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Paulo Knapp Demonstra uma Sessão de Terapia Cognitivo Comportamental TCC

Gp Ap TCC

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[0:00]tiram a paz. Sem mais, Dorian Gray.

[0:11]Então, bom dia, Dorian. Tudo bem? Senta, por favor.

[0:17]Muito bem, Dorian. E aí, o que é que, o que é que você me conta? Eu ouvi o nome do senhor através de um amigo, Lord Henry. É um grande amigo e confesso que nunca pensei em estar diante do senhor. Mas algumas coisas aconteceram nos nos últimos tempos e eu acho que não, que é uma obrigação de um cavalheiro procurar ser um pouco melhor. E eu, eu vejo no senhor a possibilidade de de me desenvolver um pouco mais, então, eu ansiava por essa, por esse encontro. Muito bem. Eu até recebi a sua carta, achei muito bom você ter escrito a carta, eu as, já, você já deu alguma ideia do que que está procurando. Aí você estava falando agora que algumas coisas aconteceram e, e se me permite, Dorian, eu costumo escrever enquanto falo e até tem papel e caneta aí, se você quiser escrever também. Mas eu fiquei interessado, achei interessante essa ideia de que algumas coisas têm te perturbado e você está querendo entender isso melhor e ver isso melhor. O que é que, o que é que tem te perturbado e por quê? A verdade é que de um tempo para cá a sociedade começou, não a sociedade. Eu sou muito bem recebido em todas as festas que eu frequento, eu organizo festas em minha casa, onde eu recebo artistas influentes. Mas de um tempo para cá algumas pessoas têm me evitado. Isso na nossa sociedade, ela é, isso, esse fato já é o suficiente para que se criem boatos e isso está me incomodando, o que, o que me faz procurar o senhor, é mais um incômodo que eu sinto diante desses fatos, do que o próprio fato em si. Porque eu não preciso de ninguém, graças a Deus eu tenho uma vida muito, muito tranquila. Eu recebi uma herança de minha mãe, ela me deixou tudo que um homem precisa para viver com dignidade. Então eu, eu, eu, eu preciso me libertar dessa angústia que eu sinto das, de sentir que as pessoas estão comentando, falando sobre mim. Existem boatos, quando eu passo uma conversa é interrompida, isso começou a acontecer de um tempo para cá e me incomoda o fato de eu me incomodar com isso. Aham. E o que é que estão comentando, o que é que estão falando, você sabe? Banalidades, mas nada de. Dizem que eu exerço má influência sobre as pessoas que me cercam. Lord Henry me disse certa vez que toda influência é má. Porque como o objetivo da vida é se desenvolver completamente, toda influência, toda pessoa que exerce uma influência sobre outra pessoa de alguma forma, isso é uma coisa ruim. E um, um, um dos comentários que, que fazem sobre a minha pessoa é de exercer má influência sobre as pessoas que me cercam. O que é uma, que é que, quer dizer, má influência, Dorian? Também gostaria de saber. Mas a verdade é que eu vivia num, num, num núcleo de pessoas, de sociedade e, e essas pessoas começaram a fazer um, um amigo assinou um documento em nome de outro. Isso, o que é que eu tenho a ver com isso? Absolutamente nada. Eu também não dei a libertinagem de um outro amigo. Ele sempre foi e, mas é um comentário que eu ouço. E fora os outros que não, que eu não fico sabendo, mas que uma conversa é interrompida quando eu entro numa sala. Senhoritas abaixam a cabeça quando eu passo. Por que será? O que é que você acha, mesmo que não saiba, assim, a sua hipótese, a sua ideia, por que será? Eu acho que é inveja. Inveja. A única coisa que eu posso imaginar, porque eu, eu não, eu tenho uma vida, o senhor pode ver, pela minha aparência, que eu levo uma vida muito regrada, 35 anos. Então eu levo uma vida muito regrada, então eu não tenho, não tem por que as pessoas falarem nada de mim. A não ser por inveja, Inveja, não consigo enxergar outro motivo, nem outra razão. Porque eu não sei, é, uma vez eu disse para um, para um, um amigo, o pintor, até que há muito, muitos anos que eu não vejo. Hum. Ele disse que, que eu falava que, que eu exercia má influência sobre as pessoas e, e que comentaram que eu tinha feito determinadas coisas, mas nunca ninguém provou nada. Tipo, que tipo de coisas tu terias feito? Que eu frequentava lugares não dignos de um cavalheiro, que minhas, as festas da minha casa e na, e na minha propriedade, que era herança de minha mãe, eram festas que não eram dignas de cavalheiros. Calúnias, mas que, e que não tem a menor procedência. Mas, isso me incomodou, quando ele me falou e a, e a ousadia dele também de me falar uma coisa dessas. Mas a verdade é que eu nunca tive nenhum tipo de conduta para me envergonhar. Então eu não deveria me importar com, com o que está acontecendo. Claro. E como é que, como é que é isso que está acontecendo, que você tem uma ideia a respeito do que está acontecendo e parece que as pessoas têm uma outra ideia, né? Você está dizendo que isso é calúnia, que estão dizendo, difamando o seu nome, dizendo que você está fazendo festas pouco recomendáveis para um cavalheiro. É, parece que tem uma contradição aqui entre o que você acha e o que as pessoas acham, não tem uma, uma diferente versão, uma diferente visão do que está acontecendo. Como é que poderia se explicar isso?

