[0:00]Uma exploração ousada da anatomia humana, desafiando séculos de crenças estabelecidas. Um brilho misterioso que abriu caminho para uma nova e impressionante visão do mundo. Uma droga prodigiosa que salvou a vida de incontáveis soldados aliados. O assassino por trás de uma epidemia é desmascarado. Estas são algumas das grandes descobertas da história da medicina. Cada uma foi uma inovação revolucionária que salvou vidas, expandindo os limites do conhecimento, ao imaginar o inimaginável.
[1:08]As 100 maiores descobertas do mundo, medicina.
[1:14]Anatomia humana. Na Grécia antiga, o tratamento das doenças se baseava mais na filosofia do que na compreensão genuína da anatomia humana. Os procedimentos cirúrgicos eram raros e a dissecação humana não era uma prática aceita. Com isso, os médicos dispunham de poucas informações sobre o interior do corpo humano. A ciência da anatomia humana só floresceria a partir da Renascença. Andreas Vesalius, um médico belga, chocou a sociedade ao decidir pesquisar a anatomia dissecando corpos humanos. Corpos que muitas vezes ele era obrigado a obter na calada da noite. Como Vesalius, os estudantes de medicina que queriam aprender a dissecar precisavam encontrar corpos fora dos meios legais. Quando Vesalius se tornou professor em Pádua, o encarregado das execuções era um amigo seu.
[2:18]Então Vesalius podia entrar e observar os prisioneiros vivos que aguardavam a execução e dizer, eu quero este ou quero aquele. Então, a pessoa era executada.
[2:29]De acordo com o Dr. Bylebel, Vesalius estava determinado a transmitir os primeiros conhecimentos que obteve com suas habilidosas dissecações, escrevendo um livro sobre a anatomia humana. O resultado foi De Humani Corporis Fabrica, a estrutura do corpo humano. Publicado pela primeira vez em 1538, ele é tido como um dos livros mais importantes da literatura médica. É considerado como uma das maiores conquistas da medicina, porque contém a primeira descrição precisa do interior do corpo humano. Este foi o maior desafio à autoridade dos antigos médicos gregos. O livro vendeu muito, deve ter atingido um público rico e instruído, e chegou muito além da profissão médica. E as figuras se encaixavam de forma elaborada no texto escrito. Ele tornou o conhecimento da anatomia humana muito mais acessível. Graças a Vesalius, o estudo da anatomia humana por meio da dissecação se tornou um componente essencial da educação médica. E abriu o caminho para a nossa próxima grande descoberta. A circulação sanguínea.
[3:47]O coração humano é um músculo do tamanho de um punho. Ele bate mais de 100.000 vezes por dia e terá batido mais de 2 bilhões de vezes quando chegarmos aos 70 anos, bombeando mais de 19 litros de sangue por minuto. O sangue flui através do corpo, viajando por uma complexa rede de veias e artérias. Se todos os vasos sanguíneos de apenas um corpo humano fossem alinhados, calcula-se que chegariam a cerca de 95.000 km, o equivalente a mais de duas voltas na Terra. Mas no início do século 17, o funcionamento do sangue no corpo era mal compreendido. A teoria dominante dizia que o sangue fluía e refluía através do coração por meio de poros no tecido macio. Entre os que acreditavam nesta teoria estava um médico inglês chamado William Harvey. Ele era fascinado pelo funcionamento do coração. Quanto mais ele estudava os corações pulsantes dos animais em sua mesa de dissecação, mais ele percebia que a teoria do fluxo sanguíneo não poderia estar certa. Ele diz de forma explícita, começo a pensar se o sangue não teria um movimento como se estivesse em um círculo. Então, ele inicia um novo parágrafo dizendo, e então descobri que era verdade. Em suas dissecações, Harvey observou que o coração possuía válvulas unidirecionais que mantinham o sangue fluindo em uma só direção. Algumas válvulas deixavam o sangue entrar, enquanto outras o deixavam sair. Esta foi sua grande descoberta. Ele percebeu que o coração bombeava sangue para as artérias e que retornava através das veias, fechando um círculo de volta ao coração, que estava pronto para iniciar o ciclo novamente. Hoje, é óbvio que o sangue circula em um corpo humano. Mas no século 17, a descoberta de William Harvey era revolucionária. Foi um golpe fulminante no núcleo das ideias médicas tradicionais. E no fim deste tratado, Harvey diz, quando penso nas incontáveis implicações que isso terá na medicina, vejo um campo de possibilidades quase infinitas. A descoberta de Harvey gerou grandes avanços nos campos de pesquisa anatômica e cirurgia e outros que salvariam vidas também. Nas salas de cirurgia de centros de trauma em todo o mundo, grampos cirúrgicos são utilizados para obstruir o fluxo sanguíneo e manter a circulação de um paciente intacta. Um dispositivo simples, mas que evoca a grande descoberta de William Harvey.
