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Roteiro de entrevista semiestruturado na pesquisa qualitativa // Pesquisa na Prática 93

Acadêmica

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[0:00]Você já ficou nervoso na hora de montar o seu roteiro de entrevistas numa pesquisa qualitativa? Já que as perguntas precisam fazer o participante, o entrevistado, a entrevistada, falar um pouco mais sobre um assunto, muitas vezes a gente não sabe como montar uma pergunta ou como estruturar o roteiro de tal forma que a conversa fique fluida e a gente consiga coletar dados. Então hoje, em pesquisa na prática, eu vou falar tudinho sobre como montar, como estruturar o seu roteiro de entrevista semi-estruturada para pesquisa qualitativa.

[0:45]Olá, acadêmico, olá acadêmica. Eu sei, muita gente começa a ficar nervosa já na parte de montar o roteiro de entrevistas na pesquisa qualitativa, porque muitas vezes a gente não sabe da onde tirar as perguntas ou como fazer as perguntas. As perguntas precisam ser mais abertas na entrevista, para que flua a conversa, né? Para que o nosso participante fique mais à vontade, possa responder as nossas perguntas, assim a gente consegue coletar dados para nossa pesquisa qualitativa. Então hoje eu vou dar várias dicas para você começar a estruturar o seu roteiro de entrevistas na pesquisa qualitativa. Antes de falar as dicas, é importante salientar que aqui eu estou falando especificamente do roteiro semi-estruturado de entrevistas. Porque é um roteiro, o tipo de roteiro de entrevistas mais usado nas pesquisas qualitativas, porque ao mesmo tempo em que ele te dá uma estrutura de perguntas a serem feitas, ele também te dá liberdade para fazer essas perguntas numa ordem diferente ou de uma forma diferente para poder, então, fazer essa conversa com o participante fluir. Mas se você não sabe quais são os tipos de roteiro de entrevista, estruturado, semi-estruturado ou não estruturado, eu vou deixar o cardzinho aqui em cima de um vídeo que eu e o Felipe fizemos há um tempo atrás explicando os tipos de roteiro de entrevistas. Se você não é inscrito aqui no canal, aproveita já clica aqui embaixo e já se inscreve, já marca a cinetinha para receber notificações de quando a gente tá ao vivo ou de quando tem vídeo novo aqui no canal. E aproveita e dá uma olhadinha na descrição desse vídeo, a gente sempre deixa alguns links para o nosso blog, e eu vou deixar também a referência dos autores que eu usei para poder dar essas dicas sobre como estruturar o teu roteiro de entrevistas semi-estruturada na pesquisa qualitativa. Mas vamos lá. Primeira coisa que você tem que ter em mente na hora de estruturar as perguntas para o teu roteiro de entrevistas, é da onde é que você vai tirar essas perguntas? Uma boa forma da gente descobrir ou identificar quais são as perguntas que a gente precisa fazer, é ler a tua revisão de literatura e começar a elencar perguntas baseada na teoria ou nas teorias ou nos conceitos que você elencou lá na tua revisão de literatura. A impressão que eu tenho muitas vezes é que os mestrandos e doutorandos, depois que passam da qualificação, esquecem que fizeram uma revisão de literatura. E a revisão de literatura, é uma base, é um marco para nos ajudar em todos os outros passos da pesquisa. Ela não é uma parte isolada do teu trabalho, ela vai te dar esses fundamentos para você, então, listar essas perguntas. E aí você vai identificar na própria literatura: Ah, o autor X falou sobre tal conceito e esse conceito precisaria perguntar dessa forma ou dessa forma. Então, primeira sugestão que eu dou para vocês é: pega um dia, fica tranquilo, né, relaxa, aquela coisa assim, lê a tua revisão de literatura e pega um, um papel do lado e vai fazendo uma listinha de todas as possíveis perguntas que você poderia fazer para os teus participantes, para tentar entender alguns conceitos, algumas ideias elencadas na tua revisão de literatura. Aqui também é legal já colocar do ladinho os autores relacionados, porque até você pode montar um quadro onde você tem as perguntas e você tem os autores do ladinho, porque aí fica bem claro da onde é que você tirou aquelas perguntas, desses e desses e desses autores. Depois sugiro que você volte lá no teu problema de pesquisa e dê uma olhadinha o que que você quer investigar. E aí, a partir disso, olha as perguntas que você já listou a partir da tua revisão de literatura e vê se essas perguntas te ajudam a responder o teu problema de pesquisa, te ajudam a entender esse fenômeno que você tá tentando, eh, compreender de forma mais profunda. Caso seja necessário, você pode até incluir outras perguntas que não estão tão lincadas a tua revisão de literatura, mas perguntas mais amplas que vão te ajudar a responder esse grande problema de pesquisa que a tua pesquisa tem como, ah, grande objetivo, vamos dizer assim. A terceira dica que eu dou é: agora lê essa listinha que você fez de perguntas e veja se essas perguntas estão escritas de uma forma aberta. O que que é isso?

[4:47]A pessoa, ela vai responder a tua pergunta da forma como ela quiser. Tenta não deixar a pergunta assim, muito direcionada do tipo, vou dar um exemplo, você trabalha num supermercado, sim ou não? A pessoa só pode responder sim ou não, certo? Isso é o que a gente chama de pergunta fechada. Pergunta aberta é quando a gente começa assim, por exemplo, ah, me conta um pouquinho sobre o teu trabalho, o que que você faz na tua atividade profissional? Uou, a pessoa pode responder de várias formas diferentes. Então vocês entendem a diferença entre perguntas fechadas e perguntas abertas? No roteiro semi-estruturado, na pesquisa qualitativa, as perguntas sempre precisam ser mais abertas, exatamente para dar essa possibilidade do participante responder da forma que ele quiser.