[6:09]Eu não sei te dizer ao certo por que que isso acontece.

[6:20]Eu, a não ser inveja dessas pessoas, por estar, por eu ser um estudioso, eu ser uma pessoa que consigo conciliar muito bem a vida acadêmica, que eu estudo muito música, sou um grande pianista. Hoje menos do que eu deveria, mas já estudei muito e, e ao mesmo tempo, tem uma vida social muito ativa. E isso é, eu acho que é o, é o, é o desejo de todos, né? Uhum. É, desculpa eu te interromper, né, Dorian, mas é possível que seja inveja também. Mas você acha que é só inveja ou poderia ter outra coisa, porque as, as damas da sociedade, como se fala, é, baixam a cabeça quando lhe vêm, as pessoas cochicham, isso é só por inveja ou poderia ter alguma, se houvesse alguma outra coisa, Dorian? O que é que poderia ser? Porque eu sei, além da inveja. Talvez porque eu saiba alguns segredos de determinadas pessoas, até que se encontram nesse salão. Uhum. Sei. E isso pode acarretar um certo desconforto nessas pessoas. Claro. E por isso baixam a cabeça, por isso te evitam, por isso, é, é? Acredito que sim. Uhum. Muito bem. É, você falou também uma outra coisa que me deixou intrigado e até na carta, e hoje você falou também que você fica incomodado de sentir incômodo com esse estado de coisas. Por que é que você fica incomodado com isso? Eu acho que o sentido da vida é um homem se completar, ser pleno. E uma pessoa ser plena, eu acredito que ela tenha que ser independente. Eu acho que na, quando você precisa de uma pessoa, você é um escravo. Por isso que eu acho que toda apaixonada é um escravo. Uhum. E para você ser pleno, você precisa ser independente e indiferente. Eu acho que a indiferença é uma grande sabedoria, você levar a vida com indiferença. Uhum. E quando as pessoas falam de mim, ou quando as pessoas baixam a cabeça, eu gostaria muito de não me importar nada com isso. Mas a verdade é que eu me incomodo muito. Por que você se incomoda?

[8:31]Eu não sei, talvez porque eu não faça nada para merecer essas, esses insultos. Uhum. Nada. Eu tenho uma vida muito regrada.

[8:45]Mas então, Dorian, se você não me ajuda a entender isso, e por favor, se houver alguma informação ou você me acrescente, por favor, a informação, mas se você estava dizendo assim que um homem precisa ser independente e indiferente aos, aos outros. Ao mesmo tempo, você se incomoda de que as pessoas estão, eh, falando a seu respeito, eh, e falando, segundo você diz, por inveja. Então, como é que é isso, você gostaria de ser mais independente e indiferente, mas ao mesmo tempo se incomoda, o que também não torna você independente. Você depende, parece, né, da opinião dos outros, porque se incomoda com a opinião deles. Né? Como é que funciona isso? Eu acho que nisso reside o meu fracasso e a minha, a minha atitude de procurá-lo. Uhm. Porque o fracasso no, no sentido de que eu não estou conseguindo ser indiferente nesse, nesses dias. É claro que sempre falaram de mim, não é de hoje que eu frequento a sociedade e, mas de uns tempos para cá isso passou a me incomodar muito. Alguma coisa específica aconteceu de uns tempos para cá, Dorian, que que começaram a falar mais amiúde disso? Tem aumentado. Tem aumentado. Vem aumentando. Eh, a partir de quando, tu, você consegue identificar uma situação ou um conjunto de coisas que levou as pessoas a falarem mais?

