pedidos do canal. Vamos falar sobre a domesticação dos lobos, que resultou em um dos animais mais especiais para as nós seres humanos, o cão doméstico! Como muitos de vocês já devem saber, existem várias espécies de lobo, mas qual delas será que foi domesticada para dar origem ao cão doméstico? Indo direto ao ponto, nossos queridos cães derivam de populações de lobo-cinzento, nativo da Eurásia e da América do Norte, que foram domesticadas por humanos. O lobo-cinzento pertence à espécie Canis lupus. Vale lembrar que o gênero Canis é bem diverso e inclui diversas espécies de canídeos, muitas das quais chamamos de lobos, como o lobo-vermelho e o lobo-da-Etiópia, além do coiote e do chacal. O lobo-cinzento, Canis lupus, possui várias subespécies reconhecidas que habitam a região da Eurásia, Oceania e América do Norte. As subespécies da Eurásia incluem, por exemplo, o lobo-da-estepe, do Leste Europeu, o lobo-da-tundra, que vive no Norte da Europa, o lobo-da-Arábia, que vive na Península Arábica, e o lobo-da-Mongólia, que vive na Mongólia, na China e na Coreia. Entre as subespécies da América do Norte, podemos citar o lobo-do-ártico, que vive em ilhas do Canadá, o lobo-mexicano, encontrado no Sul dos Estados Unidos e também no México, o lobo-do-interior-do-Alasca, que vive no Alasca e no Canadá e é a segunda maior subespécie de lobo-cinzento, e o lobo-das-grandes-planícies, que ocorre desde o Canadá até o Norte do Texas, nos Estados Unidos. Além dessas subespécies atuais, existem mais de 10 subespécies de Canis lupus extintas, que também possuem uma ampla distribuição geográfica. Entre elas, destaca-se o lobo-das-cavernas, que viveu durante a metade e o final do Pleistoceno, entre 320 e 12 mil anos atrás. Ele viveu na Europa e seus fósseis foram encontrados em várias cavernas, especialmente na Alemanha. Muitas dessas subespécies de lobo-cinzento foram extintas nos últimos 150 anos. O destaque aqui vai para o lobo-da-Sicília, que era endêmico da Ilha de Sicília, no Mar Mediterrâneo. Essa subespécie teria sido extinta na década de 1920, devido à perseguição humana, porém, avistamentos não confirmados ocorreram até a década de 1970. Ela foi identificada como uma subespécie distinta de lobo-cinzento apenas em 2018, através da análise dos poucos espécimes preservados e crânios, bem como a análise de DNA. Já deu para perceber que a espécie Canis lupus é bem diversa em termos de subespécies, atuais e extintas e de distribuição geográfica, mas como o foco deste vídeo é a domesticação do Canis lupus que resultou no nosso querido cão doméstico, não vamos entrar em detalhes sobre essas subespécies. Dois canídeos bem interessantes, que também evoluíram a partir de populações de lobos-cinzentos, são o dingo e o cão-cantor-da-Nova-Guiné. O dingo é uma linhagem antiga de canídeo encontrada na Austrália, cuja classificação ainda é muito debatida. Isso porque ele pode ser tanto considerado como uma espécie própria, Canis dingo, como uma subespécie de lobo-cinzento, Canis lupus dingo, ou até mesmo uma subespécie de cão doméstico. Hoje, o mais aceito é que o dingo é um cão feral, ou seja, que pertencia a uma população de cães domésticos que acabou voltando para a natureza, sendo considerados animais selvagens atualmente. O dingo está intimamente relacionado ao cão-cantor-da-Nova-Guiné, cuja linhagem se separou cedo da linhagem que levou aos cães domésticos de hoje em dia. O cão-cantor-da-Nova-Guiné pode ser encontrado desde o Sudeste Asiático até a Ásia Continental. Esse canídeo recebe esse nome porque ele simplesmente não late, mas produz sons que parecem um tipo de canto, ou são só.