[6:33]Grupos sanguíneos.
[6:38]Outra grande descoberta relacionada ao sangue ocorreu em Viena, em 1900. As transfusões de sangue eram vistas com grande entusiasmo em toda a Europa. No começo, afirmavam que elas tinham maravilhosos efeitos terapêuticos, mas em alguns meses a euforia foi substituída por relatos de pessoas que haviam morrido. Por que algumas transfusões de sangue funcionavam e outras não? Um médico austríaco chamado Karl Landsteiner estava determinado a encontrar a resposta. Ele misturou amostras de sangue de vários indivíduos e estudou os efeitos. Em alguns casos, as amostras se misturavam com segurança. Mas em outras combinações, o sangue se aglutinava e se tornava pegajoso.
[7:24]Em uma análise mais detida, Landsteiner descobriu que a aglutinação ocorria quando certas proteínas no sangue do receptor, chamadas anticorpos, se ligavam a outras proteínas das células vermelhas do doador, denominadas antígenos. Para Landsteiner, este foi o momento da descoberta. Ele percebeu que o sangue humano não era igual em todas as pessoas e determinou que o sangue humano poderia ser dividido em quatro grupos distintos. Ele chamou esses grupos sanguíneos de A, B, AB e O. Ele percebeu que a transfusão de sangue só podia ser realizada com segurança quando as pessoas recebiam o sangue de alguém que pertencia ao mesmo grupo sanguíneo. O impacto da descoberta de Landsteiner foi imediato. Em poucos anos, as transfusões de sangue eram praticadas em todo o mundo, salvando inúmeras vidas. A partir de 1950, a tipificação sanguínea precisa ajudou a viabilizar os transplantes de órgãos.
[8:28]Hoje, somente nos Estados Unidos, ocorre uma transfusão de sangue a cada 3 segundos. Sem ela, calcula-se que 4 milhões e meio de norte-americanos morreriam a cada ano.
[8:42]Anestesia. Muito bem, senhor Muring, segure-o. Apesar das primeiras grandes descobertas sobre a anatomia humana terem permitido que os médicos salvassem mais vidas, elas não ajudaram muito a diminuir a dor. Sem a anestesia, as cirurgias eram um pesadelo de olhos abertos. Os pacientes eram subjugados ou amarrados a uma mesa. Os cirurgiões trabalhavam o mais rápido que podiam. Quanto antes o tormento acabasse, melhor. Em 1811, uma mulher descreveu o seu suplício. Quando o terrível aço foi gravado, cortando através de veias, artérias, carne, nervos. Ninguém precisou me dizer para não conter meus gritos. Eu dei um grito que durou o tempo todo, tão torturante era a minha agonia.
[9:38]A cirurgia era um último recurso. Muitas pessoas simplesmente preferiam morrer a serem cortadas pelo bisturi do cirurgião. De acordo com a doutora Harden, durante séculos, vários medicamentos foram utilizados para ajudar a aliviar a dor durante as cirurgias. Alguns, como o ópio ou um extrato da raiz da mandrágora eram narcóticos. A partir de 1840, vários indivíduos abriram o caminho para descobrir anestésicos mais eficientes. Em Boston, dois dentistas que se conheciam, Horace Wells e William Morton. E na Geórgia, o médico de uma cidade pequena, chamado Crawford Long. Eles fizeram experiências com duas substâncias químicas que teriam poder de reduzir a dor. O óxido nitroso, ou gás hilariante e o éter, uma mistura líquida de álcool e ácido sulfúrico. Mas quem descobriu a anestesia ainda é uma questão polêmica. Todos os três doutores reivindicam sua descoberta.
