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Brasil de 70 - O Melhor Time de Todos os Tempos

Categoria Canal

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[0:02]Sejam todos muito bem-vindos a mais um vídeo do categoria. Essa é a análise do maior time de todos os tempos, o nosso querido Brasil de 70. Tricampeão mundial na Copa do México. O time que encantou o mundo com seu elenco recheado de craques e inspira pessoas até hoje, quase 50 anos depois da conquista. O time tinha cinco jogadores camisas 10 em seus clubes: Pelé no Santos, Tostão no Cruzeiro, Jairzinho no Botafogo, Gérson no São Paulo e Rivelino no Corinthians. Além de outros grandes craques, como Félix, Brito, Piazza, Carlos Alberto Torres, Everaldo e Clodoaldo. Vamos tentar entender como o Zagalo conseguiu arrumar espaço para tanta gente jogar junto e conseguiu equilibrar defesa e ataque para chegar ao título de forma incontestável, jogando um futebol de cinema. Essa é a análise da grande final contra a Itália, onde o time impôs o seu estilo de jogo e dominou o adversário do começo ao fim, vencendo a partida por 4 a 1. O Zagalo mandou o Brasil a campo com Félix no gol, quatro defensores, Everaldo, Piazza, Brito e Carlos Alberto, três meio-campistas, Rivelino, Gerson e Clodoaldo, e três atacantes, Tostão, Pelé e Jairzinho. Ferrucio Valcareggi escalou a Itália com Albertosi no gol, quatro defensores, Burgnich, Rosato, Cera e Facchetti, quatro meio-campistas, De Sisti, Bertini, Mazzola e Domenghini e dois atacantes, Boninsegna e Riva. Agora vamos entender como o Brasil se posicionava sem a bola. Muitos pensam que o Brasil de 70 era só ataque, não era. Todos os jogadores participavam da fase defensiva. Pelé e Tostão, os atacantes mais avançados, também voltavam para marcar. Eles recuam sempre que o time está sem a bola para dobrar a marcação, formando uma primeira zona de guerra junto com a linha do meio, já na intermediária, tirando o espaço para o adversário trabalhar a bola. A linha de marcação do meio era formada por Jairzinho aberto pela direita, Clodoaldo e Gerson pelo meio e Rivelino aberto pela esquerda. Observe neste lance como Pelé está bem recuado ajudando na marcação, Clodoaldo e Gerson sempre bem próximos das jogadas, pressionando o jogador da bola, nesse caso pelo meio, e o Rivelino marcando mais aberto pela esquerda. O jogador mais próximo da jogada na linha defensiva avança para dar cobertura. Nesse caso, o Carlos Alberto Torres avança para cobrir o flanco direito para dar cobertura ao Jairzinho. Clodoaldo e Gerson se revezavam, mas basicamente um saía no primeiro combate e o outro ficava mais na sobra, ou os dois avançavam para tirar o espaço. O Rivelino defensivamente não saía muito do lado esquerdo, marcava sempre por ali. Aqui o Gerson mais recuado, mas sempre os dois, Clodoaldo e Gerson, bem próximos de onde está saindo a jogada.

[2:48]Mais um exemplo para ilustrar o comportamento dessa linha do meio, nesse lance, Gerson e Clodoaldo sobem no jogador que está com a bola, e o jogador da linha defensiva mais próximo da jogada avança para fazer a cobertura. Nesse lance, o Piazza sobe para tirar o espaço e interceptar o passe. Aqui o Brasil formando sua linha de quatro pelo meio, com Jairzinho, Clodoaldo, Gerson e Rivelino. É importante destacar que o Jairzinho tendia a voltar um pouco menos que os outros três. O jogador da Itália consegue passar pela linha de marcação do meio e prontamente o defensor mais próximo avança na cobertura, nesse caso, o Carlos Alberto, e a Itália não consegue encontrar muito espaço para trabalhar a bola, tem sempre alguém mordendo forte na marcação. Dessa forma, o time italiano só levou perigo ao gol do Félix nos chutes de longe, mas nada que assustasse muito.

