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O HOMEM MAIS ODIADO DA COREIA DO SUL: CASO CHO DOO-SOON

K-DAN

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[0:00]Mas quem é esse senhor que atualmente tá com mais de 75 anos de idade, e o que é que ele fez de tão grave para ser tão odiado assim?
[0:00]As suas ações foram tão marcantes que inclusive inspiraram a produção de um filme.
[0:00]Eu tô falando de Hope, que acredito eu, é o filme coreano mais difícil de ser assistido.
[0:00]Muitos inclusive descobriram sobre o caso que eu vou falar hoje a partir dele, mas realmente ele toca num assunto muito sensível.
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[0:00]Esse homem daqui é a pessoa mais odiada da Coreia do Sul, num ponto em que se ele ficar sozinho, sem vigilância, que ele tem normalmente 24 horas por dia, ele corre o risco de aparecer alguém e tentar exterminar a sua vida, e olha que já tiveram várias tentativas. Mas quem é esse senhor que atualmente tá com mais de 75 anos de idade, e o que é que ele fez de tão grave para ser tão odiado assim? As suas ações foram tão marcantes que inclusive inspiraram a produção de um filme. Eu tô falando de Hope, que acredito eu, é o filme coreano mais difícil de ser assistido. A produção é linda, eu super recomendo, é importante que a gente veja. Muitos inclusive descobriram sobre o caso que eu vou falar hoje a partir dele, mas realmente ele toca num assunto muito sensível. Porque a gente vai falar nesse vídeo sobre a situação que uma família teve que passar, mais especificamente, com a filha de um casal que tinha na época 8 anos de idade. Eu acho que dos casos que eu já trouxe aqui no canal, esse com certeza vai ser o mais delicado. É um caso que até hoje os sul-coreanos fazem questão de não esquecer, tanto que inclusive ele já inspirou várias mudanças legislativas dentro do país. Então fica aqui comigo, que hoje eu vou te contar sobre esse trágico episódio da história da Coreia do Sul, em mais um episódio do Ásia Investigação.

[1:30]Tudo aconteceu no dia 11 de dezembro de 2008 em Ansan, uma cidade da província de Gyeonggi relativamente grande como população de mais de 700 mil pessoas. Na época o inverno tava bem rigoroso e uma garotinha que durante esse vídeo, nós vamos chamar pelo pseudônimo de Nayoung. Ela tava saindo de casa por volta das 8:20 da manhã para ir para escola. O seu pai já tinha saído para trabalhar, a sua mãe a vestiu e ela foi fazer o percurso de casa até o colégio sozinha. Isso é uma coisa que a gente ocidental pode estranhar, mas é bem comum nos países do leste asiático, as crianças desde muito novas aprendem a ir à escola sozinhas. Seja ir a pé, se já for perto de casa, ou então fazer o percurso até o ônibus e elas pegam sozinhas. Isso não é visto como negligência nem nada do tipo, antes que alguém aqui pergunte. Mas a Nayoung foi caminhando, a escola ficava a poucos passos de distância da sua casa, e a sua mãe sempre dizia: "olha, pega a avenida principal", "já que ela é mais movimentada, você chega rápido até o colégio e dá tudo certo". Sendo que naquele dia, a Nayoung não pegou a avenida principal, ela subiu uma ladeira e entrou numa rua secundária. Eu não sei porque é que ela fez isso, se, sei lá, achou que era melhor, ou que era um atalho, ela entrou por lá. E era um terreno elevado, tava relativamente frio se comparado com a rua principal, e naquele momento não tinha ninguém circulando. Ou seja, era a oportunidade perfeita para o criminoso dessa história agir. Foi quando ela passou em frente a um prédio de três andares que ficava uma igreja, que um senhor desconhecido se aproximou e perguntou: "você frequenta essa igreja?" A garotinha respondeu que não, e logo em seguida o senhor tampou a sua boca e disse: "pois agora você vai frequentar". Arrastando-a pelos braços até a porta de vidro da igreja e levando a menina para o banheiro que ficava no final do corredor do primeiro andar. O cheiro de álcool emanava da sua boca, e ele fechou a porta do banheiro, baixou a tampa do vaso sanitário e deixou a menina sentada lá. No processo desse caso, nós temos uma descrição bem mais detalhada do que foi que aconteceu. Mas basicamente, o que ele fez foi um abuso contra essa garota. Então ele tinha pedido para ela fazer certas coisas, a criança obviamente recusou, e ele começou a se utilizar de violência contra ela, colocando as mãos do pescoço, num ponto em que ela terminou perdendo a sua consciência.

