Thumbnail for Índios do XINGU, tradição e cultura. by RODRIGO LEITAO

Índios do XINGU, tradição e cultura.

RODRIGO LEITAO

13m 7s1,599 words~8 min read
YouTube auto captions
Transcript source

YouTube auto captions

This transcript was extracted from YouTube's auto-generated caption track. The transcript below is server-rendered so it can be read, searched, cited, and shared without opening the original YouTube player.

Timestamped outline
Pull quotes
[0:08]Hoje a gente vai ter um dia de índio, para conhecer literalmente o sentido desta frase.
[0:08]Todos os anos, alguns índios do Xingu, da etnia Kuikuru, passam as férias em Juquitiba, interior de São Paulo, para ensinar ao homem branco alguns princípios que estão sendo adormecidos pela natureza humana.
[0:51]Muito diferente, a língua diferente, eh, nosso lá no Xingu, 14 etnias, dança igual, só que a língua diferente.
[0:51]E um, Aruaque, Tupi, G a gente não, não consegue escutar a palavra que eles falam.
Use this transcript
Related transcript hubs

[0:08]Hoje a gente vai ter um dia de índio, para conhecer literalmente o sentido desta frase. Todos os anos, alguns índios do Xingu, da etnia Kuikuru, passam as férias em Juquitiba, interior de São Paulo, para ensinar ao homem branco alguns princípios que estão sendo adormecidos pela natureza humana.

[0:51]Eu vou falar, aqui, geral, aqui no Brasil, vários tipos de etnia de índio. Só que, cultura dele, cada cultura diferente. Muito diferente, a língua diferente, eh, nosso lá no Xingu, 14 etnias, dança igual, só que a língua diferente. Alimentação igual, só que a língua é diferente. Então, lá no Xingu. Imagina, aqui no Guarani, lá no sul, Amazonas, Roraima. Vários nossos parentes, eu não entendi na língua deles. Só dança, dança dele é diferente também. Brasil tem muito de, tem muito, tem muito. Muito, muito, muito, muito. Muito, Brasil tem muito isso. E lá vocês falam o quê? Ah, a gente fala a língua. Que língua? Que é Karibe. Karibe? Karibe, é, Karibe é uma língua. Tem quatro línguas diferentes: a, G, Karibe, Tupi, Aruaque. E um, Aruaque, Tupi, G a gente não, não consegue escutar a palavra que eles falam. Só a gente se fala na língua mesmo, em Karibe. Desde pequeno a gente aprende com a mãe, a mãe, com o pai e com o irmão. Vai crescendo assim. É difícil aprender Português? É muito, para aprender de português é muito difícil. Por quê? Porque há muita fala em português que a gente não, não consegue entender. E, eu acho, como você, quando você tá pequeno, você vai na escola para aprender, escrever, falar. Mesma coisa, nosso criança pequena, ele é aprende com a gente. Quando a gente faz festa, dança, pequenininho dança, aprendendo até chegar adulto, já ele sabe para dançar. Ele sabe para caçar, ele sabe para andar no rio, ele sabe para entrar no mato. Ele sabe tudo, ele aprende com a gente, com o pai, vovô, mãe, tudo isso.

[3:18]Pessoas que vem para cá, vem com aquela visão de que índio é canibal. Índio só fala índio, só pensa em arco e flecha, é a questão do lu, lu, lu, do barulho tradicional que eles fazem, né? Na verdade, índio brasileiro não faz esse, quem faz são os índios americanos. Se você fizer esse gesto com o índio brasileiro, vai ser como se fosse uma ofensa para eles. Você está falando um monte de coisas feias para eles, né? Então, interessante de virem visitar é perceber que existe essas, essas diferenças, né? O índio brasileiro é um índio com bastante conhecimento do nosso mundo. Então, eles sabem conversar, eles entram no nosso mundo e não tem nada de canibal. E também imitam bastante. É, a gente imita animais também. Ah, é? Aham. E por que? Ah, porque a gente acha aqui muito bom imitar os animais também, aí a gente fica imitando animais. Um fala, brincando com isso. A gente vai brincando com os amigos, a gente vai imitando os animais. Por exemplo, dá um exemplo. Dá uma, um pássaro, uh, uh, uh, uh, uh, uh. Aí tem que ter o outro para responder também, aí fica mais legal. E o outro tem que fazer o quê? A, o mesmo, o mesmo som. Tipo. Uh, uh, uh, uh, uh, uh, uh, aí, uh, uh. Aí o outro tem que responder a mesma coisa. Hum, hum, hum, hum, hum, hum. Ha, ha. Isso é o quê? É onça. Isso é onça? Aham.

[5:27]Eu não estou entendendo. Eu não estou entendendo nada. Não entendi as mulheres começaram a bater nos homens, não sei por que. E aí, olha, elas estão correndo atrás dos homens para bater neles, olha.

[5:43]Eu não sei por que. E eles continuam aqui, ó.

[5:51]E o negócio é forte, viu? Ela está batendo para valer.

[6:00]Derrubou ele, olha.

[6:06]Quem disse que mulher é sexo frágil? Aqui a índia derrubou o índio aqui, ó. O que que aconteceu? Aqui, na verdade, é uma brincadeira que existe entre eles e que os homens acabam xingando as mulheres e as mulheres para revidar acabam batendo neles, né? Lógico que tem umas regras, eh, mas a força deles eles não conseguem segurar. Então, é pancada mesmo, mas para eles não tem problema algum que eles já estão acostumado com isso. Eu vi que ela derrubou ele ali. Derruba e bate até mais forte. Eles saem todos machucados. Aqui a gente usou folhas de palmeira, que eles sugeriram para a gente. Lá na aldeia eles usam panelas quentes com um pequi sendo apurado para jogar nos homens, areia, enfim, uma série de coisas que para ele é normal. Saiu de lá, agora todo mundo vive pacificamente. É uma brincadeira. É uma brincadeira deles. Vai ter de novo ali, ó. Eles vão sair, vai ter de novo.

