[0:01]Não, tá, tá gravando. Perfeito. Bom, eh, eu sou o professor Doutor Lucas Bastos, sou professor da Federal aqui do Estado do Pará, né? É, eu trabalho hoje aqui dentro do laboratório Lacis, dentro da Universidade, eh, Federal do Pará. Também sou professor adjunto na Unifesp, né, que é a Federal do Sudeste do Pará. E nós temos vários projetos, vários trabalhos, projetos acadêmicos, projetos de pesquisa, projetos de extensão. E nós trabalhamos com diversas áreas, seja redes, inteligência artificial, ciência de dados, cidades inteligentes, entre outros trabalhos. Hoje o seu show. Aí a primeira pergunta que eu vou fazer já vem relacionada a, talvez, um gargalo, né? Que é a infraestrutura. Certo. Então, o gargalo está mais na capacidade computacional ou na captação de recursos? Bom, dentre esses dois pontos, a captação de recursos eu, eu acho que eu divido em duas, também duas etapas. Os recursos humanos, que é no caso o RH, a parte técnica entre as pessoas, e os recursos mesmo financeiros para a infraestrutura. Então, eu acho o seguinte, hoje nós temos muitos alunos que têm uma capacidade incrível de, de ensino, de estudo tecnicamente. Às vezes, alguns alunos entram na universidade até já com uma parte técnica muito boa. Mas é, logicamente, a nossa área, que é uma área da computação, os valores dos equipamentos são caros, não são valores baratos. Então, conseguir esse recurso financeiro, aproximar um pouco a universidade de órgãos públicos, de empresas privadas, de recursos de todos os meios para que a gente possa fornecer essa infraestrutura pro aluno, a gente consegue ter o mesmo nível de aproveitamento das grandes universidades. Então, a parte técnica, no caso, o RH, a gente consegue ter ali alunos altamente capacitados, em conjunto com uma boa infraestrutura para que esse aluno possa ali, eh, alavancar a carreira dele profissional, né? Perfeito. Aí dentro dessa mesma, dentro dessa mesma questão, já houve projetos cujo o escopo exigiu eh, mais processamento? Então, teve limitação por causa do processamento? Sim, com certeza. Eh, a maioria dos projetos, quando nós fazemos com, tanto com órgãos públicos, quanto com empresas privadas, eh, às vezes fica um gargalo muito grande, seja da parte de armazenamento, seja na parte de processamento, seja na parte de memória RAM. Então, tudo isso sempre é muito necessário. É um grande ponto que a gente tem, nós temos aqui dentro do nosso laboratório e dentro da universidade, projeto do barco elétrico, projeto de cibersegurança, projeto Maná, que são projetos muito grandes. Eles necessitam de uma infraestrutura muito forte, então necessitam de um processador de alta performance, precisa de uma memória de alta performance, precisa de um armazenamento que atenda não somente em volume de dados, mas nesse fluxo de dados, seja de escrita e leitura e na quantidade de ciclos que vai fazer desses dados. Então, sim, a gente precisa muito e, logicamente, é sempre um, a gente tem que achar um trade-off, um balanço entre ter essa qualidade para poder entregar o melhor trabalho para essas empresas e para esses órgãos. E também a gente tem recursos às vezes limitados porque estamos falando de um, de uma universidade pública, né? Então, fazer esse balanço é o que a gente sempre tenta atender, né? Show de bola. Perfeito, perfeito. Agora, em relação ao impacto dessa falta de infraestrutura, o quanto a qualidade da infraestrutura impacta diretamente na produção de pesquisa? Eu acredito que ali em torno acima dos 70, 80%, porque, como nós falamos, a gente viu até na Fórmula 1, em esportes que dependem de equipamentos. Quando o equipamento não condiz às vezes com o, o piloto ou com o atleta, eh, ele acaba tendo um rendimento um pouco menor. É a mesma coisa que acontece com os nossos alunos. Nós podemos ter os melhores alunos, os melhores profissionais, mas se o equipamento não condizer com o recurso técnico que ele tem, às vezes a gente não consegue produzir da melhor forma. Então, a gente demora um pouco mais para fazer um processamento, demora um pouco mais para fazer a leitura de dados, demora um pouco mais, talvez, para entregar, e não por falta de capacidade técnica, mas sim por falta de capacidade da própria infraestrutura que a gente não tem, em certos momentos, para atender seja aquele projeto, ou seja até na própria pesquisa científica do próprio aluno. Muitos alunos têm suas pesquisas científicas, né, alunos de mestrado, doutorado, pós-doutorado, professores e até alunos de graduação, mas que às vezes é não atende a infraestrutura não atende a pesquisa científica deles, né? Perfeito. Agora, eu separei algumas perguntas aqui sobre simulação, modelagem, que a gente entra em um negócio de uma questão mais específica, né? Sim. Perfeito. E alta performance. Perfeito. Eh, as pesquisas que são desenvolvidas aqui, elas dependem de algum tipo de simulação computacional muito específica? Sim, com certeza. Eh, existe um fator muito grande que acontece dentro das universidades eh, afora do Brasil e as grandes universidades que têm no Brasil. Eles, eles, em muitos casos, têm um recurso financeiro muito bom. Então, eles conseguem fazer uma coisa chamada testbed, que é um teste com equipamentos reais. É colocar um drone eh, para voar, é colocar um carro autônomo para funcionar, é colocar equipamentos de IoT funcionando. E essa parte, desse recurso financeiro, às vezes, não temos para fazer a compra desses equipamentos. Mas nós temos a parte da simulação, então, pegar um simulador e processar todo esse cenário real dentro de um cenário eh, simulado, e tentar colocar os parâmetros que são reais dentro do simulador para simular e tentar provar, de forma, de certa forma, teoricamente, que aquela, vamos dizer, aquela solução, aquela aplicação funciona.
