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Cinco Lições de Psicanálise [S. Freud] - 3ª Lição [Leitura Conjunta de Freud]

Gustavo Ribeiro - Psicanálise Descomplicada

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[0:00]Sejam bem-vindos a mais uma lição aqui do nosso canal, nosso projeto de leitura conjunta da obra de Freud.
[0:00]Bom, em primeiro lugar, eu quero pedir desculpas pelo tempo de demora da liberação desse vídeo.
[0:00]Mas agora que nosso semestre vai voltar ao normal, vamos pegar firme aí de volta para o nosso projeto de leitura, né?
[0:00]E a gente vai falar hoje da terceira lição que é parte do texto Cinco Lições de Psicanálise.
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[0:00]Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais uma lição aqui do nosso canal, nosso projeto de leitura conjunta da obra de Freud. Bom, em primeiro lugar, eu quero pedir desculpas pelo tempo de demora da liberação desse vídeo. Tava aproveitando um pouquinho do final das férias, né? Mas agora que nosso semestre vai voltar ao normal, vamos pegar firme aí de volta para o nosso projeto de leitura, né? A vida boa já acabou, então vamos voltar aos nossos estudos. E a gente vai falar hoje da terceira lição que é parte do texto Cinco Lições de Psicanálise. Como eu já venho tratando com vocês, já falei da primeira lição, já falei da segunda lição de psicanálise, tem outros vídeos aqui no canal, vou deixar aqui os cards para vocês poderem acessar mais facilmente, vocês podem conferir as minhas considerações lá. E podem também participar, eh, no campo de comentários, lá vocês podem colocar as dúvidas de vocês, as considerações de vocês, que eu vou respondendo por ali e vamos dialogando sobre os textos de Freud. Enquanto isso eu vou tomando meu café aqui, a gente vai dialogando sobre os textos de Freud dessa forma. Hoje então, a gente vai falar da terceira lição. Eh, quais são as considerações que eu fiz, né, e depois quero ouvir de vocês, eh, se vocês consideraram outro ponto ou alguma coisa que eu deixei passar aqui. Basicamente, a terceira lição, ao meu ver, ela aborda essencialmente questões da técnica psicanalítica. Desde o seu surgimento até todo o seu percurso de evolução. Então a gente tá falando lá, desde o abandono da hipnose, quando o Freud começa a sair daquela técnica da hipnose e começar a aplicar uma técnica da pressão, até o emprego das associações livres, da interpretação de sonhos, dos chistes e dos atos falhos, né? Quer dizer, a importância do psicanalista observar a ocorrência de chistes, que são, eh, o que é que são chistes? São piadas, né? São tiradas espirituosas, vamos dizer assim, né? E eu vou explicar isso daqui a pouco. E também dos atos falhos. Então, para o psicanalista, os atos falhos são fenômenos importantíssimos, porque eles revelam uma espécie de, eu vou chamar assim, usando até uma expressão lacaniana, uma iância, uma falha. Uma brecha pela qual o inconsciente consegue se revelar a despeito da consciência, a despeito do eu e da censura, né? Então, os atos falhos, que são as trocas de nomes, lapsos de linguagens, eles são fenômenos importantíssimos de serem observados, né, e de serem trabalhados em análise. É, ainda não temos aqui, em relação à técnica, eh, na terceira lição, eh, não temos aqui ainda nada do Freud falando sobre a transferência. Então a gente vai ter que aguardar aí a quarta e a quinta lição para a gente poder chegar nessa questão, né? Mas a gente ainda não tem aqui nada ainda sendo dito a respeito da transferência. Então, o que o Freud vai começar essa terceira lição, ele vai começar falando das limitações da técnica da pressão. Então, vocês devem se lembrar que lá na segunda lição, ele falou que ele exercia uma força sobre o paciente, uma influência sobre o paciente e insistindo ao paciente que ele se lembraria daqueles eventos que supostamente seriam os eventos traumáticos, aqueles eventos causadores do trauma, causadores do sintoma e da neurose que o paciente se queixa. Então, quando ele abandona a hipnose, ele começa a sair da do emprego dessa técnica, ele começa a empregar essa ideia de que a pessoa se lembra, ela só não sabe que se lembra.

