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África-Brasil (Semente, Raiz e Tempo) 1° parte

Alan Zas

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[0:59]Todos os estudos recentes sobre a história dos humanos indicam que foi nesse continente que surgiram os primeiros seres que podemos chamar de ancestrais.
[0:59]De lá, por conta de uma série de fatores, foram se espalhando pelo restante do globo.
[1:28]Após milênios da migração dos primeiros humanos da África para os demais continentes, o relativo isolamento em que essas populações viviam deixou de existir a partir do século XV.
[1:28]Quando os europeus, em busca de riquezas e novas rotas para atingirem seus interesses comerciais, começaram a navegar pelos oceanos e se deparar com terras que até então eram desconhecidas para os mesmos.
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[0:59]África, o berço da humanidade. Todos os estudos recentes sobre a história dos humanos indicam que foi nesse continente que surgiram os primeiros seres que podemos chamar de ancestrais. De lá, por conta de uma série de fatores, foram se espalhando pelo restante do globo. De certa forma, pode-se afirmar que a África é a mãe de todos os povos.

[1:28]Mais do que isso, a África é um continente de grande diversidade, por seu imenso tamanho, possui culturas extremamente ricas, com linguagens, tecnologias, relação com a natureza, crenças com raízes profundas que percorrem o tempo. Após milênios da migração dos primeiros humanos da África para os demais continentes, o relativo isolamento em que essas populações viviam deixou de existir a partir do século XV. Quando os europeus, em busca de riquezas e novas rotas para atingirem seus interesses comerciais, começaram a navegar pelos oceanos e se deparar com terras que até então eram desconhecidas para os mesmos.

[2:17]Sentindo-se poderoso por conseguir atravessar mares e chegar onde jamais imaginavam, esses povos da Europa começaram a se achar superiores, reproduzindo discursos preconceituosos, supostamente justificados pela igreja e pelos desejos de riqueza que traziam consigo. Daí, a violência se instalou nas terras novas e tanto na América quanto na África, os povos nativos viram seus visitantes, em alguns casos, hóspedes, se tornarem seus opressores e assassinos.

[3:06]A escravidão tornava-se um negócio lucrativo para o enriquecimento das nações europeias e traumático para todos os outros povos que passaram por ela.

[4:16]Os europeus contabilizavam tais perdas de sua mercadoria, mas ainda assim lucravam e continuavam.

[4:26]Os negros, como eram chamados pelos europeus, eram vistos como seres inferiores, comparados aos animais que podiam ser domesticados, desprovidos de cultura ou de raciocínio. A própria Igreja Católica, religião predominante na Europa e nas colônias ocidentais, defendiam teses de que o negro não possuía alma, ou mesmo que suas estranhas práticas religiosas eram frutos diabólicos, devendo estes serem castigados para a purificação de suas pessoas, a fim de possivelmente serem perdoados. No Brasil, antes de serem expostos nas feiras para venda, os diversos africanos eram levados a lugares específicos, onde acontecia o que alguns brancos consideravam uma suposta recuperação para que ficassem mais atrativos para os compradores. Em alguns casos, como se faz ainda hoje com alguns animais, levavam parte desses africanos para castradores, onde eram esmagadas as suas partes sexuais, a fim de que sua energia sexual anulada fosse revertida para a força no trabalho manual. As feiras nas cidades, como as que ainda ocorrem em alguns lugares do Brasil, eram locais de venda das mais diversas produções, desde legumes, roupas, animais. Ali, ou em leilões, na maior parte das vezes, aconteciam as vendas dos africanos tornados produtos.

[5:58]Os critérios de venda e compra, os valores, eram determinados de acordo com a qualidade da peça, que podia ser avaliada pela estrutura física, pelos dentes, como se faz até hoje para ter a ideia da idade de um cavalo. Nos casos das mulheres destinadas a serem amas de leite, avaliavam as condições joviais dos seios. Os fazendeiros e a comunidade branca ia assim tratando de tentar desumanizar o africano, transformando-o em um tipo de animal doméstico.

[6:42]As condições de vida dos escravos eram diversas no Brasil. Embora a maioria dos homens estivessem destinados ao trabalho manual, nas lavouras de cana, café, algodão, ou nas minas de ouro, haviam também escravos nos centros urbanos, que começavam a crescer. Cumprindo papéis como carregadores, comerciantes, realizadores de trocas, entre outras coisas. A mão de obra do africano escravizado foi produzindo a riqueza dos proprietários de terras, dos senhores nas cidades, das coroas na Europa.

[7:34]O número de mulheres escravizadas era muito menor do que o de homens e comercialmente valiam menos, pois para os dominadores, suas tarefas rendiam menos. Viviam de realizar trabalhos domésticos, tornavam-se amas de leite e em muitos casos, os senhores usufruíam de seus corpos para seus desejos sexuais. Através de violência, ou em troca de favores, o que gerava outros castigos por parte das senhoras, as esposas dos senhores.

[8:55]Os feitores eram os principais carrascos, homens pobres, de confiança dos senhores e cuja função era garantir que os negócios do patrão se mantivessem no eixo. Para isso, promoviam o terror entre os negros escravizados.

[9:52]Ainda que os europeus tenham tentado desde o início desumanizar, animalizar os africanos, e que os senhores aqui no Brasil e em outros cantos, tenham tentado continuar isso, a resistência dessa gente sempre esteve presente. Os africanos mantiveram, ainda que em alguns momentos guardado lá no seu espírito, suas raízes, suas crenças, seu modo de ver a vida, sua noção de liberdade. Quando tinham a oportunidade, muitos se rebelavam, nas senzalas eram feitos planos, por vezes matavam os feitores e fugiam das fazendas. Em alguns casos, matavam os senhores quando tinham a oportunidade.

[11:00]O africano fez de seu corpo e seus conhecimentos ancestrais, a luta e a força necessária para combater feitores, capitães de mato, a escravidão.

[11:18]Quando tinham êxito em sua fuga, iam para lugares distantes do interior brasileiro, onde os brancos colonizadores ainda não tinham o domínio e lá nasceram os quilombos.

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