Thumbnail for O futuro das profissões | Silvio Meira by Café Filosófico CPFL

O futuro das profissões | Silvio Meira

Café Filosófico CPFL

28m 11s4,080 words~21 min read
YouTube auto captions
Transcript source

YouTube auto captions

This transcript was extracted from YouTube's auto-generated caption track. The transcript below is server-rendered so it can be read, searched, cited, and shared without opening the original YouTube player.

Timestamped outline
Pull quotes
[0:33]Um campo enorme se abre de inúmeras possibilidades de relacionamento, de comunicação.
[0:33]As mudanças ocorrem tão rapidamente que chegamos a nos sentir impotentes diante do futuro que se apresenta.
[0:33]Homens e mulheres de todas as idades vêem seus projetos de vida, suas profissões ameaçados por novas formas de fazer, que retratam novos modos de viver.
[0:33]Toda vez que a gente tá num lugar qualquer, num mundo qualquer, a gente vive ao redor de possibilidades, que alguns chamam também de limites.
Use this transcript
Related transcript hubs

[0:02]cpfl cultura

[0:33]O homem sonha mundos possíveis e a tecnologia sua aliada. Um campo enorme se abre de inúmeras possibilidades de relacionamento, de comunicação. As mudanças ocorrem tão rapidamente que chegamos a nos sentir impotentes diante do futuro que se apresenta. Homens e mulheres de todas as idades vêem seus projetos de vida, suas profissões ameaçados por novas formas de fazer, que retratam novos modos de viver. Num mundo onde quase tudo fica obsoleto da noite pro dia, Como será o amanhã? Como acompanhar este mundo em constante inovação? Quais são as profissões do futuro e qual o futuro das profissões? Toda vez que a gente tá num lugar qualquer, num mundo qualquer, a gente vive ao redor de possibilidades, que alguns chamam também de limites. Toda vez que você olha para um conjunto de limites, isso é a mesma coisa que um conjunto de possibilidades, né? Uma vez eu descobri lá na UFP, que tinha uma regra de você não poder entrar na reitoria de bermuda. Mas a regra não dizia nada sobre você poder ficar na reitoria de bermuda, era só sobre, era proibido entrar. E eles assumiram que se você não entrasse, você não podia ficar dentro de bermuda, mas isso não estava escrito na regra. Então eu tenho uma daquelas calças de surfista que salta, sai a parte de baixo da perna. E eu entrava e tirava a parte de baixo. Aí de repente um guarda me encontrava, só não pode estar aqui assim, eu digo, mostra a regra. Na regra não estava escrito, só estava escrito que eu não podia entrar. Disse, mas como foi que o senhor entrou? Eu disse, isso não é problema meu, é problema seu. O senhor não pode me tirar daqui de dentro. Limites implicam em possibilidades o tempo todo, né? E as possibilidades não são só do nosso tempo, as possibilidades são espécie de possibilidades do espaço-tempo, né?

