[0:00]A série de história da tecnologia dessa semana vai falar sobre um computador. Mas não é qualquer computador, é o ENIAC, um gigante que marcou época e ajudou a definir as bases da indústria que a gente conhece hoje. Antes de você saber a origem e que fim levou essa máquina, eu vou pedir pra você se inscrever no canal do Tech Mundo, se você não é um inscrito. Dá o seu joinha que a pesquisa tá bem legal e toca no sininho pra receber notificações, cada vez que o Tech Mundo enviar um vídeo e tem vídeo todos os dias, beleza? Então vamos lá, pra história do ENIAC.
[0:36]Pra começar a gente precisa deixar bem claro: o ENIAC não é o primeiro computador da história. Ele é pioneiro na categoria de computador eletrônico digital de uso geral, ou seja, as operações eram programáveis e ele conseguia executar várias funções para diferentes áreas. Definir qual é o primeiro computador é meio complicado. Os princípios da computação moderna são obra de dois britânicos: o Charles Babbage e o Alan Turing. O Babbage nasceu em 1791 e bolou a Máquina Analítica, um aparelho que faz cálculos se comandado pra isso, ou seja, um computador. Uma das mentes desse projeto era ninguém menos que Ada Lovelace, a primeira programadora da história e uma das mulheres mais importantes da história da tecnologia. Já o Turing é responsável por uma série de avanços teóricos e práticos, incluindo o Colossus, uma das primeiras máquinas de codificação de mensagens dos alemães na Segunda Guerra Mundial. Esse era um projeto totalmente secreto, mas veio antes do ENIAC. E o Turing foi retratado no filme O Jogo da Imitação, interpretado por Benedict Cumberbatch, mas essa evolução dos computadores é assunto para outro vídeo. O fato é que estamos na metade da Segunda Guerra e os Estados Unidos estão de cabeça no conflito. Só que a guerra tinha várias tecnologias estreando e os ataques não paravam, por isso cada disparo tinha que ser muito bem planejado. Antes de lançar os mísseis, era preciso calcular exatamente o ponto de impacto e também a trajetória. E isso exigia respeitar uma enorme quantidade de variáveis, como pressão atmosférica, atrito e por aí vai. Uma pessoa conseguia fazer tudo isso? Até conseguia, mas levava dezenas de horas sem parar e nesse tempo todas as variáveis já mudaram e se duvidar até a batalha já acabou. Por isso, o Laboratório de Pesquisa Balística do Exército dos Estados Unidos começou a procurar uma solução. Em 9 de maio de 1943, ele encontrou a resposta na parceria entre dois cientistas da Escola Moore de Engenharia Elétrica, na Universidade da Pensilvânia. Os seus nomes são John Mauchly e John Presper Eckert. Nascia aí a ideia do ENIAC, sigla para Electronic Numerical Integrator and Calculator, ou computador e integrador eletrônico numérico. Ele começa a ser construído em junho de 1944 e não era nada simples. Ele armazenava 20 números decimais de até 10 dígitos e fazia operações matemáticas básicas, raiz quadrada e comparação de quantidades. Ao todo eram 5 mil operações por segundo e cálculos que levariam 30 horas mobilizariam equipes inteiras, eram feitos em 15 segundos. O ENIAC era um colosso de 40 unidades de painéis, 17.468 tubos de vácuo, 1.500 interruptores e consumo de 150 kWh de energia. Ele pesava cerca de 30 toneladas. Ele foi montado em forma de U em uma sala só pra ele, ocupando 167 m² e tendo 2,4 metros de altura. Ao todo, ele custou quase 7 milhões de dólares em valores atualizados. Como dá pra imaginar, programar o ENIAC era uma tortura: renovar as sub-rotinas, cálculos quebrados entre painéis e ter que mexer em cada um dos cabos do sistema elétrico e nas mesas de funções. As únicas partes mecânicas eram o cartão de dados como input e um cartão perfurado como output, duas tecnologias da IBM, que já teve a história contada por aqui. A montagem do ENIAC só acaba no último trimestre de 45, depois do fim da guerra, mas isso não significa que eles perderam o timing, já que a máquina não deixou de ser revolucionária. E um dos primeiros trabalhos do ENIAC não teve nada a ver com balística convencional. Ele foi usado pra testar um dos possíveis designs da bomba termonuclear de hidrogênio e provou que o modelo que era trabalhado em Los Angeles não era o ideal. Em 14 de fevereiro de 1946, o ENIAC é mostrado oficialmente ao público em uma festa e uma trajetória de míssil foi calculada ao vivo e sem erros, mostrando que ele era um sucesso. Já em novembro desse mesmo ano, ele é desmontado e enviado para a Aberdeen Proving Ground, em Maryland, também nos Estados Unidos, numa instalação militar. Em agosto de 47, já com algumas