[7:08]Isso acontece a todo momento. Então, em muitos casos, quando o aluno tem um estudo de redes, que o drone vai fornecer um, uma infraestrutura de redes ou o drone vai fornecer aplicações, e a gente precisa utilizar isso. Em alguns casos, nós não temos o drone que tem essa capacidade, mas nós temos o simulador, nós temos o, o servidor, nós temos, às vezes, o equipamento que a gente pode fazer isso da forma simulada. Então, a gente pega, faz toda uma modelagem do cenário real, do que acontece na, nas vias de fato reais, e traz esses parâmetros todos para dentro da simulação, pra a gente conseguir avaliar as métricas de simulação. E num dia que a gente tivesse o recurso financeiro, ou uma empresa, ou um, algum tipo de órgão público, o que seja, quisesse esse tipo de aplicação, a gente consegue trazer essa parte teórica simulada pro um cenário real porque já foi aproximado, e testar se realmente, é, em vias de fato, aquilo ali realmente condiz com a realidade, né? Show de bola. Ótimo, ótimo. Aí, vocês trabalham com modelagem eletromagnética, sistemas de potência, ou processamento de sinais que exigem alto, eh, alto o que o equipamento? Sim. Eh, hoje o nosso maior ponto de processamento eh, digital seria, eu acredito que seja a inteligência artificial. Porque hoje existem muitas demandas, cada vez existe mais um tipo de algoritmo que processa. Hoje, nós temos tanto a LLM, que é o famoso Gemini, ChatGPT, eh, Manux, entre outros. E nós temos as SLM's, que já são uma linguagem, um small language, que já é um pouco menor e mais específico. Utilizar o treinamento, pegar todo o banco de dados, fracionar esse banco de dados, fazer um treinamento em cima disso, uma validação, e depois colocar esse, essa IA, esse algoritmo para um teste real. Talvez, hoje seja o nosso maior gargalo ali de processamento. Então, a parte de eletromagnetismo, de sinais, eh, tem outros laboratórios dentro da universidade que trabalham muito com isso. Mas o nosso, especificamente, que é voltado mais para cidades inteligentes, por conta do nosso, o nome do nosso laboratório que é LACIS, né, Laboratório de Cidades Inteligentes e Sustentáveis, nós temos um ponto muito grande que é a inteligência artificial, que hoje demanda tanto, muito, sabemos, de energia, como até de recursos naturais, como água, né, e, entre outras coisas. Isso é um desafio. Isso. Exatamente. Isso. Então, já que falou de inteligência artificial, eu vou pular pra, pra parte de inteligência artificial aplicada à engenharia. Perfeito. Eh, como tu acabou de explicar, o laboratório, ele, ele utiliza IA, né, para atividade, para, eh, para aprendizado de máquina e pesquisa. A quem utiliza pro aprendizado eh, de máquina nas pesquisas que vocês fazem? Sim, com certeza. Aqui nós temos várias linhas de pesquisa. Existem linhas de pesquisas com inteligência artificial voltado para a área da saúde, voltado para a área de cibersegurança, voltado para a área de energia, voltado para a área de redes de computadores. Então, cada uma dessas linhas tem um tipo de algoritmo de inteligência artificial que vai trabalhar em prol de melhorar algum tipo de sistema. Então, na área de, de saúde e de eh, hospitalar, nós temos ali inteligências artificiais que melhoram gestão hospitalar, que melhoram identificações de pessoas a partir de biossinais. Eu não sei se todas as pessoas sabem, mas hoje existem vários tipos de biossinais que o corpo transmite, seja o eletrocardiograma, o, o, outros tipos de sinais emitidos pelo próprio corpo, que a gente consegue fazer a identificação da pessoa da mesma forma que uma digital, um face ID. Já pensou você conseguir identificar a pessoa através do coração? Então, um biomarcador, criar um biomarcador que você consiga identificar a pessoa através do coração, através de inteligência artificial, a gente consegue fazer isso. Na área de redes de computadores, melhorar a rede, melhorar o sinal do Wi-Fi, melhorar a transmissão de dados, a perda de pacote, a latência, através de inteligência