[0:00]Bem-vindo, bem-vinda à aula um de mapas da UFRJ. Eu sou o professor José Otávio e estou aqui na aula de mapas. Eu sou um homem branco, cabelos pretos grisalhos, cara mais comprida que redonda, olhos castanho escuro, um pouco caidinho, sorriso no rosto. Eu estou muito, muito feliz de tá aqui com vocês, queridos estudantes de mapas da UFRJ. Nessa primeira aula, eu vou contar um pouquinho mais de mim, vou falar um pouquinho de mim, das coisas que eu gosto, porque a gente vai ter o primeiro formulário que eu vou enviar pra vocês e vocês vão falar um pouquinho de vocês, do que vocês gostam. Do que funciona pra vocês, por exemplo, ah, qual é a minha série predileta, um assunto que eu gostaria de ver numa aula aqui de mapas, você vai contar um pouquinho de você. Então eu vou começar contando um pouquinho de mim. É, eu sou José Otávio e nasci na cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, no ano de 1976. Portanto, 50 anos antes do que essa aula tá sendo gravada. É muito tempo, pessoal. É, tenho 50 anos, né? Eu nasci nessa cidadezinha, e eu fui uma criança que tive alguns probleminhas, logo quando nasci. Vocês acreditam que com 40 dias eu tive que fazer uma pequena cirurgia? E nessa pequena cirurgia, é, eu tive 40 paradas cardiorespiratórias, então eu sobrevivi por um milagre. E daí eu tive um desenvolvimento um pouco atípico, várias dificuldades. Eu quando era muito pequeno, eu não entendi o que as pessoas falavam, mas pequeno, de um, de dois, de três, de quatro, cinco anos. Eu não entendia nada do que as pessoas falavam. Eu tinha na minha cabeça alguma coisa que parecia uma língua assim das abelhas, um zumbido, só as consoantes, uma conso, só as consoantes. Eu não conseguia entender as vogais e assim eu não conseguia entender o que as pessoas falavam. A minha sorte foi que eu aprendi a ler muito cedo, antes dos dois anos, mais ou menos por dois anos de idade, eu aprendi a ler e ler bem, ler bastante. Eu aprendi ler lendo jornais que eram abertos pelo meu avô, embaixo de uma rede, ele ficava balançando. Ele viu que eu gostava disso, e alguma coisa na minha cabeça fez clique, e eu aprendi. Né, isso, eu comecei a ler tudo que tava na minha frente. Isso foi engraçado, porque desenvolveu na minha cabeça uma linguagem, uma linguagem assim, como se fosse uma língua escrita dentro da minha cabeça. Vocês não, quando vão escrever, vocês não pensam assim, como se fosse uma voz que, que vem na sua cabeça. Pra mim vinham letras, letras iguais os títulos dos jornais, letra bastão. Olha que diferente, né, que foi meu desenvolvimento. Eu tive muito problema respiratório, eu me batia quando era pequeno, quando tinha muito barulho dentro da minha casa. Então o que que aconteceu, pessoal? É quanto mais gente vinha me visitar, tinha barulho, a minha mãe contou pra mim que eu me balançava as mãozinhas e se machucava. É aqui do lado do olho, né, e nas perninhas, com uma mão era o olho, com a outra era a perna. E isso foi assim uma coisa bem, bem difícil, porque eles não conseguiram que eu parasse, né, de me machucar. Tentaram de tudo, deixar a unha mais curta possível e várias coisas, até que foi diminuindo também, diminuiu o número um pouco de visitas. E tudo isso que eu tô contando é pra contar pra vocês que eu tinha um desenvolvimento muito diferente. Então você, estudante de mapas, que também se sente diferente, que tem, é, alguma neurodivergência, hoje a gente fala disso, né? Porque eu aos 40 anos eu recebi o diagnóstico de uma pessoa do espectro autista. E aos mais ou menos bem antes disso, aos 12 anos eu tive alguns outros problemas, tudo isso pra contar que pelo desafio mapas, eu resolvi semestre passado, escrever um livro. E eu escrevi. Olha só, eu escrevi um livro com essa ideia do desafio mapas, que