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O QUE É O POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE?

Parabólica

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[0:00]E aí, gente, tudo bem? Sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui do Parabólica. Hoje é um dia muito importante, porque a gente vai estudar sobre um filósofo importante, sociólogo importante.

[0:09]Auguste Comte e a sua filosofia, ou o seu modo de pensar positivista. Ou seja, a gente vai entender hoje o que que é o positivismo de Conte, um negócio extremamente cobrado em tudo quanto é lugar, tem muita gente que não sabe.

[0:26]É importante em quase todas as áreas de conhecimento, e eu tenho certeza que vocês vão sair daqui no final dessa aula sabendo direitinho o que que é o positivismo, eh, sem problema nenhum com isso, OK?

[0:37]Então, antes eu já vou convidando vocês a me seguirem nas redes sociais, se inscrever no canal, se não for inscrito e deixar uma curtida aí para ajudar o canal a crescer a cada dia a mais, OK? Isso é muito importante aí pra gente continuar o nosso trabalho aqui no Parabólica, certo?

[0:53]Gente, vamos lá então falar sobre o Conte e o positivismo. O Conte é um filósofo francês. Alguns aí vão chamar de Comte, né?

[1:00]No tempo da minha graduação, aprendi Augusto Conte, mas como francês, a gente costuma dizer, Augusto Conte, mas pouco importa isso, não é mesmo? O importante é que vocês saibam o que que ele pensa, o que que ele quer da vida, né?

[1:17]Até mesmo porque se cobrar sobre esse filósofo no ENEM, ou no seu vestibular, que possivelmente deve cobrar, viu? Vai aparecer o nome escrito, então, pouco importa a tua pronúncia, né?

[1:26]Olha só, gente, vamos lá. Tem muita gente que fala assim para mim: "Ô, ô Pedro, quando que você vai começar as aulas de sociologia?"

[1:33]Talvez sejam agora. Tem um momento que a filosofia, ela vai se emaranhar com a sociologia.

[1:38]Vocês vão entender porquê, porque o Conte é considerado aí um dos primeiros sociólogos do mundo, tá? Um dos primeiros sociólogos. Depois ele nós trabalharemos outro, que são filósofos e sociólogos.

[1:50]Lá na frente a gente vai trabalhar com alguns temas mais focados também para sociologia. Então, se você estava esperando uma aula de sociologia, começou agora, tá? Esse é o momento.

[2:00]Então, Conte, filósofo francês do século XIX, que vai criar, né, que vai ser o grande, o grande nome, né, eh, inicialmente dessa filosofia, desse, desse, desse modelo, desse, desse, desse método de se entender a sociedade chamado de positivismo.

[2:19]Vamos lá, gente. A primeira coisa que a gente precisa saber: o Conte, ele era um filósofo que extremamente crítico a várias coisas da sociedade, principalmente crítico às religiões, crítico à metafísica, entre outras coisas.

[2:38]Que que o Conte vai identificar pra gente de tão importante? Ele vai criar aí o positivismo, que na verdade, a gente costuma dizer em alguns casos, a gente costuma dizer que o positivismo é como se fosse uma, uma evolução, uma evolução do que era o iluminismo do século XVIII, tá?

[2:54]Então, se no século XVIII a gente teve os filósofos iluministas, né, que vocês conhecem muito bem, principalmente na área de história, a gente estuda os iluministas, a importância deles para os movimentos, né, que aconteceram no século XVIII e depois no século XIX, o positivismo é como se fosse algo que viesse para frente, que pegasse coisas do iluminismo e trouxesse mais para frente.

[3:17]Vou dar exemplos para vocês. O positivismo, então, é uma ideia de que se pensa principalmente na ciência como guia de descobertas da nossa sociedade, de guia de descobertas do mundo.

[3:30]O positivismo, então, vai ser uma filosofia, tá, gente? Prestem bastante atenção nisso, que vai identificar que a gente precisa ser muito mais racional do que qualquer outra coisa.

[3:42]A gente precisa confiar e acreditar na ciência. Tudo bem, vocês já viram o iluminismo dizer isso, né, confiar mais na razão.