[7:01]Mulheres batem para valer mesmo. Ah, é? Não tem, não tem esse boi que teve aqui, não. Elas são mais bravas? Bravas, elas são bravas, elas jogam água quente, da gente, põe a pimenta também. E você continua fazendo? A gente, a gente continua fazendo isso, a gente não tem medo. É assim. É uma brincadeira, então. É uma brincadeira.

[7:29]Agora eu estou cansado, as mulheres são muito fortes, né? Cancei agora. Cansou, você cansou.

[7:38]Eu vi que você apanhou ali, né, hoje. Rapaz, apanhei, e apanhei bastante, viu? Tomei umas cipoadas, tomei umas unhadas, umas chineladas, areia, mas isso é tudo brincadeira sadia, não é nada violento, não é, não é uma agressão, entendeu? Que que o homem está perdendo? O homem está perdendo o respeito, eu, eu creio que, que, é a única palavra que, que resume, que nem o Pitty até falou ali embaixo, porque é, esse respeito até com, com o próximo e com o meio ambiente também, né, com a natureza. Se ele perder? Se ele perder, a gente pode acabar perdendo também muito, né? Porque sem a natureza a gente não, não respira, não vive, não come, entendeu? Não, não bebe água, não, não tem alimento, né? E é isso que, que eu acho que perde, porque o que a gente aprende aqui com eles é justamente isso, sabe? Que é, eles não tem esse apego material, como a gente tem, com roupa, camiseta, eh, celular, eh, MP3, iPod, iPad, tudo, entendeu? A gente não, não tem esse apego, eh, quer dizer, eles não tem esse apego, entendeu? Porque se, mesmo eles tendo isso daí, eh, não é, se, se quebrar, se não tiver, entendeu, não vai fazer importância para eles, porque eles vão continuar vivendo, vão continuar, eh, a vida deles normal, vão continuar pescando, caçando, do mesmo jeito como antes. Se a gente não acabar com eles. Se a gente não acabar com eles.

[9:06]Eu, eu mesmo, lá no Xingu, nosso preocupa bastante, e, está acabando a natureza de lá. Não é de, época de nosso vovô, meu pai, aquele lá no Xingu. Já está tudo, era assim, mato, muito animal, hoje, fazendeiro derrubaram tudo, tudo, tudo, quase está acabando o Xingu. Fazendeiro? Fazendeiro. Então, isso que eu preocupa bastante. Tem muito para aprender, aprender com os índios, a respeitar a natureza, respeitar o rio. Porque o rio é muito importante para a gente, você acabou águas no mundo, não vai se existir, vai ter, vai sentir muita falta. Aí para a gente, para respeito, para os, para a gente ensinar os brancos, eu acho que respeita o pouco da natureza. Porque lá no Xingu, só, só existe só o Xingu mesmo. Por volta, só tem um fazenda, não, não tem mais mato. Fazenda de gado, né? Fazenda de gado, sojas, tá? Lá, você vê, parece um deserto lá, não tem mais mato.

[10:30]Nossa preocupação, vai acabar, aquele rio que eu falei, a natureza vai acabar. Onde que a gente vai viver? Então, eu vou falar, assim, vocês de branco, eu vi, aqui na cidade, debaixo de ponte. Homem não tem casa, não tem para beber água, não tem para comer. Nosso índio, de lá no, no mato, a gente vive no mato, água, caça, para pescar, para viver. Assim que a gente vai, eu estou lutando. Tiver acabar, como é que a gente vai, onde que a gente vai, onde que a gente vai viver? Vai, vai morrer, tá? Vai morrer. Então, isso, meu, meu luta para isso, para povo de lá no Xinguano, tá? Eu estou preocupado, onde que a gente vai viver? Onde que meu neto vai viver? Assim que meu preocupação, tá?

[11:38]E para finalizar, a gente vai comer o beiju com peixe, né? Peixe com beiju? É, peixe, peixe com beiju. Peixe com beiju.

[12:02]Muito bom. Muito bom. Ó, o pessoal aqui, ó.

[12:07]Não, não. Eles vão pegando aqui um pedacinho, ó.

[12:15]Deixa eu pegar um pedaço aqui também, ó. Vai pegar um pedacinho? Pega aí. Ele vai pegar para mim, senão não vai sobrar, olha aí, ó. E faz um sanduíche, é quase um sanduíche. É, quase. Beiju com peixe. Beiju com peixe. E aí, qual o tempero do peixe? Ah, não tem tempero, a gente tem um, a gente tem um sal próprio. O sal próprio de vocês e aí pronto, já come isso com. Esse geralmente que vocês comem na, na aldeia? Na aldeia, a gente come isso. Ah, quase todo dia, não? Quase todo dia. Vamos experimentar.

[12:46]É puro, o beiju com peixe. É muito gostoso, é natural, né? Ah, gostoso, né? A casquinha fica boa, a casquinha do peixe fica gostosa. Já parece quase um tempero, sabe? Porque ela fica queimadinha. E aí ela fica aquele gostoso de crocante. É boa.

Need another transcript?

Paste any YouTube URL to get a clean transcript in seconds.

Get a Transcript