[0:00]Olá, olá, aqui é a Monique, seja bem-vindo, bem-vinda. Vamos dar início à nossa segunda aula do minicurso de Introdução à Psicologia. Nosso tema de hoje é a evolução da psicologia. Vamos resgatar os aspectos teóricos que contribuíram para o surgimento dessa jovem ciência. Vamos começar? Na estrutura dessa aula, a gente vai se basear no capítulo 2 do livro Psicologias, Uma Introdução ao Estudo de Psicologia.
[0:36]Quando nós pensamos na história da psicologia, é importante entender que ela é uma jovem ciência, ou seja, remonta à sua idade há 140 anos apenas. Isso é relativamente recente quando a gente pensa em outras ciências, como a física e a química, por exemplo. O surgimento da psicologia se deu em 1879, quando Wundt inaugurou o Laboratório de Psicologia Experimental na Alemanha. Então, esse foi o marco da criação da psicologia no mundo ocidental, que é onde a gente vai concentrar a nossa compreensão sobre a história da psicologia. E aí, quando a gente fala na história da psicologia, existem dois momentos que são importantes de ser destacados. Primeiro, é ao período grego, antes de Cristo. E, em um segundo momento, com o desenvolvimento da modernidade, que vai, de fato, instaurar o surgimento dessa ciência.
[1:43]Na antiguidade grega, surge o termo psiqué. E como os gregos compreendiam a questão da alma? Então, apesar de não existir a psicologia na Grécia antiga, os gregos começaram a se preocupar com a alma e a razão humana antes do período cristão. E esse raciocínio, né, essa compreensão sobre a razão humana, precisou de que a sociedade grega se desenvolvesse. E foi um período áureo na história do pensamento humano, na Antiguidade de 700 a.C. até a dominação romana. Então, foi um período muito, é, rico em termos de produção de conhecimento, tanto da filosofia, como a gente vai ver, mas também da geometria e de outras áreas do conhecimento. Então, nesse período, né, na Grécia Antiga, foram construídas as primeiras cidades-estados, também conhecida como pólis, e houve um aumento da riqueza com a conquista de novos territórios. Então, promoveu avanços na física, na geometria, na teoria política e criação do conceito de democracia para atender as demandas sociais. Ou seja, com a expansão marítima e a ocupação de novos territórios, os gregos começaram a ter uma estrutura social muito mais complexa e questões sociais para serem resolvidas. E nesse sentido, precisaram, então, desenvolver novas formas de conhecimento para poder lidar com as demandas dessa realidade, né, naquele período. E os filósofos gregos, então, foram os primeiros que tentaram sistematizar um pensamento sobre o espírito humano, ou seja, sobre a interioridade humana. O que que nos constitui enquanto seres humanos? O que que nos diferencia de outros animais? Então, essa era uma das grandes perguntas a ser feita nesse período. Então, a psiqué, como eu disse, ela significa alma, e o logos significa razão. Então, a psicologia, enquanto um termo, né, uma palavra, ela surge da junção desses dois termos em grego, psiqué e logos. Então, a alma, ou o espírito, era concebida, então, como uma parte imaterial do ser humano e abarcava o pensamento, os sentimentos de amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção.
