[0:16]Ah, oi gente, tudo bem com vocês? É com muita alegria que eu introduzo aqui a nossa primeira aula do curso de História do Brasil pelo Brasil. E assim, a aula de hoje, né, é uma aula introdutória, vocês vão entender muito sobre como que vai funcionar aí a didática do curso, mas também vocês vão começar a entender como que é a história do nosso país, né? Qual é a história do país que hoje a gente chama de Brasil. Então, durante esse curso, durante essas aulas, eu quero que vocês não só absorvam o que eu estou falando, mas que vocês problematizem, que vocês se questionem, que vocês realmente embarquem junto comigo para abrir a mente de vocês em pensar em várias possibilidades. Para refletir sobre vários estigmas, sobre várias origens de coisas que até hoje a gente pratica, que até hoje a gente acredita, de palavras que até hoje a gente fala. Então, essa aula, a primeira aula, geralmente é a minha favorita, e essa provavelmente vai ser, porque hoje a gente não só vai entender a chegada dos portugueses no Brasil, mas a gente vai problematizar muito e entender como que a nossa história começa muito, muito antes de 1500. Então, assim, primeiramente, a primeira coisa é voltar e sair um pouco do Brasil. Por quê? A gente vai começar a contar a nossa história a partir da chegada dos portugueses, vai problematizar isso também. Mas a gente tem que entender por que que eles vieram parar aqui? Como que chegou um tanto de gringo nesse lugar onde eu estou? Porque nesse momento, né, inclusive, já aproveitando para explicar, eu estou em Porto Seguro, na Bahia. Essa igreja atrás de mim foi a primeira igreja construída no Brasil. Vocês vão ver aí na tela vários lugares de onde os portugueses chegaram pela primeira vez, e esse porto, né, se chama Porto Seguro, justamente porque foi aqui que pela primeira vez chegaram os portugueses, foi o lugar onde eles aportaram por muito tempo, era um lugar onde eles sabiam que havia segurança, um lugar onde eles sabiam que ficaria tudo bem. Então, durante muito tempo, esse lugar foi chamado de Porto Seguro e sempre foi uma cidade muito importante. Então, não tem um lugar melhor para começar esse vídeo do que aqui. Mas a pergunta que fica é: por que que chegaram europeus aqui e por que que quem chegou primeiro foram os portugueses? E para isso, a gente tem que entender um pouco sobre o contexto das Grandes Navegações e por que que Portugal foi o primeiro de todos os países, mesmo quase que 100 anos antes da América sequer ser descoberta, eles já estavam navegando o mundo inteiro. Então, por que Portugal? E para isso, a gente tem que entender uma série de razões. A principal delas é que Portugal era um Estado.
[2:30]É muito importante a gente entender que essa transição, né, da Idade Média para a Idade Moderna, a Idade Moderna, inclusive, já explicando, muitos historiadores consideram que a Idade Média acabou com a queda de Constantinopla, em 1453. Mas muitos historiadores consideram que a Idade Média acabou com a descoberta da América, em 1492. Mas essa transição entre a Idade Média e a Idade Moderna foi uma época onde muitos paradigmas do europeu estavam sendo quebrados, onde muitas coisas que eles acreditavam estavam sendo questionadas e a ciência estava se desenvolvendo, daqui a pouco a gente vai ter reforma protestante também questionando toda a religião vigente. Então, assim, é um momento realmente de de quebra de paradigmas, é um momento de exploração, é um momento de ir atrás do inimaginável, atrás de coisas que eles nunca imaginaram que existiam, e também, né, politicamente falando, foi um momento de unificação de Estados. Então, aí a partir do início da Idade Moderna, os países que hoje a gente chama de países mesmo, vão começar a surgir, mas Portugal foi o primeiro deles. Portugal foi o primeiro país da Europa a se unificar. E isso foi muito importante, porque, enquanto outros países estavam tendo brigas dinásticas, de sucessão do trono, ou então estava discutindo o que que era parte do país, o que que não era, quem que estava junto, quem que não estava. Por exemplo, a França, a Inglaterra estavam tendo todas