eu já vou explicar mais pra vocês, e vocês vão poder ler depois essa minha história, né? Mas é bom que eu conte um pouco pra você que também é diferente, não se sentir, é, deslocado na universidade. Eu acho que a gente pode se aproximar. Eu vou contar um pouquinho das coisas que eu gosto. Eu gosto muito, por exemplo, se você perguntar, é meu prato predileto, eu gosto de berinjela. Berinjela é feita das mais diferentes formas, é compota, é feita, é como se fosse uma parmegiana, das mais diversas formas. Já conto que há uns dois, três anos eu não como carne vermelha. Então eu como mais frango e peixe e proteínas vegetais também. É aqui em mapas eu aprendi um outro, uma outra paixão minha que vem desde criança que é sorvete. Também descobri aqui com vocês, estudante de mapas, que sorvete é uma das coisas prediletas de vocês. Você gosta de sorvete? De que sabor? Eu aprendi a fazer sorvete, então eu faço sorvetes as mais diferentes sabores aqui, todos os tipos de chocolate que eu consigo fazer. É desenvolver um sorvete com queijo, queijo mascarpone, que é um tipo um creme de leite, é fresco, né? E feito com compota, geleias e fica muito geleia de morango, frutas vermelhas, maracujá, fica muito gostoso. É, outras coisas que eu gosto, eu gosto muito de esporte desde criança. É, assisto Fórmula 1, basquete, tênis é meu esporte predileto. É o que eu mais gosto de assistir e às vezes eu jogo também, queria jogar mais do que eu do que eu jogo assim atualmente tênis, porque o tênis você também tem que ter uma um lado social, convidar as pessoas até manter aquela amizade, né, pra você conseguir o esporte desenvolve esse lado também, né? Uma das minhas metas aqui que eu aprendi com vocês, foi ficar em atividade física. Então eu vou na academia, eu tô indo três, quatro vezes por semana e faço os meus exercícios de cardio pra ficar bem, isso ajuda a saúde mental, ajuda em muitas coisas, né? E uma outra coisa que eu gosto é ler. E eu vou mostrar aqui pra vocês o meu escritor, é, predileto. Ele já faleceu, acho que foi em 2011, se não me engano, é, ou antes até, é o José Saramago. Ele foi prêmio Nobel, o único português que ganhou o prêmio Nobel. Eu abri aqui, eu trouxe vários livros dele, eu tenho vários aqui na biblioteca. E eu escolhi aqui um, um dos livros, o menorzinho tem dele pra ler um pedaço aqui pra vocês nessa aula. Eu vou ler um trechinho do livro de José Saramago, Conto da Ilha Desconhecida. O comecinho, vamos, vamos escutar? Um homem foi bater a porta do rei e disse: Lhe dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios, entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele. De cada vez que eu vi alguém a chamar a porta das petições, fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da audabra de bronze se tornava mais do que notório, escandaloso, tirando sossego a vizinhança, as pessoas começavam a murmurar, que rei temos nós que não atende? É que dava ordem ao primeiro secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então o primeiro secretário chamava o segundo secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí afora, até chegar a mulher da limpeza, a qual não tendo ninguém a quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, que é que tu queres? O suplicante dizia o que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir. Depois instalava-se a um canto da porta, à espera do que o requerimento fizesse de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado, como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta. E já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo, quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro secretário, o qual escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez a mulher da limpeza, que despachava sim ou