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Tudo sobre: SCHUMANN

Franz Ventura

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[0:00]Bom dia! Hoje teremos história da música. E você vai conhecer a biografia de um dos maiores compositores românticos de todos os tempos. Esse compositor estava no ápice do romantismo, compôs quase 300 obras e ele poderia ter sido um dos maiores pianistas da história, mas uma grande tragédia destruiu seu sonho, destruiu sua vida. Muita loucura, muita genialidade, a seguir, no tudo sobre Robert Schumann.

[0:28]E aí, já conferiu a playlist de tudo sobre? Quem sabe o seu compositor favorito já apareceu por aqui? Então não deixe de conferir, dá um like nesse vídeo, se inscreva e vamos lá. Compositor alemão, nascido no dia 8 de junho de 1810 e falecido no dia 29 de julho de 1856. Schumann nasceu em Zwickau, na Alemanha. Ele era o filho caçula de Johanna Christiane e August Schumann. E desde pequenininho o Robert Schumann teve aulas de música em casa. E quando ele tinha 5 anos de idade, começou a compor suas primeiras músicas no piano, olha que prodígio. Embora ele recebesse bastante educação musical, seu passatempo favorito era ler livros de literatura e outros livros que o pai dele tinha na biblioteca da casa dele. Era um menino muito inteligente, muito culto, muito intelectual. E ao completar 8 aninhos de idade, ele começou a estudar formalmente piano com um professor de uma escola de música local. E imediatamente se apaixonou pelo universo da música clássica. E a sua vez de compositor também estava a flor da pele, porque ele já estava compondo sem ajuda nenhuma. O professor não ensinou nada sobre composição. Compunha tudo sozinho autodidata. Mesmo desconsiderando todos os princípios básicos de teoria musical, formas de composição. E ele já estava criando obras consideráveis, deixando o professor dele chocado. Já com 14 anos de idade, pré-adolescente ele começou a frequentar as melhores salas, os melhores concertos e ficou cada vez mais apaixonado por música clássica, conhecendo os maiores compositores como Beethoven, por exemplo, que passou a ser o compositor favorito de Schumann. Os compositores favoritos de Schumann na época eram Beethoven, Schubert e Mendelssohn. E claramente esses compositores influenciaram muito no estilo de composição no futuro de Schumann. E, infelizmente, ao completar 16 anos, o seu pai veio a falecer, que deixou ele muito triste, porque o pai era o único que estimulava e apoiava o filho nessa questão musical, porque a mãe era contra. Ela falava que música não dá futuro e falou: Meu bem, agora que seu pai morreu, você vai esquecer essas coisas de músicas, de pianos, de composições, você vai estudar direito. Que você tenha futuro, que música não dá mais futuro hoje em dia, hoje estamos em outra época, para de pensar em composição. E sob muita pressão da família, foi o que aconteceu. Ele se mudou para Leipzig para estudar Direito e ficou lá meio cabisbaixo, porque ele queria, na verdade, era seguir carreira musical. Mas isso não abalou o jovem Robert Schumann, porque ele arranjava tempo para estudar piano e estudar composição por conta própria. Conseguindo assim, evoluir muito como pianista e como compositor. Até que um dia ele teve um encontro com um professor que mudou sua vida para sempre, o Friedrich Wieck. Que prometeu a Schumann o seguinte: se você se esforçar e estudar comigo alguns anos, eu te torno o maior pianista que essa Europa já viu. E o jovem Robert Schumann ficou super entusiasmado, porque tudo o que ele queria era seguir música. Mas ele ainda tinha dúvidas, caso essa pressão da família. Então, em meados de 1830, o jovem Schumann viaja para Frankfurt, na Alemanha, para espairecer a cabeça e decidir sua vida. E lá ele decide ir para um concerto, um recital super especial, onde ninguém mais e ninguém menos estaria solando fodasticamente. Quem estava lá Franz Paganini. Ao ouvir Paganini, Schumann ficou extasiado. Falou: Meu Deus, é isso que eu quero para minha vida. Eu tenho certeza que é isso, olha isso, porque, né, imagina se eu ouvi Paganini. E foi assim que ele tomou a decisão. Eu quero ser um concertista, um solista. Daí ele decidiu escrever uma carta para a mãe dele tentando convencer ela, que: Mãe, por favor, deixa eu seguir minha vida musical. Eu vi Paganini e agora eu conheci um professor muito bom, ele vai me transformar no maior pianista. Deixa, deixa. E parece que essa carta foi muito convincente, porque a mãe dele deixou, e ele passou a focar 100% no piano com esse professor Friedrich Wieck. E a partir