[2:26]A gente tem que considerar olhando para a carreira das pessoas e para as profissões que elas querem exercer, para as suas performances futuras, para a combinação de propósito, para que é que eu estou aqui, o que é que eu estou fazendo, proximidade, com quem é que eu vou fazer, com quem é que eu vou fazer, às vezes, contra quem eu vou fazer, ou articulado com mais quem eu vou fazer, de protagonismo, qual é o meu papel nesse conjunto de pessoas articuladas para tentar fazer alguma coisa e o que é que a nossa performance é e o que é que ela significa, né? Qual é a combinação dessas coisas todas? Ah, o Klaus Otto Scharmer, ele, ah, tem uma, uma, uma teoria chamada a Teoria U, né? Que, como é que a gente entende o mundo percebendo os pequenos encantamentos das coisas que estão para acontecer e transformando esses pequenos encantamentos em realidade e a partir dessas pequenas realidades construindo as infraestruturas para fazer o futuro realmente acontecer, que eu traduzo mais ou menos da seguinte forma: o futuro é um conjunto de escadarias que vem de lá mesmo do futuro para o presente, e que a cada passo, a cada degrau da escadaria que a gente está no presente agora, a gente tem que reunir e articular forças, conhecimento, competências e energia para dar um salto para uma dessas possíveis escadas, dessas escadarias. Aquela para a qual a gente salta com energia suficiente, o batente que estava pendurado do futuro para o presente, ele se encanta, ele se torna real e esse é o nosso próximo passo. O problema é que quando a gente chega lá depois de correr todos os riscos de dar esses saltos, a gente continua contando a história linearmente. A gente não diz quem foi que se perdeu, a gente não diz quantas vezes a gente errou, a gente não diz o que era que faltava fazer para ter dado certo, a gente simplesmente conta a história linear e aí todo mundo acha que ir para o futuro é trivial, que você pode fazer de uma forma simples. Mas não é, não é? Se eu tivesse planejado demais a minha vida, eu hoje não estaria fazendo o que eu estou fazendo e gosto muito de fazer, que é ser professor universitário. Porque no último dia de aula que nós tivemos, é no Ita, eu me lembro que a gente tomou um porre monumental chamado Schools Out Forever, que era uma música do Alice Cooper, que estava muito em voga na época, né? Eu, eu me lembro, eu não me lembro do estado de vocês porque eu não me lembro nem do meu. É, e eu jurei, eu jurei que eu nunca mais ia entrar numa sala de aula, isso era meu plano, né? Se eu tivesse sido fiel a esse plano, três meses depois de me formar, eu não estaria fazendo pós-graduação em informática e não teria continuado, ah, num doutorado, depois não teria entrado na universidade, não teria me tornado professor titular, não teria orientado mais de 150 teses de mestrado e doutorado de alunos de pós-graduação, ah, nos últimos, eh, 25 anos. Então, planejar muito o que é que você vai fazer do ponto de vista da sua profissão e do seu futuro, é uma coisa que lhe leva a encruzilhadas difíceis de serem transpostas, quando não, a becos sem saída reais que você não tem como escapar normalmente. E a, a última coisa que eu acho que tá fora do contexto, além de passado, de vir do passado pro futuro pela via do presente, né, e de planejamento, que tá fora do contexto da gente efetivamente lidar com profissões e o futuro delas, é você ir atrás de poder, que é um perigosíssimo, né? Você trabalhar para ter poder, ou você se estruturar para ter poder, buscar o poder como um fim e não como um meio para na maioria das vezes mudar o mundo, né? Quando a gente olha para como o mundo funciona hoje, é cada vez mais fácil de ver que nós dependemos de proximidade, se não física virtual, ah, com outras pessoas, com outros agentes, com outras instituições para realizar coisas. Nós não conseguimos mais fazer a maioria das coisas que a gente fazia no passado sozinho. O mundo está se tornando um mundo em rede. Eu espero que nenhum de vocês tenha desligado seus smartphones. Os alguns de vocês estejam fazendo um VINE para botar em algum lugar como resultado dessa nossa conversa aqui, porque as nossas performances estão cada vez mais interligadas. Faz sentido botar essas coisas no silencioso. 