[4:52]Agora, falando do cão doméstico, ainda não existe consenso se ele seria uma subespécie de lobo-cinzento, no caso, Canis lupus familiares, ou se ele poderia ser considerado uma espécie própria, no caso, Canis familiares. Estudos genéticos do início dos anos 2000 sugerem que o cão doméstico seria uma subespécie de lobo-cinzento mesmo, pois as mudanças em níveis genéticos não seriam suficientes para separar o cão em uma espécie diferente. Mas nem todos os pesquisadores concordam com essa abordagem, então somente mais estudos poderão explicar melhor essas diferenças. De qualquer maneira, o que é consenso é que o nosso querido cão se originou a partir da domesticação do lobo-cinzento, o Canis lupus, há milhares de anos. E que a diferenciação entre lobos e cães data entre cerca de 30 e 40 mil anos atrás, pouco tempo antes do último máximo glacial. E a pergunta que não quer calar, quando e onde ocorreu essa domesticação do lobo? Antes da gente falar sobre isso, agora que você já sabe que o cão é um lobo domesticado, dá uma olhada nesta estampa aqui da nossa coleção Na sombra do passado. Ela representa um cão projetando a sombra de seu ancestral lobo. A coleção também inclui outros mamíferos atuais, projetando a sombra de alguns animais ancestrais. Temos camisetas, moletons, canecas e muitos outros produtos com essa e com outras estampas, para conferir, é só acessar zoomundo.com.br ou clicar no link da descrição. Além de adquirir um produto exclusivo, você também estará nos ajudando a continuar produzindo conteúdo de qualidade aqui na internet. Sabemos com precisão que o vestígio mais antigo, que remete à domesticação dos cães, data de cerca de 14 mil anos atrás, na Alemanha, e trata-se de um fóssil de cão que foi enterrado junto com dois humanos. Ele recebeu o nome de cão de Bonn-Oberkasse, uma referência à cidade alemã onde foi encontrado. Mas o processo de domesticação em si se iniciou alguns milhares de anos antes, algo entre 33 e 20 mil anos atrás, porém é muito difícil estimar isso com precisão. Uma outra coisa que é difícil de se estimar é onde esse processo de domesticação se iniciou. Sabemos seguramente que ele se originou em alguma região da Eurásia. Inclusive, os mais antigos esqueletos que podem ser atribuídos a cães, foram encontrados nas montanhas Altai, na Sibéria, e também numa caverna na Bélgica, ambos datados de aproximadamente 33 mil anos atrás. Um estudo de 2021 sugere que a domesticação do cão começou na Sibéria, entre 26 e 23 mil anos atrás, pelos antigos eurasianos do Norte, e mais tarde se dispersou para o Leste nas Américas e para o Oeste através da Eurásia. E também a hipótese de que a domesticação do lobo pode ter acontecido simultaneamente em vários locais do mundo. O fato é que o lobo foi o primeiro animal a ser domesticado pelos humanos e a única espécie de grande carnívoro a ser domesticada. E agora que a gente já falou quando e onde a domesticação ocorreu, vem a questão central deste vídeo, como ela ocorreu? A principal hipótese para a domesticação dos lobos é de que, inicialmente, esses animais começaram a se aproximar dos acampamentos humanos, que naquela época, há pouco mais de 30 mil anos, eram caçadores-coletores, em busca de restos de alimentos. Como os lobos desenvolveram, ao longo de sua evolução, um complexo sistema de comunicação, que envolve a linguagem corporal e a vocalização, os humanos começaram aos poucos a entender melhor essa comunicação e manter nos acampamentos aqueles indivíduos de lobos que eram menos agressivos e mais tolerantes à presença humana. Com essa convivência cada vez maior entre lobos e humanos, veio a redução dos fatores de seleção natural sobre os lobos, como a predação e a falta de recursos. E foi a partir de então que se iniciou a domesticação, passando pelo que chamamos de seleção artificial, que é o processo de conduzir cruzamentos selecionados de animais, plantas ou outros seres vivos com o propósito de que as crias resultantes desses cruzamentos nasçam com determinadas características. Com base nessa técnica, é possível fazer, por exemplo, com que ovelhas produzam mais lã, ou que determinados gados tenham mais carne. Como no caso dos cães, a domesticação foi muito baseada na seleção de indivíduos mais dóceis e tolerantes à presença humana, existe até um outro termo empregado para isso, que é a seleção social. Com a domesticação, veio a formação de raças primitivas, ainda com interferência humana limitada. As raças são variações anatômicas e geográficas de uma mesma espécie que passou por um processo de seleção artificial. A consolidação da seleção artificial, já com uma intensa interferência humana ao longo dos séculos, foi produzindo cada vez mais raças, até chegarmos ao que chamamos de raças modernas, mais ou menos a partir do século XVII. Essas raças conservavam o caráter regional, por isso, temos raças que foram criadas em determinadas regiões ou países. A partir do século XX, houve uma consolidação das raças e inclusive um melhoramento de várias delas, especialmente após a internacionalização das raças. Mas é importante lembrar que a seleção artificial também pode tornar os animais menos resistentes. É o caso do pug, por exemplo, que respira com dificuldade por causa do focinho extremamente curto. É importante ressaltar que o lobo-cinzento, que foi domesticado, dando origem ao cão doméstico, não é o mesmo lobo-cinzento moderno. As populações de lobos domesticadas pertenciam a uma linhagem do lobo do Pleistoceno, que viveu entre 129 e 11 mil anos atrás, chamada de lobo do Pleistoceno. Aliás, o lobo-cinzento foi um dos poucos mamíferos carnívoros de grande porte que sobreviveu à extinção do final do Pleistoceno, que dizimou