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Como JOGAR FORA as Ideias Que TE FAZEM INFELIZ

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[0:00]A gente sofre principalmente por causa das nossas crenças a respeito do que foi vivido.
[0:08]E muitas dessas crenças ou ideias, elas parecem verdades absolutas, porque elas foram repetidas pelos nossos pais, nossos professores, nossa cultura, nossa religião, pelas redes sociais.
[0:21]E com o tempo, elas passaram a morar dentro da gente como se fossem verdades fechadas.
[0:27]E o problema é que algumas dessas crenças são profundamente equivocadas e mais do que isso, elas mantém você preso em padrões de dor, de culpa, de ressentimento e de frustração.
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[0:00]A gente não sofre só por causa do que a gente viveu. A gente sofre principalmente por causa das nossas crenças a respeito do que foi vivido.

[0:08]E muitas dessas crenças ou ideias, elas parecem verdades absolutas, porque elas foram repetidas pelos nossos pais, nossos professores, nossa cultura, nossa religião, pelas redes sociais.

[0:21]E com o tempo, elas passaram a morar dentro da gente como se fossem verdades fechadas.

[0:27]E o problema é que algumas dessas crenças são profundamente equivocadas e mais do que isso, elas mantém você preso em padrões de dor, de culpa, de ressentimento e de frustração.

[0:40]Por isso, no episódio de hoje do Animacast, eu quero conversar com você sobre quatro ideias muito comuns e que parecem inofensivas, mas que silenciosamente, elas alimentam a infelicidade.

[0:54]Então a gente vai ver como que elas atuam e como que você pode começar a se libertar delas, tá?

[1:01]Vamos lá. A primeira ideia que a gente precisa largar a mão é a de que reprimir emoções funciona, né?

[1:06]Existe uma crença muito difundida entre a gente de que ter maturidade emocional significa controlar tudo o que se sente, como se fosse possível a gente apertar um botão e desligar a tristeza, a raiva, o medo ou a saudade que a gente está sentindo.

[1:23]A verdade é bem outra e o psicólogo James Gross, que é uma das maiores referências mundiais em regulação emocional, ele diz que a supressão das emoções, ou seja, tentar segurar ou esconder o que se sente, isso não elimina a emoção.

[1:41]Pelo contrário, isso aumenta a ativação fisiológica do corpo, como os batimentos cardíacos e a rigidez muscular.

[1:51]Em outras palavras, por fora você pode até parecer calmo, mas por dentro, o teu corpo está em guerra.

[1:58]É, é aquela coisa, né? Quando a gente tenta não pensar numa determinada emoção, aí o pensamento volta com mais força.

[2:06]É o efeito rebote. Quanto mais você tenta empurrar uma emoção para baixo, mais ela pressiona para subir de volta.

[2:14]Sem falar que reprimir as emoções costuma gerar fugas como o excesso de trabalho, os exercícios compulsivos, o abuso de álcool, o excesso de compras, de redes sociais, de medicação.

[2:29]Então, não adianta ignorar, assim como não adianta quebrar um termômetro só para não ver a febre.

[2:34]A emoção é uma informação, um sinal, é uma mensagem do teu sistema nervoso dizendo, algo não está indo bem.

[2:43]Então, primeira coisa, deixe de acreditar que reprimir emoções funciona.

[2:47]Isso nos leva ao segundo ponto, a ideia de que a culpa é do outro, e essa ideia é ruim, porque quando você acredita que alguém te fez sentir algo, você entrega a sua autonomia emocional.

[3:00]Você passa a viver refém das atitudes dos outros, e a verdade é que não são os eventos em si que determinam as nossas emoções.

[3:10]Não, é a interpretação que nós fazemos desses eventos, a interpretação.

[3:19]Então, a sua interpretação é o que produz a sua emoção. E isso não significa que o comportamento dos outros não tenha um impacto, tem sim.

[3:27]Mas esses comportamentos não colocam a emoção dentro de você, eles apenas ativam algo que já está lá dentro.

[3:33]E como é que isso funciona? Muito simples. As experiências da nossa infância, elas moldam certos padrões emocionais que serão duradouros, que a gente vai levar pela vida.