95% de todos os smartphones do Japão estão no silencioso. Mas eles não estão desligados. Isso não acontece mais, todo mundo tá online. Ah, as nossas performances estão online, mas não é porque elas estão online, pelo simples fato delas estarem online, que elas acontecem. É porque nós precisamos efetivamente articulá-las de uma forma tal que um propósito comum a um grupo de pessoas façam essas performances acontecerem. Performances acontecem por causa de propósitos articulados em redes. E cada vez mais performance vai significar resolver problemas. A única coisa que diferencia os humanos de talvez todos os outros animais, animais, é a gente sonhar, a gente sonhar com coisas diferentes, a gente querer coisas que não existem aqui agora. Isso implica normalmente em você entender o mundo de outras formas e modelar o mundo de uma forma que ele não foi modelado ainda, em criar novos métodos, processos, tecnologias, artefatos, induzir novos comportamentos e mudar o mundo ao seu redor. Ao mesmo tempo, o fato de nós necessariamente termos que olhar para o mundo em rede, cria diferenças do que que é um aglomerado, do que que é um grupo e do que que é um time, né? Grupos chegam a resultados por acaso. Multidões e aglomerados chegam a resultados por acaso. Nós não temos a mesma dinâmica de formigas. Se você juntar um certo conjunto de formigas, depois de eles decidirem um certo conjunto de coisas muito básicas, eles sempre chegam nos mesmos resultados. Nós somos muito mais sofisticados do que formigas, ou mesmo do que outros mamíferos e precisamos articular muito mais. Nós precisamos chegar a resultados, ou nós só chegamos a resultados por construção. E times são construídos para chegar a resultados. Um time é um universo, eh, coletivo, tá certo? Que vive, ah, se articula colaborativamente e que tem um conjunto de processos de coordenação. Normalmente ela é articulada, aspas, por alguém, por um agente que cuida desse processo, ou por um conjunto de agentes, ou por uma instituição, ou por um conjunto de regras que foram definidas por agentes, lá tem um meta-agente, Tem alguma coisa anterior, algum agente normalmente humano, que criou aquelas regras, tem um desenho. Design não é você fazer uma caixa nova, não é você fazer a feição externa de um carro, de uma casa, muito menos de um produto ou de um website ou de uma aplicação para rodar no seu smartphone. Design é desenhar, é desenhar conhecimento, conhecimento na forma, na maioria das vezes, de processos e métodos que articulam performances comunitárias. Para mim eu não preciso de grandes designs. Para cada um de nós, nós não precisamos, podemos agir mais ou menos de acordo com a nossa vontade, com os nossos graus de liberdade, mas para nós como um todo, nós precisamos de um desenho que normalmente se consolida num conjunto de propósitos comuns. Qual é o design? Qual é o design que tem por trás dessas redes de performance humana? E aí a gente vai começar a entrar no nosso assunto aqui das profissões e do futuro delas. No próximo bloco, a difícil tarefa de ser protagonista da própria história. O que difere um grupo de um time? Um grupo se forma quase aleatoriamente e por acaso pode chegar a resultados. Um time é formado para atingir um resultado, tem um líder e um propósito. Em um mundo conectado e interação constante, grupos que se transformam em times, conquistam seus resultados. Universos coletivos que se articulam colaborativamente e de forma direcionada. Talvez a velha pirâmide de Maslow, criada pelo psicólogo americano do século XX, na tentativa de entender nossa hierarquia de necessidades essenciais, já não represente mais a ordem de nossas prioridades de hoje. A cada dia que passa fica mais claro que qualquer forma de sobrevivência humana tem como base formas de relacionamento. Pessoas, profissões, performances, propósitos, protagonismo. O que devemos fazer para não nos tornarmos apenas coadjuvantes em nossa própria história? Os humanos primeiro resolvem as essências físicas, o que é que eu preciso fisicamente para sobreviver. Que depois eu resolvo o social, eu me articulo com outras pessoas ao meu redor. E depois eu resolvo o significado, o que é que eu estou fazendo aqui, quem é que eu sou, o que é que é o universo, Deus existe, não existe, qual é a minha posição em relação a ele, há mais de um e assim por diante. E Lieberman, que trabalha há muito tempo junto com um número muito grande de pesquisadores no assunto, e usando a ressonância nuclear magnética funcional, ele tem estudado o comportamento das pessoas fazendo coisas, das pessoas fazendo coisas e das pessoas fazendo coisas articuladas umas com as outras. E uma das descobertas extremamente interessantes, ah, desse, desse conjunto de pesquisadores, é uma tese sobre como é que a evolução humana, propriamente dita, ela, de mais de uma forma, se articula e tem uma correlação com a evolução de cada um dos humanos. Você tem de zero a um ano de idade, basicamente, o nosso primeiro estágio, o estágio de cada um de nós se conectar a cada um dos outros, principalmente aos mais velhos, principalmente às mães, no sentido de eu preciso de você é absolutamente essencial para mim, que você esteja perto de mim para atender às minhas necessidades mais fundamentais. Ao redor de dois, até quatro, às vezes até mais, anos de idade, tem um processo de interpretação do mundo, que começa a acontecer com cada humano, que é eu entendo, ou eu estou tentando entender, e eu consigo prever o comportamento de vocês. São um comportamento social também.