[4:03]E a partir daí, ele começou a fazer o que bem queria com a menina, se é que vocês me entendem. A questão é que tudo aconteceu com tanta violência que ela ficou muito machucada. Não somente pelo fato dele ter feito ela perder a consciência, ter batido na menina. Teve uma hora que ela chegou a gritar e ele mordeu a sua bochecha, o que deixou um machucado muito feio. Tem alguns links na descrição que eu vou deixar aqui que foram do caso, foram compartilhados pela mídia, pela polícia, porque aqui no vídeo não dá para colocar, já que foram bem pesados. Mas enfim, ele tá fazendo esses atos e um deles foi naquela região que a gente normalmente utiliza para fazer as nossas necessidades. Então ele fez tudo aquilo numa criança que tinha apenas 8 anos de idade. Ela ficou tão machucada que ela rompeu inclusive a ligação dessa área com o seu intestino delgado, da tamanha violência que aconteceu. E quando ele se deu por satisfeito, ele queria apagar os seus rastros, tentou limpar impressões, ele ligou a torneira que deixou a água escorrendo, e ainda com o auxílio de um cabo, aqueles que a gente tem normalmente no banheiro para poder limpar o vaso sanitário, ele pegou, colocou o detergente e inseriu. É isso mesmo que vocês estão pensando, para tentar limpar, o que terminou causando ferimentos ainda mais graves dentro da vítima. Então depois disso, ele a deixou lá desacordada no banheiro e foi embora. Depois disso, a Nayoung recuperou a sua consciência, sozinha, num clima muito frio, ela nem sequer consegui andar direito para vocês terem uma ideia. E ela saiu do banheiro se rastejando, gritando por ajuda, até que alguém passou por lá, escutou a menina, viu seu estado e prontamente ligou para a polícia e para a emergência. O estado de saúde dela era gravíssimo. Existia uma probabilidade dela perder 100% das suas funções reprodutoras e também intestinais. Tanto que durante vários meses a garota de 8 anos teve que usar uma bolsa de colostomia, já que ela não podia utilizar o banheiro normalmente. Ao mesmo tempo que isso acontecia, a família passava por uma situação financeira extremamente delicada. Eles precisavam cuidar da sua filha, mas as contas ainda tavam surgindo, eles não podiam marcar com todos esses custos e foi aí que a gente viu uma ação muito bonita pelos moradores da cidade, principalmente dos vizinhos. Todo mundo resolveu fazer uma vaquinha de arrecadação para a família, para pelo menos folgar um pouco essas obrigações que eles tinham, deixar que esse processo fosse menos dolorido. E em pouco tempo, os moradores arrecadaram um valor de aproximadamente R$600.000. É aí inclusive que tivemos a primeira mudança na lei a partir desse caso. Os pais estavam muito preocupados que com essa doação, eles perdessem o benefício do governo que recebiam, tipo um bolsa família da vida. Porque quando eles ganhassem essa quantidade de dinheiro, eles iam tá fora dos requisitos para estarem sendo beneficiários. Foi preciso então que o Ministério da Saúde e do Bem-Estar determinasse que doações públicas decorrentes de um crime que aconteceu com alguma família não fossem motivos para excluir você dentro desse rol de beneficiários. Então eles puderam manter esse dinheiro e também continuarem recebendo o benefício do governo. No filme Hope, a gente tem uma visão bem mais pessimista da recuperação da Nayoung e de certa forma eu entendo isso, porque o filme tem essa proposta de conscientizar, de ter aquela carga dramática. É importante para a produção como um todo, mas no caso real, a gente teve sim um progresso dentro da sua recuperação. A Nayoung passou por várias cirurgias reconstrutivas e que deram a ela sim, a