[0:00]Vamos falar um pouquinho do metabolismo da bilirubina. Como que acontece? A bilirubina indireta, ela é proveniente do grupo M da hemoglobina. Então, olha só, nosso organismo, conforme as hemácias vão envelhecendo, vida média útil da hemácia, de 90 a 120 dias. Passou esse período, ela é degradada para que venham novas hemácias. Por que que acontece isso? Porque a hemácia, vamos lembrar que quando ela é formada, ela tem núcleo. Mas quando ela vai sair da medula óssea, esse núcleo é excluído para quê? Para deixar mais espaço dentro da hemácia para fazer o que ela sabe fazer de melhor, que é transportar oxigênio. Então, tira o núcleo e ela sai da medula óssea sem núcleo. Com isso, se ela sair sem núcleo, ela não tem mais capacidade de renovar o estoque de substâncias que ela tem. Isso acontece com a plaqueta também. A plaqueta é uma, uma partícula de um megacariócito. Ela não tem núcleo. Então, ela não tem como se, ah, se manter produzindo as suas substâncias. Ela já sai com aquele estoque e não renova mais. Tanto que, olha só, quando a gente usa no caso de plaqueta, que a gente usa o AS, ácido acetilsalicílico, o AS bloqueia essa plaqueta, bloqueia lá o tromboxano A2 dessa plaqueta no ácido araquidônico. O que que acontece com essa plaqueta? Nunca mais volta ao normal, porque ela não tem capacidade de gerar mais ácido araquidônico, ela não tem núcleo. Então, você inativa aquela, aquela plaqueta e precisa esperar a renovação para parar o efeito do AS. No caso da hemácia, quando ela sai, então ela sai sem núcleo, focada só para fazer o que ela faz de melhor, transporte de oxigênio. E aqui uma curiosidade, né? Por que que ela tem aquele formatinho biconvexo, bicôncavo, desculpa? Porque aumenta a superfície de contato, facilitando para pegar o oxigênio e liberar. Por isso que ela tem aquele formato. É como se a gente pensasse assim, ó, pega a sua mão, olha a superfície de contato que eu tenho, só a parte de cima e a parte de baixo. Mas se eu faço isso aqui, ó, uma manobra simples, olha o tanto que eu aumento a superfície de contato. É a mesma coisa, se eu pego a hemácia assim e se eu faço ela assim, ela vai ficar, aumentar a sua superfície de contato. Então, olha só, essa hemácia, quando ela vai sendo degradada, quando ela já está ficando velha, existe um, um órgão em particular no nosso organismo, que serve para fazer degradação das células velhas. Quem que faz isso? O baço. O baço, lá dentro das suas trabéculas, ele vai captando tanto plaqueta, células, células de defesa, e também hemácias que estão envelhecidas, senescentes. Por quê? Conforme vai passando dentro do baço, dentro das suas trabéculas, os capilares, quanto mais fininho for o capilar, maior tem que ser a maleabilidade daquela célula. Então, imagina uma hemácia passando num capilarzinho apertado lá do baço. Caramba, ela vai ter que se espremer toda, passou, legal, ela está joia, está funcionando, está toda bala. Agora, pensa numa hemácia velha, está velha, tadinha, já gastou tudo o que tinha dentro, está com a membrana fininha, foi consumindo tudo o que ela tinha ali dentro da membrana, foi consumindo, ficou ruim. E aí? Aí, ela não consegue, a hora que ela vai passar dentro do capilar, está apertado, o que acontece? Ela rompe, ela estoura. Ou o próprio macrófagos, os macrófagos que a gente tem dentro lá do, do baço, estão só de olho, fala, vixe, tadinha daquela hemácia, chega com uma bengalinha lá, ele, ih, não, não, não, não, pô, hemácia, vem para cá, vem, vem. Você não dá mais conta, vem cá, e vai e fagocita. Nesse momento, tanto quando rompe a hemácia ou quanto, quando ocorre essa fagocitose, o macrófago pega essa substância mais importante da hemácia, que é a hemoglobina, e quebra na globina, que é uma proteína produzida no fígado, e no componente M da globina, da hemoglobina. Esse componente M tem uma partícula muito importante que o organismo não pode assim, estar, ir mandando embora. Ah, não presta mais essa hemácia, manda embora tudo. Não, peraí, tem ferro aqui. E o ferro é fundamental para fazer a ligação covalente lá com o oxigênio. Então, ele fala, peraí, peraí, opa, opa, manda esse ferro para mim aqui que eu vou, a gente vai precisar. Então, o macrófago, lá dentro do macrófago, já quebra o M, liberando o ferro. E mesmo assim, essa partícula M, sem o ferro, ela é transformada, ela vira uma substância chamada de biliverdina, que sofre mais uma transformação, saída de CO2 e vira bilirrubina. É aqui a formação inicial, então, da bilirrubina indireta ou não conjugada. Ela é formada, produto da hemoglobina. Então, resumindo, produto da hemoglobina, bilirrubina indireta, que acontece lá dentro do macrófago, tanto no, no baço, quanto na corrente sanguínea e também na medula óssea. E aí essa bilirrubina que é formada a partir disso, ela é lipossolúvel, quer dizer, ela não se dissolve na água, ela é ruim para ser transportada, ela não corre fácil dentro do vaso sanguíneo. Para isso, essa bilirrubina indireta se gruda à albumina. E a albumina serve, então, de carreamento para esse, para essa bilirrubina indireta, que é um produto, um resto da hemoglobina. Agora, olha que interessante, né? Nosso organismo, ele tende a aproveitar o máximo tudo o que ele tem. Isso daí é um resto. Já tirou a globina, já tirou o ferro, que era importante, sobrou, então, a bilirrubina indireta. Olha uma coisa interessante, você já parou