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A HISTÓRIA DA INFÂNCIA - Móbile - Iniciação Científica

Móbile Iniciação Científica

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[0:16]I didn't wanna wake you up, but I really wanna show you something.

[0:40]Não são poucos aqueles que adorariam ser criança novamente, passar o dia inteiro sem nenhuma responsabilidade, nenhuma conta para pagar e ter como a mais difícil lição de casa desenhar uma letra e não fazer conta com elas. A infância hoje tem um posto elevado dentre as fases da vida, sendo colocada em um pedestal em nossas memórias. Mas você sabe quando a infância foi inventada? Nós temos a tendência a naturalizar certos sentimentos que foram socialmente construídos durante as revoluções industriais e o início do período conhecido como modernidade. Um exemplo é a ideia de amor incondicional que as mães devem ter com seus filhos. Tanto a ideia de amor materno quanto a infância não são inatas ao ser humano, mas sim foram construídas ao longo dos séculos. O educador italiano Franco Frabboni fala sobre a construção da infância em três distintas fases: a infância negada ou a criança adulto, até o século XV; a infância industrializada ou a criança filho-aluno dos séculos XVI até meados do século XVIII; e, por último, a infância de direitos, ou a criança sujeito social.

[1:47]Até aproximadamente o século XV, segundo o historiador francês Philippe Ariès, em seu livro História Social da Criança e da Família, a arte desconhecia a infância, o que demonstra uma falta de espaço na sociedade medieval para os mais novos. Quando representadas, as crianças se assemelhavam a mini-adultos e muitas vezes tinham as mãos dadas com representações da morte, em alusão à alta mortalidade infantil. Se conseguissem chegar aos 7 anos, eram introduzidas ao mundo adulto sem nenhum preparo para que, junto aos mais velhos, aprendessem as profissões que teriam quando crescessem. A escola, que era reservada à formação dos clérigos, não tinha como função a instrução da criança. Na Idade Média, não havia termos que fossem exclusivos para as crianças. O próprio termo criança já chegou a ser usado para designar soldados. O sentimento mais presente em relação aos mais jovens era o da paparicação. Não é difícil entender que sentimento é esse: é o mesmo que você tem quando vê essas fotos. A grande preocupação existente era ter filhos para que esses cuidassem dos pais anos depois. Isso não significa ausência de sentimento com a criança, mas, devido à alta taxa de natalidade e mortalidade, a criação de laços afetivos era prejudicada. O início da descoberta da possível alma infantil ocorre quando, por volta de 1490, os padres locais passaram a não aceitar que as crianças morressem sem o batismo. Para isso, as crianças que morriam sem essa unção eram ressuscitadas para que recebessem-na e, logo depois, faleciam novamente.

