[0:04]Olá, bom, hoje então a gente vai conversar um pouquinho sobre o incrível o caso dos exploradores de caverna de Lon L Fuller. E antes de começar a conversar com vocês sobre esse livrinho espetacular, tenho alguns recados para dar para vocês. O primeiro deles é que está rolando aqui no canal o sorteio de aniversário do TLT, então não deixe de dar uma olhadinha aqui no vídeo que eu vou deixar no card. O formulário para vocês participarem desse sorteio está lá naquele vídeo, e peço também que você já deixe aí o seu joinha, certo? Vamos lá então. Como eu li a minha edição no Kindle, eu vou deixar a capinha do livro aqui do lado, certo? Essa edição que estou sugerindo para vocês, traz uma apresentação muito boa, mas muito boa mesmo, escrita pelo Célio Egídio. Só que é o seguinte, gente, eu sugiro fortemente que você leia essa apresentação depois do término da sua leitura, porque ela vai te dar uns spoilerzinhos. Sem contar que o livro é super curtinho, gente, essa minha edição aqui tem menos de 80 páginas. Mas então, o Lon L Fuller era na verdade um filósofo do Direito e ele também lecionava na Faculdade de Direito de Harvard. Ele faleceu em 1978 e esse livro aqui, gente, é o seguinte, ele na verdade foi publicado pela primeira vez como um artigo numa revista interna ali de Harvard mesmo, propondo um problema moral a ser discutido em sala de aula também. E aí o que acontece é que isso fez tanto sucesso, isso passou a ser usado em tantas turmas, enfim, até hoje em dia, aqui no Brasil, inclusive, esse aqui costuma ser um livrinho pedido no primeiro semestre do curso de Direito. Mas sinceramente, esse aqui deveria ser um livro proposto em qualquer curso, sinceramente. Todo mundo devia ler esse livro. Mas vamos lá então, do que se trata o caso dos exploradores de caverna? Bem, como o próprio título diz, a gente vai acompanhar aqui nesse livro o caso desses exploradores de caverna, que faziam parte de um grupo que não era exatamente profissional, eles faziam aquilo ali por hobby, mas enfim. Eles combinaram então esses cinco homens, combinaram então de participar dessa expedição rumo a uma caverna X e avisaram todo mundo, deixaram a família avisada, a associação dos exploradores de caverna, enfim, todo mundo sabia para onde é que eles estavam indo, certo? É importante frisar também que este aqui é um caso fictício, né? Apesar do autor do livro ter se baseado em casos conhecidos do século XIX. Foram casos ali de embarcações naufragadas e sobreviventes que ficaram em barcos, enfim, precisaram dar um jeito ali para sobreviver enquanto o resgate não vinha. Então, você já vai usando aí sua imaginação para saber o que é que vai acontecer com essas pessoas, mas então, o Füller vai colocar então esses personagens no ano de 4300, que é para não ter dúvida de que isso aqui é uma situação hipotética. No iniciozinho do texto, o autor vai dizer também que essa história se passa depois de uma hecatombe mundial aí, enfim, Grandes desastres aconteceram, a humanidade prevaleceu, enfim, você tem ali uma nova era, digamos assim, e essa história se passa então num período bem posterior a isso, numa cidade chamada, aliás, um distrito, né, chamado de Newgarth. Se a gente for traduzir esse nome, a gente vai ter algo como um novo jardim. Então este é o contexto em que essa história vai se passar, certo? O que acontece é o seguinte, um deslizamento, enquanto esses cinco exploradores estão dentro da caverna. E aí, por conta desse deslizamento, eles acabam ficando presos nessa caverna, porque pedras gigantescas acabam caindo ali na entrada, é a única passagem, aliás, né, para essa caverna. E depois de alguns dias, né, os familiares começam a se preocupar bastante com o paradeiro, né, destes homens e, como eu tinha dito para vocês, todo mundo sabia exatamente onde é que eles estavam, então grupos de resgate começam a chegar ao local. E aí o que é que vai acontecer? O local, por conta daquele deslizamento e tudo, tá muito difícil de ser alcançado. Mas o grupo de resgate não desiste. Então você tem diversos impedimentos ali, você tem novos deslizamentos acontecendo, inclusive, durante um desses novos deslizamentos, 10 pessoas que estão trabalhando ali no resgate vão perecer. Isso é só para você ter uma ideia da dificuldade em que esses exploradores de caverna se enfiaram. Mas então, mesmo assim os trabalhos de resgate continuam e ali no 20o dia, né, depois do primeiro deslizamento, fica-se sabendo que os exploradores de caverna têm, na verdade, um rádio transmissor, um aparelhinho através do qual eles conseguem, então, se comunicar com as pessoas lá de fora. Então, um rapaz chamado Roger