[0:00]poder dar uma vida melhor para minha mãe, e esse era o meu primeiro objetivo desde muito cedo, que era tentar ajudar a minha família de alguma forma. Porque a gente vem de um de uma situação muito carente, muito era de pobreza, de faltar comida na mesa. E eu consegui, né, através do do futebol, poder reverter essa situação, mudar esse quadro.
[0:48]Marta nasceu em Alagoas no dia 19 de fevereiro de 1986, na cidade de Dois Riachos. Como ela mesmo disse, veio de uma família humilde e até por isso teve que lutar contra duas coisas: as dificuldades financeiras e o preconceito. Vale lembrar, hein, 7 anos antes de Marta nascer, o futebol feminino era proibido no Brasil. Marta sempre gostou de jogar bola desde pequena, ela nasceu com isso. Jogava com seus três irmãos mais velhos nos terrenos de terra e nas ruas da cidade. Ainda na escola, começou a participar de campeonatos de futsal junto com os meninos, incentivada por seu primeiro técnico, Tota. Mas acreditem, foi preciso mudar as regras da competição para que ela não pudesse mais jogar. Era boa demais, os meninos não aguentavam seus dribles, fintas e jogadas. Dois Riachos era uma cidade pequena demais para ela. Aos 14 anos, ela já jogava nas categorias de base do CSA na cidade, mas vislumbrava um grande clube. Seu treinador na época conseguiu que ela participasse de duas peneiras em times do Rio de Janeiro, Vasco e Fluminense. A adolescente não pensou duas vezes e se mandou para a cidade maravilhosa. Poxa, caraca, vou jogar num time feminino, vou, vou treinar numa, num campo de grama, porque lá era tudo terrão, né? E lá era assim, com os meninos e tinha que ouvir xingamentos e tal, então, quando eu fui pro Rio com 14, eu falei, agora vai, porque eu tô numa cidade grande, todo mundo vai me ver, eu vou ter a oportunidade de de mostrar o meu trabalho e vou evoluir. Assim que fez a peneira no Vasco, o clube não perdeu tempo e já foi contratada. Ela nem chegou a fazer o teste no Fluminense, mas imagina, se hoje a gente reclama de falta de estrutura e desigualdade no futebol feminino, imagina 24 anos atrás como era. No Vasco, Marta ganhava só uma ajuda de custo para se manter e morava no alojamento com as outras atletas. E olha, mesmo assim, o clube ainda conquistou o Campeonato Brasileiro Sub-19 de 2001. Mas aí a equipe feminina do Cruzmaltino fechou as portas. E agora? Eu fui pro Rio de Janeiro com 14 anos, depois de 1 ano e meio, as portas do clube que eu comecei já estavam se fechando. E aí eu falei, poxa, vou ter que pegar um ônibus mais três dias voltando para Alagoas? Eu não quero isso, então eu tive que me virar de alguma maneira. E foi aí que apareceu amigos, pessoas queridas que seguraram a barra comigo. Olha, não, vamos jogar ali, vamos jogar no final de semana, você joga nesse time de futsal, a gente te dá um um trocado e você vai se virando aqui no Rio, porque se você voltar para Alagoas, você pode ser esquecida. Uma dessas pessoas queridas era a supervisora de futebol do Vasco na época, Helena Pacheco, que fez de tudo para manter a jovem atleta jogando. Marta já jogava na seleção Sub-19 e até pela seleção adulta. Foi emprestada para o São José do Rio Preto só para jogar o Campeonato Paulista e depois para o Santa Cruz de Belo Horizonte, onde ficou por pouco mais de um ano. E foi com a camisa do Santa Cruz que Marta disputou em 2003, com a seleção brasileira, nesta altura aos 17 anos, os jogos Pan-Americanos e conquistou ali o ouro inédito da seleção feminina no torneio. No mesmo ano, havia a maior competição do mundo, a Copa do Mundo dos Estados Unidos. E a campanha foi boa, com duas vitórias e um empate na fase de grupos, elas avançaram. Mas perderam por 2 a 1 para a Suécia e foram desclassificadas nas quartas de final. Mas aquele jogo mudaria para sempre a vida da Alagoana. Os suecos enxergaram o talento da jovem Marta, que marcou três gols em quatro jogos. Sua vida, que antes da Copa estava incerta, tomou rumo. Ela recebeu o convite do Umea, um clube sueco que era reconhecido na Europa por sua equipe feminina bem estruturada e competitiva. A partir dali, tudo mudou. Marta atuou pelo Umea por cinco temporadas, entre 2003 e 2008. Pelo clube, ela logo se tornou a estrela principal do time e conquistou vários títulos. Olha, eu quero que vocês deem atenção ao número de jogos e de gols em cada equipe que a gente vai falar a partir de agora.