para refletir que na circulação do abdômen, os órgãos digestivos, toda, o sangue que volta pelos órgãos digestivo, passam primeiro pelo fígado para depois cair na corrente sanguínea. Por que que acontece isso? Não é por um acaso. O fígado está ali recebendo esse sangue que vem pelo sistema porta, ele recebe esse sangue que vem da absorção dos alimentos do intestino. Então, duas coisas, primeiro, pro fígado já poder aproveitar aquilo que é bom para ele. Caramba, está vindo aqui direto, já quero vitamina, eu quero aminoácido, eu quero lipídio, tudo o que for bom, eu já vou absorvendo para mim. Esse é o primeiro ponto, por isso que passa primeiro pro fígado, porque é o fígado que coordena tudo, é o fígado que produz várias das substâncias do nosso organismo, ele é responsável pelo metabolismo de muita coisa. Então, ele coordena essa chegada de novos nutrientes. E segundo ponto, tudo o que é bom, ele também quer, e o que não é bom também, tudo o que for de tóxico, de coisa ruim, ele quer que passe por ele, até para ele já metabolizar, para quebrar. Por quê? Se for coisa que já dá para ele liberar pela via, pela via biliar, ele já manda embora de volta. Ou, então, ele quebra e prepara para o rim poder excretar. Olha que lindo isso. Então, o fígado capta tudo, usa o que é importante para ele, e o que é tóxico, ele também já tenta metabolizar. Nessa situação, tudo o que vem, então, de sangue, dos órgãos abdominais, obrigatoriamente do trato gastrointestinal, obrigatoriamente passa pelo fígado. Mas peraí, tem um órgão que não é do trato gastrointestinal, mas que também é drenado pelo sistema porta, que é o baço. A drenagem do baço vem pela veia esplênica, se junta com a, com a mesentérica inferior, lá da mesentérica superior e forma a veia porta. Então, peraí, mas o que que esse baço está fazendo aí? Ele não é do trato gastrointestinal. Por que é que ele está no sistema porta e não drenando para a cava direto? Você já parou para pensar sobre isso? E é justamente pelo que eu expliquei no início, olha que coisa fantástica da fisiologia. Apesar de não ser, fazer parte do trato gastrointestinal, o baço faz a metabolização de, de células. Então, ele quebra muita coisa que o organismo pode reaproveitar. E quem que seleciona o que vai reaproveitar ou não? Justamente o fígado. E essa renovação dessas células, com essa retirada das velhas, o fígado, então, vai recebendo aquele produto, entre eles a bilirrubina indireta. Olha que fantástico esse entendimento, quando você tem, então, pega os macrófagos, metabolizam as hemácias, metabolizam o grupo M, tira e vai a bilirrubina indireta para o fígado. Ou também chamada de bilirrubina não conjugada, lipossolúvel, vai ligada à albumina. Chegou lá no fígado, o hepatócito vai, pega essa bilirrubina indireta, por quê? Para mandar embora. E para poder mandar embora, como que o fígado manda embora? Sistema biliar. É a forma que o fígado faz para mandar para o meio externo, porque ele manda lá dentro do, do trato gastrointestinal, lá dentro do intestino, segunda porção do duodeno, ele manda a bile lá para poder ir embora do organismo, não quero essa bilirrubina indireta aqui. Tem que mandar embora, isso é resto do grupo da hemoglobina, não vou mais usar isso. Será que não vou usar? Olha que sabe, mesmo esse produto que o organismo vai mandar embora, ainda assim o organismo aproveita até o último, a última gota, porque a gente sabe que a bilirrubina faz emulsificação de gordura, ajuda na absorção da gordura lá no trato do gastrointestinal. Mas olha só, essa bilirrubina indireta não conjugada, ela é lipossolúvel, mas ela não sai direito no parte líquida, na parte de água. Para isso, o fígado precisa trabalhar essa bilirrubina. É aí que surge a conjugação da bilirrubina indireta em bilirrubina direta. Bilirrubina não conjugada para bilirrubina conjugada. Então, o hepatócito pega a bilirrubina indireta através da glicuronio transferase, dessa enzima, transforma em bilirrubina direta, solúvel, hidrosolúvel, que aí sim, sai pela via biliar. Mas antes de ir embora, que ela vai ser eliminada, ainda assim, ela ajuda o organismo. A bile vai lá no intestino e faz a captação de gordura, de lipídio, faz essa emulsificação para que esse lipídio seja absorvido. Para finalizar, a bilirrubina direta sai no sistema das vias biliares e ajudando na absorção de gordura. Então, o organismo ainda aproveita o máximo. E aí, lá, lá ainda no intestino, sofre transformação de urobilinogênio e estercobilina. A estercobilina acaba saindo junto das fezes, é, inclusive, o que dá coloração das fezes. E a urobilina é reabsorvido e excretado lá no, no rim. Mas essa é a dinâmica para nunca mais esquecer, questão de bilirrubina indireta e
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[0:00]Então, olha só, nosso organismo, conforme as hemácias vão envelhecendo, vida média útil da hemácia, de 90 a 120 dias.
[0:00]Para deixar mais espaço dentro da hemácia para fazer o que ela sabe fazer de melhor, que é transportar oxigênio.
[0:00]Com isso, se ela sair sem núcleo, ela não tem mais capacidade de renovar o estoque de substâncias que ela tem.
[0:00]Tanto que, olha só, quando a gente usa no caso de plaqueta, que a gente usa o AS, ácido acetilsalicílico, o AS bloqueia essa plaqueta, bloqueia lá o tromboxano A2 dessa plaqueta no ácido araquidônico.
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