artificial. Existem algoritmos que já conseguem fazer isso. Melhorar o fluxo de energia. Hoje a gente sabe, o gasto de energia é muito alto com qualquer coisa. Então, a gente tem que ter essa parte sustentável, colocar uma infraestrutura que vai ter um alto gasto de energia para compensar um processamento, não pode acontecer sempre. Tem que achar um trade-off, tem que achar um balanço entre esse gasto de energia e o, a necessidade do usuário. Então, tem um algoritmo de inteligência artificial que faça esse balanço, esse trade-off entre, eh, esses dois pontos. E na parte de cibersegurança que hoje já é um fato. Os nossos dados sensíveis hoje, às vezes ficam muito expostos. Então, tem um algoritmo que possa tentar ou fazer um tipo de criptografia, ou tentar não emitir, não enviar os nossos dados, não upar os nossos dados na rede sensíveis e assim por diante. Então, todas as áreas, hoje a gente consegue utilizar ali a inteligência artificial para algum ponto, para alguma linha de pesquisa, e cada aluno, logicamente, tem a sua linha de pesquisa para que ele possa tentar, tipo, melhorar dentro da área que ele faça o desenvolvimento dele, né? O, a inteligência artificial, ela veio para revolucionar tudo. Isso. Mas tem que usar com moderação, né? Exatamente. É, é, tem que ter.
[13:37]Esse, esse trabalho, esse trabalho, na verdade, que a gente tá fazendo lá, ele não é um trabalho de marqueteiro pra Bel. Sim. Ele é um trabalho mais, como eu te expliquei, pra saber o impacto do trabalho da Bel. Sim, porque o varejo é varejo. Sim. Vender computador, vender computador. Só que um grande ponto que eu vejo da Bel, é, são os profissionais que foram contratados para trabalhar lá. Eu acredito que, eh, uma empresa que vende dispositivos, computadores, equipamentos de, de qualquer tipo de espécie, existem várias empresas. Só que empresas que têm o profissional, que tem a capacidade de te dar uma opinião técnica realmente relevante para aquela situação que você tá precisando, é esse o grande diferencial. Eh, tem o Rômulo, que foi o que trabalhou com, comigo. Tem um outro profissional também, que eu esqueci o nome dele, ma, que trabalhou também comigo. E eles dois fizeram uma diferença muito grande. Você chegar numa empresa, eu sei que às vezes, ah, mas tem um lugar que vende mais barato, ou tem um lugar que posso pedir de fora, um equipamento, mas você conseguir ter a opinião de uma pessoa técnica que possa, pô, trazer todo esse conhecimento, é o melhor dos cenários, e logicamente, o dono lá da, da Bel informática que, também, pô, é um cara acessível. Você chega lá, ele está lá, ele conversa, ele troca ideia, ele participa ali da venda. É, é outro tipo de, de conversa. A gente não tá aqui pra eu comprar um computador pessoal pra minha casa e eu vou usar na minha casa e eu quero vender pra mim. Não, você tá aqui pra trazer um equipamento que vai impactar dentro da sociedade, que vai impactar dentro de uma universidade pública, e depois vai impactar dentro da sociedade como um todo.
[15:47]Isso vai fornecer, não vai mudar só a vida do, do professor, ou do, do, da universidade, mas vai mudar a vida de milhares de alunos. São milhares de alunos que todos os anos estão entrando dentro da universidade, que estão saindo dentro da universidade, que vai melhorar a vida deles, que vai melhorar a vida da família dele, que vai mudar a vida da família que vai surgir a partir dele, e a família dele vai impactar em outra esfera e assim por diante. Então, se você tem uma pessoa que tem a sensibilidade de sentar contigo para conversar, como foi o caso lá da Bel informática que sentou comigo para conversar, para mostrar o que era melhor e não o que era para ser a venda deles, mas entender um pouco mais qual era a nossa necessidade para que a gente conseguisse ali, eh, fazer uma parceria para a gente conseguir levar os melhores equipamentos para os alunos, pô, isso foi de total diferença dentro aí do da, da sociedade, da comunidade, da universidade, e tá aí o resultado é esse.