possibilidade de engravidar no futuro. A gente não sabe se ela tem interesse de ser mãe, mas agora é uma escolha, é um direito que não foi tirado mais dela. Ela passou inclusive que teve mais de 6 horas de duração para reconectar o seu intestino delgado, aquela área que tinha sido bastante afetada. Isso fez com que ela recuperasse mais ou menos 70% dessa função e também tivesse o seu útero e ovários preservados. Hoje em dia ela pode já levar uma vida normal em relação a isso. Fisicamente ela já tava melhor, mas psicologicamente, a garotinha ainda teria muitos desafios pela frente. Eu quero falar isso um pouco depois nesse vídeo, porque agora eu quero focar na investigação que a gente teve para descobrir quem foi o culpado, quem quem foi o monstro que fez isso com a Nayoung. A polícia no início teve um pouco de dificuldade de achar alguma pista, justamente porque era perceptível que a pessoa que fez aquilo já tinha um pouco de experiência em cometer crimes, já sabia um pouco como cobrir os seus rastros, tanto que eles demoraram muito para achar alguma impressão digital. Realmente foi muito difícil, porque o chão tava molhado e perceberam que tinham marcas de esfregão na maçaneta, provavelmente utilizadas para apagar a impressão do criminoso. Foi somente após 6 horas de análise que a perícia finalmente encontrou três impressões digitais. Grande parte dessas impressões, elas ficavam na moldura da porta, porque o que foi que aconteceu, o que é que foi que a perícia entendeu? Quando ele pegou a menina e a levou para aquela igreja, ele usou ela basicamente como se fosse a sua mão. Então ele segurou o corpo dela contra a porta de entrada, conseguiu abrir sem nem encostar lá as suas mãos, fez a mesma coisa com o banheiro e colocou a menina lá sentada. Quando ela apresentou resistência e ele teve que lutar contra ela, ele trocou as suas mãos e sem perceber ele encostou nessa parte da parede, isso deixou algumas impressões digitais que a polícia já podia trabalhar. Se não fossem pelas impressões, ia ser muito difícil encontrar qualquer outro vestígio dele. A gente tinha, por exemplo, manchas de sangue, pedaços de cabelo, mas nada disso era do criminoso e sim da vítima, somente para vocês terem uma ideia de quão intensa foi a violência que ela passou. Três dias após o incidente, o departamento de polícia achou quem era o culpado no seu banco de dados, um homem chamado Cho Doo-Soon, de 57 anos. E o pior, ele morava a menos de 500 metros da residência da família. E era um cara muito conhecido pelas autoridades, afinal de contas, já tinha 14 antecedentes criminais. Como é que alguém teria a coragem, ou melhor, a falta de humanidade tão grande ao ponto de cometer uma atrocidade dessas contra uma criança de apenas 8 anos de idade? Vamos conhecer um pouco mais do passado dele antes de irmos para o julgamento e eu vou tentar adiar um pouco o ódio de vocês. Porque, acreditem, ele ainda vai vim com muito mais força. O Cho Doo-Soon nasceu no dia 18 de outubro de 1952, sendo caçula de quatro irmãos e uma irmã. O pai dele era alcoólatra, muito violento, batia nos filhos, batia na esposa. Então esse era meu que o seu ambiente familiar e quando o Cho Doo-Soon tava com 10 anos de idade, certo dia o seu pai tinha ido urinar naqueles banheiros que a gente tinha mais tradicionais da Ásia. Sabe que é somente um buraco que você faz as suas necessidades. Ele tava bêbado, caiu dentro do buraco e terminou falecendo. Já sua mãe sofria de paralisia por conta de um derrame. Dá pra ver que ele não tinha a família mais estruturada possível e isso moldou o seu caráter. Tanto que na escola ele era conhecido por ser um bully, por ficar