essas brigas dentro dos países, Portugal não, Portugal já tinha passado por uma revolução que se chama Revolução de Avis. O país já tinha sido unificado, já estava definido o que que era Portugal, quem era a coroa portuguesa, qual era a dinastia que estava governando. Então, já que Portugal não estava com essas brigas internas, eles conseguiram se organizar muito melhor para sair navegando. Pegando, então, a política interna de Portugal que estava bem organizada, foi muito favorável para que eles saíssem e descobrissem vários lugares do mundo, descobrissem. A gente vai entender isso depois. Outro fator importante é que os portugueses, eles já tinham um grande experiência com o comércio a longa distância. Eles já tinham tido contato com italianos, com genoveses e tudo mais, eles sabiam muito bem comercializar com lugares distantes. Eles também tinham uma tecnologia muito boa, né? Eles vão desenvolver as naus e depois as caravelas, que vão ser barcos muito melhores para explorar a longas distâncias. Eles também vão começar a desenvolver tecnologias aí para medir latitude, instrumentos de navegação, então a tecnologia deles ajudou muito. Além, é claro, da posição geográfica, né, pessoal? Portugal está na beirada da Europa, é um local muito estratégico, onde passam ótimas correntes de água. Então era um lugar muito bom para você navegar. E, por fim, no início do século XV, é muito importante a gente entender que as Grandes Navegações, elas vão corresponder ao interesse de basicamente todo mundo. Por quê? Primeiramente, os comerciantes, né, gente, eu não preciso nem explicar, por que que os comerciantes tinham muito interesse nas Grandes Navegações, né? Porque eles iam criar novas rotas de comércio, estabelecer novas comunicações, eles iam conseguir comercializar com novos povos, novos produtos, ia ter rotas de comércio muito mais desenvolvidas, iam conseguir muito mais dinheiro. Para o rei de Portugal também era um interesse gigantesco, porque significava uma oportunidade de expandir as riquezas, né? Numa época que toda a Europa estava passando por crise financeira. Era uma oportunidade muito grande para você adquirir mais riqueza, adquirir mais território e também para adquirir mais poder. A nobreza e os membros da igreja também tinham muito interesse nas navegações. Por que? Primeiramente, a nobreza ia conseguir servindo o rei, né, ajudando o rei nessas navegações, ia conseguir cargos, ia conseguir poder, né, posições melhores aí na hierarquia. E além disso, a igreja também ia conseguir muito mais posses, ia conseguir uma influência muito maior e também ia conseguir catequizar mais gente, né? Ia conseguir, eh, abranger, que a religião deles abrangesse cada vez mais pessoas. Até porque, cristianizar esses povos bárbaros significaria, né, agradar o rei e conseguir cargos cada vez mais elevados numa hierarquia que era muito difícil de você conseguir um cargo maior. Então, era uma oportunidade muito grande. Para a população em geral, as Grandes Navegações também eram algo interessante. Por quê, né? Conquistar mais terras não significa simplesmente que o reino, né, o reino vai ser maior. Mas também significa uma chance de fugir da opressão, de migrar para um lugar que vai ter condições de vida melhor, do reino enriquecer e de você ter uma qualidade de vida maior. Então, a população comum também tinha interesse nisso, mas o único grupo social que não gostava, né, que não tinha nada a ganhar com as Grandes Navegações eram os empresários agrícolas, né? Porque eles não tinham nada a ganhar com um monte de gente imigrando e saindo do país para conquistar novas terras, né? Eles precisavam de cada vez mais mão de obra para ir trabalhar nas suas terras. Então, eles foram os únicos que não eram favoráveis a esse movimento. Mas, antes da gente chegar no Brasil finalmente, uma coisa que a gente tem que entender é a mentalidade das pessoas que chegaram aqui. Porque, né, gente, igual eu falei, a transição da Idade Média para a Idade Moderna foi um momento de quebra de paradigmas. Foi o momento de questionar tudo que os europeus acreditavam, foi um momento de de