[13:59]O primeiro comportamento básico é: vou me conectar com o mundo. O segundo comportamento é: eu estou começando a entender como é que vocês funcionam e eu estou começando a prever como é que vocês funcionam. E por fim, é um comportamento de eu me harmonizar com o grupo, de ser influenciado com esse grupo para poder influenciá-lo. O que é que essa tese no fim quer dizer? Que no mundo real, nosso humano, sobrevivência básica depende de conexões. Isso inverte uma pirâmide, ah, de como é que nós funcionamos, uma pirâmide de entendimento de como é que nós funcionamos, que é a pirâmide de Maslow, né? Primeiro tem que resolver minhas necessidades de sobrevivência imediata, física, que depois eu tenho que resolver com quem que eu vivo e depois eu vou procurar entender qual é a razão maior das coisas existirem. E a tese, ah, de Lieberman é que essa pirâmide de Maslow precisa ser invertida nos dois níveis mais fundamentais. Que a gente resolve primeiro o social e que depois a gente resolve o físico porque conseguiu resolveu o social e depois a gente resolve os significados. E lá tem um outro dado, ah, muito importante para nossa discussão aqui e para a gente entender ou não, né, ou entender porque que eles não funcionam certas horas, os processos que nos preparam para sermos profissionais. É que até 10.000 anos, usando os dados que a ciência tem hoje, cada um de nós tem cerca de 10.000 horas investidas em socialização. Ou direta, tentando se conectar com os outros, ou indiretamente, indiretamente porque quando não tá fazendo absolutamente nada, o cérebro entra no modo social. Tem testes que mostram hoje que se você entregar um problema para um humano qualquer resolver, na hora que ele parar de resolver esse problema, ele fica imaginando como é que outras pessoas resolveriam esse problema, o que que o outro cara que não tem nada a ver com o problema está fazendo ou fez, quais são as consequências do que essa pessoa faz ou não, vai ter para ele no futuro ou vai ter para a comunidade da qual ele participa no futuro e assim por diante. Então o cérebro roda no modo social e a rede neural de aprendizado, ou seja, os nossos neurônios que aprendem, ele tem, ela tem uma articulação fundamental com a nossa rede social. Se a gente casa os dois sistemas, a gente provavelmente podia magnificar o que a gente vai aprender e como a gente vai aprender a usar o que a gente vai aprender de uma forma muito mais radical do que simplesmente aprendendo do ponto de vista cognitivo como a gente tá acostumado. Por que que eu estou falando tudo isso aqui? Porque do ponto de vista de, do que que a gente devia ter que aprender para exercer alguma profissão no futuro qualquer que fosse, é muito mais interessante a gente discutir quais são os traços, quais são os traços de conhecimento, quais são os traços de usos, quais são os traços de participação, de presença, quais são os propósitos que vão criar as competências que vão nos tornar úteis para nós próprios no futuro como profissionais e funcionais dentro de sistemas que vão fazer com que nós entreguemos algum valor para a humanidade ao nosso redor.

