[0:01]ENTRE O MAIS E O MENOS. Viagem na eletricidade.
[0:17]Entre menos e mais. Senhores conceituados em uma certa época, descobriram a eletricidade.
[0:30]Eles tinham rodelas de metal e de pano bolhadas em um ácido, que eles empilhavam umas sobre as outras. Isto fazia uma pilha de rodelas, uma pilha elétrica. Então eles disseram, a eletricidade deve ser alguma coisa que sai por um fio e entra por outro. Então eles escreveram mais de um lado e menos do outro, e decidiram que a eletricidade ia do mais para o menos. Mas tudo isso é o acaso. Para saber ao certo, seria preciso ver de perto os átomos dos fios. Hoje, graças às nossas câmeras especiais, estamos habilitados para apresentar-lhes aqui alguns átomos que nos deram a honra de virem em nossos estúdios para nos explicar. Um átomo é antes de tudo um núcleo com cargas elétricas mais. Em torno vem girar cargas elétricas menos, são os elétrons. Quando existe a mesma quantidade de menos que de mais, as cargas elétricas se anulam. O átomo é eletricamente neutro.
[1:42]Mas os elétrons adoram passear. Então, assim que falta um elétron, há uma carga a mais que não é mais anulada. O átomo não é mais neutro, ele se torna positivo. E quanto mais lhe falta elétrons, mais o átomo é positivo. Ele só terá uma vontade, o átomo, claro, que é de recuperar elétrons.
[2:11]Esses elétrons andarilhos, nós os chamamos de elétrons livres. Só que esses elétrons que andam ao acaso não são os que produzem eletricidade útil. Mas suponhamos que temos dois fios de cobre e entre os dois, uma espécie de aspirador de elétrons. De um lado teremos muitos elétrons livres. É o lado menos. Do outro lado, faltará, onde os átomos são positivos, é o lado mais. Existe entre os dois fios aquilo que chamamos de diferença de potencial, de volts. Por que volts? Ah sim, o senhor que tinha inventado a pilha elétrica se chamava senhor Volta. E quanto mais elétrons faltar de um lado, maior se torna a diferença de potencial, mais volts há. Ao longo dos fios, os átomos certamente só terão uma vontade, recuperar os elétrons que estão no outro fio. Vamos deixar os elétrons passarem. Vamos fazer-lhes uma passagem mais estreitíssima, o filamento de uma lâmpada, por exemplo. Então os elétrons se precipitam, se pressionam, se empurram, os átomos do filamento ficam atrapalhados, esfrega, esquenta, produz luz. Temos uma corrente de elétrons que vai do menos para o mais. Pois é, os nossos senhores se enganaram de direção. É verdade que eles não sabiam ainda o que eram os elétrons. De um lado então, uma bomba a elétrons, um gerador, do outro um receptor. Isto é, um aparelho onde os elétrons passam produzindo energia. Lâmpada, radiador, motor elétrico, etc, etc. Mas se recuperamos energia de um lado, é preciso fornecer do outro lado ao gerador. Nas pilhas, é energia química. Um ácido ataca um metal. Quando o ácido está usado, não há mais volts. Podemos também utilizar a energia solar. Podemos também fazer girar um ímã diante de uma bobina. Aí é preciso energia mecânica. É um pouco desse modo, porém mais complicado que é fabricada a eletricidade que chega na casa de vocês. Mas não tentem saber onde está o mais e onde está o menos. É uma corrente que muda de sentido o tempo todo, a corrente alternada. Mas voltaremos a falar disso.