a megafauna. Mas hoje em dia, podemos dizer que as populações atuais de lobo-cinzento também já foram domesticadas, e em alguns locais, já são mantidos como animais de estimação exóticos e, em algumas ocasiões mais raras, como animais de trabalho. Na verdade, não é somente o lobo-cinzento que foi domesticado, mas outras espécies de lobo do gênero Canis também. Hoje, temos o cão-lobo ou wolfdog, em inglês, que é um híbrido produzido pelo cruzamento de um cão doméstico com diferentes espécies de lobo. Pode ser com o lobo-cinzento, Canis lupus, com o lobo-oriental, Canis lycaon, com o lobo-vermelho, Canis rufus, ou com o lobo-etíope, Canis simensis. Ah, e os coiotes também podem cruzar com as subespécies de lobos-cinzentos, dando origem ao híbrido chamado de coywoolf. Porém, os lobos não apresentam o mesmo grau de tratamento que os cães ao conviver com os humanos, e geralmente é necessário um esforço maior para obter a mesma confiança deles. Os lobos também precisam de muito mais espaço do que os cães, cerca de 25 a 40 km2, para que possam se exercitar, além de uma grande quantidade de carne em sua dieta. A partir da domesticação dos lobos e do surgimento do cão doméstico e suas raças, tivemos uma grande revolução na história humana. Isso porque os cães começaram a desempenhar papéis cruciais na nossa sociedade. A domesticação e a agricultura foram duas grandes revoluções para a humanidade. A agricultura surgiu há cerca de 11 mil anos, e nessa época, os cães já eram domesticados. Entre 9 e 7 mil anos atrás, os humanos começaram a domesticar o boi e outros animais que conhecemos hoje como animais de criação, como ovelhas e cabras, e que são importantes até hoje para a subsistência humana. E os cães exerceram um papel muito importante nessa atividade, pois eles eram utilizados como pastores e guardiões desses animais, protegendo os rebanhos contra outros predadores, além de auxiliar na condução dos rebanhos. Até hoje existem cães de pastoreio. Eles geralmente são fortes, velozes e inteligentes, como é o caso da raça border collie. Os cães também eram utilizados para auxiliar os humanos na caça, desde os primórdios da domesticação até os dias de hoje. Eles poderiam caçar em si, apontar para os caçadores a presença de uma presa após vasculhar uma região, localizar uma presa pelo faro ou simplesmente recuperar uma presa abatida. Com o processo de seleção artificial, os cães foram minuciosamente selecionados para coisas cada vez mais específicas, desde executar trabalhos específicos, até servir como guarda e companhia. Entre os cães caçadores, podemos mencionar aqueles que foram selecionados para caçar especificamente em tocas. Eles são os chamados cães terrier, palavra que vem do latim e significa terra. Eles geralmente são pequenos e ágeis. Entre os cães que apontam a caça estão os pointers, como o pointer alemão e o weimaraner, ambos da Alemanha. Quando esses cães percebem a presença da presa, eles permanecem imóveis como uma estátua, apontando com o focinho em direção à presa. Entre os cães recuperadores de caça estão os cães retrievers, como os amados labradores e goldens. No passado, eles eram treinados para recuperar caças abatidas, tanto em terra como na água. Hoje, eles são especialistas mesmo em recuperar bolinhas ou objetos nossos. Com o passar dos tempos, os cães também passaram a ser selecionados para muitas outras funções, como guarda e companhia. Entre os cães de guarda temos, por exemplo, o dogue alemão, eternizado na figura do Scooby-Doo. Já entre os cães de companhia, temos o chihuahua, campeão de memes na internet, e os poodles, com seus vários tamanhos e possibilidades de tosa de pelagem. E não podemos nos esquecer do nosso querido vira-lata caramelo, que é um cão sem raça definida. Quer melhor companhia do que um doguinho caramelo? São tantas raças de cães que foram produzidas para tantos fins diferentes, que falar sobre todas elas dariam um vídeo por si só. São mais de 300 raças de cães, mas se você quiser um vídeo só sobre as raças, é só deixar um comentário aqui neste vídeo. É inegável a importância dos cães para o desenvolvimento da sociedade humana e hoje é impensável imaginar nossas vidas sem esses animais, que hoje em dia são considerados por muitas pessoas como membros da família. E muitas vezes, eles ajudam a salvar vidas, desde auxiliando pessoas doentes a se recuperar, até casos em que eles literalmente salvam vidas. Nós aqui tivemos uma filha canina, a Bela, uma labradora retriever especialista em recuperar nossas peças de roupas, só que no caso, ela recuperava para ela mesmo e não para nós. A nossa Bellinha esteve presente no início do nosso canal e até chegou a dar umas aparecidas relâmpagos em alguns vídeos antigos nossos. Infelizmente, a Bellinha se foi em 2021, já na sua velhice, aos 12 anos de idade, e nos deixou uma saudade imensa. Mas ela vive em nossos corações e não tem um dia sequer que não nos lembramos dela. Então, este vídeo é dedicado a você, Bellinha, e toda a sua memória de momentos incríveis.

[16:36]É incrível saber que a partir de uma espécie extremamente sociável como o lobo-cinzento, nós tivemos o surgimento de uma espécie ou subespécie mais sociável ainda, o nosso querido cão doméstico! E uma outra história incrível é a da evolução da família dos canídeos, a qual pertencem os lobos, os cães e tantas outras espécies, e nós já contamos essa história neste vídeo aqui. Nos vemos no próximo vídeo. Tchau. E gostaríamos de dedicar este vídeo a todos os nossos embaixadores e embaixadoras que nos ajudam muito a continuar criando conteúdo aqui no canal.

Need another transcript?

Paste any YouTube URL to get a clean transcript in seconds.

Get a Transcript