[3:16]A marcação do início dessa nova fase não é exata, do mesmo modo que os acontecimentos que a seguem também não se dão de modo linear. É preciso lembrar que os acontecimentos a serem descritos se deram primeiramente em meninos de altas classes e, depois, com o decorrer do tempo, foram estendendo-se para outras classes e para as meninas. As mudanças que essa segunda fase traz são iniciadas por uma lenta e gradual nova postura que os religiosos e os educadores começam a ter frente à criança. Muito do que era normalmente feito perante aos mais jovens, passou a não ser mais aceito por religiosos e educadores. Há aqui um tímido início da percepção de que a criança é frágil e também pura. Os moralistas, que se iniciam no século XVI, são os que dão força para o discurso de defesa da pureza infantil. Mas eles, que têm esse nome justamente porque criticavam os costumes da época, e que são a corrente que culminará no Iluminismo, tinham uma abordagem um pouco diferente, já que tinham uma preocupação e o interesse no psicológico infantil. Começa então uma campanha de abertura das escolas para as crianças, de modo a enclausurar os pequenos nas escolas. Isso era para que eles tivessem menos contato com o mundo adulto e pudessem ser preparados para ele. No início, essa iniciativa ainda era um pouco falha, já que dentro das escolas não havia separação etária dos alunos. Já no século XVIII, dois fatores são decisivos para o fortalecimento da ideia de infância. O primeiro, a Revolução Industrial, que, iniciada nos meados do 700, formou a família moderna. Com o advento das indústrias, criaram-se dois espaços: a casa, onde fica a família, e a indústria, onde fica o trabalho. Essa separação levou a um fechamento do núcleo familiar que tendeu à formação de um sentimento de afeto muito forte. O segundo, a popularização da leitura, com a difusão da máquina tipográfica que dividiu a sociedade em dois grupos: os que sabem ler e os que não sabem. Na sociedade britânica, por exemplo, Child foi por tempos o termo utilizado para designar aquele que não sabe ler. Mas, com o passar do tempo, nas classes mais altas, os que sabem ler e os que não sabem foram se configurando em dois grupos muito característicos: os mais velhos e os mais novos. A nova família, a necessidade de ensinar os mais novos a ler e a preocupação moral devido à pureza, levaram a uma expansão do número de crianças nas escolas. Nesse princípio, as escolas seguiam uma doutrina bem específica: conhecer para corrigir. A vigilância, a delação e os castigos físicos são as principais características desse sistema. Com o tempo, as próprias famílias começaram a considerar esse método de castigos físicos extremo, o que levou a uma difusão de diferentes e contrastantes métodos de ensino que, até hoje, de certa forma, refletem em nossa educação. Dois teóricos bem importantes foram John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Locke acreditava que a criança era uma folha em branco e que esses menores absorviam passivamente o conhecimento. Também acreditava que as crianças não tinham motivação natural pelo aprendizado e que, portanto, a criação de jogos educativos é essencial para que os mais jovens se sintam convidados a conhecer. Para Locke, os castigos físicos, embora não totalmente dispensáveis, poderiam tornar um menino em um adulto medroso e frágil. Já Rousseau, precursor na pedagogia, afirmava que a infância se dava em diversas fases de desenvolvimento e defendeu que a criança deve ser educada em liberdade. Ele condenou o método da memorização e da repetição de conteúdo e afirmou que a educação deveria preservar o coração livre do vício e o espírito do erro. A diminuição da mortalidade infantil também foi decisiva para o fortalecimento do sentimento em torno da infância. A menor mortalidade e natalidade, resultado do êxodo rural, das melhores condições de higiene e da menor taxa de infanticídio, resultaram em menos filhos por casal. A população, de pouco em pouco, vai aderindo à nova ideia de infância. Os retratos infantis são proliferados quase exponencialmente e podemos ver que os adultos tentam adaptar seu mundo para os mais novos. Um exemplo é a criação dos contos infantis, que nada mais são do que releituras dos contos populares. A história da Chapeuzinho Vermelho deixa de ser uma história sobre uma menina que escolhe ir pelo caminho das agulhas ao invés dos alfinetes e no fim é devorada pelo lobo. Torna-se um conto sobre uma menina que, por desobedecer a mãe, é devorada pelo lobo, mas é salva pelo lenhador, que não existia na versão original. Thank you, the story of The Ugly Duckling for teaching kids that what's important isn't what is on the outside, but what is on the outside later in life. Mas a infância nessa fase é relativa, pois apenas têm esse novo tratamento os que nascem em milhas mais ricas, principalmente, e que vão para a escola, o que configurava uma pequena porcentagem.

[8:09]Agora, sobre todas as crianças recai a ideia de proteção, mesmo que em diversos casos não seja realmente aplicado. Essa fase é extremamente marcada pelas chamadas novas ciências: a psicologia, a pedagogia e a psicanálise. Essas novas ciências demonstraram, ao longo de suas pesquisas, que a qualidade da infância, e não apenas a sua existência, é essencial para o desenvolvimento humano. Esses estudos demonstraram a correlação entre os traumas infantis e certos padrões de comportamento dos adultos que sofreram tais traumas, como o uso de drogas, dependência alcoólica, depressão, comportamento suicida e a maior propensão para doenças como câncer, hepatite, ou problemas na imunidade, no coração, no fígado e no pulmão. Além disso, alguns estudos mostraram que indivíduos com traumas infantis morriam duas décadas antes daqueles que não tinham nenhum tipo de trauma. A escola toma outro rumo: os castigos físicos são proibidos e são inventadas novas punições. O objetivo, além da formação acadêmica e científica dos jovens, é a formação psicológica e cidadã. Mas o que mais marca essa nova fase da infância é a contradição existente entre teoria e prática. Se na teoria é um mar de rosas, a prática depende diretamente da condição socioeconômica e do contexto em que a criança se insere. O que vemos como principal mudança na prática como um todo é a proliferação de movimentos em defesa e preservação da infância e dessas crianças. Porém, ainda existem milhões de crianças que são tratadas como se nada tivesse nunca mudado ao longo dos séculos.

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