[10:13]Dizem que me viram andando por uma região não muito digna, onde frequentam vários viciados. E que eu estaria usando ópio, que o senhor pode ver que é mentira, um viciado, tem todo o aspecto de viciado. Uhm. Você não usa nada de ópio, nada, nada? Nem mesmo, socialmente, assim, de vez em quando? Ópio? É. Não. Não. Alguma, alguma outra bebida, algum outro tipo de droga que você use? Um bom vinho não pode nem ser chamado de droga, né? Claro. Mas tirando isso não, eu tenho uma vida muito regrada, conforme eu disse. Mas está se tornando difícil para mim. Essa situação, eu estou ficando cada vez mais recolhido e eu tenho medo de que isso acabe me tornando uma pessoa alijada da sociedade, que por mais que, que eu entenda que isso seja falsa, é minha sociedade. Claro. Está sendo muito, muito doloroso ver pessoas que eu convivia e que eu sei que me, e que gostariam de estar no meu lugar, comentando, falando mal de mim para outras pessoas. Eu acho que eu, eu preciso de força para vencer essa minha fraqueza de precisar de um reconhecimento alheio, de uma atitude que eu, que eu tenho, de um, de um cavalheiro. Uhum. Então, assim, se a gente pudesse colocar o foco na razão de você estar procurando um psiquiatra, é que você, me corrija se eu estiver errado ou acrescente, que você gostaria de ser indiferente às pessoas e aos comentários maldosos, segundo a sua versão, do que as pessoas andam dizendo e fazendo a teu respeito. Exato. Se você pudesse pensar, vamos, eh, pensar aqui em voz alta assim. Se você pudesse fazer uma, uma escolha de que talvez pudesse entender que tem alguma outra coisa acontecendo que não só o que você acha que está acontecendo, que você está andando em lugares pouco, eh, dignos para um cavalheiro.

[12:36]Eh, o que você talvez está, eh, se mostrando de uma forma inadequada socialmente. Eu digo, fora o fato de ir a, a lugares pouco, eh, eh, conveniente. Será que algumas atitudes suas, um jeito seu, uma postura sua pode estar incitando nas pessoas, mesmo que equivocadamente, ah, essa reação que elas estão tendo? Acredito que, pode ser que exista. Ah, então você acha que existe? E isso é importante, eu gostaria até de anotar. Então é possível, Dorian, que, eh, algumas atitudes suas possam estar, eh, determinando a reação das pessoas. Portanto, as pessoas estariam reagindo a um jeito seu, a uma atitude sua? É possível. Muito bem, então deixa eu só anotar, porque eu acho que isso é interessante. Então, é possível que as pessoas estejam reagindo, né, porque é uma reação, né, reagindo a sua pessoa, a minha pessoa, porque eu estou botando aspas aqui, a você, a sua fala, é possível que as pessoas estão reagindo a minha, a minha atitude, eh, eu diria, inconveniente, ou pouco, eh, ou inadequada, socialmente, fora das convenções sociais. Como é que você gostaria de colocar? Que eu, eu gostei da ideia de que você, eh, é capaz de pensar que talvez seja uma reação das pessoas a uma atitude sua. Eu acho que este é uma questão bem interessante, Dorian, que eu gostaria de abordar um pouco mais. Porque se é, se é possível, vamos trabalhar isso como uma possibilidade, uma hipótese de que as pessoas estão reagindo a uma atitude sua, que atitude sua ou quais atitudes suas são essas? Por hipótese, apenas por hipótese, Dorian. Talvez eu seja um pouco arrogante, no trato, arrogante, ah, muito bem, um pouco arrogante. Que mais?

[14:46]Eu procuro ser indiferente. Indiferente, muito bem, você procura ser, mas então, então você está dizendo assim, a atitude indiferente pode estar fazendo as pessoas reagirem de uma forma que você não gosta. Porque você está tendo atitudes indiferentes. Eh, uma atitude indiferente às pessoas, é isso? Acho que sim. Muito bem, muito bom. Não, e, e assim, eu estou gostando de ver que você está tendo, eh, uma compreensão bem boa e bem interessante. Aliás, na carta eu já tinha percebido isso, uma carta muito bem escrita, uma carta, eh, que até parece que demonstra assim que já consegue entender que alguma coisa não está bem contigo. E agora eu vejo que você está falando que talvez duas, e já vamos ver que mais, eh, outras atitudes suas possam estar sendo responsáveis pela reação das pessoas em relação a você. E, eu achei isso muito interessante, Dorian, que eu gostaria de abordar um pouco mais. Que mais? Que talvez, que outras atitudes suas poderiam estar contribuindo, pelo menos, para essa reação das pessoas? Eu sou muito intolerante com as pessoas. Intolerante? Então, uma intolerância, eu sou muito intolerante. Dá só um exemplo de intolerante, por exemplo. Ah, o Victor, meu criado, ele conhece bem a minha intolerância. Aham. Eu, eu não, não suporto nenhum tipo de, de equívoco, de erro, de, de, em relação a nada. Uhum. E fora isso, eu também não tenho a menor paciência para as pessoas que não, não cultuam a arte, não cultuam a literatura. Então, numa mesa, é comum que eu me levante e saia andando, quando a conversa não está muito digna da minha presença. Então, é, é uma atitude comum. É, então, é, olha que interessante de novo, né, essa atitude intolerante que você está dizendo, né, que você disse até que frente a algumas situações, você não tolera, né, algumas atitudes da sociedade, ao invés de interagir com elas, você acaba se afastando. Então, é possível que um certo afastamento e indiferença, como você tinha falado e uma arrogância, estejam ocasionando esse tipo de reação nas pessoas. E eu achei isso muito interessante, Dorian. Que que eu gostaria de abordar um pouco mais. Por que mais que talvez, que outras atitudes suas poderiam estar contribuindo, pelo menos para esta reação das pessoas? Meu descaso com, né, porque eu sempre procuro os meus amigos quando eu tenho algum problema, mas eu não estou muito disponível para ouvir os problemas, uhm, dos meus amigos. Quer dizer, não tem uma reciprocidade, você até procura quando precisa, mas também não, não dá ouvidos quando precisam de você. É. Então, não tem essa reciprocidade social, digamos, né? Tem só uma, ah, né? O outro é para sua necessidade, não, não é exatamente uma coisa recíproca, né? É isso? É isso.

