[0:05]O ano é 1821 em Moscou. Nascia aquele que para muitos seria o maior escritor de todos os tempos. Fiodor Mikhailovitch Dostoievski ou simplesmente Dostoievski. Tendo crescido em uma família de classe média, desde cedo demonstrou interesse pela filosofia e pela literatura. Estudou engenharia militar em São Petersburgo, mas abandonou a carreira para se dedicar à escrita. E em 1846, publicou seu primeiro romance, Gente Pobre, que foi amplamente elogiado pela crítica e pelo público. Porém, sua vida mudou drasticamente em 1849, quando foi preso e condenado à morte por participar de um grupo revolucionário que criticava o regime czarista. Mas no último momento, sua pena foi comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria, seguidos de seis anos de serviço militar. E essa experiência marcou profundamente sua visão de mundo e sua obra, que passou a explorar temas como o sofrimento, a culpa, a redenção, a liberdade, a fé e o mal. Então, em 1859, de volta a São Petersburgo, retomou sua carreira literária, publicando algumas das maiores obras primas de todos os tempos. E aos 59 anos em 1881, Dostoievski acabou falecendo vítima de uma hemorragia pulmonar, deixando um legado imenso para a literatura e a cultura mundial, influenciando todos os grandes escritores e filósofos que vieram a seguir, como Franz Kafka, Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Albert Camus e Jean-Paul Sartre. Suas obras são famosas pela profundidade psicológica e existencial dos personagens, que refletem as angústias e os dilemas da sociedade russa do século XIX. Portanto, o convido a ficar até o fim deste vídeo, a fim de analisarmos os maiores questionamentos abordados em suas obras, que nos levam a crer que, ninguém entendeu melhor a vida do que Dostoievski. Você está no Aphoteos.
[2:13]Onde foi que eu li, que um homem condenado à morte, uma hora antes de morrer, fala ou pensa que, se fosse obrigado a viver em algum lugar elevado, no penhasco e numa área muito estrita, onde só tivesse espaço para apoiar os pés e ao redor só houvesse abismos, o oceano, a escuridão, a solidão e uma tempestade eterna, e tivesse que ficar de pé assim, seria melhor viver desse jeito do que morrer já. Basttava viver, viver, viver, não importa como, mas apenas viver.
[2:57]A obra Memórias do Subsolo, publicado em 1864, é considerado uma das mais importantes e influentes da literatura mundial, por apresentar uma profunda reflexão sobre a condição humana, a liberdade, a razão e a fé. O livro é narrado em primeira pessoa por um homem sem nome, que se define como um homem doente, um homem mau, um homem desagradável, que vive isolado em um subsolo, longe da sociedade e de si mesmo. Ele divide suas memórias em duas partes. Na primeira, ele expõe suas ideias e contradições sobre diversos temas, como a natureza humana, o progresso, a ciência, a moral, a vontade, o sofrimento, o amor e a morte. Já na segunda parte, ele relata alguns episódios de sua juventude, nos quais ele se sentiu humilhado, ofendido e rejeitado por outras pessoas, e como ele reagiu a essas situações, ora com vingança, ora com compaixão e ora com indiferença. Uma das questões centrais que o narrador aborda é a relação entre a razão e a liberdade. Ele critica a ideia de que o homem é um ser racional, que age de acordo com as leis da lógica e da natureza, e que busca sempre o seu próprio bem e o da humanidade. Ele afirma que o homem é um ser irracional, que age de forma contraditória, impulsiva e caprichosa, e que muitas vezes escolhe o mal e o sofrimento, mesmo sabendo que isso lhe trará infelicidade. Ele diz que o homem tem uma necessidade de liberdade, de afirmar a sua individualidade e a sua vontade, mesmo que isso signifique ir contra a razão e a harmonia. Diz que o homem prefere viver segundo sua própria vontade, e não segundo a razão, e que a consciência da própria liberdade é o único meio de felicidade. E essa visão do narrador pode ser vista como uma crítica à sociedade de sua época, que estava passando por um processo de modernização, industrialização e secularização, que valorizava a ciência, a tecnologia, o progresso e a razão como os guias da humanidade. O narrador se sente alienado e deslocado nesse contexto, e se rebela contra ele, buscando uma forma de vida mais autêntica e original, mesmo que isso signifique viver no subsolo, longe da civilização e da luz. Ele se recusa a aceitar as normas e os valores impostos pela sociedade, e se orgulha de sua independência e de sua rebeldia. No entanto, essa visão do narrador também pode ser vista como uma expressão de sua angústia, de sua solidão, de sua frustração e de seu desespero. Ele não é feliz em sua liberdade, ele não encontra sentido em sua vida, ele não se realiza em sua vontade. Ele é um homem amargurado, ressentido, invejoso, orgulhoso, egoísta e covarde, que não consegue se relacionar com os outros, nem consigo mesmo. Ele é um homem que sofre, que se odeia, que se autoflagela, que se contradiz e que se destrói. Ele é um homem que não sabe o que quer, que não sabe o que fazer e que não sabe como viver. Nesse sentido, a obra de Dostoievski pode ser visto como uma reflexão sobre a crise existencial do homem moderno, que se vê diante de um mundo sem um Deus, sem sentido, sem valores, sem limites, sem orientação, um mundo que oferece ao homem uma liberdade sem