[4:12]Então, era uma, uma ampla, né, era um termo que cobria uma ampla possibilidade de se pensar a interioridade humana. E os filósofos pré-socráticos, eles se preocupavam em definir a relação do homem com o mundo por meio da percepção. Então, como que nós percebíamos o mundo, né? Como que nós nos relacionávamos com o mundo? É a percepção que vai ser esse foco de interesse em um primeiro momento. E, além disso, os filósofos, eles discutiam se o mundo existe porque o homem o vê ou se o homem vê um mundo que já existe. Marcando aí uma oposição entre idealistas, ou seja, as ideias as ideias formam o mundo e os materialistas, a matéria existe e nós as percebemos. Então, isso é uma questão filosófica que foi sendo discutida e que até hoje a gente pode perceber reflexos disso em diferentes teorias dentro da psicologia também. Vamos destacar alguns dos filósofos gregos que contribuíram, então, para o desenvolvimento, eh, anterior à psicologia, mas com questões que se refletem até hoje, tanto na psicologia quanto em outras áreas do conhecimento também. Então, eles foram muito importantes. E você já deve ter ouvido falar. Foram o Sócrates, Platão e Aristóteles. E a relação deles era de discípulos. Então, Platão foi discípulo de Sócrates e Aristóteles foi discípulo de Platão. As principais ideias de Sócrates, né? Foi o filósofo que ofereceu, então, uma consistência para as ideias sobre o mundo psicológico. Porque até então, existiam outros filósofos, mas o Sócrates foi quem inaugurou, de fato, né, foi quem marcou, de fato, essa preocupação com o mundo psíquico. E sua principal preocupação era com o limite que separa o ser humano dos animais. O que que nos diferencia dos outros seres vivos na natureza? E para ele, então, era a razão a principal característica humana que permitia com que nós nos distinguíssemos dos animais. Porque a partir da razão, a gente conseguia superar os nossos instintos, algo que seria a marca de um ser vivo, né, do reino animal, por exemplo. E abriu um caminho, então, para a teorização sobre a consciência no campo da filosofia. Em seguida, nós temos as ideias de Platão. Então, ele procurou, eh, definir um lugar para a razão, ou seja, ele tá dando continuidade ao pensamento de Sócrates. Mas, tentando identificar no nosso corpo, onde seria a sede da razão. E aí, para ele, isso acabaria sendo na cabeça. E olha que inovador já no pensamento de Platão. É ali na cabeça que ficaria a nossa alma humana. Então, é, mas ele concebia, também, a alma como sendo separada do corpo, sendo uma ligação entre ambos necessário. Então, a nossa mente se relacionaria com o nosso corpo a partir de alguma estrutura dentro do nosso corpo. Mas, à medida que a, quando uma pessoa falecia, né, quando ela morria, Platão acreditava que a matéria desaparecia e a alma ficaria livre para ocupar outro corpo, eh, nesse momento. Então, eh, a gente já vê, também, as contribuições do Platão para um pensamento que vai se prorrogar lá para o período medieval na compreensão, né, da relação entre a psicologia e as ideias religiosas. E, por fim, nós temos Aristóteles. Ele vai postular que a alma e o corpo não podem ser dissociados. Então, um vai influenciar o outro, né? E a psiqué seria o princípio ativo da vida. Então, tudo o que cresce, reproduz e se alimenta possui sua psiqué ou alma.
[8:11]Então, ela não é algo específico do ser humano. Então, assim, haveria uma alma vegetativa que seria encontrada nos vegetais e que estaria responsável somente por questões como a alimentação e reprodução. Existiria uma alma sensitiva que seria responsável para além da alimentação e reprodução, a percepção e o movimento, sendo encontrada nos animais. E haveria uma terceira alma, que seria a alma racional. Então, nós, enquanto seres humanos, para além de termos uma alma vegetativa, sensitiva, nós temos uma função pensante, que é aquilo que nos caracteriza.