atualizações, o computador volta a operar normalmente. O começo nessa nova casa foi um pouquinho difícil. Lá ele começou a apresentar os primeiros defeitos mais graves e tinha uma difícil manutenção, especialmente pelo tamanho e a complexidade de funcionamento, mas logo a equipe se adaptou. Na época da Guerra Fria, o ENIAC ainda era bem valioso pra corrida armamentista e os avanços da ciência. Ele foi usado ao longo dos anos também para balística, claro, que era a sua especialidade, mas chegou a fazer cálculos de previsão do tempo, cálculos com energia a nível atômico, estudos de raios cósmicos, construção de túneis de vento e muito mais. E ele começou a ficar pra trás em relação a outros computadores com o tempo. Um deles é o Electronic Discrete Variable Automatic Computer, ou EDVAC, criado pela mesma dupla do ENIAC em 49, com a ajuda do lendário pesquisador John Von Neumann. Já o ORDVA, que era quase a mesma sigla, mas com Ordnance Discrete no começo, nasceu em 52 e foi o primeiro que contou com compilador. Ele foi criado na Proving Ground também sobre a supervisão de Von Neumann. Os dois eram mais rápidos e também mais baratos. Nesse fim da vida, o ENIAC recebeu mais tubos de vácuo, novos circuitos e até instruções pré-programadas das operações que eram mais comuns, como se fossem atalhos. Esse tipo de programa embutido na memória, que hoje é uma coisa óbvia dos nossos computadores e tá até dos nossos smartphones, só virou realidade em 1948 com a máquina experimental Manchester Baby. Em 2 de outubro de 1955, o ENIAC era desligado pela última vez. Mas o legado que ele deixou é incomparável e dura até hoje. Ele foi desmontado e os painéis foram espalhados para exibição por várias instituições, como a própria Universidade da Pensilvânia, o Museu Nacional de História Americana em Washington e o Museu da História do Computador em Mountain View, além do Museu da Ciência de Londres. Em 1996, em comemoração ao quinquagésimo aniversário do ENIAC, a universidade onde esse gigante nasceu provou o quanto a tecnologia avançou em tão pouco tempo. Ela criou um simples processador de 20 MHz e 7 x 5 mm, que tinha exatamente a mesma funcionalidade do computador que ocupava uma sala inteira. Já em 1997, as matemáticas e programadoras que trabalharam lá na equipe do ENIAC e foram injustiçadas pela história, finalmente ganharam seu devido reconhecimento. Mulheres eram comuns nas iniciativas dos primeiros computadores e no caso do ENIAC, elas aprenderam a mexer na máquina por conta própria e ainda melhoraram ela com o tempo. Apesar do trabalho duro e até de terem calculado o teste que foi exibido publicamente lá naquela festa que eu contei, elas não foram nem convidadas pro lançamento em 46 e nem eram identificadas nas fotos pelo nome até décadas depois. As programadoras Frances Bilas, Jean Jennings, Ruth Lichterman, Kathleen McNulty, Betty Snyder e Marilyn Wescoff merecem todos os méritos por ajudarem a construir essa história. E outros computadores competem pelo título de primeiro eletrônico e digital até hoje. O ABC, o Atanasoff-Berry Computer, é de 1942 e a justiça dos Estados Unidos concluiu que o ENIAC era um derivado dele, só que melhorado por ser programável e passar nas regras de computadores da completude de Turing. O Colossus fica pra trás também por não ser geral, só decodificava mensagens criptografadas. Já o alemão Z3 foi criado pelo cientista Konrad Zuse, era programável, era eletrônico, mas durou menos de 2 anos porque foi destruído em 43 por um bombardeio em Berlim. Ele funcionava um sistema binário e não chegou a ter o potencial completo utilizado, já que o governo alemão não ajudou a financiar o projeto. O ENIAC foi então o mais durável dessa turma, foi usado não só para fins militares e no fim também recebeu mais atenção mesmo. Só que isso não tira todo o mérito dessa máquina gigante e tão importante pra gente evoluir e chegar nos computadores de hoje. E essa é a história do ENIAC, um dos pais dos computadores. Ele é uma máquina que hoje seria impossível de pensar em usar, mas que assim como muitas outras tecnologias que surgiram no meio militar, ajudou a mudar o mundo de hoje. Se você quiser ver a história de uma empresa, de um produto ou de um serviço contado aqui no canal, aqui no História da Tecnologia, é só deixar o seu comentário aqui embaixo que a gente lê. Eu vou pedir mais uma vez para você se inscrever no canal do Tech Mundo, dá um joinha e tocar no sininho e confere a playlist do História da Tecnologia daquela história que você tanto quer ver já pode ter sido contado aqui. Até a próxima!