[4:11]E que com uma certa pressão, com uma certa dose de esforço, eh, a pessoa se lembraria. Porém, ele vai dizer aqui que isso, na realidade, quase não não dava certo, né? Ele vai assumir isso aqui no início da terceira lição, que essa técnica, ela não funcionava na maioria, para a maioria das pessoas, ela não funcionava. Mas ele tava aqui ainda, ah, considerando uma premissa, que é a premissa do determinismo psíquico. Quer dizer, ah, como um bom positivista que acredita que tudo tem a sua causa e precisa ser adequadamente investigado para que se encontre essa causa. Ah, partindo desse positivismo, o Freud vai, então, postular que não existe nada na psiquê que ocorra fortuitamente ou espontaneamente. Todos os fatos que ocorrem na psiquê têm uma razão anterior que os determinou. Então, existe uma relação de causa e efeito na psiquê, e o Freud chamou isso de determinismo psíquico. Então, partindo do determinismo psíquico, é que ele vai postular essa ideia da pressão. Quer dizer, fala, vai, fala o que tiver vindo na sua mente agora, porque é isso aí, tem relação com aquilo que nós estamos buscando. Quer dizer, nada vem fortuitamente, nada vem por acaso, mesmo que essa relação de início, ela pareça assim, distante, mas deve haver um elo causal que vai levar de lembrança em lembrança, de pensamento em pensamento, vai levar gradativamente até o reprimido. Uma pausa para um cafezinho, né? Então, o que nós temos aqui é o Freud já criticando essa ideia ou assumindo as limitações dessa ideia da técnica da pressão, mas ainda apoiado nessa ideia de um determinismo psíquico.

[6:14]E que se fosse devidamente investigado, se essa sequência de pensamentos fosse devidamente investigada, eh, deveria se chegar à causa do núcleo do sintoma, a causa da neurose.

[7:11]Pois bem, só que as coisas não são tão fáceis assim, né? Existe uma contra força que vai contra essas lembranças. Se por um lado a psiquê deseja se lembrar, ou o paciente deseja se lembrar, por outro lado, existe uma espécie de resistência que impede que essas lembranças venham à tona. Não é à toa que quando a gente faz esse exercício com os pacientes, esse exercício de aplicar a técnica das associações livres, para eles é muito difícil, geralmente. A primeira impressão que vem a eles é, não sei o que falar, ah, não sei, tá dando um branco, é isso, não consegui mais adiante. Por onde que eu começo? Ah, eu acho que o que eu vou falar não tem o menor sentido. Quer dizer, vem sempre algum tipo de força, de resistência que impede que esse fluxo seja, eh, seguido. E essa força de resistência, ela é decorrente dessa proteção do ego de não permitir que esses conteúdos venham à tona, que eles voltem à tona, voltem à consciência, justamente por conta do caráter conflitivo entre esses desejos, esses impulsos, essas recordações, e as normas morais vigentes, etc.

[8:44]Então, o que o Freud está falando aqui é que existe um jogo conflitivo de forças. Por um lado, o desejo de recordar, de expressar, essa força que, essa dinâmica que o inconsciente tem de querer descarregar a sua energia, descarregar a energia dos seus complexos afetivos. Então, existe um impulso a isso, mas por outro lado, existe também um movimento de preservação, de conservação do ego para que essas lembranças não voltem e não causem conflito na consciência. Então, seguindo essa lógica do determinismo psíquico, esses pensamentos que parecem que não tem relação nenhuma com o recalcado, que é o início do processo de associação livre, né, o início de uma análise, esses pensamentos, eles vão sim guardar alguma relação com o recalcado.

[9:37]Porém, será uma relação indireta, não será uma relação direta. Então, aparentemente não vai fazer sentido o que o paciente fala.

[9:54]Não vai parecer que tenha relação com o problema que ele traz, com a queixa que ele traz, mas entendendo essa premissa do determinismo psíquico, como nós estamos falando aqui, a gente vai perceber que mesmo a associação mais distante da causa, ela guarda uma relação com essa causa, só que uma relação ainda bastante indireta, bastante distante. E que precisa ir sendo investigada passo a passo, associação por associação, até que se atinja o núcleo da neurose. Então, o Freud vai dizer que esses pensamentos que aparecem são pensamentos substitutivos, mas que se relacionam com o recalcado por uma espécie de alusão.