precedentes, mas que também lhe impõe uma responsabilidade sem igual. Um mundo que desafia o homem a criar o seu próprio sentido, a sua própria moral, a sua própria felicidade, mas que também lhe mostra a sua fragilidade, a sua finitude, a sua insignificância, um mundo que abre ao homem infinitas possibilidades, mas que também lhe apresenta infinitos dilemas, paradoxos e abismos. E como sair desse impasse, como encontrar um sentido para a vida, como viver de forma plena e autêntica? Dostoievski não oferece uma resposta pronta ou fácil, mas sim um convite à reflexão, à busca, à experiência. Ele nos mostra que o sentido da vida não é algo dado, mas algo construído, que depende da escolha e da ação de cada um. Ele nos mostra que o sentido da vida não é algo estático, mas algo dinâmico, que se renova e se transforma a cada momento, e nos mostra também que o sentido da vida não é algo individual, mas algo coletivo, que se compartilha e se comunica com os outros. E por último, Dostoievski também nos mostra que o sentido da vida não é algo material, mas algo espiritual, que se transcende e se eleva com a fé. Nos mostra que o sentido da vida não se encontra no subsolo, mas na superfície, na luz, pois se ninguém abandona um bom filme na metade por saber que ele tem um fim, então o sentido também está no processo.
[7:52]Todo homem que desejar a liberdade suprema, deve superar a própria existência. Quem ousar por fim a vida, terá descoberto o segredo daquele ludibrio. Não há mais liberdade além desta. Ela é tudo, e além dela não existe nada. Quem detém esta coragem é um Deus.
[8:28]Crime e Castigo é um dos romances mais famosos e influentes de Dostoievski, publicado em 1866. A obra narra a história de Raskolnikov, um ex-estudante que comete um duplo assassinato como parte de um experimento filosófico, para testar sua teoria de que existem pessoas superiores, que têm o direito de violar as leis e a moral para alcançar seus objetivos. No entanto, após o crime, Raskolnikov é atormentado pela culpa, pelo remorso e pela investigação policial, que o levam a questionar sua própria natureza e a buscar a redenção. Uma das questões centrais do romance é o limite da liberdade humana, ou seja, até que ponto o ser humano pode escolher livremente seus atos e suas consequências, sem se submeter às normas impostas pela sociedade, pela religião ou pela consciência? Dostoievski explora essa questão através da contraposição de dois tipos de pessoas, as ordinárias e as extraordinárias. As pessoas ordinárias são aquelas que seguem as regras estabelecidas, que respeitam as leis e a moral, que vivem de forma medíocre e conformista, que não tem grandes ambições ou talentos, que são incapazes de mudar o mundo ou a si mesmas. Já as pessoas extraordinárias são aquelas que se consideram acima das regras, que tem uma visão superior e revolucionária, que possuem uma inteligência e uma vontade excepcionais, e que são capazes de realizar grandes feitos e de sacrificar vidas alheias ou próprias em nomes de um ideal. Raskolnikov então se enquadraria na categoria das pessoas extraordinárias, pois ele acredita que tem uma missão especial, que pode justificar seu crime como um ato de grandeza, e que pode se libertar das amarras da sociedade e da moral, que pode se tornar um herói ou um legislador da humanidade. Ele se inspira em figuras históricas como Napoleão, que conquistou o poder e a glória através da violência e da guerra, e foi assim ainda admirado e respeitado por seus feitos. No entanto, Raskolnikov logo percebe que sua teoria não se sustenta na prática, pois ele não consegue suportar o peso do seu crime, nem se livrar da culpa e do arrependimento. Ele percebe que sua liberdade é ilusória, pois ele está preso a sua própria consciência, que o acusa e o tortura incessantemente. Ele também se depara com a realidade social, que o persegue e o julga, através da figura do detetive Porfírio Petrovitch, que o desafia e o provoca com sua astúcia e sua ironia. Tudo isso faz então com que Raskolnikov entre em um conflito interno, entre a sua razão e a sua emoção, entre a sua arrogância e a sua humildade, entre o seu orgulho e a sua compaixão. Ele se vê dividido entre esses dois mundos, o mundo dos extraordinários e o dos ordinários representados por Sônia, uma prostituta que o ama e o compreende. Sônia é a personagem que simboliza a fé, a bondade e a esperança em meio ao sofrimento, a miséria e o pecado. Ela é a única que consegue tocar o coração de Raskolnikov, que consegue despertar nele o sentimento de amor, que consegue mostrar a ele o caminho da redenção. Ela é a única que o convence a confessar seu crime e a aceitar seu castigo, que o acompanha em seu exílio na Sibéria e que o ajuda a se reconciliar com Deus e com a vida. Dostoievski assim nos apresenta uma visão complexa e profunda da liberdade humana, que não é absoluta nem arbitrária, mas que é limitada e condicionada por fatores internos e externos, que não é uma simples escolha racional, mas que envolve sentimentos, valores, crenças, que não é uma mera negação das normas, mas que implica responsabilidade, arrependimento e mudança. Crime e Castigo é, portanto, um romance que nos faz refletir sobre o sentido da existência humana, sobre o bem e o mal, sobre a justiça e a punição, sobre a culpa e o perdão, sobre a razão e a fé, o amor e a salvação.