[3:42]A atuação defensiva do Brasil só não foi impecável por conta de dois erros no mesmo lance. Primeiro, Clodoaldo tenta um toque de calcanhar e erra. O jogador italiano intercepta e avança em direção ao gol. Depois o Félix sai mal do gol e o Boninsegna fica com o gol livre para empatar o jogo. Nesse momento o jogo estava 1 a 1. Agora vamos entender como o Brasil recuperava a posse de bola. Na maioria das vezes, o Brasil se organizava nesse posicionamento defensivo que a gente viu e esperava a Itália até a bola chegar na intermediária. Aí o time começava a apertar a marcação. Gerson e Clodoaldo sempre próximos do jogador da bola, mordendo e não só cercando. Pelé e Tostão sempre recuados para dobrar a marcação ou ficar com a sobra, e caso a Itália passasse a primeira linha, os defensores avançavam na cobertura com sangue nos olhos para ganhar a bola. Nesse lance o Everaldo vem de trás mordendo para ficar com a bola. Toda vez que a Itália tentava passar da intermediária com a bola, a coisa complicava. Era muito marcador de qualidade bem posicionado, com um esquema de cobertura bastante intuitivo. Os jogadores se entendiam muito bem. A ideia era se compactar o máximo perto da bola. Veja nesse lance como os jogadores estão bem próximos, os jogadores da linha defensiva avançam e os da linha do meio recuam, esmagando os jogadores italianos, que não conseguem ficar com a bola perto da área brasileira. E quando a bola chega em alguém da linha defensiva, aí a janta está servida. Nesse lance o Everaldo chega firme mais uma vez e ganha a bola. O time tinha muita pegada na marcação, com Clodoaldo e Gerson pelo meio e Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo atrás. A Itália, sem muita opção de entrar tocando, tentou muita ligação direta, o famoso chutão. Olha essa bola dominada do Piazza. Que detalhe, era volante, mas jogou a copa improvisado de zagueiro. E aí facilitou mais ainda a vida da defesa brasileira, que ganhava praticamente todas as disputas por cima e as sobras.

[5:34]A gente viu que os atacantes voltavam e praticamente o time todo compunha a marcação. Vamos ver isso na prática. O Tostão cumpria um papel muito importante para o Brasil recuperar a bola. Nesse lance ele recua e intercepta o passe. Ele também tinha um comprometimento defensivo muito grande, correndo e pressionando o tempo todo, perturbando a vida dos italianos. Nesse lance observe como o Tostão recua até a área para dobrar a marcação e ajudar o Brasil a recuperar a bola. Mas não só Tostão ajudava, até o rei, que nessa copa já era coroado, corria para marcar e recuperar algumas bolas. Agora que o time se defendeu e recuperou a bola, vamos ver como avançava. De pé em pé, com muita movimentação. Tostão ou Pelé sempre aproximando para começar a jogada, quando o time recuperava a bola, os jogadores abriam para deixar o campo maior, e na maioria das vezes, o Rivelino abria pela esquerda. Clodoaldo descia pelo meio ou pela direita cobrindo o Carlos Alberto. Gerson, o maestro desse time, sempre próximo da jogada, por dentro, pela direita ou pela esquerda, lá estava ele fazendo o jogo fluir. A principal válvula de escape era o capita descendo pela direita. Corria o corredor de 100 metros com maestria os 90 minutos, atacando e defendendo com a mesma qualidade. Jairzinho aparecia mais aberto pela direita, mas tinha liberdade para flutuar e cair por dentro ou até pela esquerda. A gente vai ver. Nesse lance, Carlos Alberto com liberdade para avançar pela direita, Clodoaldo abre por trás para cobrir suas costas, e dessa forma o capita desce com tranquilidade. Ele avança, sempre de cabeça erguida, com a bola grudada no pé. O Gerson, o maestro, já se aproxima para colocar a Itália na roda. Repare como o Rivelino já está bem aberto pela esquerda, assim o time pode trabalhar a bola pelo campo todo, fazendo a Itália correr de um lado para o outro. O posicionamento base era esse, mas existia muita troca de posição e um jogador assumia a posição do outro naturalmente, sem muito problema. Basicamente o time se aproximava para trocar passes, mas mantendo uma formação aberta em campo para favorecer as inversões.