surgir, né, a ciência, novas técnicas científicas, novas crenças. Então, foi um momento em que muita coisa se quebrou, mas o imaginário medieval, ele ainda era muito presente. Então, a gente vê muita gente que estava com um gosto pela aventura. Foi um grande motivo das navegações. Gente querendo explorar, querendo descobrir o mundo. Até porque, na época, né, acreditavam que no nos grandes mares haveriam sereias, haveria o paraíso na Terra, eles acreditavam que teria o paraíso, tanto que, quando os portugueses chegaram aqui, né, e viram essa terra maravilhosa, a nossa flora, a nossa fauna, o clima aqui, eles pensaram por um momento que aqui poderia ser o paraíso, e eu, sinceramente, acho que é. Mas havia muito essa crença de que havia o paraíso na Terra, que haveriam monstros fantásticos, de que a Terra poderia ser plana, então, quando você navegasse até o fim do mundo, teria um grande uma grande queda, um grande abismo. Então, muita gente tinha curiosidade. Os europeus, eles tinham grande curiosidade para entender, para explorar, para saber o que que tem além das fronteiras que eles já conheciam. Então, assim, todos esses motivos somados, né, já dá e sobra de razão para um bando de gringo pegar uns barcos e chegarem em vários lugares, inclusive aqui em Porto Seguro e no resto do Brasil. Mas, assim, vamos pontuar. Quais que eram os interesses dos portugueses especificamente com as Grandes Navegações, né? Além desse gosto pela aventura, além de expandir fronteira, além de, enfim, principalmente, os principais interesses da coroa portuguesa eram ouro e especiarias. Assim, o ouro é bem distintivo, né, gente? Era era uma pedra preciosa, de grande valor, era uma moeda confiável. Além disso, eu não sei se vocês se lembram, mas durante o período que a gente chama de Mercantilismo, né, também teve havia essa crença muito forte do metalismo, né, de que um governo rico era um governo que tinha muita, muito metal precioso, especialmente ouro e prata. Então, é muito incompreensível, né, que os os europeus tivessem bastante interesse em ouro, em procurar ouro nessas terras desconhecidas, mas especiarias. Por que? O que que as especiarias têm de tão precioso para fazer o pessoal correr uma distância tão grande em busca dessas especiarias, né? Por quê, gente? As especiarias, elas tinham fama de algo muito raro, algo muito precioso, até porque era difícil de você obter especiarias. Então, coisas que para nós hoje são tão comuns, tipo, pimenta, açúcar, gengibre, canela, que para nós são tão comuns, para eles era muito raro. Além disso, né, gente, é muito importante lembrar que naquela época as técnicas, né, de você conservar a comida, elas eram muito ruins. Então, eh, muitos europeus comiam comida ou que estava estragada, ou que era muito salgada, né, porque o sal era muito usado, principalmente para conservar a carne. Então, temperos, né, especialmente a pimenta, temperos que deixassem a comida mais gostosa, mais saborosa, era algo muito precioso, porque eram pessoas que tinham um bom gosto alimentar, mas não conseguiam comida de qualidade o tempo todo, que, principalmente, por ter que conservar comida por muito tempo, usando sal ou qualquer outro tipo, ou até mesmo comer uma comida que já estava meio deteriorada, davam um grande valor a coisas que pudessem dar um sabor mais gostoso para a comida. Então, gente, as especiarias, elas eram valiosas, não só porque elas eram raras, difíceis de conseguir, vinham de longe, mas porque elas também eram muito valiosas para o uso mesmo, né, para o uso humano, né? Simplesmente igual a uma pintura que você deixa enfeitando, as especiarias, elas tinham um uso real na vida das pessoas, ou melhor, na vida das pessoas mais ricas. Inclusive, nessa época, surgiu um estado popular muito famoso, que assim, muita gente, principalmente os mais velhos, até hoje usam, né, que que é, caro como pimenta. Porque pimenta era uma coisa caríssima. Então, quando você falava que algo é caro como a pimenta, você está falando que é um bem de altíssimo valor. Assim, eu não sei se alguém já ouviu falar, mas minha avó usa bastante até hoje.