[12:32]Às vezes, comparam a crueldade dos homens com as das feras. Isso é um insulto às feras. Os animais nunca chegariam aos requintes do homem. O tigre mata presa e a devora, mas isso é tudo. Ele jamais imaginaria que fosse possível deixar pessoas pregadas pelas orelhas a noite inteira, mas mesmo se o tigre tivesse uma imaginação muito rica.
[13:05]Os Irmãos Karamázov, finalmente vamos falar de um dos romances mais célebres e complexos da literatura mundial, obra publicada em 1880, que narra a história de uma família disfuncional, composta pelo pai devasso, Fiódor Pávlovitch Karamazov, e seus quatro filhos: Dmitri, Ivan, Aliocha e Smerdiakov. A trama se desenrola em torno do assassinato do pai pelos filhos e das consequências morais, psicológicas e espirituais desse crime. A obra é considerada uma profunda reflexão sobre a natureza humana, explorando temas como a existência de Deus, o livre-arbítrio, o significado da vida e as complexidades das relações humanas. Dostoievski tece uma narrativa rica em psicologia, explorando os dilemas morais e as contradições da natureza humana. Um dos temas centrais da obra é o conflito entre o bem e o mal, que se manifesta de diversas formas nos personagens e nas situações. E apesar de Dostoievski não oferecer uma resposta definitiva sobre qual a natureza do bem e do mal, ele apresenta diferentes perspectivas e argumentos, que muitas vezes se confrontam e se complementam. Cada personagem representa uma visão de mundo, uma forma de lidar com o bem e o mal, e uma busca por sentido e redenção. Vejamos algumas dessas visões: Dmitri, o filho mais velho, é impulsivo e apaixonado, envolvendo-se em disputas amorosas e confrontos com o pai. Ele representa a natureza humana em sua forma mais primitiva e instintiva, guiada pelos desejos e pelas emoções. Ele é capaz de atos de bondade e generosidade, mas também de violência e crueldade. Ele é o mais suspeito de ter matado o pai, mas também o que mais sofre com a culpa e o remorso. Ele busca o perdão e a salvação através do amor e do sacrifício. Já Ivan, o irmão do meio, é um intelectual cético e questionador, conhecido por suas ideias filosóficas.
[15:03]Ele representa a natureza humana em sua forma mais racional e crítica, guiada pela razão e pela lógica. Ele é capaz de atos de inteligência e criatividade, mas também de frieza e indiferença. Ele nega a existência de Deus e de uma ordem moral universal, defende a ideia de que, se Deus não existe, então tudo é permitido. Ele é o mais responsável pelo assassinato do pai, pois influenciou Smerdiakov a cometer o crime. Ele busca a verdade e a justiça através da dúvida e do debate. Aliocha, o filho mais novo, é um monge de coração puro, buscando uma vida piedosa. Ele representa a natureza humana em sua forma mais espiritual e compassiva, guiada pela fé e pela caridade. Ele é capaz de atos de bondade e generosidade, mas também de humildade e resignação. Ele aceita a existência de Deus e de uma ordem moral universal, e defende a ideia de que o amor é o único caminho para a salvação. Ele é o mais inocente pelo assassinato do pai, pois tentou reconciliar a família e evitar o crime. Ele busca a paz e a harmonia através da oração e do perdão. E por último, Smerdiakov, o filho bastardo, é um servo astuto e dissimulado, que vive a margem da família. Ele representa a natureza humana em sua forma mais perversa e maligna, guiada pelo ódio e pela inveja. Ele é capaz de atos de astúcia e manipulação, e também de covardia e traição. Ele rejeita a existência de Deus e de uma ordem moral universal, e defende a ideia de que tudo é permitido para um homem inteligente. Ele é o autor material do assassinato do pai, mas também o que mais se beneficia com o crime. Ele busca o poder e a vingança através da mentira e do cinismo. Essas quatro visões de mundo se confrontam e se complementam ao longo da obra, mostrando a complexidade e a diversidade da natureza humana. Dostoievski não toma partido de nenhuma delas, mas as expõe com suas virtudes e defeitos, suas luzes e sombras, suas esperanças e desesperos. Ele nos convida a refletir sobre o bem e o mal, e sobre as escolhas que fazemos diante deles. Ele nos mostra que o bem e o mal não são categorias absolutas e mutáveis, mas sim dinâmicas que dependem do contexto, da perspectiva e da intenção. Ele nos mostra que o bem e o mal não estão separados e opostos, mas sim entrelaçados e interdependentes, que coexistem dentro de cada um de nós. Ele nos mostra que o bem e o mal não são determinados por forças externas e superiores, mas sim por nossas próprias decisões e ações, que nos tornam responsáveis por nossos destinos.