[17:28]Não precisa de novo ser um valor remunerado, pode ser amor em estado puro, por exemplo, sem nenhum retorno. Mas o que é que acontece e como é que eu vejo o mundo e a partir inclusive de um estudo recente, eh, que foi publicado há poucos meses. Se a gente olhar e esse estudo, eh, considerou um número muito grande, centenas de líderes de grandes negócios, tanto com fins lucrativos como sem fins lucrativos em todo o mundo, e a pergunta feita para esses líderes, foi o seguinte: o que é que você tem, o que é que você aprendeu, quais foram as suas experiências, qual foi a sua formação, O que é que é diferente em você e nos outros caras, homens e mulheres, que você conhece, que são líderes, que os faz líderes.

[18:25]E o primeiro lugar nas menções de todo mundo, tanto diretas como em comentários, como em avaliações, foi autoconhecimento. A primeira coisa que você precisa ter para ser um líder é saber quem você é. Que começa para saber, começa por saber o que é que você não é. E o que é que você não vai conseguir ser. Tem grandes líderes que são péssimos gerentes. Ser um grande líder não significa que você vai conseguir gerenciar detalhes. Exemplo, Churchill, péssimo de detalhes, não é? O segundo traço fundamental dos grandes líderes, segundo eles próprios nesse estudo, é você ter uma bússola moral. Nas palavras deles próprios, você saber por que que uma coisa tá errada. Não porque ela tá errada no seu negócio, na sua profissão, é porque ela está errada de acordo com um conjunto de preceitos e princípios éticos e morais e filosóficos do universo de possibilidades que você habita. Isso muda se você tiver num universo islâmico, ou se você tiver no ocidente e entre o ocidente em partes dele. Então o contexto é muito importante aqui. O terceiro ponto que faz os líderes, segundo eles próprios, é saber ouvir, se conectar com a sua rede de pessoas e ouvi-las. O que é que elas pensam? O que é que elas dizem? O que é que elas não dizem e pensam e não dizem porque é para você que é o pretenso líder? A quarta coisa é sabendo ouvir, persuadir pessoas. Convencer pessoas de que elas têm que fazer alguma coisa, que elas não necessariamente querem, mas que você anteviu o que pode ser feito, às vezes, que as outras pessoas tratam como impossível. O quinto traço mais importante nesse estudo foi julgar e decidir. Chegar a um ponto onde você precisa olhar para as várias possibilidades, decidir por uma e finalmente sair para fazer essa uma, tenacidade. Tentar até que seja comprovadamente impossível, mas não desistir, nem na primeira vez, nem na segunda, nem na terceira, nem na quarta, nem na quinta. Quando a gente olha para esse contexto, aonde que nessa história de autoconhecimento, ouvir, persuadir, né? Tem uma bússola moral, julgar e decidir e ser tenaz, tentar muito, errar muito, aprendi muito no processo de fazer, aonde é que tá a inteligência clássica aqui? Em lugar nenhum. Em absolutamente lugar nenhum. É porque todos esses líderes, ah, são naturalmente, aspas, inteligentes, tem um QI altíssimo, Einsteiniano? Não. A maioria deles tem esses traços aqui. Não tem aquela característica da inteligência clássica que nós tanto admiramos sem saber exatamente o que é. A medida da performance não é mais o trabalho em si, mas o resultado que se atinge. Autoconhecimento, bússola moral, saber persuadir, ser tenaz, são elementos essenciais na busca do protagonismo pessoal e profissional. É preciso combinar uma série de propósitos. Para que que eu estou aqui? O que eu estou fazendo? Com quem eu vou fazer? Ou articulado com quem mais eu vou fazer? São perguntas que hoje acompanham nossas vidas. O que que tudo que eu disse até agora tem a ver com o fato de que num estudo que acabou de ser publicado, a profissão que melhor remunera nos Estados Unidos, esse ano de 2014, e que tem a maior perspectiva de crescimento do, do, da quantidade de empregos até 2020, quer dizer, durante essa década, ser a profissão de matemático. Tá certo? Do fato do, por exemplo, do sétimo lugar ser a minha profissão, engenharia de software, sexto lugar. Ser a minha profissão aqui em engenharia de software, entre as mais pagas, as mais bem pagas, entre as que mais satisfazem, e o, e entre as que tem a melhor perspectiva de crescimento, cerca de 25% daqui até o fim da década, do ponto de vista de quantidade e qualidade de empregos, nada disso que eu disse até agora, tem nada a ver com isso aqui. Porque isso aqui vem do passado. Nós precisamos de mais matemáticos para modelar o mundo. Nós precisamos de mais engenheiros de software para escrever o mundo, porque nós estamos vivendo uma revolução de inovação, uma revolução de inovações, desde a década de 50, que tem a ver com uma revolução de eletrônica, sobre a qual se construiu uma revolução de software, sobre a qual se constrói uma revolução de redes e em cima da qual, nós estamos construindo sistemas em rede que rodam dentro dessas coisas aqui. Isso aqui é uma espécie de um browser, um instrumento da gente ver o mundo que não tá rodando aqui, né? Você tirar ele da internet, ele tem muito pouca utilidade, além da gente jogar uns joguinhos bestas que a gente botou aqui dentro. cuja tabela do jogo, nós e todo mundo junto, e os pontos que a gente pode pegar com os outros, na realidade tão na rede. Tira da rede, perde 99% da utilidade. Se a gente olhar para independentemente de qualquer um de vocês decidir que vai fazer, por exemplo, matemática, porque é a profissão mais bem paga dos Estados Unidos, no momento, ou engenharia de software, que é a minha, ou engenharia mecânica, ou engenharia eletrônica, ou engenharia nuclear ou medicina, que é uma das profissões que mais satisfaz no mundo inteiro, é muito raro você ver um médico abandonar a profissão, é muito raro você ver um professor abandonar a profissão. Essas pessoas têm propósitos naturais, vamos dizer assim, elas decidem que o papel delas no mundo é salvar vidas. É muito difícil você convencer alguém que se autopôs salvar vidas, você diz ele chega lá e diz, rapaz, pare com isso, venha resolver equações matemáticas.

