[0:36]Olá, pessoal. Então, lembrando que enquanto a gente tiver essa situação de pandemia, nossos encontros serão assim, por vídeo. Na parte dos comentários, coloquem o nome completo e um comentário para a gente saber que vocês estavam presente e o que que vocês estão achando do nosso vídeo. E boa aula. História do maxixe.
[1:09]A música Chora Araúna foi inicialmente um lundu, uma dança e canto de origem africana, introduzido no Brasil, possivelmente por escravos de Angola. Criada provavelmente no século XVIII. Quando foi levada ao teatro no século XIX, a chamaram de tango. Mas foi em 1885 que o ator Correia Vasques dançou no palco como a população dançava nos bailes. Então, Chora Araúna foi chamada de maxixe. O maxixe foi a primeira dança urbana do Brasil. Há a hipótese de que a planta maxixe batizou essa nova dança, que, por assim dizer, também brotava nos quatro cantos da cidade. Apesar de frequentemente ser chamada de tango brasileiro, se dá muito mais por ser contemporânea ao ritmo argentino do que pelo fato de qualquer aparente proximidade de seus passos e suas figuras. O maxixe em si surgiu como uma forma de dançar qualquer música em meados do século XIX. E a sua coreografia era tão característica que toda a música dançada daquele jeito, acabava sendo chamada de maxixe. A partir de então, os compositores verificaram que era necessário fazer um tipo de música para aquele modo de dançar. Deste modo, o maxixe se efetiva enquanto música. Diversos bispos católicos brasileiros condenaram o ritmo, chamando de obsceno devido às suas movimentações e à proximidade que os casais ficavam uns dos outros ao dançar. Diversos movimentos que condenavam a dança ganharam repercussão na sociedade conservadora da época. Por volta de 1909, das ruas e clubes dançantes do Rio de Janeiro, o maxixe foi fazer sucesso em Paris, graças ao talento de Antônio Lopes de Amorim Diniz. Conhecido como Duque, ele popularizou a dança em Paris, ganhando notoriedade. No entanto, para permitir que a dança fosse realizada nos salões, ele formalizou a dança, trazendo a ela o uso de longos vestidos para as mulheres e grandes casacos para os homens. Colocou os bailarinos a dançar com mais distância, não entrelaçando as pernas, pois na época não seria visto com bons olhos. Este estilo criado pelo Duque não foi apreciado pelos maxixeiros brasileiros, que condenavam sua dança por se distanciar da prática brasileira ao moralizá-la.
[3:58]O maxixe também protagonizou um momento de disputa política dentro da história da presidência brasileira. Na noite que ficou conhecida como a Noite do Corta Jaca. Em 1814, a primeira dama Nair de Teffé organizou um jantar de despedida do então presidente Hermes da Fonseca. Neste jantar, a primeira dama chamou para acompanhá-la no violão, Catulo de Paixão Cearense e tocaram o Corta Jaca, maxixe composto em 1895 por Chiquinha Gonzaga e Machado Careca. Porque nas festas do Palácio do Catete, Palácio do Governo aqui no Rio, não se tocava música brasileira. Então ela pediu ao professor de piano, ao professor de violão, aliás, que ensinasse alguma peça para ela. E o professor ele ensinou o Corta Jaca de Chiquinha Gonzaga. Então, na última recepção que eles deram em palácio, Dona Nair de Teffé, pessoalmente, a primeira dama do país, executou ao violão, que não era um instrumento muito bem visto, esse tango, tango, portanto, maxixe, né, de Chiquinha Gonzaga, chamado Corta Jaca. Como o senador Rui Barbosa havia perdido a eleição para o, para Hermes da Fonseca e durante toda a administração do presidente, ele fez uma campanha violenta, isso gerou um escândalo público e principalmente um discurso de Rui Barbosa, que é uma peça que revela um grande preconceito contra a música brasileira, a música nacional. Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa da recepção presidencial, em que diante do corpo diplomático, das mais finas da sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados, é levar o Corta Jaca à altura de uma instituição social. Mas o Corta Jaca de que eu ouvi falar há muito tempo, que vem a ser ele, Senhor Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, irmã gémea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais, o Corta Jaca é executado com todas as honras da música de Wagner. E não quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se alheia. Apesar de hoje em dia este ritmo parecer distante, sua história traduz muito do espírito da cultura, que persiste nas manifestações populares brasileiras, a diversas ao preconceito e traduzindo a espontaneidade criativa de nosso povo. Em 1924, atestando o sucesso popular do maxixe, o Jornal do Brasil publicava uma nota sobre a dança que traduz muito bem essa ideia. "As pessoas habituadas a frequentar festas sabem que há um verdadeiro delírio em certas danças contemporâneas. Aquela medida polida, aquela graça requintada dos antigos passos está irremediavelmente perdida. Hoje tudo é delírio, é frenesi. No mundo inteiro, notam-se estas manifestações de dança. No Brasil, entretanto, a verificação é mais fácil de se fazer do que em qualquer outra parte. Por quê? Porque nenhuma dança poderá revelar tanto quanto o maxixe essa verdadeira alucinação que se apossa do instinto dançante da humanidade, hoje em dia".