daí, começa a grande jornada de Schumann para se tornar um dos maiores concertistas de piano da Europa, ao lado desse grande professor, é claro. Mas eu vou contar uma coisa para vocês. Schumann não se conformava com algumas técnicas pianísticas que ele estava aprendendo. E vendo ali que o corpo humano tem algumas limitações. Como assim, Franz? Nossas mãos humanas contém dedos que são mais fortes do que os outros, mais precisos, mais pesados e pequenininhos e muito ruins para pianista, como esse aqui que a gente chama de quarto dedo, olha só como ele é estranho. Piano a gente conta assim: 1, dedo 1, dedo 2, dedo 3, dedo 4, dedo 5. E acontece que Schumann ficou muito revoltado com o dedo quarto, assim como todos nós pianistas, porque o dedo quarto, ele é um pouquinho, vamos dizer assim, é, difícil de dominar, lerdo e não tem independência. Ele é literalmente ligado com outro dedo, então se você mexe ele, mexe outro, é super estranho. E ele queria mudar isso de alguma maneira, ele falou: Mano, eu preciso criar a independência do meu quarto dedo, assim eu vou ultrapassar os outros pianistas e me tornar o maior pianista. E foi assim que a desgraça começou a acontecer. Ele criou um dispositivo mecânico, com uma corda onde ele amarrava o quarto dedo, passava por uma madeira e colocava um peso do outro lado e ficava lá, malhando o quarto dedo. Entre outros métodos do tipo amarrar todos os dedos enquanto toca e só tocar com o quarto dedo. Enfim, desgraçou com a mão dele. Desenvolveu um monte de problema na mão, um monte de lesão séria e lesões irreversíveis nas duas mãos. Tudo isso porque ele acreditava que podia mudar a anatomia humana com esses métodos loucos da cabeça dele. Machucou muito a mão dele, sentia fortes dores e ficou com danos irreversíveis e não poderia mais ser pianista. Isso mesmo. O sonho dele foi por água abaixo, ele teve que desistir. O professor dele falou: Realmente, você não está conseguindo mais tocar, Schumann. Foi muito triste, Schumann ficou muito, muito depressivo. Foi aí que começou os primeiros sinais de uma doença que iria destruir a vida dele daí para frente. Mas passou um tempo, ele tentou dar a volta por cima e falou: Ah, já que eu não posso ser um grande pianista, vou ser um maior compositor romântico. Contratou os melhores professores de teoria musical e de composição para se tornar um compositor que ele queria ser. E ele colocou todas as suas forças nisso, e ele só tinha 22 anos de idade na época. E em pouco tempo depois, com essa pouca idade, já começaram a surgir as suas grandes obras pianísticas. E muitos pianistas já estavam conhecendo essas obras, já estavam executando essas obras, porque ele não podia executar, né, porque ele não tocava por causa daquela mão cagada dele. E naquela época, gente, vamos lá. Existia uma linda, jovem, maravilhosa pianística, super famosa e era muito novinha, ela tinha 13 aninhos. E era a Clara Wieck. Sim, a Clara Wieck era filha desse ex-professor dele e era uma grande concertista e ela estava tocando as músicas de Schumann já. Tanto que numa ocasião, ela num recital particular tocou as músicas de Schumann e lá estava a mãe de Schumann presente e falou: Menina, você toca a música do meu filho, por que que você não casa com ele um dia? Você tocou com tanta profundidade, eu acho que você tem feeling. Ai, meu Deus, mal sabia o que estava por vir. Agora estamos em 1833 e nessa época, dois irmãos de Robert Schumann faleceram do nada. Isso agravou ainda mais aqueles quadros depressivos desde aquele, daquela tragédia do dedinho. E ele ficou num quadro depressivo muito forte, o que preocupou todo mundo ao redor dele, porque falou: Mano, esse menino é. Schumann se abalava muito fácil, era uma pessoa com sentimentos muito a flor da pele. Mas, vira e mexe, ele melhorava. No ano seguinte, ele estava com uma nova ideia, junto com esse ex-professor dele, falou: Gente, por que que a gente não abre um jornal? Isso mesmo, um jornal onde você pode ser crítico musical, já que você não pode ser um pianista. Então, você pode, sei lá, escrever uma coluna nesse jornal que a gente vai criar, dizendo o que que você acha dos pianistas e dos compositores aí. Ele: Ai, adorei a ideia. Vamos dar o nome para esse jornal: New Journal of Music. Era o nome desse jornal. E as críticas de Schumann eram bem pesadas, eram bem, bem rígidas. Ele falava mal de todo mundo, sobrava até para Liszt, meteu o pau. Um dos únicos compositores que Schumann falava bem no jornal era Chopin, porque, gente, como falar mal do Deus do piano? Ele escrevia assim: Chopin, o novo