[17:51]Bom, esse foi o vídeo. Espero que você tenha gostado. É, o vídeo não acabou ainda, calma, tem mais coisa no final. Porém, se você gostou até aqui, já deixa o seu like, se inscreva no canal, me ajuda muito nesse que é o primeiro vídeo do canal. Compartilha com pessoas que você acredita que vão gostar de ver esse tipo de conteúdo. É, se você também admira esse autor, deixa nos comentários quais as obras preferidas suas dele, né? Óbvio que faltou falar de muita coisa aqui, como é O Adolescente, é Os Demônios, Noites Brancas, mas aí ia ficar 50 horas falando de tudo que tem desse autor incrível. Então fica minha recomendação para que você se aprofunde na literatura de Dostoievski, literatura russa em geral. Eu vou deixar vocês com um trecho de uma carta que ele escreveu ao seu irmão, no dia em que iria ser sentenciado à morte, no dia que seria de sua execução. É um trecho que eu acho muito emocionante, e eu espero que vocês gostem. Deixe seu like, se inscreva no canal e até a próxima no Aphoteos. :) Hoje, 22 de Dezembro. Fomos levados à praça de armas do regimento Semeónovski. Ali foi lida para todos nós a sentença de morte. Deram-nos a cruz para beijar, e prepararam nossos trajes para a morte. Em seguida, prenderam três aos postes para execução da sentença. Chamavam de três em três. Portanto, eu estava na segunda fila e não me restava mais de um minuto de vida. E eu me lembrei de ti, meu irmão, de todos nós três. No último minuto, tu só tu estavas em minha mente. E só então fiquei sabendo como eu te amo, meu irmão querido. Tive tempo de abraçar também Pleschêiev e Dúrov, que estavam ao lado e despedi-me deles. Por fim, bateu o sinal. Fizeram voltar os que estavam presos aos postes e leram para nós que sua majestade imperial nos dava a vida, depois as verdadeiras sentenças tiveram prosseguimento. Irmão, não me abati e nem caí em desânimo. A vida é vida em qualquer lugar, a vida está em nós mesmos e não fora. Ao meu lado, haverá pessoas, e ser homem entre elas e assim permanecer para sempre, quaisquer que sejam os infortúnios, sem perder a coragem nem cair em desânimo. Eis em que consiste a vida, em que consiste o seu objetivo. Eu estava consciente disso, essa ideia arraigou-se em mim sim, é verdade. Aquela cabeça que criava, que vivia a vida suprema da arte, que era consciente, habituara-se às demandas superiores do Espírito, aquela cabeça já havia sido cortada do meu pescoço. Restaram a memória e as imagens criadas e ainda não concretizadas por mim, elas haverão de me ulcerar, é verdade, mas em mim restaram o coração e aqueles de sangue e carne que podem amar e sofrer e compadecer-se e lembrar-se, e isso é vida, apesar de tudo. Irmão, adeus, não te aflijas por mim nunca na vida. Reservas tão abundantes e sadias de vida espiritual haviam fervido em mim como neste momento. Mas se o corpo vai aguentar, eu não sei. Meu Deus, quantas imagens, sobreviventes, criadas por mim irão morrer, irão apagar-se em minha cabeça ou derramar-se em meu sangue como veneno. É, se não puder escrever, eu vou morrer. Em minha alma não há fé ou nem raiva. Gostaria de amar muito e abraçar ao menos alguma das pessoas de antes neste momento. Isso é um deleite. Eu experimentei hoje, ao me despedir dos meus entes queridos perante a morte, quando olho para o passado e compreendo quanto tempo perdi em vão, quanto perdi com equívocos, com erros, na ociosidade, na inabilidade para viver, como deixei de apreciá-lo. Quantas vezes pequei contra meu coração e minha alma. Meu coração se põe a sangrar. A vida é uma dádiva, a vida é uma felicidade. Cada minuto poderia ser uma eternidade de felicidade.
[21:44]Fim.