[3:44]Então, um comentário de rejeição que alguém escuta hoje, ele dói muito mais em alguém que já carrega dentro de si o medo do abandono, entende?

[3:55]Essa pessoa já tem um gatilho dentro dela que vai ser acionado pelo comentário.

[4:00]Por isso, quando você finalmente entende que a sua reação fala mais sobre a sua história do que sobre o outro, aí uma coisa muda, você sai da posição de vítima passiva e passa para a posição de autor da própria transformação.

[4:14]E não basta esperar o tempo passar para essa transformação acontecer como mágica, tá?

[4:20]O tempo por si só, ele não cura coisíssima nenhuma.

[4:24]Várias pesquisas sobre memória emocional, elas mostram que acontecimentos que mexeram muito com as nossas emoções, eles permanecem vivos por décadas.

[4:36]Pois é. E essas lembranças dolorosas não podem ser modificadas, podem, sim.

[4:44]Mas isso exige trabalho e não simplesmente esperar o tempo passar, tá?

[4:48]A American Psychological Association reconhece que experiências traumáticas não elaboradas podem manter um impacto emocional intenso, mesmo após muitos anos.

[5:01]E é por isso que alguém pode lembrar de algo que aconteceu há 20 ou 30 anos e ainda sentir como se fosse ontem.

[5:08]O tempo, ele não reorganiza as nossas vivências passadas sozinho.

[5:13]O que transforma é a elaboração, é refletir, é ressignificar, conversar, escrever.

[5:22]Fazer terapia, confrontar padrões, o crescimento psicológico depois da adversidade.

[5:30]Depende do processamento ativo da experiência e não da mera passagem dos anos.

[5:35]Você não é um espectador da sua própria vida, você é um agente.

[5:39]O tempo só ajuda quando você o utiliza para agir sobre as suas próprias feridas.

[5:44]Por fim, tem a crença de que as emoções nos atrapalham.

[5:48]Muita gente aprendeu que as emoções já leem, são inimigas da racionalidade, que sentir demais é sinal de fraqueza, mas a neurociência já desmontou essa ideia, tá?

[5:58]O neurocientista António Damasio já demonstrou que pessoas com lesões nas áreas cerebrais responsáveis pelas emoções, elas tinham maior dificuldade para tomar decisões, mesmo mantendo a inteligência intacta.

[6:13]Porque sem emoção não existe prioridade, não existe direção.

[6:19]As emoções funcionam como sistemas de orientação.

[6:22]A raiva, por exemplo, ela pode indicar que violaram um limite seu.

[6:27]A tristeza pode sinalizar uma perda e a necessidade de recolhimento.

[6:31]O medo pode te proteger contra riscos reais.

[6:35]A culpa pode apontar que você agiu em desacordo com os seus valores.

[6:40]Veja então que as emoções são construções da mente para dar sentido às experiências e para preparar ações que sejam adaptativas.

[6:50]Elas não são erros do sistema, elas são parte do sistema.

[6:55]Emoções são como mensagens.

[6:58]Algumas vêm escritas em letras suaves, outras chegam gritando, mas todas elas trazem informação.

[7:06]E quando você aprende a escutá-las sem ser dominado por elas, uma coisa poderosa acontece.

[7:12]Você começa a agir com mais consciência.

[7:15]Então, talvez você tenha passado anos acreditando que precisava se calar por dentro, que precisava esperar o tempo passar, que precisava culpar alguém, que precisava ser racional e não sentir.

[7:27]São ideias que nos tornam infelizes.

[7:30]E jogar fora essas ideias começa com um ato simples e corajoso, o ato de questionar aquilo que você sempre tomou como verdade.

[7:40]E a boa notícia é que isso não depende do passado, depende do que você escolhe fazer a partir de agora, de agora.

[7:50]E jogar fora as ideias que te fazem infeliz não precisa ser um gesto dramático, pode ser um processo silencioso, diário, de observar pensamentos, de questionar crenças e de escolher respostas mais maduras.

[8:06]Um processo que começa aqui, quando você decide não acreditar em tudo o que aprendeu sem antes examinar.

[8:14]E começa quando você entende que sentir não é fraqueza, é humanidade, tá bom?

[8:18]Um beijo no teu coração e a gente se vê no próximo episódio, valeu.

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