[0:02]A história da música brasileira é longa e começou junto com a história do país. Quando a nossa música branca chegou, nossa música indígena já estava aqui, e nossa música negra estava a caminho.
[0:19]A miscigenação é a base da nossa formação. Essa tendência a misturar tudo forma a nossa cultura. Nossas primeiras manifestações musicais foram religiosas. Quando a música saiu do campo do sagrado, nasceu a MPB.
[0:39]Primeiros ritmos: Lundu, sensual, dançante, de origem africana, fez muito sucesso. Modinha, de origem portuguesa, era a música das cidades. Uma mistura de valsa com Shot.
[0:57]Fim do século XIX, Choro. Nascido da união de flauta, cavaquinho e violão, começou em encontros informais no centro do Rio.
[1:09]Maxixe, outro ritmo do início da MPB, uma mistura de tango, havaneira e polca. Foi nessa época que surgiu aquela que muitos consideram a mulher mais importante da nossa música: Chiquinha Gonzaga. Ela trocou a vida da elite pela música.
[1:33]Outro fundador da MPB foi Pixinguinha.
[1:38]Compõe Choro Canção Carinhoso, uma das nossas músicas mais conhecidas.
[1:51]Pelo Telefone, primeiro samba da história, composto em 1917 por Donga, marca o início da profissionalização da MPB, pois seu autor registrou pela primeira vez letra e melodia na Biblioteca Nacional. Começou na Santíssima Trindade: Donga, João da Baiana, Pixinguinha, foi o início de tudo.
[2:17]O samba tem uma história e você tem que procurar respeitar muito essa história e as pessoas que construíram essa história.
[2:26]A era do rádio. O rádio é usado por Getúlio Vargas para promover a integração nacional. O microfone da espaço para vozes suaves, melódicas.
[2:47]Carmen Miranda, a pequena notável, virou símbolo do país no exterior, no cinema e na música. Outros nomes importantes na era do rádio: Ary Barroso, Sinhô, Lamartine Babo, Braguinha, Ataulfo Alves, Dorival Caymmi, Noel Rosa.
[3:09]Segunda Guerra. As rádios passam a se preocupar mais em transmitir notícias do que músicas. A MPB só volta a ter destaque com o fim da guerra.
[3:27]No pós-guerra vem a diversificação. Junto com a música dos grandes centros, aparece o baião. O país viu nascer um estrondoso sucesso: Luiz Gonzaga. Gonzaga tinha o cheiro das raízes brasileiras e era a cara do país. Eu digo que o Gonzaga é o maior representante da cultura nordestina, por que? Porque ele cantou a nossa dor, a nossa alegria, ele cantou os nossos sentimentos mais profundos.
[4:21]Nessa época havia também a boemia melancólica e trágica. O existencialismo europeu na MPB virava foça e samba canção.
[4:47]Dalva de Oliveira, Antonio Maria, Nora Ney e Dolores Duran, a eterna disputa entre Marlene e Emilinha Borba nas rádios. E ainda as Divas da MPB: Elizete Cardoso, Maysa, Dircinha e Angela Maria.
[5:09]Eu tenho muitas saudades daquela época. Era realmente uma alegria você ligar na Rádio Nacional e ouvir esses cantores que só trouxeram alegria na época para aquele povo.
[5:39]No final dos anos 50, nasceu o ritmo brasileiro mais tocado no mundo, a Bossa Nova.
[5:52]Um novo jeito de cantar sussurrado, letras leves e descontraídas, a mistura de samba e jazz, a poesia do amor.
[6:07]A gente na verdade estava tentando se livrar daquela linguagem pesada da música brasileira, né? De se eu morresse amanhã de manhã, não faria falta a ninguém. Garçom, apague essa luz que eu quero ficar sozinho, né? Com assim, 17 anos, 18 anos, você falando essas coisas é duro, né?
[6:32]Com a Bossa Nova o país ganhou o mundo. Garota de Ipanema é a segunda música mais tocada no planeta, só perde para os Beatles.
[6:52]O samba ficou restrito às agremiações e favelas e só voltou às paradas de sucesso quando um de seus ícones também sumido reapareceu. Zicartola, Bar de Cartola e sua mulher, Dona Zica. O ponto de encontro e de surgimento de muitos sambistas importantes.
[7:20]Brasil, rebeldia era a palavra-chave. Com o golpe militar, era preciso protestar. A música de protesto tinha que ser nacionalista, de raiz, sem influências externas.
[8:19]A gente queria ter uma música que nós cantássemos, que tivesse uma letra que falasse das nossas relações de namoro, de juventude, de primeiros conhecimentos afetivos. Então, era uma festa.
[8:39]Promulgação do AI-5, a música toma partido, muitos músicos são presos ou exilados e têm suas composições censuradas.
[9:00]Com a coisa do AI 5, o Vandré começou a ser procurado. Do grande sucesso que ele estava fazendo, saiu para a clandestinidade. E eu fui encontrar com ele para a gente terminar aquela canção, que é a Canção da Despedida. Já vou embora.
[9:18]É lamentável que ele nunca voltou em termos artísticos. Ele voltou para o Brasil, mas nunca voltou artisticamente.
[9:30]Os festivais também viram surgir um movimento novo, a Tropicália, que misturava o Brasil tropical com as guitarras do rock.
[9:55]Anos 80, surge o Rock Brasil. Os poetas do rock cantam a alegria e o amor, mas com visão política e social. A geração da gente ela faz o mesmo papel que o Roberto e o Erasmo desempenham nos anos 60, que é novamente achar uma identidade de linguagem brasileira com uma sonoridade que é internacional, que é do rock.
[10:41]Década de 90, a música rural toma de assalto o ambiente urbano. Duplas sertanejas, no rastro dos pioneiros, Tonico e Tinoco, viram febre e criam uma identidade para o homem do campo brasileiro.
[10:58]E na nossa cabeça, a gente queria fazer uma música sertaneja para jovem também. Quando nós começamos realmente a música sertaneja, era chamada de música caipira e, principalmente, na cidade grande, tinha um preconceito muito grande. E isso serviu foi mais de de, mais ânimo para a gente, deu mais ânimo para a gente, deu mais garra para a gente lutar e fazer essa mudança, que com o tempo a gente foi conseguindo.
[11:31]O surgimento do pagode e a explosão do axé. É a vocação brasileira para o sentimento e a diversão.
[11:56]Funk, a grande vedete dos dias atuais.
[12:03]Hip-hop e rap americano, misturados com a malemolência do samba e do batuque brasileiro das favelas cariocas. Jovens, pobres e ricos se divertem nos bailes da periferia ouvindo o pancadão. Hoje o funk é quem melhor expressa o que as pessoas vivem no seu dia-a-dia. Então é a música do cotidiano, música do dia-a-dia, do que as pessoas pensam, do que elas vivem. O Brasil é um país musical e mestiço, sempre aberto a novas manifestações do nosso povo que fervilha criatividade.