[10:41]Então, ele vai, eh, fazer essa expressão, ele vai usar essa expressão, né, de que há uma alusão ao recalcado. Quer dizer, uma referência indireta com o recalcado. Então, significa que nada do que é dito em análise é despercebido, é, é, é lixo ou é, não é importante, não. Tudo o que é dito ali, tudo o que é associado ali, tem sim uma importância grande para o que está sendo abordado em análise. Então, vejam que, aí, seguindo um pouco mais no texto, vocês devem ter visto que ele vai criar um exemplo, né? Ele vai citar aqui no texto um exemplo para mostrar como que esses pensamentos substitutivos, que são as associações livres, ocorrem por alusão ao recalcado. E ele vai buscar, curiosamente, um exemplo na vida psíquica normal, eh, para mostrar, eu acho que o Freud tá até mostrando como que a, o normal e o patológico são coisas assim muito próximas, né? Não não tem como a gente criar um, um abismo entre normalidade e patologia em termos de funcionamento psíquico. O que eu estou dizendo aqui que ele vai mostrar é que os mecanismos que atuam na patologia são basicamente os mesmos mecanismos que atuam nos processos normais da psiquê. E ele está falando aqui dos chistes, assim, dessas piadinhas, dessas tiradas espirituosas, né? Esses comentários às vezes, eh, gozados que são feitos com as situações, etc. Então, ele vai citar aqui, vocês devem ter visto aí no texto de vocês, uma anedota que ele tirou inclusive lá de outro texto, que é o chistes e a sua relação com o inconsciente. Então, quem se interessar por isso aqui, esse outro livro fica aí a recomendação. E ele conta a história de dois comerciantes que enriqueceram muito rapidamente. E esses comerciantes, eh, parece que enriqueceram por meios ilícitos e as pessoas sabiam que eles tinham enriquecido muito rápido, mas através de corrupção, de meios ilícitos. E aí num certo dia, buscando o reconhecimento da sociedade, eles convidam a sociedade a vir admirar essas pinturas.

[13:17]E convidam um crítico de arte para poder comentar essas pinturas. E aí, quando esse crítico de arte chega lá, ele olha para as duas pinturas e ele fala assim, mas onde está o redentor? E aí, quer dizer, ele faz um comentário, as pessoas dão uma risada. Qual que é o significado dessa piada, né? Ele tava dizendo assim, ora, faltou o Cristo aqui no meio entre esses dois ladrões, né? Então, vejam que ele chama as pessoas, esses dois empresários, esses dois comerciantes, né? Ele chama esses dois homens de ladrões, mas sem falar ladrões. Então, colocando essa expressão, onde está o redentor, ele tá fazendo uma alusão a a esses, a esses dois homens, eh, eh, insultando-os de ladrões, porém, sem chamá-los pelo nome. Então, vejam que, eh, guarda aí uma relação, uma referência a algo que está oculto, mas que é sabido, né? Então é o que mais ou menos ocorre com esses pensamentos substitutivos em relação ao recalque. Eles não falam diretamente sobre o recalcado, porém, eles fazem uma certa alusão ao conteúdo recalcado. É igual aquela piadinha, né, que acho que todo mundo já ouviu. O que que o psicanalista foi fazer no banco? Ele foi fazer uma transferência. Bom, essa é horrível. Mas voltando aqui para o nosso, para nossa discussão, eh, no lugar do que foi recalcado, surge uma ideia substitutiva, eh, mesmo que pareça sem conexão nenhuma com o reprimido, como eu falei aqui agora, com o recalcado, refere-se a este por uma alusão, segundo o princípio de determinismo psíquico. Então, acho que todo interessado na psicanálise, todo estudante de psicanálise, mesmo que não seja psicanalista, mas seja ainda um estagiário, um clínico iniciante, que, ah, admite a psicanálise como referência teórica, precisa entender essa ideia do determinismo psíquico. Que significa o quê, como eu já falei anteriormente, nada que venha à mente ocorre por acaso. Tudo ocorre por uma causa que, se for corretamente pesquisada, investigada, eh, essa causa será encontrada. Então, o Freud vai dizendo assim, que na teoria, tudo isso que ele está falando é muito fácil. Porém, na prática, as coisas podem ser um pouco mais complicadas. Então, ele vai dizer assim que durante o emprego das associações livres, nem sempre o pensamento vai fluir, podem ocorrer brancos, podem ocorrer dificuldades de associar. E aí ele vai dizer que faz parte também do processo que o psicanalista assegure ao paciente que esses brancos vão ocorrer, que ele fique tranquilo, que se ele tiver dificuldades de associar, que ele diga essas dificuldades, que ele relate essas dificuldades, e que elas fazem parte do processo.

[16:30]E que e que o psicanalista precisa dizer ao seu paciente que, que não se preocupe, que se esses brancos ocorrerem, eles fazem parte do processo, e que ele fique realmente tranquilo e possa, eh, seguir o fluxo dessas associações, mesmo que elas não façam nenhum tipo de sentido.

