[0:09]Meu nome é Eliane Cristina, tenho 41 anos, sou professora. Então assim, eu me formei em letras, pedagogia, eh letras, português, inglês, terminado a graduação, eu fui fazer especialização, né? Eu trabalho, né, quatro dias por semana, numa escola da prefeitura de São Paulo. Acho que a minha trajetória escolar, ela se confunde um pouquinho, se confunde não, acho que ela é muito parecida com a trajetória dos alunos que eu atendo hoje, né? E há 5 anos eu trabalho na sala de apoio e acompanhamento à inclusão.
[0:57]Meu trabalho nessa sala é primeiro trabalhar o aluno com ele mesmo, né? Ele se aceitando, ele se vendo como uma pessoa com deficiência, sim. Então assim, o trabalho que eu faço com esses alunos é ele com ele mesmo, ele num grupo menor e ele numa sociedade.
[2:15]Então, apesar de ter as barras aqui pro lado de dentro, uma coisa que precisa melhorar nesse banheiro é a colocação da barra, tanto pro lado de dentro, quanto pro lado de fora, porque quando um cadeirante ele vai sair, não tem como ele fazer isso aqui, ó. Isso daqui atrapalha, né? Isso daqui não dá. Então, como que eu consigo fechar essa porta? É uma manobra, né? Mas eu preciso que Se tivesse a barra, era mais fácil, era só você puxar e a porta abria, né?
[4:19]que o giz pequenininho vai deixar o meu, a minha altura pra escrever é baixa, né? Eu sou canhota, então assim, isso ajudava, porque eu tinha, assim, eu escrevendo aqui, ó, escrevo até que numa altura boa. Eu consegui escrever aqui e consegui controlar a sala daqui. Coisa que às vezes o professor ele tá de costa, né? Então ele tá de costa escrevendo aqui assim, ele não tem isso, né? Não tem um tempo que ele tá assim, ele não consegue assim. É, eu acho que o olhar das pessoas não pode ser aquele olhar de piedade. As pessoas têm que mudar esse olhar de piedade, de ver a pessoa com deficiência como coitadinho, como aquele indefeso, né? É, tem que começar a olhar como um ser humano comum, que apenas tem uma diferença, né? Ou ele não anda, ou ele não enxerga, ou ele não escuta, mas ele é uma pessoa comum. Que tem que ter suas limitações sim, tem que levar bronca, tem que receber carinho, né? E tem todos os direitos, né? Pode casar, pode ter filho, pode namorar, pode brigar. Eu acho que tem que molhar, mudar mesmo o olhar das pessoas, né? Os alunos aprendem a aceitar o colega do jeito que ele é. A gente o pai e a começa a entender que o filho dele mesmo tendo uma deficiência, ele pode ser, como diz assim, ele pode ser alguém na vida, né? Ele tem condições. Então, acho que isso, acho que todo mundo aprende dentro desse processo de inclusão, é trabalhar com a diferença e aceitar o outro como ele é.



