[0:03]Imagine estar em uma cidade onde tudo ao seu redor desaba em segundos, com pessoas gritando, prédios caindo, tudo em meio a uma nuvem de poeira e destruição. Este foi o terror que os habitantes em Lisboa enfrentaram em 1755, quando um devastador terremoto sacudiu a cidade. E agora, acompanhe essa história do terremoto que mudou para sempre a capital portuguesa, e como a cidade se recuperou e se transformou em uma das mais modernas da Europa.
[0:39]O TERREMOTO
[0:43]No dia 1º de novembro de 1755, o dia era o Dia de Todos os Santos, e que aqui no Brasil conhecemos como o Dia de Finados. E muitos devotos moradores da cidade, estavam nas igrejas para comemorar a ocasião. Mas por volta das 9:30 da manhã, ouviram-se estrondos que muitas pessoas, incluindo o padre da igreja, acreditavam ser o barulho de muitas carruagens. Mas o que eles não sabiam é que esses estrondos não eram de carruagens, e sim um terremoto, um dos mais devastadores da história de Portugal. Naquele momento, o chão começou a tremer violentamente, fazendo com que as pessoas saíssem correndo das igrejas em pânico. Relatos contam que os tremores estenderam-se por até 7 minutos, embora existam registros que sugerem que podem ter se estendido por 15 minutos. E infelizmente, muitas dessas pessoas não conseguiram fugir a tempo, sendo soterradas pelos escombros. O epicentro do terremoto nunca foi conhecido, mas acredita-se que tenha sido no mar, entre 150 e 500 km a sudoeste de Lisboa. Alguns historiadores acreditam que o epicentro pode ter sido em um lugar chamado de Banco de Gorringe, onde houve outro grande terremoto em 1969. E estima-se que o terremoto atingiu nove na escala Richter. E ele causou rachaduras enormes em Lisboa, algumas das quais ainda podem ser vistas hoje. E quando o terremoto finalmente acabou, a destruição estava presente por toda a cidade, mas algo ainda maior estava por vir. O TSUNAMI E como muitas pessoas foram para a área portuária para se abrigar o terremoto, viram as águas do mar recuar, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. A onda de água que acredita-se ter sido pelo menos de 20 metros de altura, invadiu o porto e o centro da cidade, com águas penetrando cerca de 250 a 700 metros, com alguns relatos dizendo que essas ondas foram ainda mais altas.
[2:57]Infelizmente, o terremoto e o tsunami não foram os únicos problemas que os moradores de Lisboa tiveram que enfrentar naquele dia. Pois em áreas que não foram atingidas pelo tsunami, o fogo se espalhou rapidamente pela cidade, destruindo ainda mais construções que haviam sobrevivido ao abalo sísmico. As chamas foram alimentadas pelas lareiras de cozinha que haviam sido acendidas para preparar o café da manhã, e por velas que estavam acesas para iluminar as igrejas durante as missas do Dia de Todos os Santos. Além disso, houveram relatos de que saqueadores roubaram e saquearam o que puderam. Quando tudo acabou, a cidade de Lisboa estava completamente destruída, com cerca de 90.000 pessoas morrendo devido ao terremoto, com 900 delas sendo vítimas diretas do tsunami, o que representava cerca de 30% da população. Além disso, cerca de 85% das construções da cidade foram destruídas, incluindo palácios famosos, bibliotecas, conventos, igrejas, hospitais e outras estruturas. A Casa da Ópera, que havia sido inaugurada apenas 6 meses antes, foi completamente consumida pelo fogo. O Palácio Real que ficava à beira do Rio Tejo, foi destruído pelo terremoto e pelo tsunami. Na biblioteca do palácio, perderam-se 70.000 volumes e centenas de obras de arte, incluindo pinturas de artistas famosos, como Ticiano, Rubens e Corregio. O valioso arquivo real, que guardava documentos sobre a exploração oceânica e outros documentos antigos, também foi perdido. Além disso, o terremoto destruiu ou danificou gravemente as principais igrejas de Lisboa. E entre elas está o Convento do Carmo, onde suas ruínas ainda podem ser visitadas no centro da cidade. O Hospital Real de Todos os Santos foi destruído pelo fogo e centenas de pacientes morreram queimados. Registros históricos das viagens de Vasco da Gama e Cristóvão Colombo também foram perdidos. O tsunami causado pelo terremoto foi tão grande que chegou a atingir lugares muito distantes, chegando na costa leste dos Estados Unidos e até mesmo atingindo o Brasil, com ondas atingindo o litoral de Pernambuco e a orla de Salvador. AS CONSEQUÊNCIAS Naquela manhã, o rei Dom José I e a corte haviam deixado a cidade para assistir à missa em Santa Maria de Belém, nos arredores de Lisboa. A razão pela qual o rei estava ausente da capital durante o terremoto foi devido ao desejo das princesas de passar o feriado em outro lugar, que fosse longe da cidade. E após o terremoto, Dom José I desenvolveu uma fobia por recintos fechados e passou o resto de sua vida em um luxuoso complexo de tendas chamados Real Barraca da Ajuda em Lisboa. O Marquês de Pombal, secretário de Estado dos negócios estrangeiros e da guerra e futuro primeiro-ministro, chamado Sebastião José de Carvalho e Melo, também sobreviveu ao terremoto. E ordenou que o exército começasse a reconstruir Lisboa imediatamente. Conta-se que quando o questionaram ele, com a singela frase e agora, ele respondeu: Agora enterramos os mortos e cuidaremos dos vivos. Embora essa conversa não possa ter sido autêntica, ele criou um plano de proteção civil dos sobreviventes da tragédia. Com estratégias para abrigar pessoas sem moradia, a fim de evitar a fome e para lidar com cadáveres a fim de evitar uma pandemia. Rapidamente, organizaram-se equipes de pessoas para combater os incêndios e recolher os milhares de corpos. Para evitar a proliferação de doenças, os mortos precisavam ser enterrados o mais rápido possível. Muitos deles foram enterrados em valas comuns, ou até mesmo jogados no mar, todos presos a pesos para que afundassem. Mas os sobreviventes também precisavam se proteger de outro perigo, os saques.