implicando com quase todos os alunos e ele não iria conseguir prosseguir com seus estudos, tanto que abandonou o colégio no sexto ano do ensino fundamental. Foi a partir daí que ele começou a se envolver em várias atitudes delinquentes e aos 18 anos de idade cometeu o seu primeiro crime oficial, roubar uma bicicleta. Uma coisa pequena, mas que seria apenas o início de uma série de crimes que ele iria cometer ao longo dos anos. Durante a juventude e vida adulta, o Cho Doo-Soon fazia vários bicos, ele trabalhava como engraxate, trabalhava como vendedor de rua, como DJ de música. E ao mesmo tempo que nem o seu pai tinha uma forte dependência alcoólica. Na época que ele era DJ inclusive, ele teve vários relacionamentos instáveis com mulheres, chegou a agredir uma delas e outra ele teve uma briga, a levou para um quarto de hotel e fez um abuso. E a pena que ele tinha recebido, pasmem, era de apenas 3 anos de prisão. No final dos seus 30 anos, ele encontrou a sua atual esposa que sim, tá até hoje com ele, uma mulher 15 anos mais nova. E em 1995 foi a primeira vez que ele chegou a tirar a vida de alguém, se metendo em um crime por conta de uma briga de bar. Inicialmente ele tinha sido condenado a 5 anos de prisão, mas teve apenas reduzida a 2, justamente porque a justiça reconheceu a sua capacidade mental reduzida. Mesmo após isso, o Cho Doo-Soon continuou cometendo vários crimes com muitas condenações nas suas costas, mas foi apenas no ano de 2008, quando ele fez aquilo com a pobre Nayoung. Que ele teve o seu rosto divulgado, o seu nome e seria conhecido por toda a Coreia do Sul. Finalmente começaram as várias sessões de julgamento, e sério, aqui é a parte que vocês mais vão passar raiva. Quando eu pesquisava para fazer esse vídeo, me dava vontade muitas vezes de entrar na tela do computador e esganar o sistema de justiça da Coreia do Sul, porque, pelo amor de Deus. Mas desde o início, quando o Cho Doo-Soon foi preso, ele sempre alegava que não lembrava de nada porque tinha bebido muito. E lembrem disso, do beber muito, porque vai ser importante daqui para frente. Foi somente lá pela terceira audiência, quando a acusação apresentou as impressões digitais, que ele não teve outra escolha a não ser falar que estava lá na igreja. Porém ele utilizou uma desculpa que foi a seguinte: "tá, eu tava lá, mas eu somente tinha ido pra urinar". "Cheguei no banheiro, vi um cara saindo lá da porta, e quando eu abri, aquela garotinha já tava lá numa situação muito deplorável. Eu fiquei com medo de, sei lá, me acusarem de ter feito isso, por isso eu a deixei sentada lá e fui embora do local". Foi uma desculpa que não colou com absolutamente ninguém. O juiz então, apontou algumas inconsistências no seu depoimento, porque o local que o réu afirmava que tinham suas impressões digitais, não correspondiam aos da perícia. E o Cho Doo-Soon disse que não sabia por que dessas impressões, e ele ainda teve a pachorra de dizer que elas poderiam ter sido plantadas pela perícia. Para tudo ele tinha uma desculpa. Quando o procurador foi prendê-lo na sua casa, ele fez uma busca e apreensão, tinha encontrado um tênis e uma roupa que ele utilizou no dia que tavam com manchas de sangue. E o Cho Doo-Soon tinha dito que isso tinha sido por conta de uma briga de bar que ele se envolveu nas proximidades do local, sendo que a perícia já sabia que aquele sangue era da Nayoung. Era essa postura de cara de pau que ele apresentou durante todo o julgamento, sempre que ele chegava, se curvava 90 graus perante ao juiz, mas quando ele passava pela família da Nayoung e também pela própria garota, ele nem sequer baixava a sua cabeça, agindo com