[6:06]E isso, necessariamente, deve ser feito de forma a construir uma relação de confiança entre você, pesquisador, pesquisadora, e o participante, a participante que está ali conversando com você. Não tô dizendo que vocês vão virar melhores amigos, não é isso, mas essa relação de confiança, ela é construída ao longo da entrevista. No início da entrevista, geralmente o participante tá nervoso, né, não sabe muito bem o que vai acontecer. E nós, pesquisadores, a gente tem que ter esse papel de deixar o participante o mais à vontade possível. E aí, a forma como você modela ou como você ordena as perguntas no teu roteiro de entrevistas, vai te ajudar a conduzir essa conversa para que o participante saia desse momento mais nervoso, né, não sabe muito que vai acontecer, relaxa um pouco mais e aí sim flua um pouco mais a conversa no final. Então, a partir disso, vou dar, é, uma estruturinha básica para você organizar as tuas perguntas. Num primeiro bloco, coloca as perguntas mais amplas, assim. Me conta um pouquinho sobre a tua experiência, me conta um pouquinho sobre o que aconteceu, me conta sobre tal fato, tal evento. Perguntas super abertas, assim, são perguntas que a gente chama de quebra-gelo. É exatamente uma pergunta para você pedir para o participante começar a falar sobre o fenômeno que você está investigando, o contexto, enfim. Vai depender de cada tipo de pesquisa, não tem um certo ou errado aqui, mas o ideal é que você peça para o entrevistado ou para a entrevistada começar a falar sobre o que você está investigando, não é fazer uma pergunta aleatória, né, tem que ter a ver com o teu assunto. Mas pede para ele, para ele começar a falar sobre aquele assunto, ou contar como é que foi uma experiência específica, ou como foi a última experiência que ela teve com relação àquela, aquele fenômeno, ao fato que aconteceu, pede para ela contar, porque aí ela vai começar a falar sobre aquilo.

[8:00]E aí coloca algumas outras perguntas nesse bloco, mais amplas, mais gerais e perguntas que não sejam muito complexas, exatamente para quebrar o gelo, começar essa conversa. Num segundo bloco, vamos dizer assim, você vai colocar as perguntas, aí sim, um pouco mais complexas, que vão fazer a pessoa pensar um pouco. Bom, tá, deixa eu ver se eu entendi, vamos lá, vou tentar te responder. Então são perguntas que o participante, a participante vai ter que elaborar um pouquinho mais para poder te responder. Mas aí ela já vai ter tido uns 10 primeiros minutos, 15 primeiros minutos conversando contigo, já vai estar mais relaxada, não vai estar mais tão nervosa essa pessoa e aí vai ficar mais fácil dela elaborar então as respostas dessas perguntas um pouco mais complexas, talvez um pouco mais técnicas, ou um pouco mais aprofundadas. Num terceiro bloco, a gente deixa um espaço para colocar perguntas delicadas ou perguntas sensíveis. Aqui geralmente a gente coloca perguntas mais relacionadas a emoções ou perguntas mais pessoais, ou até mesmo perguntas mais delicadas que você precise fazer na sua pesquisa, mas não deixa primeiro, né? Deixa para mais adiante, para quando você já criou essa relação de confiança, para que o participante fique à vontade para te responder. Quer ver um exemplo de pergunta delicada, renda, por exemplo, né? O quanto a pessoa recebe por mês ou quanto ela está gastando em algo específico, geralmente é uma pergunta que a gente deixa para depois, depois que a pessoa criou um certo vínculo com você, um certo nível de confiança, fica mais fácil de você perguntar isso. Se você perguntar logo de cara, a pessoa vai ficar pensando assim, como assim, já mal chegou aqui já está me perguntando isso? Então isso vai construindo uma certa relação de confiança e a pessoa fica um pouco mais à vontade para falar dos seus sentimentos, para responder perguntas um pouco mais pessoais ou até mesmo para responder perguntas mais delicadas. De novo, aqui sempre pense na ética, na condução ética da pesquisa qualitativa, na condução ética de qualquer pesquisa, e o participante ou a participante sempre vai ter o direito de não querer responder uma pergunta ou até mesmo de desistir da, da, de participar da entrevista, da pesquisa a qualquer momento, é direito dele.

[10:29]Lá no final então, a gente deixa um quarto bloco que são os, o bloco das perguntas finais. São perguntas mais, assim, relacionadas, de repente, ao perfil, né, como por exemplo, idade, eh, cargo, né, forma de atuação profissional, se for interessante para sua pesquisa, alguns outros detalhes demográficos ou outras perguntas que sejam interessantes para finalizar essa entrevista. Também eu gosto de deixar uma perguntinha e eu coloco até no meu roteiro para eu não me esquecer, coloco uma perguntinha lá se o participante ou a participante gostaria de acrescentar alguma coisa sobre o que a gente conversou, que eu não cheguei a perguntar, mas que essa pessoa acha interessante. Muitas vezes o participante, ah, você comentou tal coisa, eu achei legal sobre isso, isso e isso, acrescenta algo que você não tinha imaginado no roteiro, mas essa pessoa acha importante acrescentar e isso pode te ajudar sim na pesquisa. Eu espero que vocês tenham gostado desse conteúdo e que isso ajude vocês a fazer uma pesquisa show e que consiga montar agora o teu roteiro semi-estruturado para pesquisa qualitativa de forma mais tranquila. Deixa aqui nos comentários se te ajudou, não te ajudou, se ainda ficou alguma dúvida, a gente está sempre à disposição para ajudar vocês. E a gente se encontra então, num próximo vídeo. Até.

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