[5:50]Contar com uma estrutura e incentivo na categoria fez toda a diferença para Marta. Jogando na Suécia, Marta foi três vezes melhor do mundo pela FIFA, ganhou Bola de Ouro, Chuteira de Ouro e conquistou o mundo. A Marta jogadora é aquela atleta que se dedica muito. Aquela atleta que procura estar sempre se colocando em em uma situação de desafio. Com esse pensamento eu, eu também tento levar as minhas companheiras juntas. É, eu quero ter essa, essa situação de desconforto diário. Eu digo no sentido de, olha, o treino vai ser assim e eu procuro fazer da melhor maneira possível. Eu olho muito quanto tempo eu corri, se foi o suficiente, se eu preciso fazer mais um pouco. Era a hora de novos ares para Marta, ares norte-americanos. Ao dar um outro rumo para sua carreira, foi contratada pelo Los Angeles Sol dos Estados Unidos, no começo de 2009. Lá, ela não só foi artilheira da competição, como levou sua equipe ao vice-campeonato nacional. Em agosto daquele ano, depois do fim da temporada norte-americana, uma breve, mas muito vitoriosa passagem pelo Brasil. Marta foi emprestada ao Santos por três meses, quando disputou e foi campeã com as Sereias da Copa Libertadores Feminina e da Copa do Brasil. Nos Estados Unidos, Marta ainda jogou no FC Gold Pride e no Western New York Flash. E bem, foi campeã nacional com os dois clubes. Pelas atuações nos Estados Unidos e no Santos, mais dois prêmios de melhor do mundo da FIFA, somando até então, cinco vezes melhor do mundo. Mas Marta queria mais, ela sempre quer mais. Ainda com 26 anos, ela voltou à Suécia e garantiu, quer conquistar a Liga dos Campeões de novo. Por lá, ela jogou por Tyresö e Rosengard. A Champions League não veio, mas ganhou novos títulos nacionais e artilharias. Hoje é jogadora do Orlando Pride, dos Estados Unidos, onde atua desde 2017 e já é a atleta com mais gols e assistências da história do clube. E só para variar, ganhou em 2018 o prêmio de melhor do mundo, pela sexta vez. Pela amarelinha, Marta venceu aquele Pan-Americano em 2003 e mais dois Pans, o do Rio em 2007 e no Canadá em 2015. Além disso, venceu três Copa América, além de ter levado o Brasil ao vice-campeonato da Copa do Mundo Feminina em 2007. Quando eu cheguei na seleção, eh, era um, um ambiente bem diferente do que a gente vive hoje. Né, e eu cheguei muito nova, eu não tinha essa abertura toda, eu não sentia que, que eu tinha essa liberdade de falar o que eu estava sentindo, de de expressar eh, as minhas opiniões. Então, hoje eu eu tento fazer de uma maneira diferente para as meninas que que estão chegando na seleção, estão aqui e que precisa desse desse aconchego. Marta, vence títulos na marra, porque está farta de tanta desigualdade. Mas sempre tem uma carta na manga. E mata o que há de ruim. Pisou no Hall da Fama no Maracanã, até hoje a única mulher a deixar a marca dos pés por lá. Decidíssimo, né? Afinal de contas, Marta é a maior artilheira da seleção brasileira. Não, meus amigos, não só da feminina, com 118 gols, ninguém balançou mais as redes do que ela com a camisa da seleção. E pode vir mais, hein? Sim, é verdade, Marta anunciou que aos 38 anos, 2024 será seu último. Mas vale lembrar, tem uma certa competição Olímpica vindo por aí. poder contribuir pela mudança de um modo geral para que possa abraçar um todo, eu acho que é um, vale mais do que qualquer título.