[17:11]Então, a gente sabe que esse branco que dá, essa dificuldade de não saber por onde começar, eh, tá muito relacionado ou tá diretamente relacionada com as forças de resistência que a gente tá falando aqui. Então, cabe ao psicanalista analisar essas resistências, eh, ou seja, aonde é que essa fala esbarra e ela para. Ali há uma resistência. Ali ela deve ter esbarrado diretamente num complexo afetivo, algum assunto relacionado a algo importante e que não pode naquele momento ser, ser dito. Então, cabe ao psicanalista perceber esses lugares onde a fala se interrompe e interpretar essas essas resistências, né? Analisar essas resistências, ajudando o seu paciente a superar essas resistências para que ele possa continuar associando. E caminhando no, no fluxo dessa fala. Vejam que lá na página 32, eu não sei na edição de vocês em que página que tá, porque a minha é essa mais antiginha aqui. Mas na página 32, ele vai dizer assim, que esse material rejeitado pelo paciente, quer dizer, essas resistências, né? Isso que ele não quer colocar porque ele acha que não não tem importância ou porque pode parecer, eh, sem importância nenhuma, ele vai dizer que, só abre aspas, né, a expressão do texto. Que esse material representa o minério de onde com simples artifício de interpretação há de extrair o metal precioso. Então, vejam que é, é bem bacana essa analogia que ele faz, né, que é desse minério que parece sem valor, é que vai se extrair dali o metal precioso através da interpretação, que é isso que a gente está falando aqui, né, a interpretação da resistência, desses conteúdos que vão vir a partir desses pensamentos que parecem não ter nenhum sentido. Só que o Freud também, mais adiante no texto, eu acho que vocês devem ter visto isso, ele vai dizer que as associações livres não são o, o único meio de se atingir o inconsciente, não. Não consiste na única técnica, né? Existem outras técnicas também que devem ser empregadas. Incluindo a interpretação de sonhos, que ele já fala disso há bastante tempo, né? É, vejam que a gente tá falando aqui de conferências de 1909 e a interpretação de sonhos foi publicada há 10 anos antes, então ele já tem isso consolidado. Então, ele tá falando da interpretação de sonhos, tá falando da observação também dos lapsos e dos atos falhos. E aqui a gente nota assim, um certo, uma certa preocupação, acho que eu vou dizer assim, que o Freud tende a abordar o assunto dos sonhos no continente americano, que é conhecido pelo seu pragmatismo, pela sua objetividade. Então, a gente percebe assim, na leitura do texto, que ele tem uma certa, uma certa reserva e que ele vai tentando preparar a sua plateia para, para chegar nesse assunto dos sonhos, né? Inclusive, ele vai reiterar aqui no texto aquela frase clássica que ele emprega, que o estudo dos sonhos é a estrada real para o acesso ao inconsciente. Quer dizer, ele expressa aqui, de fato, claramente, toda a importância que ele, que ele dá para, para essa descoberta, né, que é a grande descoberta que ele sente que ele foi pioneiro. Quer dizer, eh, não o estudo dos sonhos como feito na antiguidade, na base de oráculos ou do misticismo ou de prever o futuro ou de criar um dicionário de sonhos, um dicionário de significados, nada disso, isso não tem absolutamente nada a ver com a psicanálise. Mas no sentido de um estudo científico dos sonhos, um estudo que pudesse ser feito a partir dos símbolos que aparecem nos sonhos e das associações livres que o paciente produz a respeito dos elementos do seu próprio sonho. É por isso que, quando uma pessoa às vezes chega para você e pergunta assim, sonhei com tal coisa. O que que significa o meu sonho? Me explica o significado do meu sonho. E você não pode afirmar absolutamente nada a respeito disso, porque a interpretação de um sonho é construída pelo próprio sonhador. O psicanalista, então, ele não vai oferecer o significado. Ele vai ajudar esse indivíduo através do processo de associações livres a construir o significado do seu próprio sonho. É claro que, quando esses elementos estão todos postos, o psicanalista pode fazer uma interpretação reunindo todos esses elementos e mostrando os aspectos simbólicos desse sonho. Mas para isso, o psicanalista precisa conhecer o seu paciente, precisa estar em análise com esse paciente há muito tempo. Mas ele parte essencialmente das associações livres feitas por aquela pessoa que sonhou. Então, qualquer análise de sonho que seja feita assim, nesse ping-pong de pergunta e resposta, a gente pode considerar como inadequada e como uma espécie de análise selvagem, que não tem absolutamente nenhum, nenhuma fundamentação dentro do que a gente está estudando aqui. Então, o Freud, ele continua aqui dando uma importância tão grande para o estudo dos sonhos, que lá na página 32, ainda na mesma página que eu acabei de colocar aqui, ele diz assim, quando me, abre aspas, né, a expressão do texto. Quando me perguntam, como pode uma pessoa fazer-se psicanalista? Respondo que é pelo estudo dos próprios sonhos. Então, ele tá dando aqui sim, uma ênfase muito grande, muito clara na importância do estudo dos sonhos dentro da teoria e da técnica psicanalítica. Lembrando que o Freud considerava aquele tripé básico da formação do psicanalista, que é uma formação teórica sólida, uma supervisão adequada dos seus atendimentos e também a própria análise pessoal. Então, eh, esses três eixos são aqueles que compõem a formação do psicanalista. Então, aqui, mais adiante, a partir da página 32 aqui, pela minha edição, até o final do texto, né? Ele vai ficar falando sobre os sonhos. Ele também vai falar um pouco sobre os, os lapsos e os atos falhos. Mas ele vai aqui gastar um tempo maior falando dos sonhos. Então, ele vai falar que os sonhos são essencialmente realizações de desejos. Porém, realizações disfarçadas. Elas não são realizações claras do desejo. É verdade que alguns sonhos são bem simples de serem interpretados, que são principalmente aqueles sonhos decorrentes de restos diurnos. O que é que são sonhos decorrentes de restos diurnos? São aqueles sonhos de coisas que aconteceram no nosso dia e que nós não pudemos realizar por algum motivo.