gênio. Tirem o chapéu. E nessa época, trabalhando ao lado de Friedrich Wieck, que era o ex-professor dele, ele começou a se afeiçoar um pouco pela filha dele, a Clara, né, Wieck. Mano, era recíproco, porque ela trocava cartinhas com ele. Mas ela tinha somente 15 anos nessa época e assim começou uma briga feia entre o Schumann e o pai da Clara, porque ele não queria que esse romance acontecesse. Porque a filha era uma concertista bem sucedida de 15 anos, não queria atrapalhar a carreira da filha. Assim, o pai foi lá e queimou todas as cartas, falou que para de trocar cartinha com Schumann, eu vou jogar você na lareira. Infelizmente, todas as cartas foram queimadas. E por um outro lado, Schumann estava extremamente bem sucedida como compositor e crítico musical. Nessa época surgiram obras muito importantes como os Estudos Sinfônicos, que recebeu bastante elogios de outros críticos e outros compositores. E o Carnaval de Schumann também apareceu nessa época, vou deixar aqui referências para você ouvir e conhecer, porque precisa. Mas a mais famosa obra de Schumann estava por surgir, a Kinderszenen. Kinderszenen, que eu não sei falar direito, é um compilado de 13 músicas para piano, com um estilo meio infantil, assim, meio infantilizado. Porém, são obras assim, lindíssimas, com temas lindíssimos. Tem um movimento que chama Träumerei, que é a melodia mais famosa de Schumann, inclusive. E eu selecionei uma dessas 13 músicas para tocar e eu toquei no último vídeo a que eu acho mais bonita, que é a Von fremden Ländern und Menschen, que significa de povos e terras distantes. Que para mim é uma das melodias mais bonitas, então, clica aqui e confira eu tocando. Sério, clica, uma lindeza. É um tema muito lindinho, uma música curtinha, vale a pena. E ele dedicou essa incrível obra para sua amada Clara, que despertava sentimentos infantis nele. Então, ele fez esse comparativo: Eu fico com uma criança perto de você, olha, ele ficou tão bobo. E aí ele travou uma batalha contra o pai dela para conseguir de todo jeito casar com ela, que: Meu bem, você tem que me deixar casar com a Clara. E o pai não deixava. Então, foi uma constante briga, perderam até a amizade nessa época. Mas a Clara era linda. Ela era linda. E mexia muito com o Schumann. E nessa época, a Clara estava extremamente ocupada, com uma agenda lotadíssima em turnês pela Europa. E Schumann não conseguia acompanhar essa fama da Clara. Então, ele começou a perseguir ela. Ia cada cidade que ela tocava, ele ia lá atrás dela para ver ela no hotel, ou tomar um café com ela, passar um tempinho que fosse. Bonitinho, ele escondido, ve-la tocar. Ai, uma linda história de amor, né, gente? Depois de muita briga, depois de muito drama, eles conseguiram casar. Em 1840, eles oficializaram a relação e eram marido e mulher, e ela se tornou a Clara Schumann. E diferente dos outros casamentos na época, esse era um casamento extremamente produtivo que fazia crescer os dois. Isso eu acho muito admirável, porque eles se tornaram parceiros musicais, parceiros comerciais, e um conseguiu engrandecer a carreira do outro. Uma como pianista e o outro como compositor, então eles meio que se completavam, porque, né, ele não podia tocar e ela tocava muito e ela interpretava e divulgava todo esse trabalho autoral dele. Era muito incrível, os dois juntos eram muito incríveis, muito fofo, né? Ainda tiveram oito filhos. Mano, agora estamos num momento crucial da vida de Schumann. No dia 30 de setembro de 1853, uma surpresa extraordinária bateu na porta dele, falou: Oi, tudo bem? O meu nome é Brahms. Brahms, isso mesmo, um jovem Brahms bateu na porta de Schumann e de Clara, casal influente da música, falou: Aqui, eu sou compositor, meu nome é Brahms. E eu queria mostrar umas músicas, posso entrar? Aí ele tocou maravilhosamente no piano as composições dele. Ele era bem jovem, ele tinha apenas 20 aninhos nessa época e era o futuro grande compositor que nós conhecemos, o Brahms. Brahms surpreendeu muito o casal Schumann, porque as suas obras eram extremamente maravilhosas e complexas, deixou Schumann engolindo seco, falou: Gente, quem que é esse meu sucessor? O casal ficou tão impressionado que meio que adotou o menino, o menino começou a morar lá na casa deles e ficou íntimo da família, virou pupilo do casal música. Alguns anos depois, a doença psicológica do Schumann começou a piorar, a piorar cada vez mais. Ele já estava começando inclusive a alucinar, ele dizia que o espírito de Schubert aparecia no quarto dele à noite para falar que eu tenho um tema musical para você, vai lá no piano