Wetmore, vai pedir para falar ali com os organizadores ali do resgate e vai perguntar para eles, então, quantos dias eles acham que ainda vão precisar para resgatá-los. E aí a pessoa faz uma estimativa, vai dizer assim para ele, olha, daqui a uns 10 dias, acho que a gente consegue então resgatar vocês aí. E aí a próxima pergunta que ele vai fazer é o seguinte, vocês acham que a gente consegue sobreviver por mais 10 dias? Ele vai dizer ali o que resta ainda das provisões que eles levaram para aquela viagem. Então, tem super pouco alimento, água, enfim, eles já estão lá há 20 dias, tem que se lembrar disso, hein? E o médico responde então que provavelmente eles não vão conseguir sobreviver por 10 dias ali dentro naquelas condições. Aí nós temos uma pausa nas comunicações. O Wetmore volta dali a pouco e vai perguntar o seguinte, olha, e se a gente se alimentar da carne de um de nós aqui dentro? É possível que a gente sobreviva por mais 10 dias? E aí o médico, muito a contragosto, vai dizer que sim. Aí a história continua, olha só, o Wetmore em seguida pergunta se seria aconselhável que eles tirassem a sorte para determinar qual deles deveria ser consumido. Nenhum dos médicos presentes estava disposto a responder a pergunta. Em seguida perguntou se havia, entre os membros da equipe de resgate, um juiz ou outro funcionário do governo que pudesse responder a essa questão. Ninguém no acampamento quis assumir o papel de orientador neste problema. Ele, então, perguntou se algum pastor ou padre poderia responder e não se encontrou nenhum que o fizesse. Então, assim, ele tentou pedir ajuda para as pessoas ali de fora. É uma situação extraordinária, ninguém sabe o que fazer, nem eles lá dentro, nem as pessoas de fora, então, assim, os exploradores tinham que decidir aquilo sozinhos. E aí o que acontece é o seguinte, o Wetmore tinha nos bolsos da calça um par de dados, e aí eles resolvem fazer ali um sorteio para saber quem seria então consumido pelos amigos. Só que enquanto eles estão se organizando para fazer esse sorteio, o Wetmore muda de ideia. Ele não quer mais que aquilo aconteça, ele não quer mais fazer parte daquele sorteio, enfim. Só lembrando que a ideia tinha sido dele. E aí o que acontece é o seguinte, os demais vão dizer, olha só, a ideia foi sua, é a única coisa que a gente pode fazer aqui dentro, enfim, vai ter que ser assim mesmo. E se você não quiser jogar os dados, a gente vai jogar por você. E é isso que vai acontecer então. Eles jogam os dados, um deles vai jogar os dados também pelo Wetmore e quem é que vai ser o sorteado? Ele mesmo, o Wetmore. Só que veja só você o que é que vai acontecer, olha só, quando os homens aprisionados foram finalmente libertados, soube-se que no 23o dia depois de sua entrada na caverna, o Wetmore havia sido morto e consumido por seus companheiros. A gente não sabe exatamente quantos dias, né, depois daquela conversa, o grupo de resgate levou para conseguir liberá-los dali, mas assim, a impressão que dá é que foi realmente muito rápido. Então, nesse ponto da leitura, o leitor fica se perguntando, tá, mas e se, e se eles tivessem esperado um pouco mais? Será que eles não teriam sido todos resgatados com vida? Enfim, eles foram resgatados, só lembrando que 10 funcionários ali do grupo de resgate morreram tentando resgatá-los. Eles mataram então esse amigo para poder consumí-lo, né, consumir sua carne, e agora que eles estão fora da caverna, eles estão sendo julgados por assassinato, veja só você. E em primeira instância é decidido que eles vão, então, pagar com a própria vida. Mesmo porque lá em Newgarth existe a seguinte lei, olha só, quem quer que voluntariamente tire a vida de outro será punido com a morte. Então você tem esses quatro amigos numa situação extraordinária, matando um quinto amigo para se alimentar da carne dele. E aí, eles devem ser mortos ou não? A partir daí, o livro traz para a gente um julgamento em segunda instância e a gente vai acompanhando a opinião de todo o colegiado, né, composto por cinco juízes. Cada um deles vai dar ali seu parecer sobre o caso e tudo mais, e eu não vou contar para vocês o final da história. Mas a questão é a seguinte, como resolver um caso desse, né? Porque veja bem, é uma situação extraordinária, esses homens passaram 20 dias confinados dentro ali daquela caverna soterrada. Quando eles finalmente conseguem pedir ajuda, né, eles vão se aconselhar com as pessoas que estão lá de fora. E o médico responsável ali pelo resgate, diz para eles que se eles consumirem a carne de um deles, é possível que eles sobrevivam por mais 10 dias. Então, assim, como é que a gente sai dessa