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O QUE É RACISMO ESTRUTURAL? | DESENHANDO

QoT

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[0:00]O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão, em 1888. Mas mesmo livres, 1 milhão e meio de pessoas negras foram colocadas na sociedade brasileira sem nenhum suporte. E por conta dessa herança histórica, vinda de centenas de anos de escravidão, é que nasce o que chamamos de racismo estrutural. O racismo é uma forma de discriminação que tem raça como alvo, que se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes. Como um conjunto de hábitos, situações ou falas embutidas em nossos costumes, e que promovem direta ou indiretamente o preconceito e a segregação racial. Não dá pra saber exatamente quando o racismo começou, mas essas ideias espalharam entre os séculos XVI e XVII, por conta da colonização do continente americano. Os europeus consideravam em sua visão eurocêntrica, que os povos de origem europeia seriam mais inteligentes e mais capazes de prosperar. Enquanto os negros e indígenas eram considerados animais. Até 1888, os negros eram escravizados e com a abolição e sem ter para onde ir, começou o estigma de que negros são preguiçosos e não gostam de trabalhar. E nesse momento, a sociedade, os lugares e as oportunidades ainda preservavam o pensamento escravocrata. E calava a voz dos negros. Não foram elaboradas leis que contribuíssem para combater esse abismo social, causado pelas décadas anteriores, inserindo os negros na sociedade. Os parâmetros para a criação de leis seguiam um pensamento europeu, que defendia brancos, cristãos, homens. Recém-libertos, os escravizados foram morar em locais onde ninguém queria morar, como os morros, formando as favelas. Sem emprego, sem moradia digna e sem condições básicas de sobrevivência. E mesmo depois de 130 anos de abolição, ainda é muito difícil para a população negra ascender economicamente no Brasil. E mesmo que acenda, infelizmente ainda vai ter uma experiência de racismo para contar. Estudos sobre a desigualdade racial mostram que existe um pensamento enraizado de medo, do branco ser comparado ao negro. De ter as mesmas profissões que os negros, de frequentarem os mesmos lugares. O preconceito está na estrutura que formou esse pensamento. Outra forma de racismo estrutural muito praticado, mesmo sem intenção ofensiva, são as falas e hábitos de linguagem pejorativos incorporados ao nosso cotidiano. Quando usamos expressões racistas como a palavra denegrir, que nada mais é do que tornar algo negro. Ou quando utilizamos nomenclaturas para negros ou pretos, como as palavras mulato e pessoa de cor. Desde sempre, em todas as pesquisas sociais e demográficas, os autodeclarados pretos ou pardos são maioria nos índices de analfabetismo. De desemprego e tem a menor renda mensal. As estatísticas de cor ou raça produzidas pelo IBGE mostram que em média, brancos têm maiores salários. Sofrem menos com o desemprego, são a maioria entre os que frequentam o ensino superior. Isso poderia ser resolvido com a adoção de políticas públicas, que visam reparar aqueles que foram sistematicamente marginalizados e excluídos da sociedade durante tanto tempo. Como foi o caso da criação das cotas raciais, que abriram espaço para que a comunidade negra conseguisse ingressar nas universidades. Mas a sociedade brasileira como um todo, já naturalizou a nossa ausência. Quantas pessoas questionam a falta de negros no legislativo ou no judiciário? Ou porque a maioria dos formandos de curso de medicina não são negros? Mesmo num país de maioria negra? Ou onde estão os altos executivos negros? Isso cai sobre a própria comunidade negra. A gente acaba achando que esses lugares não nos pertencem. De acordo com o Infopen, que cola informações estatísticas do sistema penitenciário brasileiro desenvolvido pelo Ministério da Justiça. Além da precariedade do sistema prisional, as políticas de encarceramento e aumento de pena se voltam contra a população negra e pobre. Entre os presos, 61,7% são autodeclarados pretos ou pardos. E mesmo depois de tudo isso, ainda tem gente que nega que o racismo ainda existe. Ah, mas se eles se esforçarem, eles vão chegar lá. Como se fosse possível chegar no mesmo lugar e no mesmo horário, saindo com bastante atraso. Ou você acha realmente que as oportunidades dadas aos brancos são as mesmas dadas aos negros. É preciso reconhecer que o racismo existe e ele tá enraizado nas estruturas da nossa sociedade. E entender que, como já diria a maravilhosa Angela Davis, numa sociedade racista, não basta apenas não ser racista. Tem que ser antirracista. Porque essa luta não é só nossa, dos negros. Essa luta é de todos.

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