[0:04]Imagina nascer e ser criado longe de todo e qualquer sofrimento, onde só as pessoas jovens, saudáveis e felizes existem, cercado por amor, dança, poesia, música, beleza e prazer, ao ponto de sequer saber que existe morte, envelhecimento ou qualquer sinal de degeneração humana.
[0:22]Assim foi o começo da história de Sidarta Gautama, que mais tarde se tornaria O Buda. Quando recém-nascido, por volta do século VI a.C., foi profetizado que Gautama se tornaria ou o maior imperador que o mundo já viu, ou um grande líder espiritual. Seu pai, sendo um rei poderosíssimo, decidiu que faria de tudo para que ele se tornasse imperador, e então criou seu filho preso dentro do palácio neste mundo artificialmente perfeito. Aos 29 anos, Gautama pediu ao seu pai para ir a um passeio fora do palácio, afinal, ele tinha que conhecer o mundo que iria governar. O rei resistiu, mas aceitou, só que antes fez o possível para limpar as ruas de todos os males e só deixar as belezas do mundo. Mesmo assim, um idoso apareceu no caminho de Gautama, que perguntou ao seu servo o que era aquilo. O servo respondeu: É um homem que, como todos nós, nasceu um bebê, virou uma criança, um jovem, um adulto e, agora, finalmente, um idoso. Gautama ficou completamente chocado. No segundo passeio, ele viu um homem doente, e no terceiro, um homem morto. Tocado pelo sofrimento do mundo, logo ele entendeu que aquilo era algo comum e todos estavam sujeitos a isso, inclusive ele próprio. No quarto passeio, ele encontrou um viajante que havia abdicado de todos os bens materiais, em busca da iluminação espiritual em meio ao sofrimento. Inquieto com tudo que havia descoberto, Gautama decidiu deixar o palácio de uma vez por todas, enfrentar o sofrimento e aquietar a sua crescente ansiedade. Ele encontrou outros homens em busca de iluminação e se juntou a eles, abdicando completamente dos prazeres e confortos da vida física, chegando ao extremismo de comer apenas o que caía das árvores em seu colo por 6 anos. E isso obviamente não deu muito certo, e ele quase morreu de desnutrição. Gautama percebeu que assim como o prazer extremo não trazia conforto ao sofrimento, também a privação extrema não o trazia. Isso mais tarde viria a constituir o que é conhecido no budismo como o caminho do meio. Então, ele aceitou comida de uma jovem que achou que ele era um espírito que lhe realizaria um desejo, tamanha era sua magreza e palidez. Os seus companheiros na busca pela iluminação, ao verem Gautama aceitando a comida, o abandonaram por considerarem que ele havia desistido da jornada. Então, ele se levantou e perambulou, parando mais tarde em uma árvore sob a qual ele decidiu que se sentaria e meditaria até encontrar a verdade que procurava. Depois de 49 dias de meditação e com 35 anos de idade, Gautama alcançou o mais alto nível de iluminação, o Nirvana, tornando-se, então, Buda, ou aquele que despertou. Logo após atingir o Nirvana, o primeiro ensinamento de Buda foi o ensinamento das Quatro Nobres Verdades. 1. A verdade sobre o sofrimento: A vida é Dukha. Muitas vezes, isso é traduzido como: A vida é sofrimento, mas Dukha não tem uma tradução exata. Pode significar desde uma mera insatisfação até o sofrimento mais profundo. Tudo no mundo é impermanente, por isso, dentro da experiência de felicidade, existe a causa de uma experiência de insatisfação. Sofremos porque não temos algo. Quando conseguimos algo, sofremos por medo de perder. Assim, sempre vai existir algum nível de insatisfação na forma como levamos a vida. 2. A verdade sobre a origem do sofrimento: O sofrimento é causado pelo desejo. Como tudo é impermanente, o desejo nunca é satisfeito, pois muda assim que alcançado. 