[0:00]Anda, despacha-te, filha. Daqui a nada estão aí as pessoas e a mesa não está posta. Oh, já. Ai, Olá. Parabéns, avô. Nem no dia dos meus anos eu posso falar daquilo que eu gosto. Tudo menos futebol. Porquê? Ordens do médico. Quando casares, quem é que vai cozinhar? É o teu marido? E qual é o problema? Pelo amor de Deus, hoje em dia já não se usa tanto cozinha homem como mulher. Então, o homem moderno se ajeita na cozinha, né? Fernando não. Moderno. Então, vai em África, também há bacalhau. Que há? Quem é que faz companhia à vossa mãe a comer? Eu sei que a tia não se recorda, mas a mãe, a mãe faleceu há 4 anos. Ah! Era tudo para as filhas. Está a jantar, mãe? É sopa. De cenoura, querida. Outra vez. Legumes, quem o viu e quem o vê. Ó, Adelino, mas tu podes parar de falar da bola? E falo do quê? E não te quero ao pé dos rapazes, sempre ao pé das meninas. Faltas de juntar a nós um bocadinho. Percebem o que é que tu tanto pensas. Ana Luísa, anda embora que já passa da hora. Anda lá, despacharem-se, senão não chegamos à praia, nem sequer sítio temos para pôr as toalhas. Ai!
[1:17]Ona, estás bem? E começaram a aparecer os primeiros namorados. Josefa! Josefa, achas que os teus pais vão gostar de mim? Sim, claro que sim. Eu vou viver com o Carlos, nós já decidimos isso juntos. Filha! Mãe, mãe, mãe, não me vais trancar aqui outra vez. Mãe! Hei, abre a porta! Tu vais sair desta casa para ires morar com um homem por cima do meu cadáver. Abre a porta! Ou então, vais diretamente daqui para a igreja. Vais chorar para debaixo do lençol, que isso passa, filha.