[8:39]Passes curtos para evitar a pressão italiana. Bola da direita para a esquerda, parece até fácil, né? O Brasil ia avançando sem nenhuma dificuldade para dentro do campo italiano. Além das jogadas trabalhadas de pé em pé, o Brasil tinha muito talento individual para avançar driblando, principalmente com o Jairzinho, o Furacão da Copa, que marcou gol em todos os jogos do torneio. O homem era bravo, muita força física, explosão e velocidade, e habilidade.

[9:13]Quando ele saía arrancando era difícil parar ele na bola. Aí a Itália não tinha outro recurso senão apelar para as faltas.

[9:24]O rei também tentava as suas arrancadas, mas quase sempre terminava rolando no chão. Olha esse corte do Rivelino e olha essa falta criminosa, meu Deus. Chegamos ao ataque, agora vamos ver como o time criava suas chances de gol. Se deixasse, o Brasil ia tocando até chegar dentro do gol. Mas vamos dar o mérito para a defesa italiana, que se propôs a encaxotar o Pelé e não deu muito espaço para o Brasil entrar tocando na área. Dessa forma, o time apostou bastante nos cruzamentos, aproveitando as descidas do Carlos Alberto pela direita, com Tostão, Jairzinho e Pelé entrando na área para tentar a finalização.

[10:21]Nesse lance é o Clodoaldo que desce pela direita e consegue colocar a bola na cabeça do rei, mas ele cabeceia para fora. O Brasil levava muito perigo nos cruzamentos. Num desses cruzamentos, Tostão cobra o lateral, Rivelino de primeira coloca no segundo pau e o Pelé, com direito à paradinha no ar, cabeceia para abrir o placar, 1 a 0 Brasil.

[10:47]Os chutes de longe também eram uma arma forte do Brasil. Sem espaço para entrar tocando e com tantos camisas 10 em campo, o time arriscou bastante o de de longe, principalmente com Gerson e Rivelino. Olha essa jogada do Rivelino, ele tenta o elástico que passa entre as pernas do marcador, ele prende, gira, de novo, a bola não queima no pé, ele não se desespera, levanta a cabeça, acha o Gerson, que domina tirando o marcador e bate, mas o goleiro defende. Everaldo desce para apoiar o ataque, deixa com o Jairzinho. Repare que ele está pela esquerda nesse lance e cai por dentro, a bola sobra para o Gerson, que de novo domina driblando o seu marcador, ajeita e solta a bomba. Agora o lance do terceiro gol, o maestro Gerson levanta a cabeça do meio de campo, vê o Pelé entrando livre e faz um lançamento de 50 metros na cabeça do Pelé, que só escora para o Jairzinho entrar praticamente livre e marcar, 3 a 1 Brasil. Agora um lance histórico do futebol. Veja quem está marcando é o Tostão, quase 90 minutos de jogo, ganhando por 3 a 1 e ele dá esse gás até a área para roubar a bola. Piazza, toca para o Clodoaldo, Pelé, Gerson, Clodoaldo, dribla um, dois, três, quatro italianos. Deixa a bola com o Rivelino, que lança para o Jairzinho pela esquerda. Belo domínio, sempre agudo para cima, dribla dois e deixa com o Pelé. Ele espera o momento certo e ajeita para o Carlos Alberto soltar a bomba no cantinho, 4 a 1 Brasil fora o show. Oito jogadores participaram da jogada desse gol. Um gol que é praticamente uma aula de futebol, muitos aspectos táticos que a gente viu durante essa análise, resumidos em uma jogada genial do melhor time de todos os tempos. Brasil tricampeão mundial. Muita festa dos campeões. Estádio Azteca no México com mais de 100 mil pessoas que tiveram o privilégio de presenciar essa final histórica de um time que encantou o mundo em apenas seis partidas. Grande abraço e até o próximo vídeo.

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