muita frieza. E é aí que começa a parte mais revoltante, porque mesmo diante de todas essas provas que vocês estão vendo, a defesa do Cho Doo-Soon sempre batia na mesma tecla. "Ele tava bêbado, ele não lembrava direito o que aquele fez". E na Coreia do Sul, você tá bêbado é um fator muito determinante na hora de um crime ser julgado. Hoje em dia isso é um pouco diferente, por conta desse caso em específico, mas basicamente, se você cometeu algum crime, a lei coreana diz que se você tava, por exemplo, sob o efeito de álcool, é como se você fosse considerado o que a gente chama no direito de "semi-imputável". Você não tinha total ciência dos seus atos, então você não pode ser culpabilizado ao máximo, você vai ter a sua pena reduzida de acordo com a legislação coreana. Pelo menos pela metade, independentemente do crime que você cometeu, pode ser um simples furto, até mesmo esse caso que a gente tá tratando. Então para o juiz, por lei, ele somente poderia escolher de um número entre 7 a 15 anos de prisão, bem diferente da prisão perpétua que a promotoria tinha pedido. E por conta disso, o Cho Doo-Soon tinha sido condenado em primeira instância a 12 anos de prisão por tudo que ele fez contra essa garotinha de 8 anos de idade. Esse é um ponto inclusive que foi muito criticado na época, porque como é que a lei considera uma pessoa dessa sem consciência dos seus atos? Se ele teve ainda autonomia para poder limpar os seus rastros, conseguiu esconder algumas coisas dentro de casa, foi limpar as impressões digitais, ele tinha premeditado tudo isso. Então, tá, ele não sabia muito bem porque tinha bebido. Se ele não tivesse bebido, aí ele não teria feito isso? Não é uma coisa meio estranha? Mas tudo bem, né, somente foi a primeira instância, dá para recorrer, né? Aí é que tá, o Ministério Público não recorreu dessa decisão, somente a defesa. E quando isso acontece, nós temos um princípio que se somente o lado que foi prejudicado, somente o lado que foi acusado recorreu, a nova decisão que devemos ter, ou ela deve se manter ou então ela deve diminuir a pena que foi dada. Nada pode ser feito para prejudicá-lo justamente porque a outra parte não recorreu. Por conta disso, foi mantida a sentença de 12 anos de prisão. Desde o início, o Ministério Público agiu muito estranho nesse caso, porque assim, eles ofereceram ao juiz somente a denúncia de um certo crime. Mas eles podiam também ter adicionado o outro de uma lei especial da Coreia, que tem uma pena mínima maior, quando aquilo é cometido com uma pessoa menor de 13 anos de idade, que é o caso da Nayoung, então. Então, mesmo que essa pena já fosse reduzida pela metade, o juiz teria que escolher pelo menos o número que fosse acima de 15 anos dentro dessa pena mínima. O Cho Doo-Soon ficaria preso por um pouco mais de tempo, sabe? Um ano depois, o Ministério Público inclusive reconheceu a sua culpa nesse caso, que ele não agiu da forma que deveria e puniu internamente o promotor que tava envolvido nesse caso. Agora, como é que foi essa punição? Se sei lá, foi uma aposentadoria compulsória ou tal, a gente nunca vai saber. Olha, tudo nesse caso é errado e uma coisa que eu preciso pontuar aqui, é que prisão perpétua na Coreia é só de nome, tá? Porque o país que nem o Brasil tem progressão de regime, mas progressão para prisão perpétua. Então você depois de 20 anos, já pode progredir para condicional, e dependendo do crime, se você não tem ficha criminal, em 10 anos você já tá em casa. Mas eu disse a vocês que esse caso gerou algumas mudanças da lei, e o que é que nós temos? A Coreia ainda reconhece essa bendita "semi-imputabilidade", se você bebeu, se você tava