[25:05]Seja comprar um objeto numa loja, seja falar algo para uma pessoa que a gente gostaria de ter falado e não pôde, por quaisquer razões. Eh, seja, às vezes, comer um, uma torta, você vê ali uma, uma torta de chocolate bem gostosa e você tá de regime, não pode comer, de noite você sonha que está comendo aquela torta, sei lá, qualquer coisa assim. Eh, significam, então, eh, realizações de desejos de pequenas coisas que ocorreram no dia. Esses sonhos são muito simples e geralmente eles não requerem nem ajuda de um psicanalista para serem interpretados, isso é feito pela própria pessoa que tá sonhando mesmo. Porém, existem sonhos que são muito tortuosos, enigmáticos, confusos e até terríveis. E aí a primeira pergunta que a gente faz é, aonde é que tá o desejo num sonho maluco como esse? Inclusive, em sonhos que são pesadelos, né? A pessoa, às vezes, tem um pesadelo de que aquela pessoa que ela mais ama tá sofrendo ou ou abandonou. É, e aí a gente se questiona, onde é que tá a realização de desejo nisso, né? Bom, e aí a gente tem que lembrar de dois fatores importantes. O primeiro é que os conteúdos que vêm à nossa mente, quando a gente acorda, eles vêm sofrendo um processo de deformação onírica. Ou seja, esses conteúdos foram deformados por processos de censura na passagem do inconsciente para o consciente.