compor. E ele ia, que ele estava ouvindo e vendo compositores mortos, eu vejo gente morta, para ir lá compor música. Isso estava deixando ele extremamente perturbado. Tinha até um zumbido na cabeça dele que ficava tocando de noite 24 horas por dia, um lá bemol inclusive, e ele estava enlouquecendo por causa disso. Ele entrou numa nóia muito grande, gente, ele começou a ter hipocondria, paranoia, começou a ter medo de metais assim, chave, instrumentos de metal, ele falava: Meu Deus, isso vai me envenenar. Ele achava que ele estava sendo envenenado por mercúrio, por isso que ele estava com esses sintomas de alucinação. E em 1854 os sintomas se agravaram mais e mais e mais, a ponto de que essas visões que ele tinha dos compositores passaram a ser visões demoníacas. Embora ele tivesse no ápice da loucura, ele continuava compondo. Umas músicas meio louca, meio sem sentido, mas algumas assim extraordinárias, como o Concerto para Piano que ele fez. Gente, esse concerto foi considerado na época no mesmo nível de Beethoven. Depois dos concertos de Beethoven, o concerto de Schumann é um dos mais aclamados. Vendo o demônio, ouvindo lá bemol, enlouquecendo, ele disse para Clara: Clara, eu temo pela minha vida, eu temo pela sua, eu acho que eu vou fazer uma loucura, por favor, me ajuda. Assim, alguns dias depois ele tentou o suicídio. Ele chegou numa ponte, que é a ponte do Rio Reno, né, que fica lá na Alemanha, e se jogou. Detalhe que essa ponte muita gente suicidava na época, inclusive a irmã de Schumann já se suicidou nessa ponte, olha que coisa. E a sorte dele, que depois de se jogar nessa ponte para a morte, alguns pescadores estavam no local e conseguiram salvar Schumann. Então, por pouco, Schumann não morre naquele dia. Assim ele foi levado para casa e decidiu se internar num asilo em Bonn, que é a cidade de Beethoven, inclusive. Sim, gente, ele foi internado num asilo, e ele ficou dois anos nesse sanatório, e durante esse confinamento ele não teve permissão para ver a sua esposa Clara, porque mulheres não eram permitidas. Então, a única pessoa que ia visitar ele nessa época era o Brahms, que é esse pupilo dele lá, que passou a ficar muito tempo junto com a Clara. Que causou umas paranoias e uns boatos de que estava acontecendo traição, triângulo amoroso e um monte de boatos escandalosos entre Clara, Brahms e Schumann. Schumann, nessa época, atingiu o seu limite, contraiu pneumonia e veio a falecer. 29 de julho de 1856, aos 46 anos de idade, somente. Bom, gente, agora vamos a algumas curiosidades sobre Robert Schumann. Após a morte do marido, Clara Schumann passou o resto da sua vida divulgando as obras do marido e foi uma importante personalidade no piano, que perpetuou toda a obra do seu marido. E esse grande feito da Clara fez ela ser uma das mulheres mais bem sucedidas de sua época, sustentando a família inteira, os oito filhos e sendo conhecida até hoje, né, no caso. Gente, o primeiro beijo de Schumann foi com a Clara. Os dois perderam BV juntos, olha que gracinha. Alguns estudos mais tarde revelaram que, além de um histórico de problema mental na família de Schumann, havia sim um envenenamento por mercúrio no sistema de Schumann. Gente, vocês acreditam que essa paranoia era real? Uma das suspeitas é que ele se tratava de sífilis na época. E o remédio que se usava para tratar sífilis naquela época estava com alguns resquícios de mercúrio, envenenando assim o Schumann e deixando ele mais pirado que ele já era. Após a morte de Schumann, Clara publicou obras póstumas que Schumann compunha compulsivamente na época de louco dele, mas muitas das obras, Clara Schumann e Brahms queimaram, destruíram, porque eram obras demoníacas e que retratavam uma época muito triste da vida de Schumann. Gente, eu amei essa curiosidade, sabia que o Vladimir Horowitz, se você não conhece Vladimir Horowitz, é o maior pianista do mundo depois de Franz Liszt. Fez centenas de recitais pelo mundo, e a obra que ele mais tocava na hora do bis, assim que o povo pedia bis, era a Kinderszenen, que aquela Träumerei que eu falei, que é aquele tema mais famoso de Schumann. Gente, que lindo. Robert Schumann e Clara Schumann estão enterrados juntos no cemitério de Bonn, na Alemanha. Olha que gracinha, essa é a lápide, e os dois estão juntos por toda a eternidade. Olha que fofo. Bom, gente, é isso, esse foi o Tudo Sobre Schumann, espero que vocês tenham gostado. Me siga no Instagram e diz lá para mim: Qual é o próximo compositor aqui do Tudo Sobre? E é isso, né? Um beijo do Franz.

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