não, conforme estivesse de maré. Olha que interessante esse livrinho aqui, pequenininho, o conto da ilha desconhecida. Ali só o começo pra vocês, mas mostra essa situação, né, é, que tem em repartições públicas, em lugares que atende o público, às vezes de você vai falar com uma pessoa, ela pede pra outra, que pede pra outra, que pede pra outra, né? E acabam não fazendo o seu trabalho, isso fala um pouco da burocracia e de várias outras questões que ainda nós temos hoje. O livrinho é muito bonito, vale a pena a leitura. Nós temos outros livros aqui, ó, esse aqui é muito interessante, Ensaio sobre a lucidez. É, ela, ele fala de coisas assim muito interessante. É, eu se eu lembro um pouco desse livro, é como se fosse numa manhã, é de votação, as pessoas todas acordam e vão votar, mas votam em branco, todas. E nesse país fictício, nesse lugar fictício do livro, dá um problema grande, porque se todas as pessoas votarem em branco, não tem eleição, não tem como fazer. E aí tem uma questão bem complicada. Esse livro aqui, As Intermitências da Morte, mostra uma morte, uma senhora morte, senhorita morte muito linda que toca violoncelo, né? E toca a uma sinfonia de Bach no violoncelo. E o personagem principal, ele se meio que se apaixona por ela, é muito bonito esse livro. E eu tive o privilégio de assistir, acho que esse livro até deve estar autografado pelo próprio José Saramago. Ó, aqui em 27 do 10 de 2008, e esse livro aqui eu assisti no SESC São Paulo, ele vendo, é, ele falando desse livro, e esse dia eu até tirei uma foto com ele sorrindo, quando que era raro, né, esse escritor José Saramago. Dan Stulbach, um ator tava lendo junto com a Leona Cavalli, eu acho que se não me engano, é, e o Antônio Menezes, que já faleceu também, um grande violoncelista, tava tocando, é, essa música de Bach. E foi assim uma coisa linda mesmo. E eu fiquei na fila, cumprimentei José Saramago e tive histórias, né, porque eu fiquei essa vez. E eu fui na última vez no livro, é, no último livro, o penúltimo livro que ele escreveu, é em que eu conversei com a esposa dele, com o editor dele. E eu fui a última pessoa que ele deu o autógrafo, foi uma coisa emocionante. E a esposa pediu pra eu ajudar ele a levantar no final. E eu tenho uma admiração muito grande pelo José Saramago. Gosto de vários outros livros, A Viagem do Elefante. Pensei, A Viagem do Elefante tem um, um trecho que eu sei de cabeça assim, na página 52, edição brasileira da Companhia das Letras. É, o elefante tá viajando e o cara levando o elefante, e de repente o elefante some no meio de uma bruma, de um fog, né, de um, um esfumaçado assim que fica o ambiente, uma neblina. E o que aconteceu foi que o José Saramago tava escrevendo isso, e ele parou porque ele entrou em coma, foi internado. E ele ficou nessa situação mais de mês, né? E ele conta, né, depois ele contou no lançamento também no SESC, no SESC Pinheiros, em São Paulo, que ele escutou, ele em coma, ele escutou o barrido, barrido é o som, né, que o elefante, a vaca muge, o elefante dá o barrido. É, ele escutou o barrido do elefante e veio pra ele essa cena, é, desse personagem atravessando a bruma, encontrando o elefante, né? E eu achei isso muito incrível como a escrita pode trazer o escritor de volta à vida. Isso é uma coisa extraordinária, né? Então eu fiquei, sou grato ao José Saramago, porque o primeiro livro que eu li dele foi esse livro aqui. Mas numa edição um pouco de couro, portuguesa também, como essa, essa de editora o caminho, né, de Portugal. E nessa edição aqui, esse livro Memorial do Convento, do José Saramago, em que ele fala do Convento de Mafra, tem as questões do padre voador, né, do do balão, é, tem questões, questões muito interessantes, né? Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento, era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Aqui tem uma história de amor. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido, era uma vez. É, esse é um dos livros que eu mais gosto dele, né, do José Saramago. E aqui tem o homem duplicado, que é uma história incrível, que é um homem que tinha o mesmo nome que um outro e, e fala do lugar que era guardado os registros, né, era um funcionário que trabalhava nos, aqui no Brasil seria cartório de registros, e é muito legal esse livro também. O que mais que eu tenho aqui? As palavras de José Saramago. Mas vamos pegar de escritor então. Sempre fui uma pessoa muito virada para a leitura dos clássicos. Fiquei com essa marca de formação e nunca me afastei dessa convivência. Vamos ver uma outra coisa aqui que ele pega aqui dos leitores, olha que legal isso, falando do leitor. Nos últimos anos da minha vida, gostaria de reunir todos os meus leitores e dialogar com ele. Olha que coisa bonita, né? E esse livro aqui eu acho muito incrível, do José Saramago. É, o ano da morte de Ricardo Reis. Se vocês sabem que Ricardo Reis é um dos heterônimos, né, de Fernando Pessoa. E o mais, é, ele cria uma história o José Saramago, que esse heterônimo, ele vem morar no Brasil no ano de 1936. Mas é muito interessante porque ele pega um personagem de um outro escritor, que não era um personagem assim, um heterônimo, e cria um romance, né, sobre ele. E por que que eu tô falando tudo isso com vocês? O desafio mapas é extraordinário. Porque você pode se desafiar a aprender uma coisa nova, a mudar um hábito de vida. Eu aprendi muita coisa no desafio mapas, e é quase que tá virando o meu estilo de vida. Todo semestre eu aprendo alguma coisa nova. No último semestre eu, é, tive como desafio aprender a dançar. Não vou dizer que eu aprendi completamente, mas eu saí do zero. Hoje eu, se eu for em algum lugar, eu tenho coragem de dançar um pouquinho, eu frequentei aulas de dança, como vocês podem ver aqui. E isso foi muito bom pra mim. Mas eu semestre passado, eu tive um desafio ainda mais forte na minha vida. Eu me desafiei a escrever um livro em terceira pessoa, um livro que o narrador contasse a minha própria história. Uma história de um menino. É, tem horas que até eu duvido ser a minha própria história, porque é um livro que vai ficar com duzentas e dez, duzentas e vinte páginas, são 24 capítulos e tem uma pegada muito sensorial. Fala dessas histórias que eu comecei a contar pra vocês no começo da minha vida, eu dramatizo essa história do meu nascimento, é, conto essas 35 paradas cardiorespiratórias, conto as crises que eu tinha desde criança. Conto pequenas histórias, como que eu aprendi a ler, como que eu, o cinema me ajudou a entender o mundo, é, os livros, é, conto a minha infância nos 12 primeiros capítulos. E depois a minha vida até os 49 anos, né, que foi o ano passado, é dos 40 aos 49 nos 12 últimos capítulos. E o livro vai chamar Recordis - a minha jornada no autismo. É, não sei se falei pra vocês, eu fui diagnosticado aos 40, 40 e poucos anos, com uma pessoa do espectro autista. Aos 12, uma médica falou, ah, ele parece autista, tem todos os sintomas, os sinais, né? Mas é muito inteligente pra ser autista, e ficou meio esquecido isso na minha história. E aos 40 e poucos anos eu tive o diagnóstico, né, isso tem me ajudado muito. Eu posso dizer que eu sou um divulgador da ciência sobre o autismo. É, escrevi um capítulo agora de um livro que chama Tratado sobre o transtorno do espectro autista, e é um livro de mais de mil páginas. Eu escrevi um dos capítulos junto com outros colaboradores, em que eu conto essa minha história, mas de uma forma, é, como um estudo de caso, né, em primeira pessoa, é uma coisa muito diferente. E lá eu falo sobre