[10:40]Uma das primeiras demonstrações públicas de anestesia ocorreu em 16 de outubro de 1846. William Morton já fazia experiências com éter há meses, tentando encontrar uma dosagem que permitiria ao paciente ser submetido a uma cirurgia sem sentir dor. Com um dispositivo especial que havia criado, ele realizou uma demonstração diante de uma plateia de cirurgiões e estudantes de medicina de Boston. Ele administrou éter em um paciente que estava prestes a ter um tumor removido do pescoço.
[11:15]Morton aguardou. O cirurgião fez a primeira incisão.
[11:31]Para surpresa geral, o paciente não gritou. Depois da cirurgia, o paciente relatou não ter sentido nada durante todo o procedimento. E a notícia logo se espalhou. A dor cirúrgica foi dominada. A anestesia havia sido descoberta.
[11:51]Apesar da experiência bem-sucedida, muitas pessoas se mostraram relutantes em utilizar a anestesia. Algumas religiões acreditavam que a dor deveria ser tolerada, não aliviada, especialmente durante o parto. A Rainha Vitória desempenhou um papel nesta história. Em 1853, ela estava dando à luz ao Príncipe Leopold, quando pediu e recebeu o clorofórmio. E então a rainha descobriu que aquilo aliviava a dor do parto. E pouco depois, as mulheres em geral diziam, acho que quero o clorofórmio também, se é bom para a rainha, também é bom para mim.
[12:30]O Raio-X. Também é impossível imaginar a vida sem a nossa próxima grande descoberta. Imagine uma cirurgia sem antes visualizar onde fazer a incisão. Que osso deve estar quebrado, onde a bala pode estar alojada ou qual a condição patológica existente. A capacidade de ver o interior do corpo humano sem cortá-lo e abri-lo foi uma reviravolta na história da medicina.
[13:00]Para saber mais sobre isso, eu fiz uma visita a Bettyann Holtzmann Kevles, professora de história na Universidade de Yale. No fim do século 19, as pessoas utilizavam eletricidade, mas não compreendiam o que ela era. Este é um tubo, que eu acredito ser uma cópia do tubo feita pela Siemens, que deve ter sido usado por Röntgen. Röntgen é o médico alemão Wilhelm Röntgen. Em 1895, ele estava fazendo experiências com um tubo de raio catódico, um cilindro de vidro esvaziado, um tubo de vácuo. Röntgen ficou maravilhado com o brilho criado pelos raios que saíam do tubo.
[13:47]Em um de seus experimentos, Röntgen encerrou o tubo dentro de uma cartolina preta e escureceu a sala. Então, ele ligou o tubo.
[13:59]Momentos depois, algo o surpreendeu. Uma chapa fotográfica em seu laboratório estava brilhando. Ele percebeu que algo muito incomum acontecia, e ele sabia que fosse qual fosse o raio que estivesse saindo de lá não era um raio catódico. Ele também descobriu que ele não reagia ao magnetismo. Não era possível desviá-lo como se fazia com os raios catódicos. Era uma coisa totalmente nova, e ele chamou de X, de desconhecido. Como na álgebra. Exatamente.
[14:33]Röntgen havia descoberto acidentalmente uma radiação desconhecida para a ciência, que ele chamou de raios X. Depois de se manter um tanto misterioso durante várias semanas, ele chamou sua esposa e disse Bertha, Deixe-me mostrar o que estou fazendo, porque ninguém vai acreditar numa coisa dessas. E ele fez com que ela colocasse sua mão sob o raio e produziu uma imagem de sua mão. Bem, a imagem era bem parecida com essa foto.
[15:03]E dizem que ela teria comentado, eu vi minha própria morte. Porque naquela época você só via um esqueleto depois que alguém tivesse morrido. A ideia de ver uma parte do corpo na imagem de uma pessoa viva estava muito além da imaginação. Deveria ter sido devastador.
[15:23]Foi como se uma porta secreta fosse aberta, revelando um universo desconhecido. Röntgen havia descoberto uma nova e poderosa tecnologia que levou a uma revolução nos diagnósticos médicos.
[15:38]Na história da ciência, a descoberta dos raios X foi a única descoberta feita enquanto ninguém estava procurando por ela. Foi totalmente por acaso. Mas tão importante que, uma vez descoberta, ela foi aceita por todos no mundo. Não houve controvérsia. Em uma ou duas semanas nosso mundo havia mudado.