[25:17]Não é razoável nem discutir isso, né? Mas como é que a gente usa essas competências todas que a gente discutiu aqui e principalmente como é que a gente as usa para aprender?

[25:34]Que é o último p da minha conversa. Como é que a gente se prepara? Como é que pessoas que têm propósitos, que querem ser protagonistas, em proximidade com outras pessoas, num planeta que precisa ser respeitado, independentemente da nossa presença. Como é que a gente se prepara? Aí é onde entram os processos de aprendizado e de cultura amplos e diversos na sociedade em todos os seus recantos. Toda vez que alguém me pergunta, eh, depois de tanto tempo na universidade, eu tô na universidade, sou professor universitário há 36 anos, é uma vida inteira. Eu já ensinava antes, então eu sou professor há mais de 40 anos, eh, toda vez que alguém me pergunta qual é a melhor coisa que você tem para aprender agora ou tem que aprender agora, eu normalmente respondo, principalmente depois que eu fiquei mais velho, qualquer uma, desde que você aprenda bem e goste disso. Seja lá o que for. Você aprenda a fazer pão francês, mas aprenda mesmo. Entenda, por exemplo, a bioquímica do pão, uma coisa é você fazer pão. A outra coisa é você entender a bioquímica dele. Se você entender a bioquímica do pão, você vai acabar entendendo a história do pão também, a história dos pães e não só do pão francês. Se você resolver que o seu negócio vai ser projetar bicicleta, comece por entender os materiais que estão lá. Para que que eles vão ser usados? Por quem que eles vão ser usados? Em que contextos? E aí se você aprender aquilo bem, qualquer que seja o aquilo, o que você aprendeu, vai ser parte daquela escadaria de possíveis futuros para onde você vai se mexer. Pão, que é um dos alimentos mais antigos da humanidade, é uma coisa complexa o suficiente para não poder ser atacado por uma única ciência, por um curso de graduação, por vários de pós. É um universo de conhecimentos articulados para sair aquele pãozinho francês da padaria no fim do dia, é quase uma mágica. O futuro é um conjunto de escadarias que se desenham virtualmente, de lá do futuro para cá, o presente. Cada escada existirá se a gente reunir e articular forças, conhecimentos e competências para dar um salto e agarrar o batente do futuro. Só assim ele se encanta e se torna real. Esse é o nosso próximo passo.

Need another transcript?

Paste any YouTube URL to get a clean transcript in seconds.

Get a Transcript