[3:50]Pois bem, eu falei para vocês que o positivismo, ele pega coisas do iluminismo, né? É influenciado pelo iluminismo. Pro Conte, prestem bem a atenção, existem as ciências exatas, as ciências naturais e existem as ciências humanas.

[4:08]Tudo bem, é, é mais ou menos ali que começou a surgir essa divisão, ciências humanas, ciências naturais, é mais ou menos ali que começou a surgir essa divisão.

[4:18]Pro Conte, as ciências da natureza, a gente não toca. Elas acontecem, são fenômenos que acontecem naturalmente, a gente não consegue, a gente pode ter interpretações sobre essas ciências, mas a gente não consegue transformar, né?

[4:36]A gente não consegue transformar, eh, diretamente. Então, vamos pensar nas leis da física, vamos pensar aí na, na química, né, na biologia.

[4:44]Tudo bem. Você não pode conseguir fazer um sapo nascer com oito patas, pode? Simplesmente, é muito difícil, né?

[4:53]Mas as ciências humanas é um pouco diferente, não é só interpretação. As ciências humanas, elas têm a ver com a gente, é a gente que está criando essas ciências humanas, a gente que tá criando tudo, né?

[5:05]As ciências humanas, elas têm essa característica de, de colocar a mão do ser humano ali. A gente já falou muito disso aqui, certo?

[5:13]Só que pro Conte, pro Conte, prestem bem a atenção. As ciências humanas, as ciências naturais, né, essas coisas todas, elas estão ligadas a uma ordem natural, certo?

[5:30]Não é tão assim, por exemplo, é diferente do pensamento do Marx, o método marxista, como eu falei para vocês, que o ser humano transforma a sua realidade. Pro positivismo do Conte não é bem assim, vocês vão entender porquê.

[5:43]O positivismo, eu costumo dizer que é uma via de mão dupla, porque é importante demais em uns aspectos e chega a ser um pouco exagerado em outros. Vocês vão entender.

[5:56]Olha só, por que que é importante? Porque o Conte através do do positivismo, ele criou, na verdade, o primeiro método científico para poder estudar a sociedade.

[6:08]Então, o primeiro método científico para estudar a sociedade foi criado pelo Conte, foi criado pelo, pela, pela ideia do positivismo, de pegar a sociedade e colocar regras, né, para poder estudar essa sociedade, para poder identificá-la.

[6:22]O que que significa isso, Professor Pedro Rennó? Significa que está surgindo a sociologia, por isso que o Conte já é considerado um dos primeiros sociólogos.

[6:33]É o cara que está falando que ciências humanas também são ciências, porque ele está tentando estudar a sociedade. É o cara que falou assim: existem regras para estudar essa sociedade.

[6:44]E quais são essas regras? A básica que vocês precisam entender que está ligada à moral positivista é entender que a natureza se sobrepõe às ações humanas, principalmente.

[6:58]Peraí, eu não entendi nada disso, o que que você está querendo dizer? O Conte está querendo dizer, e é isso que é o espírito, né, a ideia do positivismo. O Conte está dizendo para a gente que por mais que você tenha ações na sua vida, por mais que as ciências humanas, elas existam, que, né, esse processo que estuda a sociedade, essas coisas todas, as coisas são, de certa forma, natural.

[7:22]O método dele, o positivista significa que existe uma ordem, uma ordem, basicamente, natural para se estudar, para se entender a sociedade. Como assim?

[7:35]Quer dizer que se hoje nós chegamos a esse ponto, a esse patamar, se hoje nós chegamos a esse nível de sociedade que nós temos, é porque houve uma evolução natural.

[7:47]Vocês entendem? Ele está tentando pegar o que as ciências naturais trabalham, da questão da naturalidade, de fato, e está tentando transformar, colocar nas ciências humanas um método muito parecido.

[8:00]Então, por que que eu costumo dizer que Conte e o positivismo são uma via de mão dupla, né? Porque ao mesmo tempo que é extremamente importante para a gente entender que houve, sim, uma preocupação com o estudo da ciência, das humanas, e isso, de fato, é extremamente importante.

[8:18]A gente aprende isso logo de cara, quando você entra numa graduação em humanas. Ao mesmo tempo, é questionável esse método, vocês entendem? É questionável porque a gente, a gente não consegue acreditar logo de cara que a sociedade é feita de forma natural, vocês entendem?