[17:53]Muito bem. Dorian, eh, foi muito legal, gostaria de saber você quer fazer algum comentário final, você gostaria de, o que que você achou da entrevista? O que é que? Eu acho que o, o Lorde Henry tem razão, o senhor é muito bom. Ah, muito bem, muito obrigado. Está ótimo. Eh, resumindo, você gostaria de, resumir o que nós falamos, especialmente a coisa última da, do exercício, que eu gostaria que você pudesse fazer. É uma coisa que eu estava pensando até enquanto você estava falando. O senhor falou que, que eu, eu tenho uma indiferença em relação às pessoas.

[18:46]Aham. E o que está me incomodando é a indiferença que elas estão tendo em relação a mim. Aham. Muito bem colocado. Muito, muito bem colocado, eu até, essa é outra das frases que eu gostaria de colocar. Então, eh, eh, porque você está dizendo, eh, diga de novo, por favor, a frase que você mesmo falou. Que o que está me incomodando, que, que eu tenho uma, uma indiferença em relação às pessoas. Aham. E o que está me incomodando é a indiferença que as pessoas têm em relação a mim. Perfeito. Muito bem. Certo. Muito bem. Talvez eu passe a tratá-las com um pouco menos de indiferença, né? Perfeito. Perfeito. Objetivamente, o que é que você pode fazer, poderia fazer hoje? Por exemplo, você falou que o seu pintor, seu amigo, você não vê há muito tempo, ou, eh, que outra pessoa você poderia, sei lá, talvez procurar, talvez, eh, emprestar o teu ouvido para alguma pessoa que pudesse gostar de ouvir a sua opinião, a respeito, enfim, de alguma situação difícil que ela possa estar passando. Ou simplesmente pela amizade. É o pintor é impossível, porque ele tem a mania horrível de me dar bons conselhos. Ah, muito bem. Está bem, então o pintor, vamos, vamos, deixamos, deixando de lado. Mas quem, quem seria que você? O Victor, o Victor, o Victor, eu acho que é quem mais sofre com as minhas atitudes. Meu empregado. Muito bem. Vou, vou, vou liberá-lo por hoje. Hoje ele está com um dia livre. Muito bem. Está ótimo. Eu acho que é uma boa atitude. Ótimo. Eu gostaria que você pudesse, assim, então, eh, já terminando, né, eh, Dorian. Eu gostaria que você começasse a, a gente chama aqui de monitorar, começasse a, a monitorar, a dar uma olhada um pouco melhor na sua atitude em relação às pessoas. Sabe, eh, prestar um pouco mais atenção nas suas atitudes e na reação que as pessoas têm a partir das suas atitudes. Será que seria possível que a gente pudesse ter assim um, um, um exercício? Porque seria bem interessante um exercício de você começar a se dar conta, a monitorar, a identificar quais atitudes suas, eh, acionam quais reações das pessoas? Você acha que seria possível a gente pensar isso? Claro. Muito bem, Dorian. Eh, foi muito bom, foi um prazer ter conversado com você, eu gostaria de marcar uma hora, deixar marcado para a próxima quinta-feira, na mesma hora, pode ser? Tudo bem. Maravilha, Dorian. Prazer, então. Prazer é todo meu. Bom dia para você. Bom dia. Até lá. Tchau, tchau.

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