[26:50]Isso significa que, durante a noite, enquanto nós estamos dormindo, o nosso ego, que é vigilante e que reprime esses conteúdos, ele enfraquece essa censura. Então, como que se dá essa passagem dos conteúdos do inconsciente para a consciência? Eu estava dizendo para vocês que o ego exerce uma vigilância, ele exerce uma censura, porém, durante a noite, essa censura, ela é rebaixada, essa vigilância é enfraquecida. Então, esses conteúdos, eles passam através dessa barreira, desse limiar do inconsciente para o consciente, através de processos de condensação, processos de deslocamento que fazem uma deformação desses conteúdos. Então, esse sonho que a gente se lembra, ele não significa exatamente o sonho original. Isso é até chamado de conteúdo manifesto versus conteúdo latente. O que que é o conteúdo manifesto do sonho? Como o próprio nome diz, é esse conteúdo que se manifesta na consciência, quando a gente acorda, é aquilo que você consegue lembrar do sonho. Porém, nem sempre você sabe o significado. Você se lembra do sonho, você consegue contar para uma pessoa, mas você não entende o significado do seu sonho muitas vezes. Então, o verdadeiro significado do sonho é chamado de conteúdo latente. É aí que está, para essa expressão, né, que ele está oculto. Ele precisa, então, passar pelo processo de análise, que é feito durante o trabalho psicanalítico, para que o verdadeiro significado do sonho possa ser decifrado. Então, a gente pode dizer que os sonhos são realizações de desejo disfarçadas. E aí eu tava falando para vocês, então, como é que fica essa questão dos pesadelos, dos sonhos terríveis? Eu tava dizendo duas coisas, então. Primeira é que, nem todos os conteúdos que vêm à consciência, eles significam realmente aquilo. Eles podem representar outros conteúdos, por causa desse processo de deformação onírica. Esse é um ponto. O outro ponto que precisa ser observado nessa realização de desejo em sonhos terríveis é que nós, eh, e isso é uma coisa assim, às vezes difícil de, eh, ser aceita pelas pessoas, mas o Freud vai, eh, batalhar nessa ideia, né, de, de mostrar isso. Nós temos desejos dos quais nós não nos apercebemos, não conhecemos a respeito dos nossos desejos, inclusive, desejos de destruição, desejos de desagregação, eh, desejos que vão contra os nossos princípios de, de vida, de, de virtuosidade, eh, daquilo que a gente preza como o bom, etc e tal. Então, é claro que a gente não admite essa realidade, porque essa realidade está reprimida. O Freud vai falar disso no texto Além do Princípio de Prazer, quando ele tá falando da pulsão de morte, que existe uma dimensão dentro de nós que pode ser autodestrutiva, que pode nos fazer mal, que pode nos autosabotar. E a gente não admite essa ideia conscientemente, mas a gente vê essa ideia acontecendo na forma como a gente tem atitudes que nos colocam em prejuízo. E você vê isso quando aquela pessoa chega a uma certa situação e ela, olha para si própria e percebe assim, como é que eu vim parar aqui? E eu não pude perceber, né? Assim, como que esses ciclos se repetem e que fazem mal ao próprio sujeito, né? Então, a gente tem, sim, forças destrutivas e que e que vão contra os nossos princípios de, de vida, de, de virtuosismo, eh, daquilo que a gente preza como o bom, etc e tal. Então, o Freud está falando bastante dessa ideia aqui de conteúdo manifesto, conteúdo latente e dos mecanismos de condensação e deslocamento como mecanismos que vão trabalhar nessa deformação onírica, nesse processo de construção do sonho. Eu não vou me, eh, deter muito nisso aqui, porque eu acho que isso é tema, inclusive, para uma outra leitura conjunta, que pode ser a Interpretação de Sonhos ou outros textos de Freud que tratam sobre os sonhos. E por fim, ele vai falar aqui também, ao finalzinho, sobre os lapsos e os atos falhos. Que parecem algo assim, sem nenhum sentido, sem nenhum significado, um mero esquecimento, trocar o nome de uma pessoa por outro, ou esquecer de uma reunião, assim, nossa, esqueci da reunião. Ou como acontece com muitos pacientes nossos, né, que eles têm horário marcado, e aí, de repente, eles, uh, aí no horário o paciente não aparece. Aí dá algumas horas depois, no dia seguinte, ele, rapaz, você me desculpa, ontem esqueci da nossa sessão, né? E aí você pode achar assim, não, é só um lapso, é só um esquecimento, mas para o psicanalista, esses lapsos, esses esquecimentos, essas trocas, né, trocas de nome, trocas de, às vezes, você acha que você tem que ir para um lugar, você vai para outro. Esses lapsos de memória, esquecimentos, enganos, eles têm um significado importante e eles revelam uma intencionalidade do inconsciente em algo que insiste em ser dito. Contra o desejo da consciência de preservar esses conteúdos no inconsciente. Então, é, nesse conflito intrapsíquico aqui que a gente tá falando, né? Então, para um psicanalista, como eu disse para vocês, nada passa batido. Bem, pessoal, acho que essas são as minhas principais considerações a respeito da terceira lição. Eh, dúvidas, comentários, críticas, escrevam aí no campo de comentários desse vídeo, que eu respondo todos vocês. E semana que vem a gente volta com a quarta lição de psicanálise. Um outro comentário que eu queria colocar aqui é que lá na votação do texto, próximo texto, me parece que vai ser Totem e Tabu. Então, vota lá, se você está participando da votação do nosso grupo do WhatsApp, eh, próximo texto, a princípio, parece que vai ficar Totem e Tabu, então, aguardo aí o fechamento da votação para a gente já programar o nosso próximo vídeo de leitura conjunta. Um abraço para vocês e até semana que vem.

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