[8:55]Na idade média, foi marcada, então, pelo cristianismo. Então, o Império Romano, ele dominou a Grécia, parte da Europa e do Oriente Médio. Em consequentemente, trouxe, eh, o cristianismo como uma força religiosa que vai se transformar também uma força política dominante. Isso vai marcar o desenvolvimento da humanidade por muitos séculos. Então, o cristianismo, ele sobreviveu e se fortaleceu, tornando-se a principal religião da Idade Média. Então, as ideias sobre o mundo psicológico, elas vão estar relacionadas ao conhecimento religioso, porque, ao lado do poder econômico e político, a Igreja, ela monopolizava o saber. Então, nesse momento, existiram, também, religiosos que eram filósofos medievais e que marcaram a compreensão de alguns aspectos psicológicos, relacionados, então, ao conhecimento religioso. Então, dois deles foram Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. As ideias de Santo Agostinho, por exemplo, foram inspiradas em Platão, lá no filósofo da antiguidade grega, lembra? Então, ele fazia uma cisão entre o corpo e a alma, né, que a, a alma estaria, teria como sede a cabeça e teria um elemento que ligaria essas duas áreas, né, do nosso corpo. Então, a alma, ela não era somente a sede da razão, mas a prova de uma, de uma manifestação divina no homem. Então, essa era uma ideia de Santo Agostinho. Era considerada, também, imortal por ser o elemento que liga o homem a Deus. E a alma também seria a sede do pensamento, com isso, a Igreja passa a se preocupar também com a sua compreensão. E o segundo momento tem as ideias de São Tomás de Aquino, que viveu já em um período em que se pronunciava uma, uma crise, uma ruptura da Igreja Católica e o aparecimento de outras religiões também cristãs, como o protestantismo. Então, era uma época em que já havia uma preparação para a transição do feudalismo para o capitalismo. Então, era necessário tentar encontrar novas justificativas para essa relação entre o homem e Deus. E, diferentemente de Santo Agostinho, São Tomás de Aquino vai buscar as suas referências em Aristóteles, né, distinguindo aí a relação entre essência e existência. E na concepção de São Tomás de Aquino, só Deus que seria capaz de unir essas duas partes que nos constituem. E a busca da perfeição seria, então, uma busca por Deus.
[11:46]Na Idade Moderna, então, nós já temos uma fragilização do sistema feudal e uma possibilidade daquilo que se chamou de Renascimento. Então, as ciências começam a conhecer um grande avanço. Não que elas não existissem na Idade Média, mas elas estavam restritas à dominação da Igreja Católica. Então, só se investigava algo que era, eh, reconhecido como de interesse da Igreja, e a Igreja controlava essas formas de produção do conhecimento. Já no Renascimento, começa uma crise religiosa, mas também uma crise desse sistema econômico e político, e vai se buscar uma maior abertura para a relação do homem com o conhecimento científico. Então, as ciências vão avançar muito em diferentes campos. Então, temos, por exemplo, Copérnico, que vai causar uma revolução no conhecimento ao mostrar que a Terra não é o centro do universo em 1543. Em 1610, Galileu estudou a queda dos corpos, realizando as primeiras experiências da física moderna. Então, o conhecimento científico, ele começa a ser sistematizado, com métodos e regras básicas para a construção do conhecimento. E aqui, então, a gente fala da física, que é uma das ciências naturais que vai, também, estabelecer um paradigma para que outras ciências possam, eh, construir o seu conhecimento científico, influenciando consideravelmente também nos primórdios da psicologia científica, como a gente vai ver mais à frente. Um dos filósofos, então, que é tão importante nesse período do Renascimento, é o René Descartes, né? Ele contribuiu para o avanço científico, despertando também a possibilidade de se investigar aspectos como a anatomia e a fisiologia, graças a uma concepção dualista de mente e corpo, como a gente verá.
[13:47]Diante de todos esses períodos históricos, então, o que que a gente pode falar sobre a psicologia científica? Então, a psicologia, como ciência, ela vai se caracterizar também por um conhecimento sistemático, ou seja, nós temos um método específico para coletar as informações e produzir o conhecimento. Vai ser, também, objetivo, ou seja, nós vamos tentar diminuir todos os nossos vieses e os nossos aspectos pessoais, nessa relação com o conhecimento. Vai ser fruto de pesquisas e com referência clara no mundo empírico. Então, nós vamos conversar com as pessoas para tentar entender como os fenômenos psicológicos surgem, como eles acontecem. Então, para explicar esse surgimento da psicologia científica, a gente precisa considerar, também, duas características do mundo moderno. A crença na ciência, já que é um conhecimento científico, as pessoas precisam acreditar nele, algo que a gente tem reparado atualmente como pessoas que descreem na ciência, né, e a gente tem feito visto a consequência disso. E, também, a experiência da subjetividade pessoal.
[15:09]Então, enquanto um conhecimento científico, a psicologia vai surgir com a finalidade de oferecer algum apoio, algum suporte, alguma ajuda na relação do ser humano consigo mesmo e com outras pessoas. E para isso, as pessoas precisam acreditar que a psicologia é uma ciência. E outro ponto é a subjetividade pessoal, que vai se expressar com a certeza de que em nós há um conjunto de experiências individuais, particulares e privadas, que são parte da nossa intimidade pessoal e que nos dão a ideia de que a gente é construído por um eu ou self.