[15:58]Hoje, o legado da descoberta de Röntgen pode ser encontrado nas poderosas tecnologias que seguiram seu rastro. Da tomografia computadorizada que ajuda a diagnosticar o que nos incomoda, até o telescópio de raios-X Chandra da NASA, que os astrônomos estão usando para detectar raios-X dos recantos mais remotos do espaço. E tudo por uma descoberta revelada acidentalmente.
[16:25]A teoria dos germes.
[16:31]Algumas descobertas, como o Raio-X parecem surgir de forma inesperada. Enquanto outras, como a nossa próxima descoberta, se desenvolveram ao longo do tempo, com um cientista contribuindo para o trabalho de outro. Viena, 1846. Uma cidade de beleza e cultura. Mas no Hospital Geral de Viena rondava o espectro da morte. Muitas das mulheres que vinham aqui para dar à luz estavam morrendo. A causa era a febre puerperal, uma infecção do útero.
[17:07]Quando Ignaz Semmelweis veio trabalhar no hospital, ele ficou alarmado com a dimensão do problema e intrigado com uma curiosa discrepância. Havia duas alas. Em uma, os partos eram feitos por médicos. E na outra, as mães tinham seus filhos com parteiras. Semmelweis observou que na ala onde os médicos faziam os partos, 7% das mães morriam da denominada febre puerperal. E na ala em que as parteiras trabalhavam, apenas 2% das mães morriam de febre puerperal, e isso incomodava, porque os médicos possuíam mais instrução. Deveriam se sair melhor com suas pacientes. Semmelweis decidiu descobrir o que estava acontecendo.
[17:58]Ele observou que uma das coisas que os médicos realizavam, mas não as parteiras, era conduzir autópsias nestas mães depois que elas morriam. Depois, eles voltavam a fazer partos e a examinar mães sem lavar suas mãos, exatamente como um mecânico que termina de consertar um carro e passa para o seguinte sem lavar as mãos para remover a graxa e sem ver nenhuma razão para ser obrigado a fazê-lo. Semmelweis se perguntou se os médicos estariam transportando algum agente invisível em suas mãos, que ao entrar em contato com as pacientes da maternidade provocaria sua morte. Para descobrir, ele realizou um teste. Ele decidiu que os estudantes de medicina sob seu comando lavassem as mãos em uma solução de cloro. E, repentinamente, a porcentagem de mortes entre as mães caiu para 1%, ainda mais baixa que a das parteiras. Com esta demonstração, Semmelweis percebeu que a doença infecciosa, neste caso a febre puerperal, tinha uma única causa. Se você eliminasse a fonte da infecção, a doença não ocorreria. Mas em 1846, ninguém havia feito a conexão entre bactérias e infecções. Por isso, a ideia de Semmelweis foi ignorada. Levaria mais de 10 anos até que outro cientista voltasse sua atenção para os germes. Seu nome era Louis Pasteur.
[19:31]Pasteur havia perdido três de seus cinco filhos para a febre tifoide, o que talvez explique porque ele estava determinado a descobrir a causa das doenças infecciosas.
[19:44]Foi o trabalho de Pasteur para a indústria da cerveja e do vinho que o colocou no caminho certo. Ele estava tentando descobrir o que estava estragando grande parte da produção de vinho do país. Ele descobriu que o vinho estragado estava contaminado por microrganismos, os germes. Eram os germes que azedavam o vinho. Mas com um simples tratamento térmico, ele demonstrou que os germes podiam ser eliminados, salvando o vinho. Nascido então, o processo de pasteurização.
[20:21]Quando decidiu descobrir a causa das infecções e das doenças contagiosas, Pasteur já sabia onde procurar. Os germes, segundo ele, causavam doenças específicas, e ele provou isso por meio de uma série de experimentos e demonstrações, que levaram à sua grande descoberta, a teoria do germe. A teoria do germe, literalmente, sinaliza o início da medicina moderna. A teoria do germe se baseia na ideia central de que um microrganismo causa uma única doença nas pessoas. Hoje isso parece ser extremamente óbvio, mas este é um dos conceitos mais revolucionários da medicina.
[21:03]Nas imagens dos salões vitorianos, você vê aquelas lâmpadas com franjas penduradas. E havia muitas tapeçarias, muitos objetos nas mesas e em todo lugar.
[21:24]E, realmente, depois da teoria do germe, toda a percepção do design moderno começou a se tornar mais importante para as pessoas. Elas queriam matar os germes. Então, houve uma mudança na forma de projetar nossas casas. Nós queríamos linhas limpas e polidas para minimizar a ação dos germes. Demorou um pouco, mas nos anos de 1930, no período da art déco, obtivemos essas linhas lustrosas. E isso era diretamente atribuído à teoria do germe.