3. A verdade sobre o fim do sofrimento: O que causa o sofrimento não é o fato de não alcançarmos o objeto de desejo, seja fama, status, sexo, dinheiro, etc., mas sim, o desejo em si. É o nosso apego ao resultado, ao que é externo que nos faz sofrer. O sofrimento acaba quando nos libertamos do desejo, e não quando o conquistamos. Mesmo assim, desapego não significa que você não deve ter nada, mas que nada deve ter você. 4. A verdade do caminho para a cessação do sofrimento: Esse é o caminho do meio que vimos antes, que foge dos extremos do prazer e da privação e se baseia na harmonia e moderação. É por aí que podemos acabar com o sofrimento. Ele é dividido em oito partes, conhecido como o Nobre Caminho Óctuplo. 1. Compreensão correta: Enxergar a realidade como ela é, não como queríamos que fosse. Tudo no mundo é impermanente. 2. Pensamento correto: Fazer as coisas pelo motivo certo, não por raiva ou inveja, causando mais sofrimento, mas por amor e compaixão, aliviando o sofrimento. 3. Fala correta: Usar as palavras para o bem, falar a verdade. 4. Ação correta: Agir de forma não agressiva, não causar o mal. 5. Meio de vida correto: Ganhar a vida de forma ética, não ter uma carreira que cause mal aos outros ou a si próprio. 6. Esforço correto: Sempre se esforçar para melhorar com a atitude correta positiva. 7. Atenção correta: Estar presente no momento, não em algo que aconteceu semana passada ou no que pode acontecer semana que vem. 8. Concentração correta: Conseguir prestar atenção em uma coisa de cada vez através do controle do corpo e da mente, o que por fim vai nos ajudar a ver as coisas como realmente são. Parando para pensar, notamos que a história de Buda é, de certo modo, um arquétipo das nossas próprias histórias. Também nascemos num mundo cheio de sofrimento e nossos pais fazem o que podem para nos proteger, para que soframos o mínimo possível, para que não tenhamos contato com as duras realidades do mundo. Em alguns casos, isso toma proporções patológicas, especialmente nas gerações mais recentes, como uma super proteção que acaba deixando os filhos desamparados e ansiosos perante as dificuldades que em algum momento inevitavelmente surgiriam no caminho. Procuramos formas de suportar e enfrentar o sofrimento desde que temos a capacidade de refletir, e se acreditarmos piamente no budismo, já temos a resposta há muito tempo. Entretanto, não é necessário uma abordagem que veja o budismo como o fim de todos os males, mas sim, como uma ferramenta poderosíssima no arsenal da vida. Segundo a tradição budista, Buda não foi um mago, não era filho de Deus, nem o próprio Deus. Buda é simplesmente aquele que despertou. Existiram e existirão vários Budas, e se despirmos o conto dos aspectos místicos, veremos que, de certa forma, em certo nível, qualquer um pode se tornar Buda. Qualquer um pode despertar, qualquer um pode viver uma vida mais leve e livre da maior parte do sofrimento. Precisamos só entender que o budismo não é uma atividade meramente intelectual, mas requer prática e aperfeiçoamento constante. O caminho óctuplo foca bastante na compaixão para com o mundo ao redor. Não causar sofrimento é tão difícil como não sofrer, justamente porque não causar sofrimento é essencial para não sofrer. Mesmo deixando de lado todos os dogmas, ainda assim, a ética, a meditação e viver o momento presente parecem essenciais, se não emergenciais para aliviar o sofrimento da ansiedade, depressão e falta de propósito que vivemos hoje em dia. Ninguém nos salva a não ser nós mesmos, ninguém pode e ninguém vai. Nós mesmos devemos percorrer o caminho. Buda. Muito obrigado por assistir. Se você gosta do meu trabalho, eu peço que considere retribuir pelo meu apoia-se para me ajudar a continuar produzindo conteúdos dessa densidade. E se você gostou do vídeo, deixe o like, compartilhe, se inscreve no canal e ative o sininho para receber notificação a cada vídeo novo. Ainda vem muito pela frente.