terapias alternativas como arteterapia, é musicoterapia, ecoterapia, como isso pode ajudar, né? Elas são complementares. Então, se você tem um irmão, um sobrinho, um conhecido com o autismo, essas terapias complementares é podem ajudar muito. Mas o que eu queria falar pra vocês é que eu mudei a minha vida por causa do desafio mapas. Eu saí do sedentarismo, em que durante a pandemia eu fiquei muito sedentário. Eu, é, aprendi a dançar um pouco, voltei, voltei pro piano, mas eu piano é uma história longa na minha vida. Começo a tocar, não consigo, mas eu tenho muita vontade. É, eu voltei a aprender a tocar tamborim, sair numa escola de samba aqui da minha cidade. É, essa, esse lado de aprender, a ir pra academia, fazer exercício, tem me ajudado muito, ajuda a minha saúde mental, sabe, pessoal? Me alimentar melhor, então mapas é isso, é você aprender uma coisa nova. E o que mais me marcou foi essa oportunidade que eu tive de me tornar escritor, porque aos 9 anos eu falei numa aula de catequese, na época é da Igreja Católica, na época eu estudava numa escola católica e tava numa catequese. E aos 9 anos, e falaram pra mim, o que você quer ser quando crescer? E eu falei, escritor, mas não escritor agora. Escritor quando eu tiver 50 anos, e eu tô me tornando um escritor, essa tá cada vez mais a minha principal atividade junto aqui com a educação, o professor que eu sou, eu tô me tornando escritor e graças a vocês, graças a mapas. Que deu essa oportunidade de eu me desafiar, escrever o primeiro livro, queria contar que eu tô escrevendo o segundo livro também sobre um menino, sobre um garoto, mas que passa entre 1896 e 1905. Mas esse eu não vou contar os detalhes, esse eu vou deixar pro final do semestre, quando o livro tiver mais avançado. Então eu já escrevi meu primeiro livro, tô indo pro segundo. Tô pensando aqui até em abrir um grupo de livros, escritores aqui no mapas, é uma comunidade, quem sabe outras pessoas também não se inspiram, não se desafiam a escrever, né? Ou a ler mais outros, por exemplo, eu vou me desafiar esse semestre a voltar a ler, porque eu tive diversos problemas ligados ao autismo e eu descobri que eu lia muito. Eu chegava a ler mil páginas assim, em pouco tempo, eram duzentas páginas, um livro num dia. É, isso dava um estresse, eu percebi que isso vinha logo depois das crises, e eu como se fosse, eu gostava um pouco de ter crise, mas não percebia que gostava pra ter esse super poder. E o que eu fiz pra me diminuir as crises, melhorar das minhas crises, eu meio que me proibi de ler desse jeito. E agora eu vou tentar voltar a ler, mas ler mais devagar, ler mais, esse vai ser um dos meus desafios junto com escrever esse meu segundo livro, e vou continuar também nas atividades físicas. Mas o meu desafio desse semestre é voltar a ler, voltar a ler diariamente, sabe? E cada um vai ter um um, um desafio, pode ir pra academia, fazer um esporte. Já teve gente que desafiou a se tornar uma pessoa que doa sangue, né, outros que ajudam animais. Então é uma rede do bem, a disciplina de mapas. E eu fico aqui muito emocionado, fazia muito tempo que eu não pegava esses livros, e encontrar um nesse livro meu aqui, autografado pelo José Saramago, é, uma coisa que me tocou muito, né? Esse contato com os escritores me ajudou a querer ser escritor também. Ler, ter contato, e isso me abriu uma porta muito grande. Eu tô querendo tá aqui com vocês, quem sabe vocês não se animam também a escrever, né, mesmo nesse tempo de inteligência artificial, que parece que ela vai escrevendo muito, mas a gente tem uma necessidade interna de escrever. Eu esse livro aqui, eu tô segundo livro, eu tô escrevendo muito mais devagar, e escrever devagar tá sendo bom pra mim, porque mexe comigo por dentro. É de dentro pra fora