[7:10]As autoridades tiveram que tomar medidas para evitar que as pessoas se aproveitassem do caos para roubar, e qualquer um que fosse pego saqueando uma residência era enforcado pelas tropas do reino. A RECONSTRUÇÃO
[7:24]Algumas ideias foram sugeridas para a reconstrução da cidade. Uma delas era deixar a cidade e reconstruí-la em outro lugar. No final, foi criado um plano chamado de Plano de Manuel da Maia, que incluía a construção de novos edifícios com uma tecnologia inovadora, que levava o nome de Gaiola Pombalina. Essa tecnologia consiste em uma estrutura de madeira feita em forma de X, preenchida com entulhos da própria ruína, colocada dentro de paredes dos edifícios, tornando os edifícios mais resistentes a futuros terremotos. Além disso, essa estrutura é bastante flexível, o que permite que ela se mova e absorva o impacto de um terremoto. Esses edifícios teriam até quatro andares, com espaço para lojas e varandas nos andares de baixo. Todas as casas, até mesmo as dos mais nobres, teriam que seguir esse mesmo modelo, e a única parte da casa onde era permitido ter decoração mais elaborada era a porta de entrada. Além disso, o Plano de Manuel da Maia incluía a instalação de um sistema de esgoto mais moderno para atender à população. As ruas da Baixa também foram construídas mais largas para melhorar a iluminação e a ventilação.
[8:41]E na reconstrução da cidade, as igrejas foram priorizadas, e elas eram os únicos prédios que podiam ter inovações em suas fachadas, enquanto todos os outros precisavam seguir regras rígidas ou enfrentavam multas. A antiga cidade medieval, cheia de ruas estreitas e sinuosas, acabou sendo substituída pelo estilo pombalino. Para financiar essa reconstrução, o governo teve que aumentar os impostos nas áreas mineradoras de Minas Gerais. Isso acabou gerando insatisfação entre os colonos que se rebelaram contra o governo português. 5 impacto na sociedade. O terremoto que atingiu Lisboa foi um evento que afetou mais do que apenas a cidade e os prédios. Ele também gerou muitas perguntas sobre a fé e a religião na Europa. E isso aconteceu porque o terremoto ocorreu em um dia sagrado e destruiu muitas igrejas importantes, onde muitas pessoas se reuniam para celebrar o dia. Algumas delas começaram a se perguntar se Deus estava punindo Lisboa ou amaldiçoando a Terra por algum motivo. E com medo, muitas dessas pessoas se mudaram. O terremoto também gerou uma discussão entre a religião e o estudo científico.
[10:02]O ministro responsável por reconstruir a cidade também decidiu fazer uma investigação sobre o que aconteceu, enviando um questionário para todas as paróquias do país para perguntar sobre o terremoto e os seus efeitos. As perguntas incluíam coisas como, quanto tempo durou o terremoto, quantas vezes ele foi sentido, quais foram os tipos de danos causados pelo terremoto, os animais que tiveram comportamentos estranhos e o que aconteceu com os poços? O objetivo era entender melhor o que aconteceu e como prevenir futuros terremotos. As respostas às perguntas do inquérito ainda estão guardados na Torre do Tombo, um lugar onde são arquivados documentos importantes. Os cientistas de hoje utilizaram essas respostas para entender melhor o terremoto e descrevê-lo de uma maneira mais científica, sendo considerado um precursor da sismologia, que é a ciência que estuda os terremotos.