[8:34]Tanto é que eu quero até passar os exemplos para vocês, né? Quero dar exemplos práticos.

[8:39]Imaginem uma, uma sociedade, um modelo de sociedade pautada no positivismo. Então existe uma linha, uma linha positivista, tá, da sociedade, uma linha do tempo, eu estou colocando na tela para vocês, que define que essa sociedade, ela só vai pensar em um progresso.

[9:17]As coisas acontecem de forma natural, então essa sociedade não tem erros, ela não pode ter mazelas. Então essa linha, ela é torta, essa linha, às vezes, ela, ela não é sempre para frente, a gente nem sempre tem progresso sociais.

[9:41]Então, o Conte, ele identifica que o positivismo é natural. As coisas, né, a sociedade, ela é estudada de maneira onde as coisas são naturais. E onde está o problema? Além desse exemplo, onde que estão os problemas?

[9:50]Vou dar exemplos para vocês. Se você identificar que a sociedade são, acontece de maneira natural, então a gente não cabe tantas interpretações para o estudo da sociologia, para o estudo da história, por exemplo, vocês concordam comigo?

[10:06]Que que acontece? Então, a gente passaria, por exemplo, a aceitar um processo de exploração da escravidão no Brasil e no mundo, porque uma das justificativas que os portugueses utilizaram foi que os africanos, eles eram inferiores, certo?

[10:22]Mas se a gente vai pelo método positivista, a gente identifica, então, que os africanos, de fato, eram inferiores, era algo natural a sociedade.

[10:31]E não é assim que a gente tem que identificar, certo? Não é assim que a gente deve identificar. Aí nesse caso, a gente, se a gente quisesse ser até mais radical, a gente chega até em Hitler, a Alemanha da, da década de 30 e da década de 40.

[10:44]Quando o Hitler vem com a ideia do, da superioridade dos arianos. Se a gente utilizar o método positivista, a gente acaba caindo no erro de identificar que de fato, eles eram superiores, é algo natural.

[10:59]Foi a justificativa utilizada pelo Hitler, né, que era algo natural a superioridade dos saxões, não é isso?

[11:06]Então, a gente tem que tomar cuidado, porque ao mesmo tempo que o positivismo é importante, tá, pro, pro processo do estudo das ciências humanas, de identificar o que, que as ciências humanas são importantes, né, de definir um método para a ciência, ela é importante.

[11:24]A gente tem que tomar cuidado de como que é realizado o positivismo. Então, outro exemplo que eu dou para vocês, como que o positivismo está presente no Brasil, ele foi presente na nossa história e ainda é em muitos aspectos.

[11:34]O que está escrito na bandeira do Brasil, na bandeira da República, ordem e progresso, são dizeres do positivismo. Porque é uma sociedade que só pensa numa questão de ordem e numa questão de progresso da sociedade.

[11:48]E quem que colocou essa, essa, esses dizeres na bandeira do Brasil? O exército. Porque se vocês olharem na história, o primeiro presidente do Brasil era militar.

[11:58]A gente viveu os primeiros anos da República Brasileira, foi uma ditadura de dois presidentes, a famosa República da Espada, Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto.

[12:08]Eles deram o golpe da República no dia 15 de novembro de 1889 e acabaram com a monarquia. E qual era a justificativa do exército? A monarquia, ela está defasada.

[12:21]A monarquia está fazendo o Brasil ser atrasado em relação a outras nações, porque quase não existe mais uma monarquia nos moldes brasileiros, na América já não existia, na Europa pouquíssimas monarquias, mas que eram mais avançadas, que eram outros modelos, certo?

[12:36]Então, é hora da República, e essa República precisa de uma ordem e de um progresso. Eu sei que se você pensar, você vai colocar na prática, não é isso que acontece, né? A gente não segue tanto isso.

[12:46]Mas pelo pensamento positivista, essa é a ideia, de seguir uma ordem e um progresso. É por isso, né, os movimentos republicanos aí do século XIX, eles estão muitos, muito ligados a essa ideia, tá?

[13:00]Essa ideia positivista. Mas lembre-se, é perigoso nesse sentido. E ainda falando sobre a naturalidade do que o Conte está abordando para a gente, como que a gente faz para chegar nesse positivismo, nessa ideia de avanço?