que você escreve, você trabalha. Esse livro tem uma pesquisa histórica muito grande e uma criação também, esse segundo livro, é um livro de mais criatividade, né? Então é um livro de escrita mais vagarosa. E eu fico assim muito feliz de tá me tornando escritor e quem sabe vocês também não vão descobrir um dom, né, uma coisa que vocês gostam muito. Aula de mapas é pra isso, é feita pra vocês. Então o desafio mapas é isso, você agora no começo do semestre, eu mando esse formulário, né? Nessa aula um a gente já tem o formulário um, onde você vai responder diversas perguntas sobre você, sobre coisas que vocês gostam e começar a pensar no desafio mapas que você vai fazer todo o semestre. Vejam, essa é uma disciplina de quatro créditos, então você vai ter um tempo, o tempo dessa disciplina também vai ajudar você poder fazer essas atividades, né, que você escolher do desafio mapas, como sair do sedentarismo, fazer um esporte, eh, ler mais, se tornar escritor, né, como eu tô me desafiando, é, e eu ia ter uma felicidade tão grande se eu fosse lançar um dia e tivesse entre o pessoal que tivesse lá nesse dia. Igual eu tava lá pro Saramago assinar pra mim esse livro no dia 27 de outubro de 2008. Eu assinar um livro pra um estudante de mapas. Isso ia ser, ser uma honra e uma alegria, sabe, pessoal? É, eu tô na fase de edição, de repente tem alguém aí de vocês que já entende mais disso, e pode me ajudar também, é, mandei pra uma editora o livro e tô tentando esperar pra eles darem uma resposta, né, e isso é tudo novo pra mim. É uma coisa muito legal, aprender uma coisa nova, desafiar, não é só escrever, né? Tem que editar o livro e depois vender, então é o mundo, né? É novo e o desafio é isso, é aprender coisas novas e a gente tá junto aí, um ajudando o outro. É, nós temos os grupos, né, lá de trilhas universitárias, e dentro dele tem as pessoas que correm, é, as pessoas que fazem exercícios, as pessoas que saem pra, por exemplo, fazer atividades, é diversas durante a cidade, na cidade, trilhas é o mais forte. Mas nós temos anualmente também um passeio, é pra ver baleias, né, esse ano vai acontecer em julho, agosto desse ano, é uma atividade em conjunto de mapas. É com trilhas universitárias, e você também, eu vou colocar o link pra, pra trilhas universitárias pra vocês entrarem, quem sabe isso ajuda, e vou criar aqui alguns grupos. O primeiro que eu vou criar, é o grupo de interesse aí em leitura, escrita, né, se tornar escritor, ler mais livros e pra um ajudar o outro. Essa é a ideia de mapas, é uma ideia de uma comunidade viva, de mais que tudo amigos, né? A gente além de estudante, professor, nós somos amigos e aprendentes, uma comunidade aprendente, nós aprendemos um com o outro. Então, de cor, eu sou José Otávio. Sabe esse sinal, né, em libras é o J, o, porque eu no coração, porque eu falo com o coração. E foi um amigo surdo, o Armando Nembri, que me deu esse sinal. Eu sou, eu tenho uma honra, né, de ter esse sinal. E poder estar com vocês, falando com o coração. Então, um abraço e até a próxima aula, pessoal.

Aula 1 de Mapas 2026.1 - Descubra seus interesses
Espaço Alexandria
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[0:00]Eu sou um homem branco, cabelos pretos grisalhos, cara mais comprida que redonda, olhos castanho escuro, um pouco caidinho, sorriso no rosto.
[0:00]Eu estou muito, muito feliz de tá aqui com vocês, queridos estudantes de mapas da UFRJ.
[0:00]Do que funciona pra vocês, por exemplo, ah, qual é a minha série predileta, um assunto que eu gostaria de ver numa aula aqui de mapas, você vai contar um pouquinho de você.
[0:00]É, eu sou José Otávio e nasci na cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, no ano de 1976.
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