alcoolizado. Eu não acho que isso deveria se aplicar a todos os crimes, queria inclusive até a opinião de vocês, porque tipo, se dirigir alcoolizado é um crime e você é punido por isso. Por que é que dos outros você é tratado da mesma forma que, sei lá, no direito, a gente trataria alguém que tem algum distúrbio mental? Eu não acho que é a mesma coisa, a capacidade mental reduzida não deveria se aplicar aqui. Mas tudo bem, isso ainda permanece, mas nesse caso, fica a critério do juiz. Se o caso do Cho Doo-Soon fosse hoje em dia, o juiz que iria decidir: "não, eu não acho que o álcool aqui teve algum papel para ele ter deixado de fazer isso ou não". Então eu não vou aplicar essa lei. Ele hoje em dia tem essa autonomia. Naquela época isso não acontecia e por isso o Cho Doo-Soon foi condenado a 12 anos de prisão. Tá, mas e a Nayoung? Lembram que eu disse que fisicamente ela já tava bem, mas psicologicamente, ela ainda tinha muito que enfrentar. Pois bem, desde muito nova a garotinha tinha o sonho de se tornar médica, mas foi um sonho que ela terminou não tendo mais vontade. Justamente porque ela temia que caso ficasse conhecida na sua profissão, em algum momento aquele homem poderia encontrá-la e fazer tudo aquilo novamente. Ela apresentava sintomas como taquicardia, hiperventilação, e várias coisas que são comuns ao estresse pós traumático, sintomas que normalmente ex-soldados de guerra possuem, tavam acontecendo com uma garota que depois de uns anos já tava com os seus 13, 14 anos de idade. Em 2013, quando o filme Hope reapresentou a história para o país inteiro, a família topou a produção, foi na pré-estreia e reviu o filme. Ainda assim, deixaram claro que o objetivo ali não era reviver a tragédia por tragédia, era relembrar que a Nayoung queria seguir em frente, e bom, mesmo com toda a dificuldade, ela foi uma guerreira e seguiu. Em 2017, o pai da Nayoung tinha falado que a sua filha, que na época tava no terceiro ano do ensino médio, tinha passado em uma universidade e ia cursar medicina. Ela recuperou a coragem para fazer o seu sonho e ela também já tava com uma irmã mais nova e inclusive tinha feito uma promessa com ela. A Nayoung se tornaria médica e a sua irmãzinha advogada, e juntas elas iriam ajudar pessoas que assim como ela também precisavam de alguém ao seu lado. Enquanto isso, dentro das grades, o Cho Doo-Soon só fazia o que sempre fez de melhor, silêncio calculado. Ele ficava pingando de presídio em presídio, sempre sob vigilância 24 horas, mas no geral, ele não causou nenhum alarde dentro do sistema. Ele não partiu para confusão e teve uma vida bem calma durante o tempo que ele permaneceu preso, até o dia 12 de dezembro de 2020, a madrugada da sua soltura. E gente, esse foi o momento caótico. A gente tá falando de um período de pandemia e mesmo assim tava cheio de gente nas ruas em tudo que era presídio para descobrir qual deles o Cho Doo-Soon ia sair. A polícia tinha mantido isso em segredo porque justamente teria muita gente até querendo fazer algum tipo de coisa com ele. Então assim, no momento que descobriram onde o cara tava, aí foi o caos total. A gente tinha streamers, tinha youtubers, tinha gente fazendo live, por exemplo, perseguindo o carro da polícia, tentando quebrar a janela, todo mundo querendo fazer alguma coisa para pegar o Cho Doo-Soon. E quando ele finalmente chegou na sua residência, aí que o cabaré tava feito, teve gente que tentou entrar lá, quebrar tudo, esganar o cara. E olha o pior de tudo é que quando eu digo que ele voltou para sua residência, eu tô falando da mesma residência que anos atrás o crime tinha acontecido. Sim, ele voltou a ficar a menos de 500 