[15:51]Em relação à crença na ciência, certo? Vamos comentar um pouquinho sobre esse aspecto. Então, a ciência, ela vai se avançar, né, como nós vimos, vai se fortalecer e vai se tornar um referencial para a visão de mundo. Então, surgem teóricos e pensadores muito importantes. Então, a gente viu que surgiu o Isaac Newton, o Galileu, o Copérnico e também o Darwin, né, que vai propor aí a teoria evolucionista. Já na filosofia, nós temos o positivismo de Auguste Comte, que vai trazer a importância de que exista um rigor científico na construção do conhecimento nas ciências humanas. Então, o positivismo, ele vai estabelecer que existem ciências que já estão num estágio mais avançado na produção de conhecimento, porque tem um paradigma que é mais fácil, né, de ser seguido, como é o caso da física, da química, entre outras ciências. E as ciências humanas, elas são mais frágeis, porque ela tem um objeto muito mais fluido, né, se a gente pode usar esse termo. Então, no caso, os fenômenos psicológicos, eles vão tentar se aproximar de outras ciências naturais, né, ou da saúde, que vai ajudar a compreender alguns processos psicológicos. Duas dessas áreas é a fisiologia e a neurofisiologia, que surgem, também, no século XIX. Então, a partir dessas áreas, são, começam a ser formuladas teorias sobre o sistema nervoso central, né? Então, a gente pensou na alma que está localizada na cabeça e, com o surgimento da ciência aqui, nesse momento, a gente começa a falar não na alma, mas e um sistema nervoso central que vai demonstrar produtos como pensamento, percepções e sentimentos humanos. Algumas reflexões que se iniciaram lá com Sócrates e os outros filósofos gregos. Então, nesse momento, a crença na ciência, ela é marcada por uma metáfora, que é a compreensão do homem como máquina. E por que isso? Porque surgem e se consolidam a física e a física traz uma noção da mecânica que vai tentar investigar o movimento e o funcionamento de várias máquinas. E o homem, então, poderia ser considerado uma máquina, constituído por várias peças em que a gente poderia compreender o funcionamento dessa, e a interação entre essas, essas áreas. Bem interessante, né? E, além disso, né, a psicologia, ela começa a trilhar, então, os caminhos da fisiologia, da neuroanatomia e da neurofisiologia. E como que essas três áreas, eh, acabam contribuindo, né? A neurologia, por exemplo, descobriu que a doença mental seria fruto da ação direta ou indireta de diversos fatores sobre as células cerebrais. Algo que vem, que vem sendo aprimorado, né, com o desenvolvimento dessa ciência também. A neuroanatomia, ela descobriu que a atividade motora nem sempre está ligada à consciência. Então, existem alguns tipos de comportamento que nós emitimos e sem ter passado por um processo de aprendizagem, são os comportamentos reflexos, como o reflexo de sucção em um bebê, né, o reflexo patelar, entre tantos outros. A psicofísica já era um campo de estudo científico para os fisiologistas que estavam interessados nos fenômenos psicológicos. Então, como que funcionava o olho, a nossa percepção de cores. Esses eram algum, um dos objetos de estudo dessa área. Então, os fenômenos psicológicos, eles passam a começar a conseguir adquirir um status de científico, ou seja, eles começam a se afastar do conhecimento filosófico e se aproximar do paradigma científico, de como que esse conhecimento vai ser produzido.