[21:57]Vacinação.
[22:04]Nossa próxima grande descoberta aconteceu no século 18, quando a varíola matou cerca de 40 milhões em todo o mundo. Os médicos não foram capazes de detectar a causa ou descobrir a cura. Mas o relato sobre uma pequena vila da Inglaterra, cujos habitantes eram imunes à varíola, chamou a atenção de um médico chamado Edward Jenner. Eles diziam que as pessoas que trabalhavam nas leiterias estavam livres da varíola, porque já haviam sido infectadas pela varíola bovina, uma forma menos severa da doença que afetava o gado. As vítimas da varíola bovina apresentavam febre e feridas nas mãos, e mais nada. Jenner estudou o fenômeno e começou a se perguntar se o pus nas feridas da varíola bovina não era, de alguma forma, responsável pela proteção contra a varíola. Em 14 de maio de 1796, durante um surto de varíola, ele decidiu testar sua teoria.
[23:13]Jenner recolheu o pus das feridas das mãos de uma funcionária de uma leiteria. Depois, ele visitou outra família no mesmo vilarejo. Ele então inoculou o vírus da varíola bovina em um garoto saudável de 8 anos, confiando no resultado. Nos dias que se seguiram, o garoto desenvolveu uma febre leve e algumas pústulas da varíola bovina. Depois, se recuperou. Seis semanas depois, Jenner retornou. Desta vez, ele inoculou o garoto com a varíola humana.
[23:51]E aguardou. O momento do sucesso ou do fracasso estava próximo. Em alguns dias, Jenner obteve a resposta. O garoto estava completamente saudável, resistente à varíola. A vacinação contra a varíola foi revolucionária, porque representou a tentativa das pessoas de intervir no processo da doença para preveni-la abertamente. Foi a primeira vez que um produto feito pelo homem foi utilizado ativamente para prevenir uma doença antes que ela ocorresse. 50 anos depois da descoberta de Jenner, Louis Pasteur levou o conceito de vacinação ainda mais longe, desenvolvendo vacinas contra a raiva em seres humanos e antraz em ovelhas. E no século 20, Jonas Salk e Albert Sabin desenvolveram, independentemente, vacinas contra a pólio. E devemos tudo isso à grande descoberta de Jenner.
[24:59]Vitaminas.
[25:05]Nossa próxima grande descoberta dependeu das contribuições de vários pesquisadores que trabalharam de forma independente no mesmo problema ao longo de muitos anos. Ao longo da história, o escorbuto era uma doença dolorosa que afligia os marinheiros com hemorragias e lesões na pele. Finalmente, em 1747, um cirurgião naval escocês chamado James Lind encontrou um remédio. Ele descobriu que o escorbuto poderia ser evitado ao incluir frutas cítricas na dieta dos marinheiros.
[25:36]Outra doença que afligia os marinheiros era o beribéri, uma doença degenerativa que ataca os nervos, o coração e o sistema digestivo. No fim do século 19, um médico holandês chamado Christiaan Eijkman, relacionou sua causa a dietas que incluíam arroz branco polido, em vez de arroz integral não polido. Apesar das duas descobertas indicarem uma ligação entre doenças e deficiências alimentares, a conexão só foi esclarecida com o trabalho do bioquímico britânico Frederick Gowland Hopkins. Ele suspeitava de que o corpo precisava de certos nutrientes que só poderiam ser obtidos com a ingestão de determinados alimentos. Para provar sua teoria, ele conduziu uma série de experimentos. Ele alimentou ratos com uma dieta artificial constituída por proteína pura, gorduras, carboidratos e sais. Os ratos ficaram doentes e pararam de crescer. Mas ao receber uma pequena quantidade de leite, os ratos se recuperaram. Hopkins havia descoberto o que ele chamou de fatores acessórios dos alimentos, que mais tarde vieram a ser conhecidos como vitaminas.
[27:10]A descoberta de Hopkins representou uma grande mudança na nossa compreensão da importância da nutrição. As vitaminas são responsáveis por muitas funções normais do nosso corpo, desde combater uma infecção até regular o metabolismo. É difícil imaginar a vida sem elas, assim como a nossa próxima grande descoberta.
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