situação? Então, veja bem, a gente pode pensar aí em diversas, como é que eu vou dizer, discussões éticas aí. Se a gente pensar na ética cristã, é lógico que ninguém vai matar o próximo para se alimentar dele. Mas se a gente considerar que eles estavam ali num estado de natureza, de repente, então, as leis de fora já não valem mais, enfim. Se existe uma possibilidade de sobrevivência, é isso que eles precisam fazer, é uma coisa muito complicada. Porque a gente pode até pensar que uma situação em que canibalismo é a única solução, isso é uma situação impensável, você jamais colocaria nessa situação e tudo mais. Mas e aí, se você estiver dentro daquela caverna e essa for a única saída, será que você não vai cogitar essa ideia? Conforme o julgamento em segunda instância vai rolando, a gente vai acompanhando ali alguns outros detalhes. Então a gente vai descobrir, por exemplo, que todos eles tinham família, tinham filhos, então, além da questão da sobrevivência própria, você ainda tem um agravante, né, de precisar prover para a família que está lá fora. Ao mesmo tempo que a gente pode pensar assim, poxa, mas não era nem um trabalho deles, né, aquilo ali era um hobby, o que que eles foram fazer no meio de uma, bom, enfim. É uma situação muito difícil, inclusive um dos juízes vai se abster, ele não vai votar. Coisa que, aliás, não é possível, né, no nosso sistema, né? Todos os juízes precisam votar de alguma forma ali. Mas lá em Newgarth em 4300 depois de Cristo, esse cara vai simplesmente dizer, olha só, eu jogo minha toalha, não sei o que fazer, votem aí vocês. Então, sei lá, a gente, no fim das contas, eu acho que eu morreria de fome mesmo, eu não teria coragem, né, se o restante do grupo decidisse fazer ali o sorteio, né, façam o sorteio, faça o que vocês quiserem, mas não tenho nada a ver com isso. Não sei, eu esperaria o resgate, mesmo porque eu não tenho certeza, né, a gente não tem essa, esse dado aqui no livro do Füller, né, a respeito de como é que era a temperatura ali dentro daquela caverna. Então, você mata aquele amigo para se alimentar dele, OK, maravilha, né? Você tem quilos e quilos de carne ali, só que você vai ter que consumir aquilo ali com uma certa rapidez, não é mesmo? Acho que no dia seguinte você já não pode mais voltar ali, comer mais um pedacinho. Então, seria uma solução momentânea, né? Mesmo porque o resgate lá, o doutor responsável pelo resgate, vai dizer ali para eles que, olha, pode ser que em até 10 dias a gente resgate vocês aí, ou pode ser que não. E aí, eles vão continuar matando os demais, né, até serem resgatados. Olha, é uma situação tenebrosa. Então, assim, eu provavelmente morreria de fome, me digam aí nos comentários o que que vocês fariam nessa situação. Recomendo fortemente essa leitura a todos vocês, então, não importa a área em que vocês atuem. Ah, mas esse é um livro indicado para turmas de Direito, enfim, é pro primeiro semestre, então o juridiques aqui tá bem light. Isso aqui traz discussões infinitas, gente, para vocês terem uma ideia, eu li esse livro antes do carnaval e eu ainda estou pensando nessa história. Acabei relendo antes de fazer esse vídeo e já percebi alguns outros detalhes que eu não tinha percebido na primeira leitura. Então, sim, este é um livro para ler e reler e pensar e passar adiante também. Então espero realmente que vocês leiam esse livro, é muito curtinho, gente, depois vocês voltem aqui, me deem a opinião de vocês, certo? Então é isso, não deixe de compartilhar o vídeo. Vejo vocês nos próximos vídeos do canal, um beijo grande e até mais.

O caso dos exploradores de cavernas (Lon L. Fuller) | Tatiana Feltrin
tatianagfeltrin
13m 25s2,284 words~12 min read
AI audio transcription
Transcript source
AI audio transcription
This transcript was generated from the video's audio because no usable YouTube caption track was available. The transcript below is server-rendered so it can be read, searched, cited, and shared without opening the original YouTube player.
Pull quotes
[0:04]Olá, bom, hoje então a gente vai conversar um pouquinho sobre o incrível o caso dos exploradores de caverna de Lon L Fuller.
[0:04]E antes de começar a conversar com vocês sobre esse livrinho espetacular, tenho alguns recados para dar para vocês.
[0:04]O primeiro deles é que está rolando aqui no canal o sorteio de aniversário do TLT, então não deixe de dar uma olhadinha aqui no vídeo que eu vou deixar no card.
[0:04]O formulário para vocês participarem desse sorteio está lá naquele vídeo, e peço também que você já deixe aí o seu joinha, certo?
Use this transcript
Related transcript hubs
Watch on YouTube
Share
MORE TRANSCRIPTS