[19:50]Outro ponto que a gente precisa destacar, né, que assim como a crença na ciência vai contribuir para o surgimento da psicologia, é, então, a subjetividade pessoal. E aí, quando a gente fala nesse aspecto, a gente precisa resgatar, né, a noção de que o capitalismo, enquanto sistema econômico, ele vai criar necessidades e desenvolver formas de de viver que são específicas desse novo sistema e que vão substituindo aquelas formas medievais, a do feudalismo. Então, os humanos, eles passam a ser tomados cada vez mais como indivíduos, como pessoas únicas, singulares, que vivem livres, eh, isoladas, né? Perde-se um pouco da noção de comunidade e de o homem ser mais independente, autônomo. É visto como um sujeito ativo, capaz de escolher a sua trajetória de vida, de construir a sua própria identidade pessoal e de viver, pensar e sentir a sua subjetividade de uma forma mais individualizada. O que nem sempre foi verdadeiro, porque se a gente pensa, né, e na época medieval em que havia lá o controle religioso, a subjetividade, ela era percebida de uma forma mais coletiva. Então, o indivíduo, as suas características, eram reflexo daquilo que ele vivia na comunidade e no, nas suas práticas religiosas. Já nesse período, é, o sentimento e a ideia do eu, então, ela surge. Então, é uma característica específica da modernidade. E é a falência, então, do mundo medieval e a abertura do Ocidente para o resto do mundo, lança esse homem em algo que a gente chama como uma condição de desamparo. Ou seja, a partir de agora, ele é o responsável por conduzir a sua própria vida. Se isso lhe dá liberdade, traz, também, uma série de responsabilidades e dificuldades que vão ser objeto de estudo, também, da psicologia. Você se lembra das ideias de Descartes? Então, ele vai, também, ajudar a gente a compreender a questão da subjetividade pessoal. Então, ele ficou célebre por uma, por uma frase que ele tem, que é o penso, logo existo, né? E que vai inaugurar, então, a ideia da modernidade. Então, nas ideias de Descartes estão presentes a valorização da razão, ou seja, o racionalismo como uma característica da modernidade. A ideia do ser singular que tem a experiência da razão, ou seja, o individualismo, e a ideia de que a representação do mundo é algo interno ao indivíduo, uma experiência subjetiva. Então, os humanos, eles tinham a necessidade, aí, de construir uma ciência que estudasse e produzisse visibilidade para a experiência subjetiva. Então, aí surge, né, o pontapé para a psicologia poder existir. Então, a psicologia vai ser um produto das dúvidas do homem moderno. Então, se não houvesse modernidade, se o capitalismo não trouxesse essa necessidade de se compreender esse homem, essa subjetividade individual, talvez não teria surgido a psicologia. Então, o humano, ele se tornou um objeto valorizado e constituído como sujeito capaz de se responsabilizar e escolher o seu destino. A filosofia que até então tinha algo a dizer sobre as experiências e a fisiologia que podia estudar cientificamente as sensações, que são fonte da subjetividade humana, vão se reunir como pensamentos para fundar, então, no final do século XIX, a psicologia. Então, na gênese, né, na raiz da psicologia, existem duas influências principais: a filosofia, com esse pensamento reflexivo sobre o ser humano, sobre o que eu o constitui, sobre quais são as suas características principais. E do outro lado, a fisiologia, que vai estudar o funcionamento do ser humano, em termos estruturais, em termos corporais, biológicos, certo? Então, a psicologia surge como uma síntese, vai se preocupar aí, vai ter o seu próprio objeto de estudo, como a gente vai ver. Mas, então, vamos falar um pouco sobre essa psicologia científica. Então, como a gente comentou no início da aula, a psicologia, ela vai surgir na Alemanha, no final do século XIX, com o o Laboratório de Psicologia Experimental fundado por Wundt. Mas, existiram outros colaboradores, também, que vão marcar o início dessa ciência. Weber e Fechner são outros dois teóricos que contribuíram, né, que trabalharam junto com Wundt. E Wundt influenciou vários outros profissionais, psicólogos, no surgimento, né, de outras teorias. Então, por exemplo, no estruturalismo, no funcionalismo, todas essas, essas primeiras escolas da psicologia, vão ter, também, a influência de Wundt.
[25:11]Então, o status de ciência da psicologia vai ocorrer quando ela vai se libertar da filosofia e passar a adotar novos padrões para produzir o conhecimento. Então, a filosofia, ela não é uma ciência, ela é uma área do conhecimento que vai favorecer com que outras áreas surjam. Mas, a psicologia enquanto, é, um conhecimento científico, ela precisa se afastar dessas reflexões puramente filosóficas e consolidar, descobrir qual é o seu objeto de estudo e como que ela vai produzir o conhecimento em relação a esse objeto.