metros da família, que não tinha se mudado da cidade. Desde o início, a pedido da própria Nayoung, ela tinha dito que não queria sair de Ansan porque eles não tinham feito nada de errado. Eles não queriam se sentir como criminosos tendo que fugir, mas infelizmente foi isso que aconteceu. Por conta dos gatilhos que voltaram com a soltura do Cho Doo-Soon, eles resolveram se mudar e ir para outra cidade. Mas a família ainda não teria esse dinheiro, eles eram muito humildes, e foi mais outra vez que a população organizou uma vaquinha. Arrecadando um valor de mais de 1 milhão de reais para que eles pudessem recomeçar a sua vida. Foi só depois de uns 3 dias de comoção pública que a galera deixou lá a cidade, porque tava com uma nevasca bem considerável. Então o Cho Doo-Soon ficou na casa com a sua esposa, a polícia sempre fazia rondas vigiando 24 horas por dia. Tanto pela segurança dos moradores, como também a própria segurança dele. Mas isso não impediu que alguns episódios acontecessem, como, por exemplo, em 2021. Na qual um cara disfarçado de policial entrou dentro da sua casa e atacou o Cho Doo-Soon com marteladas. E sim, infelizmente o Cho Doo-Soon terminou sobrevivendo. Esse cara ficou até preso um pouquinho e o povo ficou dizendo: "meu Deus, que absurdo, não é para ele ser preso, não". "Ele tá fazendo um favor à sociedade". É, o Cho Doo-Soon não tá tendo a vida mais calma até os dias de hoje. E essa casa que ele morava, quando chegou o prazo de validade do contrato de locação, obviamente o proprietário não queria mais renovar. E eles precisavam de um lugar para morar, mas toda vez que a sua esposa ia procurar uma casa, quando descobriam que eita, "ela é a esposa dele", eles não queriam oferecer o imóvel. Teve uma vez que ela até chegou a mentir dizendo: "ah, o meu marido é um empresário, ele não aparece muito aqui". E descobriram que ela tava mentindo. Mesmo assim o contrato tinha sido assinado, o cara processou a mulher, ela ainda tava querendo uma indenização por conta disso. E depois de muita procura, foi aí que eles acharam um imóvel a 1 km, mais ou menos, da sua casa. Uma coisa que eu me pergunto muito desse caso, é como é que essa mulher ainda tá com ele? Em entrevista, ela tinha dito até que a questão é que ele somente é perigoso, ele somente é mau, quando ele bebe bastante, porque ele já chegou a agredi-la inclusive. Então se ele não tiver bebendo, ele não vai ser um problema, e quando ainda perguntada em entrevista sobre como ela se sentia em relação à família, principalmente pelo fato deles terem que se mudar de residência, ela disse que não pensava muito nisso. É complicado. Então, depois de tudo isso que eu falei, tá um vídeo relativamente longo, mas eu sei que de vídeo longo vocês adoram. Dá para perceber por que é que o Cho Doo-Soon aos seus 70 e poucos anos, é o homem mais odiado da Coreia do Sul. E eu acho que a gente nunca deve esquecer desse caso, sempre devemos relembrar dos horrores que a pequena Nayoung passou e ficar felizes que hoje em dia ela tá podendo seguir com a sua vida. Nós não temos fotos do seu rosto, nem o seu nome revelado. Eu fico muito feliz que nesse aspecto a Coreia do Sul conseguiu muito manter a privacidade da vítima, e ela pode prosseguir com a sua vida da forma que bem entender, sem ser marcada por tudo isso que aconteceu no passado. Olha, eu recomendo que vocês deem uma olhada depois no filme Hope. Ele vale muito a pena, apesar de ser difícil de assistir. Mas, basicamente, esse foi o novo episódio do Ásia Investigação, digam sua opinião nos comentários e eu os vejo com o próximo vídeo. Tchau, tchau.

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