[13:14]Para ele é uma sequência natural, certo? Vocês já, já entenderam isso. Então, para ele, no começo da história, as pessoas eram muito ligadas às questões, questões religiosas. Então, se identificava tudo em Deus ou em deuses, tá?

[13:28]A gente está falando dos tempos antigos, dos tempos medievais, se identificava tudo na questão dos deuses.

[13:34]Só que depois, os filósofos passaram a questionar essa ideia de, de Deus, certo? Passaram a questionar e começaram a pensar de maneira um pouco mais racional.

[13:44]Mas mesmo assim, a gente veio com a ideia da metafísica, né? De identificar talvez fenômenos acontecendo, mas não necessariamente pautados na ciência. Então, depois da teologia, da identificação de fenômenos através da religião, a gente começa a identificar a metafísica.

[14:05]E para o Conte, não tem outra solução a não ser uma evolução também desse processo, uma evolução natural, que seria a ciência positiva.

[14:17]Aí nós chegamos no positivismo, que segundo ele foi uma concepção natural, uma evolução natural dessa sociedade. Vocês entenderam? Então, o que que a gente está, está, está falando, né, dessa questão da naturalidade, o que que é o positivismo?

[14:31]Então, o positivismo seria algo que foi chegando, só foi andando para a frente até chegar ali. Por isso que é positivo, não significa que uma pessoa vai ser andando na rua, um filósofo positivista, positivista é um cara que anda assim, né?

[14:44]Não é isso. É porque é só para frente, é um progresso, é uma ordem e um progresso. Esse negócio foi tão sério que o Conte propôs a criação, inclusive, de uma igreja, que a gente vai chamar aí de igreja da humanidade, ou que você também pode chamar de religião positivista.

[15:03]Aí você fala assim: "Peraí, mas se ele é crítico à religião, porque ele acredita que não é pautada na ciência, o positivismo, de fato, é pautado na ciência, isso concordam comigo que é um método, acreditar que é natural."

[15:17]Ele está colocando um método para entender a, a sociedade. Peraí, mas então, o que seria a religião positivista? É identificar deuses? Não, não seria uma questão metafísica, não seria uma questão teológica.

[15:31]E sim, a moral da igreja positivista ou da igreja da humanidade é crer na ciência, crer na razão. É o que o Conte acreditava.

[15:52]Mas chegou a um ponto, tá, que dentro desses templos, depois, é claro que essas ideias, né, começam a se elaborar muito além do que o próprio Conte fala.

[16:01]Inclusive, o que eu falei para vocês sobre a identificação da escravidão, como algo natural, ou, é claro que não, necessariamente, é o Conte que falou isso, mas são os positivistas que vêm após Conte, né, que pegam o, o método que o Conte está colocando, e começam a tentar interpretar a sociedade dessas maneiras.

[16:21]Então, a gente chegou até a esse ponto. Então, vocês entendem que é uma via de mão dupla? Porque, ao mesmo tempo que o positivismo de Conte é importante, porque identifica as humanidades, né, as ciências humanas como objeto de estudo.

[16:35]Identificam como ciência, então, a gente deve muito ao Conte por conta disso. Lógico, eu sou formado em história, que é uma ciência, isso vem muito por conta de Conte, certo? Só que ao mesmo tempo, é um, tem o seu lado, não diria negativo, mas dentro de uma, numa ideia de, de peso, que não, necessariamente, um método positivista é um método que a gente deve aceitar com tanta facilidade.

[17:01]Porque naturalidade para ciências humanas é algo que é bem difícil, né? Se a gente começar a estudar bem, a gente começa a entender que são seres humanos que movem a sua história e as coisas não acontecem de maneira, necessariamente, natural, certo?

[17:15]Eu espero que vocês tenham entendido, espero que vocês tenham gostado, espero que vocês tenham compreendido como que o exército brasileiro, como que a política brasileira se moldou na República pelos, pelos ideais positivistas.

[17:28]E cabe a você, agora, dar uma olhada mais, dar uma leitura mais, mas deixa aqui nos comentários aqui o que que você achou dessa aula. Dê aqui o seu feedback. Eu vou ficando por aqui, foi um grande prazer, grande beijo, fui!

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