[25:56]Então, os novos padrões de produção de conhecimento, passam a se pautar em: em definir seu objeto de estudo, o comportamento, a vida psíquica, a consciência. Então, para, como a gente viu na aula 1, né, quando a gente pergunta para diferentes psicólogos, cada um deles vai ter um objeto, é, de estudo, um objeto de investigação. Mas, em geral, a subjetividade é o foco de estudo da psicologia, compreendendo aí as suas diferentes dimensões. Então, nós podemos estudar o comportamento, a vida psíquica, a consciência, a inteligência, a personalidade, entre tantos outros temas que vão surgindo, né, na medida que a psicologia vai, eh, tendo diferentes áreas, se tornando ainda mais complexa. Para além disso, nós precisamos delimitar um campo de estudo, diferenciando, então, de outras áreas do conhecimento, como a filosofia e a fisiologia. Porque, se fossem a mesma coisa, não precisaria ter uma psicologia científica. Nós ficaríamos só com as outras áreas mesmo. E a psicologia tem características que distinguem, mas aproximam de outros campos do conhecimento. Para além disso, formular métodos de estudo desse objeto, ou seja, como que a gente vai estudar o comportamento? Então, existe a psicologia experimental que vai propor um método específico, mas existem outras formas, outros objetos de estudo que vão demandar, né, métodos diferentes. Formular teorias como um corpo consistente de conhecimentos na área, obedecendo a critérios básicos de metodologia científica, como a neutralidade, ou seja, nós não vamos colocar os nossos sentimentos e impressões, não se estivermos fazendo uma pesquisa quantitativa. Mas, existem outros métodos, como a pesquisa qualitativa, que está mais aberta, é, a subjetividade do pesquisador. É, também, importante tentar comprovar, ou seja, produzir um conhecimento que seja válido e confiável. E um conhecimento cumulativo. Então, enquanto um conhecimento científico, a psicologia vai produzir a partir de pesquisas, teorias, práticas, elas vão favorecer o surgimento de outras, né, outras pesquisas. Então, a psicologia não é uma doutrina, ela não trabalha com verdades eternas, ela é um conhecimento científico que está em constante atualização. Então, embora a psicologia científica tenha nascido na Alemanha, é nos Estados Unidos que ela encontra campo para um rápido crescimento, resultado do grande avanço econômico que colocou este país na vanguarda do sistema capitalista.
[28:40]Então, se antes o eixo estava mais na Europa, à medida que o capitalismo se fortalece, ele passa a se deslocar para os Estados Unidos. Então, nos Estados Unidos, surgem as primeiras abordagens ou escolas de psicologia, as quais deram origem às inúmeras teorias que existem atualmente. Então, algumas dessas escolas são o funcionalismo de James, o estruturalismo de Titchener e o associacionismo de Thorndike. Então, esses são alguns teóricos que vão contribuir para as primeiras ideias da psicologia. Aqui nós encerramos a nossa segunda aula do minicurso de Introdução à Psicologia, mas, como uma dica final, eu vou recomendar uma leitura que eu considero que vai enriquecer ainda mais a sua compreensão sobre o desenvolvimento histórico e a contribuição para, para o surgimento do, do conhecimento científico. Então, fica atento nessa dica de livro. Então, o livro que eu recomendo para você entender melhor os temas que a gente discutiu nessa aula, sem, claro, enfatizar aspectos da psicologia, mas aspectos da humanidade enquanto um todo, é o livro Sapiens, Uma Breve História da Humanidade, escrito pelo historiador Yuval Noah Harari. Bem interessante, vale a pena a leitura. E aí, psi, como você achou que foi a nossa aula de hoje? Deu para aprender muitos conceitos e entender mais como a psicologia se consolidou enquanto ciência? Deixe os seus comentários aqui com dúvidas, sugestões e as suas percepções sobre a aula e também o seu curtir. Não esqueça de se inscrever no canal. Nos vemos em breve.



